AREsp 2520170 - ACORDAO
Não conhecer do agravo interno porque a agravante não impugnou de forma clara e específica o fundamento da decisão agravada — a afirmação de que o acórdão recorrido estaria em consonância com a jurisprudência do STJ — sendo aplicáveis o art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e a Súmula 182 do STJ.
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- Parties
- Agravante: G. A. WERLANG GESTÃO E AMBIENTE LTDA.; Interveniente: MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 30 August 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno / Julgado Em Sessão Virtual (20/08/2024 a 26/08/2024)
- Outcome
- Não conhecer do agravo interno.
- Legal Topics
- Impugnação Específica, Agravo Interno, Súmula 182 Do STJ, Súmula 83 Do STJ
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Parties
G. A. WERLANG GESTÃO E AMBIENTE LTDA.
Agravante
MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
Interveniente
Procedural Posture
Agravo Interno / Julgado Em Sessão Virtual (20/08/2024 a 26/08/2024)
Legal Issues
- 1 Aplicação do art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e da Súmula 182 do STJ
- 2 Obrigação de impugnação específica dos fundamentos da decisão agravada
- 3 Possibilidade de aplicação da multa prevista no § 4º do art. 1.021 do CPC/2015
Ratio Decidendi
Não conhecer do agravo interno porque a agravante não impugnou de forma clara e específica o fundamento da decisão agravada — a afirmação de que o acórdão recorrido estaria em consonância com a jurisprudência do STJ — sendo aplicáveis o art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e a Súmula 182 do STJ.
Court Disposition
Não conhecer do agravo interno.
Orders
- Não conhecer do agravo interno.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 20/08/2024 a 26/08/2024, por unanimidade, não conhecer do recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Benedito Gonçalves, Sérgio Kukina, Regina Helena Costa e Paulo Sérgio Domingues votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Paulo Sérgio Domingues. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. DECISÃO AGRAVADA. FUNDAMENTOS. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. AUSÊNCIA. 1. Nos termos do art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e da Súmula 182 do STJ, o agravante deve infirmar, nas razões do agravo interno, os fundamentos da decisão impugnada, sob pena de não ser conhecido o seu recurso. 2. Hipótese em que o recorrente não se desincumbiu do ônus de impugnar, de forma clara e objetiva, os motivos da decisão ora agravada. 3. Agravo interno não conhecido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno manejado por G. A. WERLANG GESTÃO E AMBIENTE LTDA. para desafiar decisão da Presidência do STJ, proferida às e-STJ fls. 331/332, que não conheceu do agravo em recurso especial, pois a parte agravante não impugnou especificamente a compreensão de que o acórdão recorrido estaria em harmonia com a orientação jurisprudencial do Superior Tribunal de Justiça (Súmula 83 do STJ). A agravante que "não se sustenta a decisão monocrática que não conheceu do recurso especial, devendo este ser submetido ao colegiado para apreciação e julgamento da turma, uma vez que demonstrada a violação expressa do art. 4º, § 4º, do Decreto-lei n. 2.318/1986 e dos arts. 428 e 429 da CLT, também" (e-STJ fl. 340). Sem impugnação (certidão de e-STJ fl. 347). O Ministério Público Federal opina pelo não conhecimento do agravo interno (e-STJ fls. 359/362). É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. DECISÃO AGRAVADA. FUNDAMENTOS. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. AUSÊNCIA. 1. Nos termos do art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e da Súmula 182 do STJ, o agravante deve infirmar, nas razões do agravo interno, os fundamentos da decisão impugnada, sob pena de não ser conhecido o seu recurso. 2. Hipótese em que o recorrente não se desincumbiu do ônus de impugnar, de forma clara e objetiva, os motivos da decisão ora agravada. 3. Agravo interno não conhecido. VOTO De início, considerando os parâmetros estabelecidos pela Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do EREsp 1.424.404/SP (Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, julgado em 20/10/2021, DJe 17/11/2021), para a aplicação da Súmula 182 do STJ no tocante aos agravos internos manejados contra decisões proferidas em recurso especial ou em agravo em recurso especial, tem-se o seguinte: a) incide o verbete quando: i) o único ou todos os capítulos da decisão agravada não foi ou não foram impugnados; ii) não houver a impugnação de todos os fundamentos adotados na análise de determinado capítulo autônomo (quer dizer, ausência de ataque a fundamento capaz, por si só, de manter a conclusão alcançada na decisão agravada); b) não se aplica o óbice sumular no caso em que houver vários capítulos autônomos, e a parte agravante não se insurgir contra algum deles, pois isso acarreta apenas a preclusão da matéria não impugnada, devendo ser analisado o que remanesceu. Dito isso, vê-se que, na hipótese dos autos, o agravo interno não merece ser conhecido. Com efeito, o decisum ora recorrido não conheceu do agravo interposto, visto que o agravante não se insurgiu contra o fundamento do juízo de prelibação negativo do recurso especial, referente à afirmação de que o acórdão recorrido estaria em consonância com jurisprudência do STJ (Súmula 83 do STJ). Da leitura das razões do agravo interno, observa-se que, mais uma vez, a recorrente deixou de atacar devidamente o fundamento do julgado agravado pertinente à falta de impugnação do referido óbice. Limitou-se a defender, em essência, que violação do art. 4º, § 4º, do Decreto-lei n. 2.318/1986 e dos arts. 428 e 429 da CLT. Oportuno destacar que o princípio da dialeticidade impõe à parte recorrente o ônus de explicitar os motivos pelos quais a decisão atacada deve ser reformada, trazendo argumentações capazes de demonstrar o seu desacerto, sendo insuficiente a mera exposição da tese recursal, como ocorreu no caso. Desse modo, forçosa se apresenta a observância do contido no art. 1.021, § 1º, do Código de Processo Civil de 2015 e na Súmula 182 do STJ. Deixo de aplicar a multa prevista no § 4º do art. 1.021 do CPC/2015, tendo em vista que o mero inconformismo com a decisão agravada não enseja a necessária imposição da sanção quando não configurada a manifesta inadmissibilidade ou improcedência do recurso, por decisão unânime do Colegiado, como no caso em análise. Ante o exposto, NÃO CONHEÇO do agravo interno. É como voto.