AREsp 1866195 - ACORDAO
O agravo interno não foi conhecido porque o agravante não impugnou, de forma específica e suficiente, os fundamentos da decisão agravada, nos termos do art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e da Súmula 182 do STJ, tampouco afastou adequadamente a incidência das súmulas mencionadas (Súmulas 280, 282, 284 do STF e Súmula 7 do...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: ESTADO DE ALAGOAS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 25 November 2021
- Procedural Posture
- Agravo Interno / Julgamento Pela Primeira Turma (decisão Colegiada)
- Outcome
- NÃO CONHEÇO do agravo interno.
- Legal Topics
- Impugnação Específica, Agravo Interno, Súmula 182/stj, Art. 1.021, §1º Cpc/2015, Súmulas 280, 282, 284 STF, Súmula 7/stj, Admissibilidade De Recurso Especial
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Parties
ESTADO DE ALAGOAS
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno / Julgamento Pela Primeira Turma (decisão Colegiada)
Legal Issues
- 1 Incidência do art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e da Súmula 182 do STJ quanto à necessidade de impugnação específica dos fundamentos da decisão agravada
- 2 Aplicação das Súmulas 280, 282 e 284 do STF e da Súmula 7 do STJ como óbice ao conhecimento do recurso especial
Ratio Decidendi
O agravo interno não foi conhecido porque o agravante não impugnou, de forma específica e suficiente, os fundamentos da decisão agravada, nos termos do art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e da Súmula 182 do STJ, tampouco afastou adequadamente a incidência das súmulas mencionadas (Súmulas 280, 282, 284 do STF e Súmula 7 do STJ), o que impõe o não conhecimento do recurso.
Court Disposition
NÃO CONHEÇO do agravo interno.
Orders
- Agravo interno não conhecido.
- Não aplicação da multa prevista no § 4º do art. 1.021 do CPC/2015.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, não conhecer do recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Benedito Gonçalves, Sérgio Kukina e Regina Helena Costa votaram com o Sr. Ministro Relator. Não participou do julgamento o Sr. Ministro Manoel Erhardt (Desembargador convocado do TRF-5ª Região). Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Benedito Gonçalves. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. DECISÃO AGRAVADA. FUNDAMENTOS. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. 1. Nos termos do que dispõem o art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e a Súmula 182 do STJ, a parte deve infirmar, nas razões do agravo interno, todos os fundamentos da decisão atacada, sob pena de não ser conhecido o seu recurso. 2. Hipótese em que o recorrente não se desincumbiu do ônus de impugnar, de forma clara e objetiva, os motivos da decisão ora agravada. 3. Agravo interno não conhecido.
RELATÓRIO O EXMO. SR. MINISTRO GURGEL DE FARIA (Relator): Trata-se de agravo interno manejado pelo ESTADO DE ALAGOAS para desafiar decisão de e-STJ fls. 234/236, em que, reconsiderando o decisum de e-STJ fls. 213/215, conheci do agravo para não conhecer do especial, tendo em vista a incidência das Súmulas 280, 282, e 284 do STF e 7 do STJ. A parte agravante, repisando as razões defendidas no apelo nobre, sustenta que não há que falar na aplicação dos aludidos enunciados sumulares. Requer, assim, a reconsideração do decisum impugnado ou a submissão do feito ao Órgão colegiado. Sem impugnação. É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. DECISÃO AGRAVADA. FUNDAMENTOS. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. 1. Nos termos do que dispõem o art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e a Súmula 182 do STJ, a parte deve infirmar, nas razões do agravo interno, todos os fundamentos da decisão atacada, sob pena de não ser conhecido o seu recurso. 2. Hipótese em que o recorrente não se desincumbiu do ônus de impugnar, de forma clara e objetiva, os motivos da decisão ora agravada. 3. Agravo interno não conhecido. VOTO O EXMO. SR. MINISTRO GURGEL DE FARIA (Relator): O inconformismo sob exame não merece prosperar. Nos termos do disposto nos arts. 932, III, e 1.021, § 1º, do Código de Processo Civil de 2015, o agravante deve infirmar, nas razões do agravo interno, todos os fundamentos da decisão impugnada, sob pena de não ser conhecido o seu recurso. No caso, a decisão ora impugnada conheceu do agravo para não conhecer do recurso especial, tendo em vista a incidência das Súmulas 280, 282 e 284 do STF e Súmula 7 do STJ. Da leitura das razões do recurso, observa-se que a parte agravante não combateu a aplicação da Súmula 280 do STF, a incidência da Súmula 284 do STF - (1) incide a remuneração da caderneta de poupança para débito não tributários em geral; e (2) imputa- se a taxa SELIC para os débitos tributários, se outro índice não é adotado pelo ente tributante; e a Súmula 7 do STJ, sendo certo que, nesse ponto, utilizou apenas razões genéricas na tentativa de afastar a incidência do aludido óbice. É digno de registro que inadmitido o apelo nobre com base na incidência do óbice da Súmula 7 do STJ, é de rigor que, além da contextualização do caso concreto, a impugnação contenha as devidas razões pelas quais se entende ser possível o conhecimento da pretensão independentemente do reexame fático-probatório, mediante, por exemplo, a apresentação do cotejo entre as premissas fáticas e as conclusões delineadas no acórdão recorrido e sua tese recursal, a fim de demonstrar a prescindibilidade da reapreciação do acervo fático-probatório da demanda, o que também não se verificou. Assim, há óbice ao conhecimento do agravo interposto pela Fazenda do Estado de São Paulo, de acordo com o entendimento sufragado na Súmula 182 do STJ. Nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RECURSO ESPECIAL INADMITIDO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO. ART. 544, § 4º, I, DO CPC/73 (ATUAIS ARTS. 932, III, DO CPC/2015 E 253, PARÁGRAFO ÚNICO, I, DO RISTJ) E SÚMULA 182/STJ, POR ANALOGIA. AGRAVO INTERNO. RECURSO QUE NÃO IMPUGNA, ESPECIFICAMENTE, OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. SÚMULA 182/STJ. AGRAVO INTERNO NÃO CONHECIDO. I. Trata-se de Agravo interno, interposto em 19/04/2016, contra decisão monocrática, publicada em 14/04/2016, na vigência do CPC/2015. II. No caso, o Recurso Especial não foi admitido, na origem, pela ausência de omissão no acórdão recorrido, pela incidência das Súmulas 284 e 356/STF e 7 e 83/STJ, bem como porque ausente a demonstração da divergência jurisprudencial invocada. O Agravo em Recurso Especial interposto não impugnou todos os óbices, o que conduziu ao seu não conhecimento, nos termos do art. 544, § 4º, I, do CPC/73 (atuais arts. 932, III, do CPC/2015 e 253, parágrafo único, I, do RISTJ), cuja decisão ora é agravada regimentalmente. III. No presente Agravo interno, a parte recorrente apresenta razões outras, deixando de impugnar, novamente, os fundamentos da decisão agravada. IV. Interposto Agravo interno sem infirmar, especificamente, os fundamentos da decisão agravada e apresentando, ainda, outra fundamentação, dela dissociada, constitui óbice ao conhecimento do inconformismo a Súmula 182 desta Corte, em face do art. 1.021, § 1º, do CPC/2015. V. Renovando-se, no Agravo interno, o vício que comprometia o conhecimento do Agravo em Recurso Especial, inarredável a edição de novo juízo negativo de admissibilidade. VI. Agravo interno não conhecido. (AgInt no AREsp 866.675/SP, Relatora Ministra ASSUSETE MAGALHÃES, SEGUNDA TURMA, DJe 25/05/2016) Cito, ainda, as seguintes decisões monocráticas: REsp 1.822.422/SP, rel. Ministro REGINA HELENA COSTA, Primeira Turma, DJe 02/08/2019; REsp 1.830.256/SP, rel. Ministro ASSUSETE MAGALHÃES, Segunda Turma, DJe 23/08/2016. Deixo de aplicar a multa prevista no § 4º do art. 1.021 do CPC/2015, tendo em vista que o mero inconformismo com a decisão agravada não enseja a necessária imposição da sanção, quando não configurada a manifesta inadmissibilidade ou improcedência do recurso, por decisão unânime do Colegiado, como no caso em análise. Ante o exposto, NÃO CONHEÇO do agravo interno. É como voto.