AREsp 2668951 - ACORDAO
Não conhecer do agravo interno porque o agravante não impugnou especificamente todos os fundamentos da decisão agravada, em desatendimento ao art. 1.021, §1º, do CPC/2015 e à Súmula 182/STJ; não atacou a ausência de prequestionamento e incorreu em inovação recursal/preclusão consumativa.
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: INSTITUTO ESTADUAL DE FLORESTAS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 14 November 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno / Julgamento
- Outcome
- Agravo interno não conhecido.
- Legal Topics
- Impugnação Específica, Prequestionamento, Súmula 182/stj, Art. 1.021, § 1º, Cpc/2015, Art. 1.022, II, CPC, Inovação Recursal, Preclusão Consumativa, Agravo Em Recurso Especial, Multa Do §4º Do Art. 1.021 Do Cpc/2015
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Parties
INSTITUTO ESTADUAL DE FLORESTAS
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno / Julgamento
Legal Issues
- 1 Ausência de impugnação específica dos fundamentos da decisão agravada
- 2 Se o prequestionamento foi suprido por embargos de declaração
- 3 Aplicação da Súmula 182/STJ e do art. 1.021, §1º, do CPC/2015
Ratio Decidendi
Não conhecer do agravo interno porque o agravante não impugnou especificamente todos os fundamentos da decisão agravada, em desatendimento ao art. 1.021, §1º, do CPC/2015 e à Súmula 182/STJ; não atacou a ausência de prequestionamento e incorreu em inovação recursal/preclusão consumativa.
Court Disposition
Agravo interno não conhecido.
Orders
- Não conhecer do agravo interno.
- Não aplicar a multa prevista no §4º do art. 1.021 do CPC/2015.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA TURMA, por unanimidade, não conhecer do recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Benedito Gonçalves, Sérgio Kukina, Regina Helena Costa e Paulo Sérgio Domingues votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Paulo Sérgio Domingues. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. DECISÃO AGRAVADA. FUNDAMENTOS. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. AUSÊNCIA. 1. Nos termos do art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e da Súmula 182 do STJ, o agravante deve infirmar, nas razões do agravo interno, os fundamentos da decisão impugnada, sob pena de não ser conhecido o seu recurso. 2. Hipótese em que o recorrente não se desincumbiu do ônus de impugnar, de forma clara e objetiva, os motivos da decisão ora agravada. 3. Agravo interno não conhecido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno manejado por INSTITUTO ESTADUAL DE FLORESTAS para desafiar decisão, proferida às e-STJ fls. 1.405/1.406, que não conheceu do agravo em recurso especial, pois o agravante não impugnou especificamente todos os fundamentos da decisão agravada, abstendo-se de atacar a ausência de prequestionamento. Em suas razões, às e-STJ fls. 1.414/1.418, a parte agravante busca infirmar o referido fundamento, alegando, em suma, que o prequestionamento foi efetivado por meio dos embargos de declaração opostos, além de ter sido apontada, no recurso especial, violação do art. 1.022, II, do CPC. Requer, assim, a reconsideração da decisão ora recorrida ou a sua submissão ao Órgão colegiado. Impugnação às e-STJ fls. 1.422/1.425. O Ministério Público Federal opinou pelo não conhecimento do agravo em recurso especial (e-STJ fls. 1.443/1.444). É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. DECISÃO AGRAVADA. FUNDAMENTOS. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. AUSÊNCIA. 1. Nos termos do art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e da Súmula 182 do STJ, o agravante deve infirmar, nas razões do agravo interno, os fundamentos da decisão impugnada, sob pena de não ser conhecido o seu recurso. 2. Hipótese em que o recorrente não se desincumbiu do ônus de impugnar, de forma clara e objetiva, os motivos da decisão ora agravada. 3. Agravo interno não conhecido. VOTO De início, considerando os parâmetros estabelecidos pela Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do EREsp 1.424.404/SP (Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, julgado em 20/10/2021, DJe 17/11/2021), para a aplicação da Súmula 182 do STJ no tocante aos agravos internos manejados contra decisões proferidas em recurso especial ou em agravo em recurso especial, tem-se o seguinte: a) incide o verbete quando: i) o único ou todos os capítulos da decisão agravada não foi ou não foram impugnados; ii) não houver a impugnação de todos os fundamentos adotados na análise de determinado capítulo autônomo (quer dizer, ausência de ataque a fundamento capaz, por si só, de manter a conclusão alcançada na decisão agravada); b) não se aplica o óbice sumular no caso em que houver vários capítulos autônomos e a parte agravante não se insurgir contra algum deles, pois isso acarreta apenas a preclusão da matéria não impugnada, devendo ser analisado o que remanesceu. Dito isso, vê-se que, na hipótese dos autos, o agravo interno não merece ser conhecido. Com efeito, o decisum ora recorrido não conheceu do agravo interposto, visto que o agravante não se insurgiu contra todos os fundamentos da decisão agravada, abstendo-se de atacar a ausência de prequestionamento. Da leitura das razões do agravo interno, observa-se que, mais uma vez, o recorrente deixou de atacar devidamente o fundamento do julgado agravado pertinente à falta de impugnação do referido óbice. No caso, não houve nem mesmo menção no agravo interno a eventual impugnação ocorrida nas razões do agravo em recurso especial. Com efeito, o recorrente limitou-se a alegar o recurso especial indicou os dispositivos de lei federal e a tese jurídica que se busca discutir, que impugnou a fundamentação do acórdão recorrido, além de tentar infirmar o fundamento de inadmissão, nos seguintes termos (e-STJ fls. 1.415/1.416): A matéria foi devidamente suscitada nos embargos de declaração opostos no Tribunal de origem, conforme disposto no artigo 1.022 do CPC. O acórdão do Tribunal de origem se manteve omisso em relação a pontos essenciais .. Essas questões, apresentadas oportunamente, foram ignoradas pelo Tribunal de origem, que não se manifestou de maneira adequada em relação à sua relevância, o que ensejou a interposição dos embargos de declaração. Apesar disso, tais embargos foram rejeitados, sem que o Tribunal suprisse a omissão quanto à análise dos dispositivos legais apontados, em clara afronta ao artigo 1.022, inciso II, do CPC, que determina o dever do julgador de sanar quaisquer omissões para garantir a integral prestação jurisdicional. Diante disso, o prequestionamento necessário para a análise do recurso foi devidamente observado, mas o Tribunal de origem, ao se omitir sobre questões essenciais, violou o direito do agravante à prestação jurisdicional. A ausência de manifestação expressa sobre os pontos questionados gerou a violação direta do artigo 1.022, II, do CPC, o que deve ser suprido por este Colendo Tribunal. Portanto, o prequestionamento foi efetivado por meio dos embargos de declaração, e a omissão do Tribunal em enfrentá-lo configura negativa de prestação jurisdicional. Isso evidencia que o presente recurso reúne todos os requisitos de admissibilidade e deve ser conhecido e provido para que a matéria seja devidamente analisada. Ocorre que o princípio da dialeticidade impõe à parte recorrente o ônus de explicitar, de forma específica, concreta e pormenorizada, os motivos pelos quais a decisão atacada deve ser reformada, trazendo argumentações capazes de demonstrar o seu desacerto, o que não ocorreu. Além disso, a questão da incidência do óbice era objeto do agravo em recurso especial, sendo que na atual fase processual o fundamento a ser atacado consiste na própria falta de impugnação no recurso anterior, a que ora não faz alusão o recorrente. Ressalte-se, ainda, que, conforme a jurisprudência desta Corte, o ataque tardio dos fundamentos da decisão que não admitiu o recurso especial, já em sede de agravo interno, configura inovação recursal, incabível em razão da preclusão consumativa. Desse modo, forçosa se apresenta a observância do contido no art. 1.021, § 1º, do Código de Processo Civil de 2015 e na Súmula 182 do STJ. A propósito: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO. DECISÃO MONOCRÁTICA DA PRESIDÊNCIA DO STJ, QUE INADMITIU RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. SÚMULA 182/STJ. 1. A decisão monocrática da Presidência do STJ assentou: "Mediante análise dos autos, verifica-se que a decisão agravada inadmitiu o recurso especial, considerando: Súmula 7/STJ. Entretanto, a parte agravante deixou de impugnar especificamente o referido fundamento. Nos termos do art. 932, inciso III, do CPC e do art. 253, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno desta Corte, não se conhecerá do Agravo em Recurso Especial que "não tenha impugnado especificamente todos os fundamentos da decisão recorrida". Conforme já assentado pela Corte Especial do STJ, a decisão de inadmissibilidade do Recurso Especial não é formada por capítulos autônomos, mas por um único dispositivo, o que exige que a parte agravante impugne todos os fundamentos da decisão que, na origem, inadmitiu o Recurso Especial" (fl. 376, e-STJ). 2. No presente recurso, a parte agravante deixa de observar a determinação do art. 1.021, § 1º, do CPC/2015, pois não refuta os fundamentos do mérito da decisão recorrida, que não conheceu do Agravo em Recurso Especial por falta de impugnação da decisão de admissibilidade. 3. A iterativa jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça consolidou a compreensão de que não se conhece de Agravo contra decisão monocrática o qual não ataque especificamente os fundamentos dessa decisão, de forma a demonstrar que o entendimento nela esposado merece modificação. Assim, não bastam alegações genéricas em sentido contrário ao das afirmações da decisão agravada. 4. Dessa forma, a ausência de impugnação especificada faz incidir na espécie a Súmula 182/STJ ("É inviável o agravo do art. 545 do CPC que deixa de atacar especificamente os fundamentos da decisão agravada."), que está em consonância com a redação do § 1º do art. 1.021 do atual do CPC. 5. Ademais, a impugnação tardia dos fundamentos da decisão que não admitiu o Recurso Especial, por ocasião da interposição de Agravo Interno, além de caracterizar imprópria inovação recursal, não tem o condão de afastar a aplicação do referido verbete 182/STJ, em virtude da ocorrência de preclusão consumativa. 6. Agravo Interno não conhecido. (AgInt no AREsp n. 1.874.820/GO, relator Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 4/10/2021, DJe de 4/11/2021.) Deixo de aplicar a multa prevista no § 4º do art. 1.021 do CPC/2015, tendo em vista que o mero inconformismo com a decisão agravada não enseja a necessária imposição da sanção quando não configurada a manifesta inadmissibilidade ou improcedência do recurso, por decisão unânime do Colegiado, como no caso em análise. Ante o exposto, NÃO CONHEÇO do agravo interno. É como voto.