REsp 2106235 - ACORDAO
Verificou-se a ausência de violação do art. 1.022 do CPC porque o Tribunal de origem apreciou fundamentadamente a matéria; além disso, a jurisprudência do STJ admite a fixação de honorários sucumbenciais quando a execução fiscal é extinta por pagamento extrajudicial realizado após o ajuizamento, ainda que antes da...
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- Parties
- Agravante: NEOTEC INDUSTRIA E COMERCIO DE PNEUS LTDA; Agravante: SOCIEDADE MICHELIN DE PARTICIPAÇOES INDUSTRIA E COMERCIO LTDA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 02 September 2024
- Procedural Posture
- Agrav O Interno / Julgado Pela Primeira Turma (sessão Virtual)
- Outcome
- Nego provimento ao agravo interno.
- Legal Topics
- Honorários Sucumbenciais, Pagamento Administrativo Do Débito Fiscal, Princípio Da Causalidade, Citação, Art. 1.022 CPC (omissão)
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Parties
NEOTEC INDUSTRIA E COMERCIO DE PNEUS LTDA
Agravante
SOCIEDADE MICHELIN DE PARTICIPAÇOES INDUSTRIA E COMERCIO LTDA
Agravante
Procedural Posture
Agrav O Interno / Julgado Pela Primeira Turma (sessão Virtual)
Legal Issues
- 1 Cabimento de honorários sucumbenciais quando a execução fiscal é extinta por pagamento administrativo antes da citação
- 2 Verificação de omissão, contradição ou obscuridade nos termos do art. 1.022 do CPC
Ratio Decidendi
Verificou-se a ausência de violação do art. 1.022 do CPC porque o Tribunal de origem apreciou fundamentadamente a matéria; além disso, a jurisprudência do STJ admite a fixação de honorários sucumbenciais quando a execução fiscal é extinta por pagamento extrajudicial realizado após o ajuizamento, ainda que antes da citação, em atenção ao princípio da causalidade; por isso, negou-se provimento ao agravo interno.
Court Disposition
Nego provimento ao agravo interno.
Orders
- Nego provimento ao agravo interno.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 20/08/2024 a 26/08/2024, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Benedito Gonçalves, Sérgio Kukina, Regina Helena Costa e Gurgel de Faria votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Paulo Sérgio Domingues. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO. RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. PAGAMENTO ADMINISTRATIVO DO DÉBITO FISCAL. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL NÃO VERIFICADA. HONORÁRIOS SUCUMBENCIAIS. CABIMENTO. PROVIMENTO NEGADO. 1. Inexiste a violação do art. 1.022 do Código de Processo Civil quando a prestação jurisdicional é dada na medida da pretensão deduzida, como na espécie. O Tribunal de origem apreciou fundamentadamente a controvérsia, não padecendo o julgado de erro material, omissão, contradição ou obscuridade. 2. Para o Superior Tribunal de Justiça (STJ), é possível a fixação de honorários sucumbenciais quando da extinção da execução fiscal em razão do pagamento administrativo da dívida tributária antes da citação da parte contribuinte devedora. 3. Agravo interno a que se nega provimento.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno interposto por NEOTEC INDUSTRIA E COMERCIO DE PNEUS LTDA e SOCIEDADE MICHELIN DE PARTICIPAÇOES INDUSTRIA E COMERCIO LTDA contra a decisão de minha relatoria de fls. 485/487, em que neguei provimento ao recurso especial. Em suas razões recursais, a parte agravante alega que o débito fiscal foi quitado antes da realização da citação da ação executiva, razão pela qual impugna a cobrança de honorários sucumbenciais. Requer a reconsideração da decisão agravada ou a apresentação do processo ao órgão colegiado competente. A parte adversa apresentou impugnação (fls. 520/527). É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO. RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. PAGAMENTO ADMINISTRATIVO DO DÉBITO FISCAL. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL NÃO VERIFICADA. HONORÁRIOS SUCUMBENCIAIS. CABIMENTO. PROVIMENTO NEGADO. 1. Inexiste a violação do art. 1.022 do Código de Processo Civil quando a prestação jurisdicional é dada na medida da pretensão deduzida, como na espécie. O Tribunal de origem apreciou fundamentadamente a controvérsia, não padecendo o julgado de erro material, omissão, contradição ou obscuridade. 2. Para o Superior Tribunal de Justiça (STJ), é possível a fixação de honorários sucumbenciais quando da extinção da execução fiscal em razão do pagamento administrativo da dívida tributária antes da citação da parte contribuinte devedora. 3. Agravo interno a que se nega provimento. VOTO O recurso não merece prosperar. Consoante consignado na decisão agravada, o Tribunal de origem entendeu que a quitação administrativa do débito fiscal antes da citação da ação executiva não afastava o ônus de sucumbência, o qual devia ser suportado pela parte executada em razão do princípio da causalidade. Na ocasião, ficou consignado (fl. 354): A condenação em honorários advocatícios é uma decorrência lógica do princípio da sucumbência, contido em outro mais amplo, o princípio da causalidade, segundo o qual a parte que deu causa à instauração do processo deve arcar com os encargos dele decorrentes. E, conforme entendimento jurisprudencial predominante, adimplido o débito principal, na via administrativa, quando já ajuizada a execução fiscal, responde a parte executada, citada ou não, por custas e honorários advocatícios, haja vista a incidência do princípio da causalidade. Verifico que inexiste a alegada violação do art. 1.022 do Código de Processo Civil, pois a prestação jurisdicional foi dada na medida da pretensão deduzida, consoante se depreende da análise do acórdão recorrido. O Tribunal de origem apreciou fundamentadamente a controvérsia, não padecendo o julgado de erro material, omissão, contradição ou obscuridade. Ressalto que julgamento diverso do pretendido, como neste caso, não implica ofensa ao dispositivo de lei invocado. No mérito, a solução adotada pelo Tribunal de origem está em consonância com o entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) de que: " .. são devidos honorários advocatícios pela parte executada à Fazenda Pública na hipótese de a execução fiscal ser extinta em decorrência do pagamento extrajudicial do crédito tributário, realizado posteriormente ao ajuizamento do feito, ainda que efetuado antes da citação da contribuinte. In verbis: REsp 1.854.592/SC, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 5/3/2020, DJe 31/8/2020; AgInt no AgInt no REsp 1.425.138/PR, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 13/8/2019, DJe 16/8/2019 e AgInt no AREsp 1.067.906/PE, relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, julgado em 5/12/2017, DJe 13/12/2017" (REsp 1.994.500/ES, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 7/3/2023, DJe de 10/3/2023). E, ainda: PROCESSUAL CIVIL. EXECUÇÃO FISCAL. PAGAMENTO ADMINISTRATIVO ANTES DA CITAÇÃO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. CABIMENTO. 1. "Esta Corte adota o entendimento segundo o qual se revela cabível a condenação do executado, nos casos em que a execução fiscal tenha sido extinta em decorrência do pagamento extrajudicial do crédito tributário, ainda que efetuado antes da citação do contribuinte, em atendimento ao princípio da causalidade e tendo em vista que o pagamento extrajudicial do débito fiscal equivale ao reconhecimento da dívida executada" (AgInt no REsp 2.055.834/PE, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, julgado em 19/6/2023, DJe de 22/6/2023.). 2. Agravo interno desprovido. (AgInt no REsp n. 2.108.423/RS, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, julgado em 8/4/2024, DJe de 18/4/2024.) Ante o exposto, nego provimento ao agravo interno. É o voto.