AREsp 2541046 - DECISAO
O exame do recurso especial restou prejudicado em razão da existência de Repercussão Geral sobre a mesma matéria (Tema 1.255/STF), sendo necessário sobrestar o recurso e devolver os autos ao tribunal de origem para que aguarde a publicação do acórdão do STF; após tal publicação, o tribunal de origem deverá negar...
Source-derived case information.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 02 April 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Recurso Prejudicado E Autos Devolvidos Ao Tribunal De Origem Para Aguardar Julgamento Do Tema 1.255/stf
- Outcome
- Recurso prejudicado; autos devolvidos ao tribunal de origem para aguardar julgamento do Tema 1.255/STF
- Legal Topics
- Honorários Sucumbenciais, Fixação Por Equidade (art. 85, §8º, Cpc/2015), Judicialização Da Saúde, Súmula 7 Do STJ, Repercussão Geral Tema 1.255/stf, Tema 1.076/stj
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Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Recurso Prejudicado E Autos Devolvidos Ao Tribunal De Origem Para Aguardar Julgamento Do Tema 1.255/stf
Legal Issues
- 1 Possibilidade de fixação dos honorários advocatícios por apreciação equitativa em ação de fornecimento de medicamento
- 2 Aplicação do Tema 1.255 do STF e necessidade de sobrestamento do recurso especial
- 3 Competência do tribunal de origem para juízo de retratação após decisão do STF
Ratio Decidendi
O exame do recurso especial restou prejudicado em razão da existência de Repercussão Geral sobre a mesma matéria (Tema 1.255/STF), sendo necessário sobrestar o recurso e devolver os autos ao tribunal de origem para que aguarde a publicação do acórdão do STF; após tal publicação, o tribunal de origem deverá negar seguimento se sua decisão coincidir com o entendimento do STF ou proceder ao juízo de retratação se divergir.
Court Disposition
Recurso prejudicado; autos devolvidos ao tribunal de origem para aguardar julgamento do Tema 1.255/STF
Orders
- Julgo prejudicado o exame do presente recurso especial.
- Determino a devolução dos autos ao Tribunal a quo, com a respectiva baixa, para que, após a publicação do acórdão a ser proferido pelo Supremo Tribunal Federal (Tema 1.255/STF), em observância aos arts. 1.039, 1.040, I e II, e 1.041 do CPC/2015: a) negue seguimento ao recurso, se a decisão recorrida coincidir com a...
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto contra decisão da Corte de origem que não admitiu o recurso especial em razão da incidência da Súmula 7 do STJ. O apelo nobre obstado enfrenta acórdão, assim ementado (fl. 325): AGRAVO INTERNO NA APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER. HONORÁRIOS SUCUMBENCIAIS. DEFENSORIA PÚBLICA. CABIMENTO. TEMA 1002 DO STF. ARBITRAMENTO POR EQUIDADE. IMPOSSIBILIDADE. DEMANDA FACILMENTE VALORADA. AUSÊNCIA DE FATOS NOVOS. DECISÃO MANTIDA. 1. Nos termos da orientação fixada no Tema 1.002 do STF, é devido o pagamento de honorários sucumbenciais à Defensoria Pública, quando representa parte vencedora em demanda ajuizada contra qualquer ente público, inclusive aquele que integra, devendo o valor recebido a título de honorários sucumbenciais ser destinado, exclusivamente, ao aparelhamento das Defensorias Públicas, vedado o seu rateio entre os membros da instituição. 2. O valor da obrigação de fazer de fornecimento de medicamento é estimável, assim, não merece prosperar o pedido de fixação dos honorários por apreciação equitativa, conforme art. 85, §8º, do CPC. 3. Ausente fato novo relevante capaz de alterar o entendimento esposado na decisão agravada e constatada a reiteração dos argumentos já anteriormente rebatidos, impõe-se o desprovimento do agravo interno e a manutenção do decisum. Agravo Interno conhecido e desprovido. No recurso especial o recorrente alega violação do artigo 85, § 8º, do CPC/2015, argumentando, em síntese, que (fls. 335-336): Nos termos do novo código de processo civil, os honorários serão fixados sobre o valor da condenação ou do proveito econômico (art. 85, §2º) e não sobre o valor da causa. Contudo, nos processos de judicialização de saúde, não existe proveito econômico, mas o deferimento de uma prestação de saúde, devendo a fixação de honorários se dar de forma equitativa (art. 85, §8º) e nunca sobre o valor do tratamento, ainda mais se de alto custo. .. Em todas as peças elaboradas pelo polo ativo, referentes a pleitos relacionados à assistência de saúde, o argumento principal formulado pelos autores é o dever constitucional de entrega de serviço de saúde, o que corrobora a tese de seu valor inestimável. Com efeito, na espécie, o valor conferido à causa foi elevado, de sorte que o arbitramento de honorários com base em tal importância resultará em exorbitante monta que, além de não refletir o trabalho despendido pelo advogado e a complexidade da causa, acarretará apenas o agravamento do já combalido orçamento do SUS. Com contrarrazões. Neste agravo afirma que seu recurso especial satisfaz os requisitos de admissibilidade e que não se encontram presentes os óbices apontados na decisão agravada. É o relatório. Decido. Consigne-se inicialmente que o recurso foi interposto contra decisão publicada na vigência do Código de Processo Civil de 2015, devendo ser exigidos os requisitos de admissibilidade na forma nele previsto, conforme Enunciado Administrativo n. 3/2016/STJ. Tendo a parte insurgente impugnado os fundamentos da decisão agravada, passo ao exame do recurso especial. Verifica-se que o recurso especial versa sobre a possibilidade, ou não, de fixação dos honorários advocatícios por equidade em ação de medicamentos a qual o bem jurídico tutelado é a vida, de valor inestimável. Nesse sentido, em que pese o entendimento do Superior Tribunal de Justiça exposto no julgamento do Tema 1.076, é de se ressaltar que o Supremo Tribunal Federal reconheceu a existência de Repercussão Geral do Tema 1.255 - RE 1.412.069 - Possibilidade da fixação dos honorários por apreciação equitativa (artigo 85, § 8º, do Código de Processo Civil) quando os valores da condenação, da causa ou o proveito econômico da demanda forem exorbitantes, cuja descrição é a seguinte: Recurso extraordinário em que se discute, à luz dos artigos 2º, 3º, I e IV, 5º, caput, XXXIV e XXXV, 37, caput, e 66, § 1º, da Constituição Federal, a interpretação conferida pelo Superior Tribunal de Justiça ao art. 85, §§ 2º, 3º e 8º, do Código de Processo Civil, em julgamento de recurso especial repetitivo, no sentido de não ser permitida a fixação de honorários advocatícios por apreciação equitativa nas hipóteses de os valores da condenação, da causa ou o proveito econômico da demanda serem elevados, mas tão somente quando, havendo ou não condenação: (a) o proveito econômico obtido pelo vencedor for inestimável ou irrisório; ou (b) o valor da causa for muito baixo (Tema 1.076/STJ). Tendo em vista que a matéria objeto de análise no supracitado Tema é a única examinada no presente recurso especial, o sobrestamento dos autos na origem, para aguardar o julgamento do Recurso Extraordinário sob a sistemática da Repercussão Geral é medida que se impõe, tendo em vista a economia processual e para se evitar a prolação pelo STJ de provimentos jurisdicionais em desconformidade com o que for definitivamente decidido pela Corte Suprema. Nesse sentido: REsp 1.486.671/RS, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe 25/11/2014; AgRg no REsp 1.467.551/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 9/9/2014. Ante o exposto, julgo prejudicado o exame do presente recurso no presente momento processual e determino a devolução dos autos ao Tribunal a quo, com a respectiva baixa, para que, após a publicação do acórdão a ser proferido pelo Supremo Tribunal Federal (Tema 1.255/STF), em observância aos artigos 1.039, 1.040, I e II, e 1.041 do CPC/2015: a) negue seguimento ao recurso, se a decisão recorrida coincidir com a orientação exarada pelo STF; ou b) proceda ao juízo de retratação, na hipótese de o acórdão vergastado divergir da decisão sobre o tema. Publique-se. Intimem-se EMENTA PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. MATÉRIA COM REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. TEMA 1. 255 DO STF. SOBRESTAMENTO DO RECURSO ATÉ O EXERCÍCIO DO JUÍZO DE CONFORMAÇÃO. DEVOLUÇÃO DOS AUTOS AO TRIBUUNAL DE ORIGEM.