AREsp 2474363 - ACORDAO
Não conhecer do agravo interno porque a recorrente não desincumbiu-se do ônus de impugnar, de forma clara e objetiva, todos os fundamentos da decisão agravada, em especial deixou de impugnar a aplicação da Súmula 83 do STJ e apresentou ataque genérico à Súmula 7, sendo aplicáveis o art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e a...
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- Parties
- Agravante: IRMÃOS MODA EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS SPE LTDA.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 27 May 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno / Decisão Colegiada Não Conhecido (primeira Turma, Sessão Virtual 14/05/2024 a 20/05/2024)
- Outcome
- Agravo interno não conhecido.
- Legal Topics
- Impugnação Específica, Súmula 182 Do STJ, Súmula 7 Do STJ, Súmula 83 Do STJ, Art. 1.021 Do Cpc/2015, Princípio Da Dialeticidade
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Parties
IRMÃOS MODA EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS SPE LTDA.
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno / Decisão Colegiada Não Conhecido (primeira Turma, Sessão Virtual 14/05/2024 a 20/05/2024)
Legal Issues
- 1 Obrigatoriedade de impugnação específica dos fundamentos da decisão agravada
- 2 Incidência das Súmulas 7 e 83 do STJ como óbices à admissão do recurso especial
- 3 Aplicação da Súmula 182 do STJ em agravos internos contra decisões relativas a recurso especial
Ratio Decidendi
Não conhecer do agravo interno porque a recorrente não desincumbiu-se do ônus de impugnar, de forma clara e objetiva, todos os fundamentos da decisão agravada, em especial deixou de impugnar a aplicação da Súmula 83 do STJ e apresentou ataque genérico à Súmula 7, sendo aplicáveis o art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e a Súmula 182 do STJ.
Court Disposition
Agravo interno não conhecido.
Orders
- Não conhecer do agravo interno.
- Não aplicar a multa prevista no § 4º do art. 1.021 do CPC/2015.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 14/05/2024 a 20/05/2024, por unanimidade, não conhecer do recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Benedito Gonçalves, Sérgio Kukina, Regina Helena Costa e Paulo Sérgio Domingues votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Paulo Sérgio Domingues. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. DECISÃO AGRAVADA. FUNDAMENTO. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. AUSÊNCIA. 1. Nos termos do que dispõem o art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e a Súmula 182 do STJ, a parte deve infirmar, nas razões do agravo interno, os fundamentos da decisão combatida, sob pena de não ser conhecido o seu recurso. 2. Hipótese em que a recorrente não se desincumbiu do ônus de impugnar, de forma clara e objetiva, os motivos da decisão ora agravada. 3. Agravo interno não conhecido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno interposto por IRMÃOS MODA EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS SPE LTDA. contra decisão em que não conheci do agravo em recurso especial em face da inadequada impugnação dos fundamentos da decisão que inadmitiu o apelo raro (Súmulas 7 e 83 do STJ). No agravo interno (e-STJ fls. 348/360) , o agravante afirma que "houve o devido ataque ao não cabimento do apelo especial quanto à incidência da Súmula 7 do STJ" (e-STJ fl. 353), além de reiterar a alegação de que o acórdão recorrido teria sido omisso em analisar as questões postas no recurso. A impugnação foi oferecida à s e-STJ fls. 364/366. É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. DECISÃO AGRAVADA. FUNDAMENTO. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. AUSÊNCIA. 1. Nos termos do que dispõem o art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e a Súmula 182 do STJ, a parte deve infirmar, nas razões do agravo interno, os fundamentos da decisão combatida, sob pena de não ser conhecido o seu recurso. 2. Hipótese em que a recorrente não se desincumbiu do ônus de impugnar, de forma clara e objetiva, os motivos da decisão ora agravada. 3. Agravo interno não conhecido. VOTO De início, considerando os parâmetros estabelecidos pela Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do EREsp 1.424.404/SP (rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, julgado em 20/10/2021, DJe 17/11/2021), para a aplicação da Súmula 182 do STJ no tocante aos agravos internos manejados contra decisões proferidas em recurso especial ou em agravo em recurso especial, tem-se o seguinte: a) incide o verbete quando: i) o único ou todos os capítulos da decisão agravada não foi ou não foram impugnados; ii) não houver a impugnação de todos os fundamentos adotados na análise de determinado capítulo autônomo (ou seja, ausência de ataque a fundamento capaz, por si só, de manter a conclusão alcançada na decisão agravada); b) não se aplica o óbice sumular no caso em que houver vários capítulos autônomos, e a parte agravante não se insurgir contra algum deles, pois isso acarreta apenas a preclusão da matéria não impugnada, devendo ser analisado o que remanesceu. Dito isso, vê-se que, na situação dos autos, o agravo interno não merece ser conhecido. Com efeito, o agravo em recurso especial não foi conhecido com apoio nos seguintes fundamentos: (i) falta de adequada impugnação da aplicação da Súmula 7 do STJ pelo Tribunal de origem para não admitir o recurso especial; e, (ii) ausência da devida insurgência quanto à incidência da Súmula 83 do STJ como óbice à admissão do recurso especial. Contudo, da leitura das razões do agravo interno, é possível verificar que o recorrente não tratou da questão relativa à deficiente impugnação da Súmula 83 do STJ utilizada como obstáculo pela decisão a quo à admissão do apelo extremo. Como se sabe, em observância ao princípio da dialeticidade, a impugnação deve ser feita de forma específica, concreta e pormenorizada e relativamente a todos os fundamentos adotados pela decisão a quo, trazendo argumentações capazes de demonstrar o seu desacerto, " .. não bastando à parte, para assentar a viabilidade do apelo, desdizer as palavras de julgamento, tal como ocorrido" (AREsp 212401, rel. Ministro Mauro Campbell Marques, DJe de 22/06/2022). Além disso, embora trate da falta de impugnação da Súmula 7 do STJ, apenas alega genericamente que se insurgiu contra o referido óbice, sem apresentar razões para demonstrar que não incorreu no mencionada equívoco. Registro que, "segundo a jurisprudência do STJ, "não basta a assertiva genérica de que não se pretende o reexame de provas, ainda que seja feita breve menção à tese sustentada. É imprescindível o cotejo entre o acórdão combatido e a argumentação trazida no recurso especial que pudesse justificar o afastamento do referido óbice processual"" (STJ, AgInt no AREsp 1.463.467/RJ, Rel. Ministro OG FERNANDES, Segunda Turma, DJe de 29/06/2020)" (EDcl no AgInt no AREsp 1.694.099/SP, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, julgado em 25/4/2022, DJe de 29/4/2022). Desse modo, forçosa se apresenta a observância do contido no art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e na Súmula 182 do STJ. Deixo de aplicar a multa prevista no § 4º do art. 1.021 do CPC/2015, tendo em vista que o mero inconformismo com a decisão agravada não enseja a necessária imposição da sanção quando não configurada a manifesta inadmissibilidade ou improcedência do recurso, por decisão unânime do Colegiado, como no caso em análise. Ante o exposto, NÃO CONHEÇO do agravo interno. É como voto.