REsp 2020240 - ACORDAO
Aplicou-se o juízo de retratação (art. 1.040, II, CPC) e, por força do Tema 1.002/STF (RE 1.140.005/RJ), reconheceu-se que a Defensoria Pública tem direito aos honorários sucumbenciais quando vencedora contra qualquer ente público, determinando-se a condenação do ente federado ao pagamento desses honorários, com...
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- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 22 April 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno / Juízo De Retratação (art. 1.040, Ii, Do Cpc)
- Outcome
- Agravo Interno provido (juízo de retratação, nos termos do art. 1.040, II, do CPC)
- Legal Topics
- Honorários Sucumbenciais, Defensoria Pública, Repercussão Geral, Juízo De Retratação, Súmula 421/stj, Tema 1.002/stf, Art. 85 Do CPC
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Procedural Posture
Agravo Interno / Juízo De Retratação (art. 1.040, Ii, Do Cpc)
Legal Issues
- 1 Aplicação do Tema 1.002/STF sobre direito da Defensoria Pública ao recebimento de honorários sucumbenciais
- 2 Compatibilidade entre entendimento do STJ (Súmula 421) e decisão do STF com repercussão geral
- 3 Necessidade de retorno dos autos à instância de origem para valoração e individualização dos honorários conforme art. 85, §§ 2º e 3º do CPC
Ratio Decidendi
Aplicou-se o juízo de retratação (art. 1.040, II, CPC) e, por força do Tema 1.002/STF (RE 1.140.005/RJ), reconheceu-se que a Defensoria Pública tem direito aos honorários sucumbenciais quando vencedora contra qualquer ente público, determinando-se a condenação do ente federado ao pagamento desses honorários, com destinação exclusiva ao aparelhamento da Defensoria e vedação de rateio entre membros; os autos retornam à origem para valoração e individualização dos honorários nos termos do art. 85, §§ 2º e 3º do CPC.
Court Disposition
Agravo Interno provido (juízo de retratação, nos termos do art. 1.040, II, do CPC)
Orders
- Dar provimento ao agravo interno
- Condenar o ente federado ao pagamento de verba sucumbencial à Defensoria Pública
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Turma, por unanimidade, dar provimento ao agravo interno (juízo de retratação, nos termos do art. 1.040, II, do CPC), nos termos do voto do Sr. Ministro-Relator. Os Srs. Ministros Mauro Campbell Marques e Afrânio Vilela votaram com o Sr. Ministro Relator. Ausente, justificadamente, o Sr. Ministro Francisco Falcão. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. CONDENAÇÃO EM HONORÁRIOS SUCUMBENCIAIS EM FAVOR DA DEFENSORIA PÚBLICA. DECISÃO DO STF COM REPERCUSSÃO GERAL. JUÍZO DE RETRATAÇÃO. ART. 1.040, II, DO CPC. APLICAÇÃO DA TESE 1002/STF. JULGAMENTO DE RECURSO COM REPERCUSSÃO GERAL. AGRAVO INTERNO PROVIDO. 1. Com o retorno dos autos para os fins do art. 1.040, II, do CPC, a hipótese é de aplicação do juízo de retratação. 2. O STF, por ocasião do julgamento do RE 1.140.005/RJ, ao considerar a autonomia administrativa, funcional e financeira atribuída à Defensoria Pública, concluiu pela ausência de vínculo de subordinação ao poder executivo, com consequente superação do argumento de confusão patrimonial, definindo tese que assegura o pagamento de honorários sucumbenciais à instituição, independentemente do ente público litigante, os quais devem ser destinados, exclusivamente, ao aparelhamento das Defensorias Públicas, sendo vedado o rateio dos valores entre os membros (Tema 1.002/STF). 3. Cabível, portanto, a condenação do ente federado ao pagamento de verba sucumbencial à Defensoria Pública. 4. Agravo Interno provido (juízo de retratação, nos termos do art. 1.040, II, do CPC).
RELATÓRIO Cuida-se de Agravo Interno contra decisão monocrática (fls. 883-885, e-STJ) que deu provimento ao Recurso Especial, com base nas Súmula 421 do STJ. A agravante sustenta: Como se vê dos autos, embora a r. decisão esteja lastreada em fundamento constitucional autônomo e suficiente a mantê-la, o recorrente não apresentou o competente recurso extraordinário, limitando-se a impugnar a matéria pela via do recurso especial, o que vai de encontro ao Enunciado 126 da Súmula deste Superior Tribunal de Justiça (..) Não fosse suficiente, é notório que a matéria objeto do presente recurso especial encontra-se afetada ao rito da repercussão geral junto ao Supremo Tribunal Federal (Tema 1002 da Repercussão Geral), gerando presunção absoluta quanto à existência de questão constitucional da matéria, o que, por si só já seria fundamento suficiente para inadmitir o recurso especial pela não apresentação do competente recurso extraordinário. Pleiteia a reconsideração do decisum agravado ou a submissão do Recurso à Turma julgadora. Diante da decisão de fls. 1006-1008, houve o retorno dos autos para os fins do art. 1.040, II, do CPC. É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. CONDENAÇÃO EM HONORÁRIOS SUCUMBENCIAIS EM FAVOR DA DEFENSORIA PÚBLICA. DECISÃO DO STF COM REPERCUSSÃO GERAL. JUÍZO DE RETRATAÇÃO. ART. 1.040, II, DO CPC. APLICAÇÃO DA TESE 1002/STF. JULGAMENTO DE RECURSO COM REPERCUSSÃO GERAL. AGRAVO INTERNO PROVIDO. 1. Com o retorno dos autos para os fins do art. 1.040, II, do CPC, a hipótese é de aplicação do juízo de retratação. 2. O STF, por ocasião do julgamento do RE 1.140.005/RJ, ao considerar a autonomia administrativa, funcional e financeira atribuída à Defensoria Pública, concluiu pela ausência de vínculo de subordinação ao poder executivo, com consequente superação do argumento de confusão patrimonial, definindo tese que assegura o pagamento de honorários sucumbenciais à instituição, independentemente do ente público litigante, os quais devem ser destinados, exclusivamente, ao aparelhamento das Defensorias Públicas, sendo vedado o rateio dos valores entre os membros (Tema 1.002/STF). 3. Cabível, portanto, a condenação do ente federado ao pagamento de verba sucumbencial à Defensoria Pública. 4. Agravo Interno provido (juízo de retratação, nos termos do art. 1.040, II, do CPC). VOTO Os autos foram recebidos neste Gabinete em 5 de dezembro de 2023. Com o retorno dos autos para os fins do art. 1.040, II, do CPC, a hipótese é de aplicação do juízo de retratação. A Súmula 421 do STJ determina que os honorários advocatícios não são devidos à Defensoria Pública quando ela atua contra a pessoa jurídica de direito público à qual pertença. Em sentido oposto, o STF, por ocasião do julgamento do RE 1.140.005/RJ, ao considerar a autonomia administrativa, funcional e financeira atribuída à Defensoria Pública, concluiu pela ausência de vínculo de subordinação ao poder executivo, com consequente superação do argumento de confusão patrimonial, definindo tese que assegura o pagamento de honorários sucumbenciais à instituição, independentemente do ente público litigante, os quais devem ser destinados, exclusivamente, ao aparelhamento das Defensorias Públicas, sendo vedado o rateio dos valores entre os membros (Tema 1.002/STF). O Tema 1.002 de repercussão geral: Em razão da autonomia e da relevância institucional das Defensorias Públicas, é constitucional o recebimento de honorários sucumbenciais quando estas representarem o litigante vencedor em demanda ajuizada contra qualquer ente público, ainda que o litígio se dê contra o ente federativo que integram. As reformas trazidas pelas EC 45/2004, 74/2013 e 80/2014 atribuíram autonomia funcional, administrativa e financeira às Defensorias dos estados e da União. Portanto, no contexto atual, as Defensorias Públicas são consideradas órgãos constitucionais independentes, sem subordinação ao Poder Executivo. Como deixaram de ser vistas como órgãos auxiliares do governo, que integram e vinculam-se à estrutura administrativa do estado-membro, encontra-se superado o argumento de violação do instituto da confusão (art. 381 do Código Civil). Vale ressaltar, contudo, que é vedado o rateio, entre os membros da Defensoria Pública, do valor recebido a título de verbas sucumbenciais decorrentes de sua atuação judicial. Essa quantia deve ser destinada, exclusivamente, para a estruturação das unidades dessa instituição, com vistas ao incremento da qualidade do atendimento à população carente e à garantia da efetividade do acesso à Justiça. STF. Plenário. RE 1.140.005/RJ, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 26/06/2023 (Repercussão Geral - Tema 1.002) (Info 1100) Superado o entendimento previsto na Súmula 421 do STJ. Ante o exposto, em juízo de retratação nos termos do art. 1.040, II, do CPC, reexamino o mérito do presente processo para dar provimento ao Agravo Interno da ora agravante e determino o retorno dos autos a Corte a quo, dada a necessidade de valoração dos critérios fáticos estabelecidos no art. 85, § 2º, do CPC, que serão utilizados também para individualização das alíquotas a serem aplicadas conforme as margens definidas no art. 85, § 3º, do CPC, responsável pelo arbitramento dos honorários. É como voto.