AREsp 2414799 - ACORDAO
O agravo interno não foi conhecido por ausência de impugnação específica dos fundamentos da decisão agravada, nos termos do art. 1.021, §1º do CPC/2015 e da Súmula 182 do STJ, e porque a modificação do julgado demandaria reexame fático-probatório vedado pela Súmula 7 do STJ; ademais, a tese suscitada no agravo...
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- Parties
- Agravante: ESTADO DE SANTA CATARINA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 14 February 2025
- Procedural Posture
- Agravo Interno / Sessão Virtual De 04/02/2025 a 10/02/2025
- Outcome
- Agravo interno não conhecido
- Legal Topics
- Impugnação Específica, Súmula 182 Do STJ, Súmula 7 Do STJ, Art. 1.021, §1º Do Cpc/2015, Preclusão Consumativa, Inovação Recursal
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Parties
ESTADO DE SANTA CATARINA
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno / Sessão Virtual De 04/02/2025 a 10/02/2025
Legal Issues
- 1 Ausência de impugnação específica das razões da decisão agravada
- 2 Aplicação da Súmula 182 do STJ aos agravos internos
- 3 Vedação ao reexame de matéria fático-probatória (Súmula 7)
Ratio Decidendi
O agravo interno não foi conhecido por ausência de impugnação específica dos fundamentos da decisão agravada, nos termos do art. 1.021, §1º do CPC/2015 e da Súmula 182 do STJ, e porque a modificação do julgado demandaria reexame fático-probatório vedado pela Súmula 7 do STJ; ademais, a tese suscitada no agravo interno não foi apresentada no recurso especial, configurando inovação recursal e preclusão consumativa.
Court Disposition
Agravo interno não conhecido
Orders
- Não conhecer do agravo interno.
- Deixar de aplicar a multa prevista no § 4º do art. 1.021 do CPC/2015.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 04/02/2025 a 10/02/2025, por unanimidade, não conhecer do recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Benedito Gonçalves, Sérgio Kukina, Regina Helena Costa e Paulo Sérgio Domingues votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Paulo Sérgio Domingues. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. DECISÃO AGRAVADA. FUNDAMENTOS. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. AUSÊNCIA. 1. Nos termos do que dispõem o art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e a Súmula 182 do STJ, a parte deve infirmar, nas razões do agravo interno, os fundamentos da decisão combatida, sob pena de não ser conhecido o seu recurso. 2. Hipótese em que o recorrente não se desincumbiu do ônus de impugnar, de forma clara e objetiva, os motivos da decisão ora agravada. 3. Agravo intern o não conhecido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno interposto pelo ESTADO DE SANTA CATARINA contra decisão de minha lavra (e-STJ fls. 720/725), em que conheci do agravo para não conhecer do recurso especial, em virtude da incidência da Súmula 7 do STJ. Alega, em suma, que a pretensão recursal não demanda a revisão no conjunto fático-probatória, defendendo que o acórdão recorrido contrariou o art. 1.022, II, do CPC/2015, o art. 26 do Decreto-lei n. 3.365/1941 e o art. 884 do Código Civil. Afirma que o Tribunal de origem não enfrentou a tese defendida pelo Estado de que, em hipóteses excepcionais, "quando transcorrido longo período entre a data do apossamento e a data do laudo pericial (no caso, aproximadamente 23 anos), o valor da indenização deve ser contemporâneo à data do apossamento, e não à data da avaliação judicial" (e-STJ fl. 733). Requer, ao final, a reconsideração do decisum recorrido ou seja submetido o feito para julgamento pelo Colegiado. Sem impugnação. É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. DECISÃO AGRAVADA. FUNDAMENTOS. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. AUSÊNCIA. 1. Nos termos do que dispõem o art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e a Súmula 182 do STJ, a parte deve infirmar, nas razões do agravo interno, os fundamentos da decisão combatida, sob pena de não ser conhecido o seu recurso. 2. Hipótese em que o recorrente não se desincumbiu do ônus de impugnar, de forma clara e objetiva, os motivos da decisão ora agravada. 3. Agravo intern o não conhecido. VOTO De início, considerando os parâmetros estabelecidos pela Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do EREsp 1 .424.404/SP (Rel. Ministra Luis Felipe Salomão, julgado em 20/10/2021, DJe 17/1 1/2021), para a aplicação da Súmula 182 do STJ no tocante aos agravos internos manejados contra decisões proferidas em recurso especial ou em agravo em recurso especial, tem-se o seguinte: a) incide o verbete quando: i) o único ou todos os capítulos da decisão agravada não foi ou não foram impugnados; ii) não houver a impugnação de todos os fundamentos adotados na análise de determinado capítulo autônomo (quer dizer, ausência de ataque a fundamento capaz, por si só, de manter a conclusão alcançada na decisão agravada); b) não se aplica o óbice sumular no caso em que houver vários capítulos autônomos, e a parte agravante não se insurgir contra algum deles, pois isso acarreta apenas a preclusão da matéria não impugnada, devendo ser analisado o que remanesceu. Dito isso, vê-se que, na hipótese dos autos, o agravo interno não merece ser conhecido. Com efeito, no decisum ora recorrido, o agravo foi conhecido para não conhecer do recurso especial, tendo em vista que a modificação do julgado demandaria novo exame fático-probatório do caso, o que é vedado pela Súmula 7 do STJ. Da leitura das razões do agravo interno, observa-se que a parte agravante deixou de atacar devidamente a decisão agravada, de modo a demonstrar a inaplicabilidade do referido óbice sumular. Especificamente em relação à Súmula 7 do STJ, é de rigor que, além da contextualização do caso concreto, a impugnação contenha as devidas razões pelas quais se entende ser possível o conhecimento da pretensão independentemente do reexame fático-probatório, mediante, por exemplo, a apresentação do cotejo entre as premissas fáticas e as conclusões delineadas no acórdão recorrido e sua tese recursal, a fim de demonstrar a prescindibilidade da análise dos elementos de prova. Quanto à alegação de ofensa ao art. 1.022, II, do CPC/2015, visto que o Tribunal de origem não apreciou a peculiaridade levantada pelo Estado de Santa Catarina acerca da necessidade de mitigação do comando previsto no art. 26 do Decreto n. 3.365/41 , constata-se que matéria não foi ventilada no apelo especial, mas apenas no presente agravo interno. Logo, é inviável o conhecimento do recurso, no ponto, ante a inovação recursal identificada, alcançada pela preclusão consumativa. Desse modo, forçosa se apresenta a observância do contido no art. 1.021, §1º, do Código de Processo Civil de 2015 e na Súmula 182 do STJ. Deixo de aplicar a multa prevista no § 4º do art. 1.021 do CPC/2015, tendo em vista que o mero inconformismo com a decisão agravada não enseja a necessária imposição da sanção quando não configurada a manifesta inadmissibilidade ou improcedência do recurso, por decisão unânime do Colegiado, como no caso em análise. Ante o exposto, NÃO CONHEÇO do agravo interno. É como voto.