AREsp 2434361 - ACORDAO
O agravo interno não foi conhecido porque os agravantes não desincumbiram do ônus de impugnar, de forma clara e objetiva, todos os fundamentos da decisão agravada, nos termos do art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e da Súmula 182 do STJ; especificamente, não enfrentaram a questão do não cabimento do agravo do art. 1.042...
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- Parties
- Agravante: DANILO BENVENUTO RECKMAN; Agravante: JOHAN CARLOS RECKMAN
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 27 May 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno / Julgado Em Sessão Virtual De 14/05/2024 a 20/05/2024
- Outcome
- Agravo interno não conhecido
- Legal Topics
- Impugnação Específica, Súmula 182 Do STJ, Súmula 7 Do STJ, Agravo Em Recurso Especial, Recurso Repetitivo, Art. 1.021 Do Cpc/2015, Art. 1.042 Do Cpc/2015
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Parties
DANILO BENVENUTO RECKMAN
Agravante
JOHAN CARLOS RECKMAN
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno / Julgado Em Sessão Virtual De 14/05/2024 a 20/05/2024
Legal Issues
- 1 Ausência de impugnação específica nos termos do art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e Súmula 182 do STJ
- 2 Não cabimento do agravo do art. 1.042 do CPC/2015 contra decisão que nega seguimento a recurso especial com base em tese firmada em recurso repetitivo
- 3 Impugnação específica da incidência da Súmula 7 do STJ
Ratio Decidendi
O agravo interno não foi conhecido porque os agravantes não desincumbiram do ônus de impugnar, de forma clara e objetiva, todos os fundamentos da decisão agravada, nos termos do art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e da Súmula 182 do STJ; especificamente, não enfrentaram a questão do não cabimento do agravo do art. 1.042 do CPC/2015 contra decisão que negou seguimento ao recurso especial em razão de tese firmada em recurso repetitivo, nem demonstraram impugnação específica quanto à aplicação da Súmula 7 do STJ.
Court Disposition
Agravo interno não conhecido
Orders
- Não conhecer do agravo interno
- Deixar de aplicar a multa prevista no § 4º do art. 1.021 do CPC/2015
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 14/05/2024 a 20/05/2024, por unanimidade, não conhecer do recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Benedito Gonçalves, Sérgio Kukina, Regina Helena Costa e Paulo Sérgio Domingues votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Paulo Sérgio Domingues. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. DECISÃO AGRAVADA. FUNDAMENTO. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. AUSÊNCIA. 1. Nos termos do que dispõem o art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e a Súmula 182 do STJ, a parte deve infirmar, nas razões do agravo interno, os fundamentos da decisão combatida, sob pena de não ser conhecido o seu recurso. 2. Hipótese em que os recorrentes não se desincumbiram do ônus de impugnar, de forma clara e objetiva, os motivos da decisão ora agravada. 3. Agravo interno não conhecido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno interposto por DANILO BENVENUTO RECKMAN e JOHAN CARLOS RECKMAN contra decisão em que não conheci do agravo em recurso especial, pelo não cabimento do agravo do art. 1.042 do CPC/2015 contra decisão que nega seguimento a recurso especial com base na aplicação de tese firmada em sede de recurso repetitivo e pela ausência de impugnação específica e adequada da aplicação da Súmula 7 do STJ. No agravo interno (e-STJ fls. 324/329) , os agravantes afirmam que "A decisão de fls. retro não conheceu o Recurso Especial interposto pelos Agravantes, negando provimento, ao fundamento de que acórdão recorrido está em sintonia com precedente obrigatório desta Corte Superior firmado no julgamento do REsp 1.371.128/RS" (e-STJ fl. 325) e defendem que "tal entendimento não merece prosperar, sendo premente a reforma da decisão agravada" (e-STJ fl. 325). No mais, reiteram as razões do recurso especial. A impugnação foi oferecida à e-STJ fl. 335. É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. DECISÃO AGRAVADA. FUNDAMENTO. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. AUSÊNCIA. 1. Nos termos do que dispõem o art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e a Súmula 182 do STJ, a parte deve infirmar, nas razões do agravo interno, os fundamentos da decisão combatida, sob pena de não ser conhecido o seu recurso. 2. Hipótese em que os recorrentes não se desincumbiram do ônus de impugnar, de forma clara e objetiva, os motivos da decisão ora agravada. 3. Agravo interno não conhecido. VOTO De início, considerando os parâmetros estabelecidos pela Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do EREsp 1.424.404/SP (rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, julgado em 20/10/2021, DJe 17/11/2021), para a aplicação da Súmula 182 do STJ no tocante aos agravos internos manejados contra decisões proferidas em recurso especial ou em agravo em recurso especial, tem-se o seguinte: a) incide o verbete quando: i) o único ou todos os capítulos da decisão agravada não foi ou não foram impugnados; ii) não houver a impugnação de todos os fundamentos adotados na análise de determinado capítulo autônomo (ou seja, ausência de ataque a fundamento capaz, por si só, de manter a conclusão alcançada na decisão agravada); b) não se aplica o óbice sumular no caso em que houver vários capítulos autônomos, e a parte agravante não se insurgir contra algum deles, pois isso acarreta apenas a preclusão da matéria não impugnada, devendo ser analisado o que remanesceu. Dito isso, vê-se que, na situação dos autos, o agravo interno não merece ser conhecido. Com efeito, o agravo em recurso especial não foi conhecido com apoio nos seguintes fundamentos: (i) pelo não cabimento do agravo do art. 1.042 do CPC/2015 contra decisão que nega seguimento a recurso especial com base na aplicação de tese firmada em sede de recurso repetitivo; e (ii) pela ausência de impugnação específica e adequada da aplicação da Súmula 7 do STJ. Contudo, da leitura das razões do agravo interno, é possível verificar que os agravantes não trataram da questão do não cabimento do agravo em recurso especial contra decisão que nega seguimento a recurso especial com base em tese firmada em recurso repetitivo. Além disso, nas razões deste agravo interno, os agravantes não cuidaram particularmente do fundamento segundo o qual não realizou, no agravo em recurso especial, a impugnação específica e adequada da incidência da Súmula 7 do STJ, motivo utilizado pelo Tribunal de origem para não admitir o apelo extremo. Como se sabe, em observância ao princípio da dialeticidade, a impugnação deve ser feita de forma específica, concreta e pormenorizada e relativamente a todos os fundamentos adotados pela decisão , trazendo argumentações capazes de demonstrar o seu desacerto, " .. não bastando à parte, para assentar a viabilidade do apelo, desdizer as palavras de julgamento, tal como ocorrido" (AREsp 212401, rel. Ministro Mauro Campbell Marques, DJe de 22/06/2022). Desse modo, forçosa se apresenta a observância do contido no art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e na Súmula 182 do STJ. Deixo de aplicar a multa prevista no § 4º do art. 1.021 do CPC/2015, tendo em vista que o mero inconformismo com a decisão agravada não enseja a necessária imposição da sanção quando não configurada a manifesta inadmissibilidade ou improcedência do recurso, por decisão unânime do Colegiado, como no caso em análise. Ante o exposto, NÃO CONHEÇO do agravo interno. É como voto.