AREsp 2375128 - ACORDAO
Negou-se provimento ao agravo regimental porque a agravante deixou de impugnar especificamente os fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial, de modo que se aplica a Súmula 182/STJ e subsiste o óbice da Súmula 7/STJ quanto ao reexame de matéria fático-probatória.
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: ANGELA MARIA MILLER MARQUES; Apelante: Ministério Público Federal
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 09 October 2024
- Procedural Posture
- Agravo Regimental No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento Pela Sexta Turma – Acórdão Que Negou Provimento Ao Agravo Regimental
- Outcome
- Negar provimento ao agravo regimental
- Legal Topics
- Impugnação Dos Fundamentos Da Decisão Agravada, Súmula 182/stj, Súmula 7/stj, Inadmissão De Recurso Especial, Estelionato
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Parties
ANGELA MARIA MILLER MARQUES
Agravante
Ministério Público Federal
Apelante
Procedural Posture
Agravo Regimental No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento Pela Sexta Turma – Acórdão Que Negou Provimento Ao Agravo Regimental
Legal Issues
- 1 Se a agravante impugnou especificamente os fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial
- 2 Incidência da Súmula 182/STJ por impugnação genérica
- 3 Aplicabilidade da Súmula 7/STJ quanto ao reexame de matéria fático-probatória
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo regimental porque a agravante deixou de impugnar especificamente os fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial, de modo que se aplica a Súmula 182/STJ e subsiste o óbice da Súmula 7/STJ quanto ao reexame de matéria fático-probatória.
Court Disposition
Negar provimento ao agravo regimental
Orders
- Negar provimento ao agravo regimental
Full Case Text
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2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Sexta Turma, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Otávio de Almeida Toledo (Desembargador Convocado do TJSP), Sebastião Reis Júnior e Rogerio Schietti Cruz votaram com o Sr. Ministro Relator. Ausente, justificadamente, o Sr. Ministro Og Fernandes. EMENTA PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. A USÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. O agravante deixou de impugnar todos os fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial, atraindo a aplicação do óbice previsto na Súmula n. 182 desta Corte. 2. Agravo regimental desprovido.
RELATÓRIO O EXMO. SR. MINISTRO ANTONIO SALDANHA PALHEIRO (Relator): Trata-se de agravo regimental interposto por ANGELA MARIA MILLER MARQUES contra decisão de minha relatoria que não conheceu do agravo em recurso especial (e-STJ fls. 521/524). Depreende-se dos autos que a agravante foi absolvida da imputação contida na denúncia (e-STJ fls. 341/345). O Ministério Público Federal interpôs apelação. O Tribunal de origem deu provimento ao recurso para condenar a agravante, pela prática do crime de estelionato, à pena de 1 ano e 4 meses de reclusão, no regime inicial aberto, e a 39 dias-multa, nos termos da ementa de e-STJ fl. 402: APELAÇÃO CRIMINAL. ESTELIONATO. ART. 171, § 3º, DO CÓDIGO PENAL. SEGURO-DESEMPREGO. MATERIALIDADE, AUTORIA E DOLO DEMONSTRADOS. CONDENAÇÃO. DOSIMETRIA. PENA DE MULTA. CRITÉRIOS. REGIME ABERTO. SUBSTITUIÇÃO DA PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE. POSSIBILIDADE. 1. Configura o delito de estelionato a obtenção indevida de valores de de seguro-desemprego, em prejuízo do Fundo de Amparo ao Trabalhador, mediante fraude consistente na permissão de inserção de informações falsas acerca de vínculo trabalhista, realizada por terceiro/servidor público, em sistema informático de entidade ou órgão público. 2. O valor da pena de multa deve guardar proporcionalidade com a sanção corporal fixada, enquanto o valor do dia-multa leva em conta a situação econômica do condenado. 3. Nos casos em que a pena fixada for inferior a 4 anos, as circunstâncias do art. 59 do Código Penal forem favoráveis, e não se verificar reincidência, mostra-se possível a fixação do regime inicial aberto para o início do cumprimento da pena privativa e sua substituição por restritivas de direitos. 4. A prestação de serviços à comunidade é a que melhor alcança os propósitos da substituição: ao tempo em que afasta o condenado da prisão e exige dele esforço e sacrifício no cumprimento da pena, reduz a sensação de impunidade. Súmula 132 desta Corte. 5. A prestação pecuniária aplicada em substituição à pena privativa de liberdade deve ser suficiente para a prevenção e reprovação do crime praticado, observadas a extensão dos danos decorrentes do ilícito e a situação econômica do condenado. Nas razões do recurso especial, fundado no art. 105, inciso III, alínea a, da Constituição Federal , a defesa sustenta negativa de vigência aos arts. 171 do Código Penal e 386 do Código de Processo Penal. Sustenta "que os fundamentos adotados em instância recursal para reverter o julgamento e condenar a parte não apresentaram elementos robustos para configurar o elemento subjetivo do tipo e afastar a aplicação do princípio in dubio pro reo. Conforme argumentado, o acórdão tomou como base meramente evidências e elementos circunstanciais, não sendo pleiteada a reanálise destes elementos mas sim tão somente a idoneidade da condenação criminal sem indicação de provas sobre o dolo - imprescindíveis ao crime de estelionato" (e-STJ fl. 438). Pugna, ao final, pelo provimento do recurso "para que seja mantida a absolvição da ré ocorrida em instância originária com base no artigo 386, VII, do Código de Processo Penal" (e-STJ fl. 439). O recurso especial foi inadmitido (e-STJ fls. 460/463). Agravo em recurso especial apresentado (e-STJ fls. 471/491). O Ministério Público Federal se manifestou pelo desprovimento do agravo em recurso especial (e-STJ fls. 514/519). A decisão ora combatida assentou a ausência de impugnação dos fundamentos da decisão outrora agravada (e-STJ fls. 521/524). No presente agravo regimental, sustenta a defesa "que a parte agravante apresentou oposição em face de todas as questões de inadmissibilidade propostas pelo Tribunal de origem, consoante se pode perceber no recurso que consta às e-STJ fls.472/491. Especificamente, quanto ao óbice da Súmula 7/STJ" (e-STJ fl. 529). Requer, ao final, o provimento do recurso para reconsiderar a decisão agravada ou, subsidiariamente, a submissão do presente recurso a julgamento pela Turma do Superior Tribunal de Justiça. É, em síntese, o relatório. EMENTA PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. A USÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. O agravante deixou de impugnar todos os fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial, atraindo a aplicação do óbice previsto na Súmula n. 182 desta Corte. 2. Agravo regimental desprovido. VOTO O EXMO. SR. MINISTRO ANTONIO SALDANHA PALHEIRO (Relator): Não assiste razão a agravante. Com efeito, como consignado na decisão agravada, o Tribunal de origem não admitiu o recurso especial, tendo em vista que os pedidos esbarram no óbice da Súmula n. 7/STJ. Vale consignar que, conforme devidamente fundamentado na decisão agravada, quanto ao óbice da Súmula n. 7/STJ, a defesa não argumentou especificamente de que forma não demandaria incursão no acervo fático-probatório dos autos a revisão das premissas fixadas pelo Tribunal de origem, limitando-se a genericamente impugná-lo e a repisar integralmente o apelo especial. No caso, deveria a agravante demonstrar a desnecessidade da análise do conjunto fático-probatório, deixando claro que os fatos foram devidamente registrados no acórdão de origem, o que não aconteceu. Nesse sentido: AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PENAL. PLEITO PARA INTIMAÇÃO QUANTO À DATA DE JULGAMENTO, COM O FIM DE APRESENTAR SUSTENTAÇÃO ORAL. INCABÍVEL MINUTA DE AGRAVO QUE NÃO INFIRMA ESPECIFICAMENTE OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 182 DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. SÚMULAS N.os 7 e 83 DO STJ. RAZÕES RECURSAIS. IMPUGNAÇÃO GENÉRICA. PEDIDO PARA CONCESSÃO DE HABEAS CORPUS, DE OFÍCIO. UTILIZAÇÃO COMO MEIO PARA ANÁLISE DO MÉRITO DO RECURSO. INVIABILIDADE. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. Nos termos do art. 258 do Regimento Interno deste Superior Tribunal de Justiça, o agravo regimental relativo à matéria penal em geral será apresentado em mesa, para que o órgão colegiado sobre ela se pronuncie, confirmando-a ou reformando-a. Além disso, o art. 159, inciso IV, do RISTJ também afasta a realização de sustentação oral no julgamento do agravo regimental, salvo expressa disposição legal em contrário, o que não constitui a hipótese dos autos. Precedente da Terceira Seção. 2. Nas razões do agravo em recurso especial, não foram rebatidos, especificamente, os fundamentos da decisão agravada relativos à aplicação da Súmula 284 do Supremo Tribunal Federal, e à incidência das Súmulas n. 7 e 83 do Superior Tribunal de Justiça, atraindo, à espécie, a aplicação da Súmula n. 182/STJ. 3. Não foi demonstrado o desacerto da decisão agravada, indicando eventual superação do entendimento do STJ, em que a Corte local se orientou ou, ainda, eventual distinção com o caso dos autos. 4. O comando contido na Súmula n. 83/STJ também é aplicável aos recursos interpostos com fulcro nas alíneas a e c do permissivo constitucional. 5. No tocante à aplicação da Súmula n. 7 do Superior Tribunal de Justiça, nas razões do agravo em recurso especial, o Agravante se limitou a sustentar genericamente que a matéria seria apenas jurídica, sem explicitar, à luz da tese recursal trazida no recurso especial, de que maneira a análise não dependeria do reexame de provas. Assim, não houve a observância da dialeticidade recursal, motivo pelo qual careceu o referido recurso de pressuposto de admissibilidade, qual seja, a impugnação efetiva e concreta aos fundamentos utilizados para inadmitir o recurso especial, no caso, a incidência da citada súmula desta Corte. .. 7. Agravo regimental desprovido. (AgRg nos EDcl no AREsp 1777813/MG, Rel. Ministra LAURITA VAZ, SEXTA TURMA, julgado em 16/3/2021, DJe 25/3/2021, grifei.) Desse modo, não havendo impugnação específica dos referidos fundamentos da decisão questionada, deve ser aplicado, por analogia, o teor da Súmula n. 182/STJ . Nesse sentido: PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. FUNDAMENTOS INATACADOS. SÚMULA N. 182 DO STJ. INCIDÊNCIA. REVOLVIMENTO DE MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA N. 7 DO STJ. APLICAÇÃO. ACÓRDÃO RECORRIDO EM CONSONÂNCIA COM ENTENDIMENTO DO STJ. SÚMULA N. 83 DO STJ. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. Incide a Súmula n. 182 do STJ se a parte deixa de impugnar especificamente os fundamentos da decisão agravada. 2. Para afastar o óbice da Súmula n. 7 do STJ, a parte recorrente deve demonstrar, de forma clara e objetiva, mediante o desenvolvimento de argumentação hábil, a desnecessidade de reexame de fatos e provas para a aferição de violação de dispositivo de lei federal. 3. Para impugnar a incidência da Súmula n. 83 do STJ, o agravante deve demonstrar que os precedentes indicados na decisão que inadmitiu o recurso especial são inaplicáveis ao caso ou deve colacionar precedentes contemporâneos ou supervenientes aos indicados na decisão para comprovar que outro é o entendimento jurisprudencial do STJ. 4. Agravo regimental desprovido. (AgRg no AREsp 1823881/PR, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, QUINTA TURMA, julgado em 20/4/2021, DJe 26/4/2021, grifei.) Ante o exposto, nego provimento ao agravo regimental. É o voto. Ministro ANTONIO SALDANHA PALHEIRO Relator