REsp 1901625 - ACORDAO
O agravo interno foi negado porque a decisão que determinou a devolução dos autos ao tribunal de origem para eventual juízo de retratação, em face de repercussão geral reconhecida (art. 1.035, §5º do CPC/2015), não possui carga decisória e, portanto, é irrecorrível salvo erro manifesto, o que não foi demonstrado...
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- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 01 July 2021
- Procedural Posture
- Agravo Interno / Interposto Contra Decisão Monocrática Que Rejeitou Embargos De Declaração; Julgamento Pela Segunda Turma Com Decisão De Negar Provimento Ao Agravo Interno
- Outcome
- Agravo Interno não provido; nego provimento ao Agravo Interno
- Legal Topics
- ICMS Sobre Tarifa De Uso Do Sistema De Distribuição (tusd), Repercussão Geral, Devolução Dos Autos Ao Tribunal De Origem, Sobrestamento, Art. 1.035, § 5º Do Cpc/2015, Juízo De Retratação/conformação (arts. 1.040 E 1.041 Do Cpc/2015)
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Procedural Posture
Agravo Interno / Interposto Contra Decisão Monocrática Que Rejeitou Embargos De Declaração; Julgamento Pela Segunda Turma Com Decisão De Negar Provimento Ao Agravo Interno
Legal Issues
- 1 Efeito e irrecorribilidade da decisão de devolução dos autos e sobrestamento por repercussão geral
- 2 Se a suspensão do andamento do mandado de segurança implica suspensão da eficácia da sentença que confirmou a liminar
- 3 Aplicabilidade do Código de Processo Civil de 2015 ao caso
Ratio Decidendi
O agravo interno foi negado porque a decisão que determinou a devolução dos autos ao tribunal de origem para eventual juízo de retratação, em face de repercussão geral reconhecida (art. 1.035, §5º do CPC/2015), não possui carga decisória e, portanto, é irrecorrível salvo erro manifesto, o que não foi demonstrado pela agravante; assim, os argumentos da agravante são insuficientes para desconstituir a decisão atacada.
Court Disposition
Agravo Interno não provido; nego provimento ao Agravo Interno
Orders
- Negar provimento ao Agravo Interno
- Manter a devolução dos autos ao tribunal de origem e o sobrestamento nos termos do art. 1.035, §5º, do CPC/2015 para eventual juízo de retratação/conformação (arts. 1.040 e 1.041 do CPC/2015)
Full Case Text
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2 paragraphs
EMENTA PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. ICMS SOBRE TARIFA DE USO DO SISTEMA DE DISTRIBUIÇÃO (TUSD). DEVOLUÇÃO DOS AUTOS AO TRIBUNAL DE ORIGEM. MATÉRIA COM REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA E DETERMINAÇÃO DE SUSPENSÃO (ART. 1.035, § 5º, DO CPC/2015). ARGUMENTOS INSUFICIENTES PARA DESCONSTITUIR A DECISÃO ATACADA. 1. É firme a orientação desta Corte segundo a qual a decisão que determina a devolução dos autos para que, após publicado do acórdão relativo ao recurso repetitivo, o Recurso Especial seja novamente examinado pelo Tribunal de origem, não gera prejuízo à parte recorrente. Nesse contexto, a determinação de sobrestamento, com o efetivo retorno dos autos à Corte estadual, a fim de que lá seja exercido o competente juízo de retratação/conformação (arts. 1.040 e 1.041 do CPC/2015), não possui carga decisória, sendo portanto irrecorrível, salvo se demonstrado, efetivamente, erro ou equívoco patente, o que não ocorre no caso dos autos. Nesse sentido: AgInt no REsp n. 1.140.843/PR, Rel. Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, julgado em 23/10/2018, DJe 30/10/2018 e AgInt no AREsp n. 1.151.542/DF, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 25/10/2018, DJe 6/11/2018.) 2. Agravo Interno não provido. ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Francisco Falcão, Og Fernandes, Mauro Campbell Marques e Assusete Magalhães votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Herman Benjamin.
RELATÓRIO O EXMO. SR. MINISTRO HERMAN BENJAMIN (Relator): Cuida-se de Agravo Interno interposto contra decisão monocrática (fls. 379-380, e-STJ) que rejeitou os Embargos de Declaração. A parte agravante sustenta, em suma (fl. 390, e-STJ): Com todo respeito, as razões de decidir estão dissociadas do verdadeiro cerne da controvérsia. A recorrente não questiona o fato de que o processo de origem está abrangido pelo Tema 986 e, por isso, deve ficar sobrestado. A insurgência diz respeito à ilação de que a suspensão do andamento do mandado de segurança implica a suspensão da eficácia da sentença que confirmou a liminar. Em outras palavras, o recorrente não está a questionar a ordem de suspensão do processo em razão da afetação de recurso repetitivo, mas a automática atribuição de efeito suspensivo a apelação no mandado de segurança que, por lei, não ostenta tal efeito, conforme art. 14, §3º, da Lei 12.016/2009. Impugnação às fls. 404-408, e-STJ. É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. ICMS SOBRE TARIFA DE USO DO SISTEMA DE DISTRIBUIÇÃO (TUSD). DEVOLUÇÃO DOS AUTOS AO TRIBUNAL DE ORIGEM. MATÉRIA COM REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA E DETERMINAÇÃO DE SUSPENSÃO (ART. 1.035, § 5º, DO CPC/2015). ARGUMENTOS INSUFICIENTES PARA DESCONSTITUIR A DECISÃO ATACADA. 1. É firme a orientação desta Corte segundo a qual a decisão que determina a devolução dos autos para que, após publicado do acórdão relativo ao recurso repetitivo, o Recurso Especial seja novamente examinado pelo Tribunal de origem, não gera prejuízo à parte recorrente. Nesse contexto, a determinação de sobrestamento, com o efetivo retorno dos autos à Corte estadual, a fim de que lá seja exercido o competente juízo de retratação/conformação (arts. 1.040 e 1.041 do CPC/2015), não possui carga decisória, sendo portanto irrecorrível, salvo se demonstrado, efetivamente, erro ou equívoco patente, o que não ocorre no caso dos autos. Nesse sentido: AgInt no REsp n. 1.140.843/PR, Rel. Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, julgado em 23/10/2018, DJe 30/10/2018 e AgInt no AREsp n. 1.151.542/DF, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 25/10/2018, DJe 6/11/2018.) 2. Agravo Interno não provido. VOTO O EXMO. SR. MINISTRO HERMAN BENJAMIN (Relator): Os autos foram recebidos neste Gabinete em 6.4.2021. É firme a orientação desta Corte segundo a qual a decisão que determina a devolução dos autos para que, após publicado do acórdão relativo ao recurso repetitivo, o Recurso Especial seja novamente examinado pelo Tribunal de origem, não gera prejuízo à parte recorrente. Nesse contexto, a determinação de sobrestamento, com o efetivo retorno dos autos à Corte estadual, a fim de que lá seja exercido o competente juízo de retratação/conformação (arts. 1.040 e 1.041 do CPC/2015), não possui carga decisória, sendo portanto irrecorrível, salvo se demonstrado, efetivamente, erro ou equívoco patente, o que não ocorre no caso dos autos. Nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL. CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. APLICABILIDADE. DEVOLUÇÃO DOS AUTOS AO TRIBUNAL DE ORIGEM. MATÉRIA COM REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA E DETERMINAÇÃO DE SUSPENSÃO (ART. 1.035, § 5º, DO CPC/15). DECISÃO IRRECORRÍVEL. ARGUMENTOS INSUFICIENTES PARA DESCONSTITUIR A DECISÃO ATACADA. APLICAÇÃO DE MULTA. ART. 1.021, § 4º, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. DESCABIMENTO. I - Consoante o decidido pelo Plenário desta Corte na sessão realizada em 09.03.2016, o regime recursal será determinado pela data da publicação do provimento jurisdicional impugnado. Assim sendo, in casu, aplica-se o Código de Processo Civil de 2015. II - A decisão de sobrestamento, com determinação de retorno dos autos ao tribunal de origem, a fim de que lá seja exercido o juízo de conformidade (arts. 1.040 e 1.041 do CPC/15), não possui carga decisória, sendo portanto irrecorrível, salvo se demonstrado, efetivamente, erro ou equívoco patente, o que não ocorreu. Precedentes. III - A Agravante não apresenta argumentos suficientes para desconstituir a decisão recorrida. IV - Em regra, descabe a imposição da multa, prevista no art. 1.021, § 4º, do Código de Processo Civil de 2015, em razão do mero improvimento do Agravo Interno em votação unânime, sendo necessária a configuração da manifesta inadmissibilidade ou improcedência do recurso a autorizar sua aplicação, o que não ocorreu no caso. V - Agravo Interno não conhecido. (AgInt no REsp n. 1.140.843/PR, Rel. Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, julgado em 23/10/2018, DJe 30/10/2018.) ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. RECONHECIMENTO DE REPERCUSSÃO GERAL QUANTO AO TEMA VERSADO NO APELO ESPECIAL. SOBRESTAMENTO DESTE ÚLTIMO COM DEVOLUÇÃO À CORTE DE ORIGEM PARA EVENTUAL E OPORTUNO JUÍZO DE CONFORMAÇÃO. POSSIBILIDADE. 1. Podendo a ulterior decisão do STF, em repercussão geral já reconhecida, influenciar no julgamento da matéria veiculada no recurso especial, conveniente se faz que o STJ, em homenagem aos princípios processuais da celeridade e da efetividade, determine o sobrestamento do especial e devolva os autos ao Tribunal de origem, para que nele se realize eventual juízo de retratação frente ao que vier a ser decidido na Excelsa Corte. Precedentes: AgInt no AgInt no REsp 1.603.061/SC, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe 28/06/2017; e AgInt no AgInt no REsp 1.380.952/GO, Rel. Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, DJe 21/08/2017. 2. Somente com o exaurimento da jurisdição do Tribunal de origem, decorrente da observância do procedimento previsto nos arts. 1.040 e 1.041 do CPC/2015, é que será definida a existência de questão infraconstitucional residual a ser apreciada por esta Corte. 3. Agravo interno não conhecido. (AgInt no AREsp n. 1.151.542/DF, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 25/10/2018, DJe 6/11/2018.) Assim, em que pesem as alegações trazidas pela agravante, seus argumentos são insuficientes para desconstituir a decisão impugnada. Ante o exposto, nego provimento ao Agravo Interno. É como voto.