AREsp 2463518 - ACORDAO
O agravo interno não foi conhecido porque o agravante não impugnou, de forma clara, específica e processualmente adequada, todos os fundamentos constantes da decisão agravada, nos termos do art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e da Súmula 182 do STJ; deixou de particularizar os dispositivos de lei federal indicados (Súmula...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: ESTADO DA PARAÍBA; Agravado: Presidência desta Corte
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 19 April 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno / Primeira Turma Julgamento Colegiado (não Conhecido)
- Outcome
- Agravo interno não conhecido
- Legal Topics
- Impugnação Específica, Deficiência De Fundamentação, Prequestionamento, Reexame De Provas, Súmula 182 Do STJ, Súmula 284 Do STF, Súmula 7 Do STJ
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
ESTADO DA PARAÍBA
Agravante
Presidência desta Corte
Agravado
Procedural Posture
Agravo Interno / Primeira Turma Julgamento Colegiado (não Conhecido)
Legal Issues
- 1 Aplicabilidade da Súmula 182 do STJ quanto à necessidade de impugnação específica
- 2 Deficiência de fundamentação por ausência de particularização de dispositivos (Súmula 284 do STF)
- 3 Comprovação do prequestionamento
Ratio Decidendi
O agravo interno não foi conhecido porque o agravante não impugnou, de forma clara, específica e processualmente adequada, todos os fundamentos constantes da decisão agravada, nos termos do art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e da Súmula 182 do STJ; deixou de particularizar os dispositivos de lei federal indicados (Súmula 284 do STF); não demonstrou o prequestionamento exigido; e não justificou por meio de cotejo entre acórdão e razões do recurso especial que a matéria não demandaria reexame de provas (Súmula 7 do STJ).
Court Disposition
Agravo interno não conhecido
Orders
- Não conhecer do agravo interno
- Deixar de aplicar a multa prevista no § 4º do art. 1.021 do CPC/2015
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 09/04/2024 a 15/04/2024, por unanimidade, não conhecer do recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Benedito Gonçalves, Sérgio Kukina, Regina Helena Costa e Paulo Sérgio Domingues votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Paulo Sérgio Domingues. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. DECISÃO AGRAVADA. FUNDAMENTOS. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. 1. Nos termos do art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e da Súmula 182 do STJ, o agravante deve infirmar, nas razões do agravo interno, os fundamentos da decisão impugnada, sob pena de não ser conhecido o seu recurso. 2. Situação em que o recorrente não se desincumbiu do ônus de impugnar, de forma clara e objetiva, os motivos da decisão ora agravada. 3. Agravo interno não conhecido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno interposto pelo ESTADO DA PARAÍBA contra decisão da Presidência desta Corte que conheceu do agravo para não conhecer do recurso especial, por deficiência de fundamentação (Súmula 284 do STF), por falta de prequestionamento e pela necessidade de reexame de provas (Súmula 7 do STJ). No agravo interno (e-STJ fls. 487/493) , o agravante afirma que "há indicação clara e precisa dos dispositivos de lei federal" e reitera que "há violação aos arts. 202, do CTN, 2º, § 5º, da Lei nº 6.830/80, quando o acordão não reconheceu a liquidez e certeza da CDA executada", acrescentando que "os embargos de declaração não foram genéricos e buscavam o prequestionamento específico e a emissão de juízo de valor sobre temas importantes para demonstrar que CDA não é, de fato, nula" (e-STJ fl. 488). Sustenta, por fim, que "o tema ventilado no apelo extremo não demanda o reexame do conjunto probatório, uma vez que o que se discute no recurso especial são questões de cunho estritamente legal" (e-STJ fl. 489). É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. DECISÃO AGRAVADA. FUNDAMENTOS. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. 1. Nos termos do art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e da Súmula 182 do STJ, o agravante deve infirmar, nas razões do agravo interno, os fundamentos da decisão impugnada, sob pena de não ser conhecido o seu recurso. 2. Situação em que o recorrente não se desincumbiu do ônus de impugnar, de forma clara e objetiva, os motivos da decisão ora agravada. 3. Agravo interno não conhecido. VOTO De início, considerando os parâmetros estabelecidos pela Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do EREsp 1.424.404/SP (rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, julgado em 20/10/2021, DJe 17/11/2021), para a aplicação da Súmula 182 do STJ no tocante aos agravos internos manejados contra decisões proferidas em recurso especial ou em agravo em recurso especial, tem-se o seguinte: a) incide o verbete quando: i) o único ou todos os capítulos da decisão agravada não foi ou não foram impugnados; ii) não houver a impugnação de todos os fundamentos adotados na análise de determinado capítulo autônomo (ou seja, ausência de ataque a fundamento capaz, por si só, de manter a conclusão alcançada na decisão agravada); b) não se aplica o óbice sumular no caso em que houver vários capítulos autônomos, e a parte agravante não se insurgir contra algum deles, pois isso acarreta apenas a preclusão da matéria não impugnada, devendo ser analisado o que remanesceu. Dito isso, vê-se que, na situação dos autos, o agravo interno não merece ser conhecido. Na decisão agravada, o recurso especial não foi conhecido com apoio nos seguintes fundamentos: (i) deficiência de fundamentação (Súmula 284 do STF); (ii) falta de prequestionamento; e (iii) necessidade de reexame fático-probatório (Súmula 7 do STJ). Da leitura das razões do agravo interno, é possível verificar que o recorrente, ainda que tenha tratado dos fundamentos adotados pela Presidência desta Corte para não conhecer do recurso, deixou de impugnar de maneira processualmente adequada os óbices elencados no decisum. Em observância ao princípio da dialeticidade, a impugnação deve ser feita de forma específica, concreta e pormenorizada e relativamente a todos os fundamentos adotados pela decisão, trazendo argumentações capazes de demonstrar o seu desacerto, " .. não bastando à parte, para assentar a viabilidade do apelo, desdizer as palavras de julgamento, tal como ocorrido" (AREsp 212401, rel. Ministro Mauro Campbell Marques, DJe de 22/06/2022). No que se refere à deficiência de fundamentação (Súmula 284 do STF), o recurso especial não foi conhecido por ausência de "indicação clara e precisa dos dispositivos de lei federal tidos por violados, pois nas razões do recurso especial não se particularizou o inciso, o parágrafo ou a alínea sobre o qual recairia a referida ofensa" (e-STJ fl. 477 e 479). Nas razões do agravo interno, o agravante não tratou especificamente da particularização dos dispositivos, limitando-se a alegar que indicou clara e precisamente os artigos de lei federal (e-STJ fl. 488) e a repetir esses mesmos dispositivos mencionados no apelo extremo. Com relação à ausência de prequestionamento, a parte recorrente limitou-se a afirmar que o tema teria sido prequestionado. "A mera alegação genérica da existência de prequestionamento não é suficiente, sendo imprescindível a efetiva demonstração quanto ao modo como teria havido a apreciação pelo Tribunal de origem, notadamente por meio da transcrição dos excertos do acórdão recorrido" (AgInt no AREsp n. 1.724.002/DF, relator Ministro Manoel Erhardt (Desembargador Convocado do Trf5), Primeira Turma, julgado em 11/4/2022, DJe de 18/4/2022). No que se refere à Súmula 7 do STJ, o recorrente limitou-se a dizer que a questão "não demanda o reexame do conjunto probatório, uma vez que o que se discute no recurso especial são questões de cunho estritamente legal" (e-STJ fl. 489). Contudo, "segundo a jurisprudência do STJ, "não basta a assertiva genérica de que não se pretende o reexame de provas, ainda que seja feita breve menção à tese sustentada. É imprescindível o cotejo entre o acórdão combatido e a argumentação trazida no recurso especial que pudesse justificar o afastamento do referido óbice processual"" (STJ, AgInt no AREsp 1.463.467/RJ, Rel. Ministro OG FERNANDES, Segunda Turma, DJe de 29/06/2020)" (EDcl no AgInt no AREsp 1.694.099/SP, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, julgado em 25/4/2022, DJe de 29/4/2022.). Todavia, o agravante não se desincumbiu desse ônus. Desse modo, forçosa se apresenta a observância do contido no art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e na Súmula 182 do STJ. Deixo de aplicar a multa prevista no § 4º do art. 1.021 do CPC/2015, tendo em vista que o mero inconformismo com a decisão agravada não enseja a necessária imposição da sanção quando não configurada a manifesta inadmissibilidade ou improcedência do recurso, por decisão unânime do Colegiado, como no caso em análise. Ante o exposto, NÃO CONHEÇO do agravo interno. É como voto.