AREsp 2465540 - ACORDAO
O agravo interno não foi conhecido porque o agravante deixou de impugnar, de forma específica e pormenorizada, a maioria dos fundamentos da decisão agravada, em desacordo com o art. 1.021, §1º, do CPC/2015 e a Súmula 182 do STJ; por isso, aplica-se o óbice de não conhecimento do recurso. A multa do §4º do art.1.021...
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- Parties
- Agravante: ESTADO DA BAHIA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 19 April 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno / Decisão Colegiada (primeira Turma) Não Conhecido Do Agravo Interno
- Outcome
- Agravo interno não conhecido
- Legal Topics
- Impugnação Específica, Súmula 182/stj, Art. 1.021 Cpc/2015, Agravo Interno, Preclusão, Súmulas (211/stj, 83/stj, 284/stf, 280/stf), Multa Do §4º Do Art. 1.021 Cpc/2015
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Parties
ESTADO DA BAHIA
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno / Decisão Colegiada (primeira Turma) Não Conhecido Do Agravo Interno
Legal Issues
- 1 Obrigatoriedade da impugnação específica nos agravos internos
- 2 Aplicação da Súmula 182 do STJ
- 3 Interpretação do art. 1.021, §1º, do CPC/2015
Ratio Decidendi
O agravo interno não foi conhecido porque o agravante deixou de impugnar, de forma específica e pormenorizada, a maioria dos fundamentos da decisão agravada, em desacordo com o art. 1.021, §1º, do CPC/2015 e a Súmula 182 do STJ; por isso, aplica-se o óbice de não conhecimento do recurso. A multa do §4º do art.1.021 não foi aplicada pela ausência de manifesta inadmissibilidade ou improcedência do recurso.
Court Disposition
Agravo interno não conhecido
Orders
- Agravo interno não conhecido.
- Não aplicada a multa prevista no §4º do art. 1.021 do CPC/2015.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 09/04/2024 a 15/04/2024, por unanimidade, não conhecer do recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Benedito Gonçalves, Sérgio Kukina, Regina Helena Costa e Paulo Sérgio Domingues votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Paulo Sérgio Domingues. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. DECISÃO AGRAVADA. FUNDAMENTOS. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. AUSÊNCIA. 1. Nos termos do art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e da Súmula 182 do STJ, o agravante deve infirmar, nas razões do agravo interno, os fundamentos da decisão impugnada, sob pena de não ser conhecido o seu recurso. 2. Hipótese em que o recorrente não se desincumbiu do ônus de impugnar, de forma clara e objetiva, os motivos da decisão ora agravada. 3. Agravo interno não conhecido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno interposto pelo ESTADO DA BAHIA contra decisão da Presidência da Corte, às e-STJ fls. 526/527, que não conheceu do agravo em recurso especial, por incidência da Súmula 182 do STJ, tendo em vista a ausência de impugnação específica dos seguintes fundamentos da decisão agravada: Súmula 211/STJ, Súmula 284/STF, Súmula 83/STJ (REsp 1.101.726/SP), Súmula 83/STJ (REsp n. 1047686/RS ) e Súmula 280/STF. Nas suas razões, a parte agravante alega "inaplicáveis os óbices apontados na decisão recorrida naquilo que não foi provido em favor do Estado. Ou seja, demonstrada a inexistência dos óbices apontados na decisão agravada" (e-STJ fl. 540). Sem impugnação (e-STJ fl. 546). É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. DECISÃO AGRAVADA. FUNDAMENTOS. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. AUSÊNCIA. 1. Nos termos do art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e da Súmula 182 do STJ, o agravante deve infirmar, nas razões do agravo interno, os fundamentos da decisão impugnada, sob pena de não ser conhecido o seu recurso. 2. Hipótese em que o recorrente não se desincumbiu do ônus de impugnar, de forma clara e objetiva, os motivos da decisão ora agravada. 3. Agravo interno não conhecido. VOTO De início, considerando os parâmetros estabelecidos pela Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do EREsp 1.424.404/SP (rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, julgado em 20/10/2021, DJe 17/11/2021), para a aplicação da Súmula 182 do STJ no tocante aos agravos internos manejados contra decisões proferidas em recurso especial ou em agravo em recurso especial, tem-se o seguinte: a) incide o verbete quando: i) o único ou todos os capítulos da decisão agravada não foi ou não foram impugnados; ii) não houver a impugnação de todos os fundamentos adotados na análise de determinado capítulo autônomo (ou seja, ausência de ataque a fundamento capaz, por si só, de manter a conclusão alcançada na decisão agravada); b) não se aplica o óbice sumular no caso em que houver vários capítulos autônomos, e a parte agravante não se insurgir contra algum deles, pois isso acarreta apenas a preclusão da matéria não impugnada, devendo ser analisado o que remanesceu. Dito isso, vê-se que, na hipótese dos autos, o agravo interno não merece ser conhecido. Com efeito, no decisum ora recorrido, depreende-se que o agravo em recurso especial não foi conhecido por ausência de impugnação específica da maioria dos fundamentos da decisão que não admitiu o apelo nobre, a saber: Súmula 211/STJ, Súmula 284/STF, Súmula 83/STJ (REsp 1.101.726/SP), Súmula 83/STJ (REsp n. 1047686/RS ) e Súmula 280/STF. Da leitura das razões do agravo interno, observa-se que a parte agravante deixou de atacar especificamente os fundamentos do julgado agravado pertinente a referidos óbices. No caso, a parte limitou-se a alegar "que restou demonstrada violação aos dispositivos ali destacados, principalmente a existência de interesse recursal, não devendo que se falar na incidência das Súmulas 211/STJ, 83/STJ e 211/STJ, bem como violação ao art. 1022 do CPC e devido cotejo analítico ao caso" (e-STJ fl. 532). Oportuno destacar que, em observância ao princípio dialeticidade, a impugnação deve ser feita de forma específica, concreta e pormenorizada e relativamente a todos os fundamentos adotados pela decisão a quo, trazendo argumentações capazes de demonstrar o seu desacerto, sendo insuficiente a mera alegação de que houve ataque específico, sem a sua efetiva demonstração. Desse modo, forçosa se apresenta a observância do contido no art. 1.021, § 1º, do Código de Processo Civil de 2015 e na Súmula 182 do STJ. Deixo de aplicar a multa prevista no § 4º do art. 1.021 do CPC/2015, tendo em vista que o mero inconformismo com a decisão agravada não enseja a necessária imposição da sanção quando não configurada a manifesta inadmissibilidade ou improcedência do recurso, por decisão unânime do Colegiado, como no caso em análise. Ante o exposto, NÃO CONHEÇO do agravo interno. É como voto.