AREsp 2443416 - ACORDAO
O agravo interno não foi conhecido porque o agravante não impugnou de forma clara, direta e específica o fundamento da decisão que deixou de conhecer do recurso especial por força da Súmula 284 do STF (ausência de indicação dos dispositivos de lei federal), sendo aplicáveis o art. 1.021, § 1º do CPC/2015 e a Súmula...
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- Parties
- Agravante: ANTONIO DELLA TORRE NETO; Agravado: Presidência desta Corte de Justiça
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 02 April 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno / Decisão Colegiada Não Conhecido Do Agravo Interno
- Outcome
- Agravo interno não conhecido
- Legal Topics
- Impugnação Específica, Aplicação Da Súmula 182 Do STJ, Art. 1.021, § 1º Do Cpc/2015, Súmula 284 Do STF, Princípio Da Dialeticidade, Multa Do § 4º Do Art. 1.021 Do Cpc/2015
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Parties
ANTONIO DELLA TORRE NETO
Agravante
Presidência desta Corte de Justiça
Agravado
Procedural Posture
Agravo Interno / Decisão Colegiada Não Conhecido Do Agravo Interno
Legal Issues
- 1 Incidência da Súmula 182 do STJ em agravo interno
- 2 Exigência de impugnação específica nos termos do art. 1.021, § 1º do CPC/2015
- 3 Não conhecimento do recurso especial por aplicação da Súmula 284 do STF
Ratio Decidendi
O agravo interno não foi conhecido porque o agravante não impugnou de forma clara, direta e específica o fundamento da decisão que deixou de conhecer do recurso especial por força da Súmula 284 do STF (ausência de indicação dos dispositivos de lei federal), sendo aplicáveis o art. 1.021, § 1º do CPC/2015 e a Súmula 182 do STJ; a multa prevista no § 4º do art. 1.021 do CPC/2015 foi afastada por não se configurar manifesta inadmissibilidade da peça recursal.
Court Disposition
Agravo interno não conhecido
Orders
- Agravo interno não conhecido.
- Deixo de aplicar a multa prevista no § 4º do art. 1.021 do CPC/2015.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 12/03/2024 a 18/03/2024, por unanimidade, não conhecer do recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Benedito Gonçalves, Sérgio Kukina, Regina Helena Costa e Paulo Sérgio Domingues votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Paulo Sérgio Domingues. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. DECISÃO AGRAVADA. FUNDAMENTOS. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. AUSÊNCIA. 1. Nos termos do que dispõem o art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e a Súmula 182 do STJ, a parte deve infirmar, nas razões do agravo interno, os fundamentos da decisão combatida, sob pena de não ser conhecido o seu recurso. 2. Hipótese em que o recorrente não se desincumbiu do ônus de impugnar, de forma clara e objetiva, os motivos da decisão ora agravada. 3. Agravo interno não conhecido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno manejado por ANTONIO DELLA TORRE NETO contra decisão da Presidência desta Corte de Justiça, em que se conheceu do agravo para não conhecer do recurso especial, considerando a incidência da Súmula 284 do STF. A parte agravante alega, em síntese, que "a divergência jurisprudencial é incontestável, e foi detalhadamente evidenciada no bojo do Recurso Especial, bem como do Agravo em Recurso Especial, oportunidade nas quais o agravante colacionou diversas jurisprudências que deixam explícito que a decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo vai de encontro com aquelas proferidas pelos demais Tribunais brasileiros". Afirma que "os Tribunais vêm aplicando o princípio da proporcionalidade de modo a afastar a decretação da demolição de áreas que em nada causam ao exercício da geração de energia, além de nenhum prejuízo a Agravada". Impugnação apresentada às e-STJ fls. 734/741. É o relatório. . EMENTA PROCESSUAL CIVIL. DECISÃO AGRAVADA. FUNDAMENTOS. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. AUSÊNCIA. 1. Nos termos do que dispõem o art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e a Súmula 182 do STJ, a parte deve infirmar, nas razões do agravo interno, os fundamentos da decisão combatida, sob pena de não ser conhecido o seu recurso. 2. Hipótese em que o recorrente não se desincumbiu do ônus de impugnar, de forma clara e objetiva, os motivos da decisão ora agravada. 3. Agravo interno não conhecido. VOTO De início, considerando os parâmetros estabelecidos pela Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do EREsp 1.424.404/SP (Rel. Ministro Luis Felipe Salomão, julgado em 20/10/2021, DJe 17/11/2021), para a aplicação da Súmula 182 do STJ no tocante aos agravos internos manejados contra decisões proferidas em recurso especial ou em agravo em recurso especial, tem-se o seguinte: a) incide o verbete quando: i) o único ou todos os capítulos da decisão agravada não foi ou não foram impugnados; ii) não houver a impugnação de todos os fundamentos adotados na análise de determinado capítulo autônomo (quer dizer, ausência de ataque a fundamento capaz, por si só, de manter a conclusão alcançada na decisão agravada); b) não se aplica o óbice sumular no caso em que houver vários capítulos autônomos, e a parte agravante não se insurgir contra algum deles, pois isso acarreta apenas a preclusão da matéria não impugnada, devendo ser analisado o que remanesceu. Dito isso, vê-se que, na hipótese dos autos, o agravo interno não merece ser conhecido. Com efeito, no decisum ora recorrido, o recurso especial não foi conhecido em face da incidência da Súmula 284 do STF, haja vista a não indicação expressa dos dispositivos de lei federal supostamente violados. Entretanto, a ora agravante não trouxe nenhum argumento para rebater, de forma clara, direta e específica, essa fundamentação. Ora, o princípio da dialeticidade impõe à parte recorrente o ônus de explicitar, de forma específica, concreta e pormenorizada, os motivos pelos quais a decisão atacada deve ser reformada, trazendo argumentações capazes de demonstrar o seu desacerto. Assim, não se mostra suficiente a apresentação de razões genéricas sobre os óbices apontados pela decisão de inadmissibilidade, sendo exigível do agravante efetivo ataque aos seus fundamentos, o que não ocorreu. Caberia à agravante demonstrar efetivamente que o recurso especial trouxe fundamentação suficiente para a exata compreensão da controvérsia com a indicação precisa dos dispositivos legais tidos como violados, bem como a efetiva impugnação aos fundamentos do aresto recorrido, afastando, assim, a aplicação do óbice sumular. Desse modo, forçosa se apresenta a observância do contido no art. 1.021, § 1º, do Código de Processo Civil de 2015 e na Súmula 182 do STJ. Deixo de aplicar a multa prevista no § 4º do art. 1.021 do CPC/2015, tendo em vista que o mero inconformismo com a decisão agravada não enseja a necessária imposição da sanção quando não configurada a manifesta inadmissibilidade ou improcedência do recurso, por decisão unânime do Colegiado, como no caso em análise. Ante o exposto, NÃO CONHEÇO do agravo interno. É como voto.