AREsp 2447290 - ACORDAO
Negou-se provimento ao agravo interno porque a agravante não impugnou, especificamente, todos os fundamentos da decisão que não conheceu do agravo em recurso especial, aplicando-se a Súmula 182/STJ e observando-se o princípio da dialeticidade, de modo que não se conhece o agravo interno quando não atendido esse ônus.
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: ZANCA ALONSO SOCIEDADE INDIVIDUAL DE ADVOCACIA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 28 February 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento (negado Provimento)
- Outcome
- Negou provimento ao agravo interno no agravo em recurso especial.
- Legal Topics
- Impugnação Da Decisão Agravada, Súmula 182/stj, Admissibilidade Do Recurso Especial, Princípio Da Dialeticidade
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
ZANCA ALONSO SOCIEDADE INDIVIDUAL DE ADVOCACIA
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento (negado Provimento)
Legal Issues
- 1 Incidência da Súmula 182/STJ quando a parte agravante não impugna especificamente todos os fundamentos da decisão denegatória de seguimento ao recurso especial
- 2 Ônus da dialeticidade na demonstração do desacerto da decisão agravada
- 3 Conhecimento do agravo em recurso especial
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo interno porque a agravante não impugnou, especificamente, todos os fundamentos da decisão que não conheceu do agravo em recurso especial, aplicando-se a Súmula 182/STJ e observando-se o princípio da dialeticidade, de modo que não se conhece o agravo interno quando não atendido esse ônus.
Court Disposition
Negou provimento ao agravo interno no agravo em recurso especial.
Orders
- Nego provimento ao agravo interno no agravo em recurso especial.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da TERCEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 20/02/2024 a 26/02/2024, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Sra. Ministra Relatora. Os Srs. Ministros Humberto Martins, Ricardo Villas Bôas Cueva, Marco Aurélio Bellizze e Moura Ribeiro votaram com a Sra. Ministra Relatora. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. IMPUGNAÇÃO DA DECISÃO AGRAVADA. FUNDAMENTO NÃO IMPUGNADO. SÚMULA 182. INCIDÊNCIA. 1. Não merece conhecimento o agravo que não impugna, especificamente, todos os fundamentos da decisão denegatória de seguimento ao recurso especial. 2. Agravo interno no agravo em recurso especial não provido.
RELATÓRIO Cuida-se de agravo interposto por ZANCA ALONSO SOCIEDADE INDIVIDUAL DE ADVOCACIA contra decisão unipessoal que não conheceu do agravo em recurso especial que interpusera. Ação: de compensação por dano moral e reparação por dano material, ajuizada pela agravado, em, face da agravante, na qual alega ter contratado a Dra. Waldiane Carla Gagliaze Zanca Alonso (OAB/SP nº 121.778), proprietária do escritório agravante, para atuar apenas na fase executória de uma reclamação trabalhista. Assevera que a agravante, ao repassar o valor para o agravado, reteve, além de seus honorários, 30%, supostamente referente aos horários do antigo advogado. Requer o pagamento de R$ 20.797,50 (vinte mil, setecentos e noventa e sete reais e cinquenta centavos) a título de danos materiais, e danos morais no valor de R$ 10.000,00 (dez mil reais). Sentença: julgou procedente o pedido, para condenar a agravante a devolver ao agravado os valores que extrapolam o percentual de 10% de honorários advocatícios, referente ao acordo trabalhista, corrigido monetariamente desde o último pagamento e com juros de mora de 1% ao mês a partir da citação, assim como ao pagamento de compensação por danos morais fixada em R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Acórdão: negou provimento à apelação interposta pela agravante, nos termos da seguinte ementa: APELAÇÃO - AÇÃO CONDENATÓRIA - RECURSO DO RÉU - HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS CONTRATUAIS - DISCUSSÃO SOBRE O PERCENTUAL DE HONORÁRIOS CONTRATADO (10,20 OU 30%) - JULGAMENTO EXTRA PETITA - INEXISTÊNCIA - LIMITES DA DEMANDA RESPEITADOS - MÉRITO- CONTROVÉRSIA FÁTICA - PROVAS SUSTENTAM A VERSÃO DO AUTOR- RECONHECIMENTO DE RETENÇÃO INDEVIDA PRATICADA PELO RÉU - DEVOLUÇÃO MANTIDA - INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS - CABIMENTO- VALOR ADEQUADO - COMPENSAÇÃO - POSTERGAÇÃO PARA FASE EXECUTIVA - IMPUGNAÇÃO À GRATUIDADE - DESCABIMENTO - RECURSO NÃO PROVIDO. 1 - Não há julgamento extra petita quando se observa um estrito respeito aos limites da demanda, constituindo a alegação de nulidade uma verdadeira confusão entre a essência da controvérsia (discussão sobre provas) e a natureza dos comandos judiciais (condenatório, declaratório, constitutivo, etc.). Nulidade afastada. 2 - No mérito, a controvérsia cinge-se a definir qual o percentual de honorários contratuais combinado entre as partes, prevalecendo a versão do autor, pautada que foi em provas documentais específicas, inexistindo, da parte do réu, contraprova idônea. Retenção indevida reconhecida. 3 - É cabível indenização por danos morais diante da retenção indevida de valores por patrono, considerando a peculiaridade da situação, a fragilidade do autor, ex-cliente, e a aflição gerada pela recusa em devolver valores que não lhe pertenciam. Valor de cinco mil reais adequado ao caso. 4 - A compensação de valores é matéria a ser discutida na fase de cumprimento de sentença, descabendo sua apreciação a essa altura. 5 - A impugnação à gratuidade concedida deve ser acompanhada de contraprova capaz de ilidir a presunção já reconhecida de hipossuficiência econômica, hipótese que não ocorrera, dada a fragilidade dos argumentos do réu. RECURSO DO RÉU NÃO PROVIDO.. (e-STJ Fls. 1.388/1.389) Recurso especial: alega violação dos arts. 141 e 492 do CPC; 188 do CC, bem como dissídio jurisprudencial. Decisão unipessoal: não conheceu do agravo em recurso especial, ante a aplicação da Súmula 182/STJ, eis que a parte agravante não impugnou todos os fundamentos utilizados pelo TJ/SP para inadmitir o recurso especial que interpusera. Agravo interno: nas razões do presente recurso, a parte agravante sustenta a inaplicabilidade da Súmula 182/STJ à hipótese dos autos, eis que impugnou todos os fundamentos da decisão que negou seguimento ao apelo especial. É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. IMPUGNAÇÃO DA DECISÃO AGRAVADA. FUNDAMENTO NÃO IMPUGNADO. SÚMULA 182. INCIDÊNCIA. 1. Não merece conhecimento o agravo que não impugna, especificamente, todos os fundamentos da decisão denegatória de seguimento ao recurso especial. 2. Agravo interno no agravo em recurso especial não provido. VOTO A decisão agravada não conheceu do agravo em recurso especial interposto pela parte agravante, com fundamento no art. 253, parágrafo único, I, do RISTJ, e da aplicação, por analogia, da Súmula 182/STJ, tendo em vista que esta não teria impugnado todos os fundamentos da decisão que inadmitiu o seu recurso especial. Pela análise das razões recursais apresentadas, verifica-se que a parte agravante não trouxe qualquer argumento novo capaz de ilidir os fundamentos da decisão agravada. Em atenção ao princípio da dialeticidade, cumpre à parte recorrente o ônus de evidenciar, nas razões do agravo em recurso especial, o desacerto da decisão agravada. Assim, cabia à parte agravante demonstrar que, nas razões do agravo em recurso especial, combateu os termos da decisão agravada, ônus do qual não se desincumbiu, não sendo possível impugnar a decisão de admissibilidade no agravo interno. E, consoante entendimento pacífico desta Corte, não merece conhecimento o agravo em recurso especial que não impugna, especificamente, os fundamentos da decisão denegatória de seguimento ao recurso especial, a teor do disposto na Súmula 182 do STJ, a qual se subsume perfeitamente ao presente recurso. DISPOSITIVO Forte nessas razões, NEGO PROVIMENTO ao agravo interno no agravo em recurso especial.