AREsp 2451908 - ACORDAO
Negou-se provimento ao agravo interno porque a agravante deixou de impugnar, de forma efetiva, específica e motivada, todos os fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial (não cabimento de REsp para reexame fático-probatório, ausência de afronta ao art. 1.022 do CPC, incidência da Súmula 83 do STJ e...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: CAPEMISA SEGURADORA DE VIDA E PREVIDÊNCIA S/A
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 14 March 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento Em Sessão Virtual (05/03/2024 a 12/03/2024)
- Outcome
- Agravo interno desprovido
- Legal Topics
- Impugnação Dos Fundamentos Da Decisão De Inadmissibilidade, Incidência Da Súmula N. 182 Do STJ Por Analogia, Súmula 7 Do STJ, Súmula 83 Do STJ, Súmula 284 Do STF, Arts. 932, III, Do CPC E 253, Parágrafo Único, I, Do RISTJ, Art. 1.022 Do CPC (omissão), Majoração De Honorários, Litigância De Má Fé
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
CAPEMISA SEGURADORA DE VIDA E PREVIDÊNCIA S/A
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento Em Sessão Virtual (05/03/2024 a 12/03/2024)
Legal Issues
- 1 Se o agravo interno é inadmissível quando a parte não impugna de forma específica todos os fundamentos da decisão que inadmite o recurso especial
- 2 Aplicação analógica da Súmula n. 182 do STJ à hipótese de não impugnação específica
- 3 Se houve demonstração de afronta ao art. 1.022 do CPC e indicação do dispositivo objeto da divergência
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo interno porque a agravante deixou de impugnar, de forma efetiva, específica e motivada, todos os fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial (não cabimento de REsp para reexame fático-probatório, ausência de afronta ao art. 1.022 do CPC, incidência da Súmula 83 do STJ e ausência de indicação do dispositivo objeto da divergência), nos termos dos arts. 932, III, do CPC e 253, parágrafo único, I, do RISTJ, mantendo-se, por analogia, a aplicação da Súmula n. 182 do STJ.
Court Disposition
Agravo interno desprovido
Orders
- Negar provimento ao agravo interno.
- Não aplicar multa por litigância de má-fé.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUARTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 05/03/2024 a 12/03/2024, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Raul Araújo, Maria Isabel Gallotti, Antonio Carlos Ferreira e Marco Buzzi votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Raul Araújo. EMENTA AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. NÃO IMPUGNAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO DE INADMISSÃO DO APELO EXTREMO. ARTS. 932, III, DO CPC E 253, PARÁGRAFO ÚNICO, I, DO RISTJ. SÚMULA N. 182 DO STJ. DECISÃO MANTIDA. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. Em observância ao princípio da dialeticidade, mantém-se a aplicação analógica da Súmula n. 182 do STJ quando não há impugnação efetiva, específica e motivada de todos os fundamentos da decisão que inadmite recurso especial, nos termos dos arts. 932, III, do CPC e 253, parágrafo único, I, do RISTJ. 2. Agravo interno desprovido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno interposto por CAPEMISA SEGURADORA DE VIDA E PREVIDÊNCIA S/A contra a decisão de fls. 849-851, que não conheceu do agravo em recurso especial em razão da incidência, por analogia, da Súmula n. 182 do STJ. A parte agravante refuta aplicação da Súmula n. 182 do STJ. Afirma que demonstrou a violação do art. 1022 do CPC, tendo ocorrido omissão quanto ao prazo prescricional e à ciência inequívoca da recorrida. Sustenta que impugnou a aplicação das Súmulas n. 7 e 83 do STJ e apontou divergência jurisprudencial. Defende que "Pelos documentos juntados aos autos resta claramente comprovado que o Segurado se encontrava inadimplente no momento do sinistro" (fl. 860). Requer seja conhecido e provido o agravo interno. As contrarrazões foram apresentadas às fls. 8 74-883, em que se pleiteia o desprovimento do recurso, a majoração dos honorários e a aplicação da multa por litigância de má-fé. É o relatório. EMENTA AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. NÃO IMPUGNAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO DE INADMISSÃO DO APELO EXTREMO. ARTS. 932, III, DO CPC E 253, PARÁGRAFO ÚNICO, I, DO RISTJ. SÚMULA N. 182 DO STJ. DECISÃO MANTIDA. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. Em observância ao princípio da dialeticidade, mantém-se a aplicação analógica da Súmula n. 182 do STJ quando não há impugnação efetiva, específica e motivada de todos os fundamentos da decisão que inadmite recurso especial, nos termos dos arts. 932, III, do CPC e 253, parágrafo único, I, do RISTJ. 2. Agravo interno desprovido. VOTO I - Análise das razões do agravo interno A irresignação não reúne condições de prosperar. Conforme exposto na decisão de fls. 849-851, a decisão agravada inadmitiu o recurso especial, considerando: não cabimento de REsp para reexame fático-probatório, ausência de afronta ao art. 1.022 do CPC, incidência da Súmula n. 83 do STJ, ausência de indicação do dispositivo objeto da divergência - Súmula n. 284 do STF - e deficiência de cotejo analítico - Súmula n. 284 do STF. Entretanto, a parte agravante, nas razões do agravo em recurso especial, deixou de impugnar especificamente os fundamentos da decisão de inadmissibilidade do recurso especial, quais sejam: não cabimento de REsp para reexame fático-probatório, ausência de afronta ao art. 1.022 do CPC, incidência da Súmula n. 83 do STJ e ausência de indicação do dispositivo objeto da divergência - Súmula n. 284 do STF. Nos termos dos arts. 932, III, do CPC e 253, parágrafo único, I, do RISTJ, não se conhecerá do agravo em recurso especial que não tenha impugnado especificamente todos os fundamentos da decisão recorrida. Caberia à parte agravante comprovar, no agravo em recurso especial, que demonstrou a violação do art. 1.022 do CPC e indicou o dispositivo objeto da divergência, o que não ocorreu. Ademais, a argumentação constante do agravo em recurso especial não constitui impugnação específica da aplicação da Súmula n. 83 do STJ, pois, segundo o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, é necessária a efetiva demonstração de que o julgado apontado na decisão de inadmissão do recurso especial é inaplicável ao caso ou foi superado pela jurisprudência desta Corte, colacionando-se precedentes contemporâneos ou supervenientes, ou de que exista distinção entre a matéria versada nos autos e aquela utilizada para justificar a aplicação da referida súmula, o que não foi feito pela parte agravante. A esse respeito: AgInt no AREsp n. 2.072.074/BA, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, julgado em 23/6/2022, DJe de 2/8/2022; AgInt no AREsp n. 1.475.222/MG, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, julgado em 28/10/2019, DJe de 30/10/2019; e AgInt no AREsp n. 1.999.923/PR, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, julgado em 19/9/2022, DJe de 26/9/2022. Além disso, para afastar a incidência da Súmula n. 7 do STJ, não basta a parte sustentar genericamente que a análise de seu apelo extremo demanda apenas apreciação de normas legais e prescinde do reexame de provas. Segundo entendimento desta Corte, "a alegação genérica de que o tema discutido no recurso especial representa matéria de direito (incluídas aí as hipóteses de qualificação jurídica dos fatos e valoração jurídica das provas), e não fático-probatória, não é apta a impugnar, de modo específico, o fundamento da decisão atacada. Ao revés, deve a p arte agravante refutar o citado óbice mediante a exposição da tese jurídica desenvolvida no recurso especial e a demonstração da adoção dos fatos tais quais postos nas instâncias ordinárias" (AgInt no AREsp n. 1.969.273/SP, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, julgado em 13/12/2021, DJe de 16/12/2021). Nesse sentido ainda, o seguinte julgado : PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA AOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO DE INADMISSIBILIDADE. SÚMULA 182/STJ. AGRAVO INTERNO A QUE SE NEGA PROVIMENTO. 1. A decisão ora recorrida não conheceu do agravo em razão da não impugnação aos fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial na origem, notadamente quanto à incidência da Súmula 7 do STJ e à ausência de comprovação da divergência jurisprudencial. Em razão disso, consignou-se a incidência da Súmula 182 do STJ. 2. A parte, para ver seu recurso especial inadmitido ascender a esta Corte, precisa, primeiro, desconstituir os fundamentos utilizados para a negativa de seguimento daquele recurso, sob pena de vê-los mantidos. 3. É mister repetir que as razões demonstrativas do desacerto da decisão agravada devem ser veiculadas imediatamente nessa oportunidade, pois convém frisar não ser admitida fundamentação a destempo, a fim de inovar a justificativa para ascensão do recurso excepcional, diante da preclusão consumativa. 4. Em nova análise do agravo interposto, tem-se que a parte agravante efetivamente não rebateu todos os fundamentos da decisão de inadmissão do recurso especial. 5.Inadmitido o recurso especial com base na Súmula 7 do STJ, não basta a assertiva genérica de que é desnecessária a análise de prova, ainda que seja feita breve menção à tese sustentada. É imprescindível o cotejo entre o acórdão combatido e a argumentação trazida no recurso especial que pudesse justificar o afastamento do citado óbice processual. 6. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp n. 1.770.082/SP, relator Ministro Manoel Erhardt, Primeira Turma, julgado em 26/4/2021, DJe de 30/4/2021, destaquei.) Assim, tendo em vista que, no julgamento dos EAREsp n. 746.775/PR, em 19/9/2018, a Corte Especial do Superior Tribunal assentou que a decisão de inadmissibilidade do recurso especial é incindível e deve ser impugnada em sua integralidade, é de rigor a manutenção da incidência, por analogia, da Súmula n. 182 do STJ, in verbis: "É inviável o agravo do art. 545 do CPC que deixa de atacar especificamente os fundamentos da decisão agravada." II - Análise das contrarrazões O entendimento do STJ é no sentido de que "o exercício legítimo do constitucional direito de defesa não pode ser confundido com litigância de má-fé, cujo reconhecimento requer a demonstração do dolo em obstar o trâmite regular do processo" (REsp n. 1.400.776/SP, de minha relatoria, Terceira Turma, julgado em 3/5/2016, DJe de 16/5/2016). No caso, apesar do desprovimento do agravo interno, não há motivo para aplicação de multa. Quanto à majoração de honorários, a jurisprudência desta Corte firmou-se no sentido de que a interposição de agravo inte rno não inaugura instância, razão pela qual é inviável a majoração de honorários no julgamento de agravo interno e de embargos de declaração oferecidos pela parte cujo recurso não ultrapassou a fase de conhecimento ou foi desprovido (EDcl no AgInt no AREsp n. 437.263/MS, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, julgado em 3/4/2018, DJe de 10/4/2018; e AgInt no AREsp n. 1.223.865/SP, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, julgado em 22/3/2018, DJe de 3/4/2018). III - Conclusão Ante o exposto, nego provimento ao agravo interno. É o voto.