REsp 1960400 - DECISAO
Não conhecer do recurso especial porque o acórdão recorrido apreciou a adequação do caso concreto a entendimento firmado em recurso repetitivo, sendo inadmissível a interposição de novo recurso especial contra acórdão de adequação em face da competência exclusiva e definitiva do tribunal de origem prevista no art....
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- Parties
- Recorrente: Ronald de Paula Neves
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 05 August 2025
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Não Conhecimento Do Recurso Especial (decisão De Admissibilidade)
- Outcome
- não conheço do recurso especial de fls. 910/943
- Legal Topics
- Imposto De Renda Pessoa Física, Decadência, Prescrição Quinquenal, Lançamento Por Homologação, Precedente Repetitivo (art. 543 C Do Cpc)
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Parties
Ronald de Paula Neves
Recorrente
Procedural Posture
Recurso Especial / Não Conhecimento Do Recurso Especial (decisão De Admissibilidade)
Legal Issues
- 1 Admissibilidade de novo recurso especial contra acórdão de adequação a precedente repetitivo
- 2 Contagem do prazo decadencial/prescricional para lançamento de ofício do IRPF
- 3 Aplicação de entendimento consolidado em recurso repetitivo (Tema 383/REsp 1.120.295/SP)
Ratio Decidendi
Não conhecer do recurso especial porque o acórdão recorrido apreciou a adequação do caso concreto a entendimento firmado em recurso repetitivo, sendo inadmissível a interposição de novo recurso especial contra acórdão de adequação em face da competência exclusiva e definitiva do tribunal de origem prevista no art. 543-C do CPC e consolidada na jurisprudência do STJ.
Court Disposition
não conheço do recurso especial de fls. 910/943
Orders
- Não conhecer do recurso especial de fls. 910/943.
- Publique-se.
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DECISÃO Trata-se de segundo recurso especial (fls. 910/943), manejado por Ronald de Paula Neves, com base no art. 105, III, a, da CF, contra acórdão em juízo de adequação proferido pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, assim ementado (fls. 899/900): APELAÇÃO. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA. 1. O STJ decidiu, sob o rito dos recursos especiais repetitivos (REsp 1.120.295/SP - Tema 383/STJ), que "o prazo prescricional quinquenal para o Fisco exercer a pretensão de cobrança judicial do crédito tributário conta-se da data estipulada como vencimento para o pagamento da obrigação tributária declarada (mediante DCTF, GIA, entre outros), nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, em que, não obstante cumprido o dever instrumental de declaração da exação devida, não restou adimplida a obrigação principal (pagamento antecipado), nem sobreveio quaisquer das causas suspensivas da exigibilidade do crédito ou interruptivas do prazo prescricional". 2. O contribuinte pessoa física declarou os rendimentos (como não tributáveis) em sua declaração de ajuste anual/DAA exercício 2000 (ano calendário 1999). Logo, o prazo decadencial/prescricional relativo a cobranças em relação ao contribuinte pessoa física só podem ser contados a partir da data de entrega da sua própria declaração. Isso porque o imposto de renda pessoa física é tributo cujo fato gerador é complexivo, motivo por que a lei impõe a obrigatoriedade da declaração de ajuste pelo contribuinte. Nessa sistemática, as retenções na fonte são meras antecipações, mas não o próprio pagamento, na medida em que este é apurado no último dia do período e está sujeito a declaração de ajuste anual, apresentada sempre no exercício financeiro seguinte ao da percepção dos rendimentos. A parte recorrente reprisa as razões aduzidas no apelo raro de fls. 824/854 no que apontou violação aos arts. 1.022 do CPC; 173, 116, parágrafo único, 136, 137, 173, inciso I, do CTN; e 41, § 1º da Lei 8.981/95. Foram ofertadas contrarrazões à fl. 954. É O RELATÓRIO. SEGUE A FUNDAMENTAÇÃO. A irresignação não merece conhecimento. Há muito restou consolidado no STJ o entendimento de que "Na sistemática introduzida pelo artigo 543-C do CPC, incumbe ao Tribunal de origem, com exclusividade e em caráter definitivo, proferir juízo de adequação do caso concreto ao precedente formado em repetitivo, não sendo possível, daí em diante, a apresentação de qualquer outro recurso dirigido a este STJ, sob pena de tornar-se ineficaz o propósito racionalizador implantando pela Lei 11.672/2009" (Questão de Ordem no Ag 1.154.599/SP, Rel. Ministro Cesar Asfor Rocha, Corte Especial, DJe de 12/5/2011). Essa mesma intelecção é aplicável ao caso em tela, devendo-se ter como inadmissível a interposição de novo recurso especial contra o acórdão de adequação a repetitivo proferido pelo Tribunal regional. Ilustrativamente, em sentido análogo, confiram-se os julgados: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. NEGATIVA DE SEGUIMENTO AO APELO NOBRE. APLICAÇÃO DE TESE FIRMADA EM RECURSO REPETITIVO. INTERPOSIÇÃO DE AGRAVO INTERNO. MANEJO DE NOVO RECURSO ESPECIAL CONTRA ACÓRDÃO QUE JULGOU AGRAVO INTERNO. DESCABIMENTO. MANOBRA PROCESSUAL RECHAÇADA. FORMA REFLEXA DE BURLAR A COMPENTÊNCIA EXCLUSIVA DOS TRIBUNAIS ORDINÁRIOS. REPROVABILIDADE. MULTA. 1. A manobra processual utilizada pela agravante de interpor novo recurso especial contra o acórdão que julga o agravo interno e, consequentemente, mantém a higidez da negativa de seguimento em razão da incidência de precedente qualificado é amplamente rechaçada pela jurisprudência do STJ e do STF, pois configura forma oblíqua de intentar a análise de questão cuja competência é restrita aos tribunais ordinários, a quem cabe promover o juízo de conformação e aferir a correta aplicação do repetitivo ou da repercussão geral à hipótese dos autos. Precedentes. 2. A atuação temerária e inadequada da agravante, com o manejo de novo recurso especial do acórdão que expressamente consignou ser a hipótese de incidência de tese qualificada, recurso esse que, a teor dos precedentes já citados, se mostra manifestamente incabível e que efetivamente demostra o desprezo da agravante com a ordem legal, legitima a aplicação de sanção nos termos dos arts. 80 e 81 do CPC. Precedentes. Agravo interno improvido. (AgInt no AREsp n. 2.543.079/MG, relator Ministro Humberto Martins, Terceira Turma, DJe de 9/10/2024.) TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. TRIBUNAL DE ORIGEM. APLICAÇÃO AO CASO CONCRETO DE ENTENDIMENTO FIRMADO EM RECURSO ESPECIAL REPETITIVO. NOVO RECURSO ESPECIAL. NÃO CABIMENTO. MANDADO DE SEGURANÇA. CARÁTER NORMATIVO. JUROS DECORRENTES DE INADIMPLEMENTO DE CONTRATO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA - IRPJ. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL. INCIDÊNCIA. PRECEDENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Há muito restou consolidado no STJ o entendimento de que " n a sistemática introduzida pelo artigo 543-C do CPC, incumbe ao Tribunal de origem, com exclusividade e em caráter definitivo, proferir juízo de adequação do caso concreto ao precedente formado em repetitivo, não sendo possível, daí em diante, a apresentação de qualquer outro recurso dirigido a este STJ, sob pena de tornar-se ineficaz o propósito racionalizador implantando pela Lei 11.672/2009" (Questão de Ordem no Ag n. 1.154.599/SP, Rel. Ministro Cesar Asfor Rocha, Corte Especial, DJe de 12/5/2011). 2. Inadmissível a interposição de novo recurso especial contra o acórdão de adequação a repetitivo proferido pelo Tribunal local. Nesse sentido: AgInt no AREsp n. 2.073.120/SC, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe de 20/10/2023. 3. A via mandamental não se presta à obtenção de sentença preventiva genérica aplicável a todos os casos futuros da mesma espécie. A propósito: AgInt no AREsp n. 1.648.130/SP, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 19/4/20224; e AgInt no RMS n. 58.652/SP, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 19/12/2019. 4. A Primeira Seção deste STJ firmou a orientação de que incidem o IRPJ e a CSLL nos juros de mora decorrentes do inadimplemento de contratos por possuírem a natureza de lucros cessantes. Precedente: AgInt nos EREsp n. 1.523.149/RS, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Seção, DJe de 1º/12/2023. 5. Agravo interno não provido. (AgInt no REsp n. 1.469.588/RS, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe de 12/9/2024.) ANTE O EXPOSTO, não conheço do recurso especial de fls. 910/943. Publique-se. EMENTA