AREsp 2713689 - ACORDAO
O agravo interno não foi conhecido porque a agravante não impugnou especificamente, de forma clara e objetiva, o fundamento da decisão de admissibilidade que considerou o recurso inadequado para reexame fático-probatório, aplicando-se, por conseguinte, o art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e a Súmula 182 do STJ; a...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: RIO CIDADE SERVICE TUR TRANSPORTES TURISTICOS LTDA.; Agravado: Presidente desta Corte Superior
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 28 February 2025
- Procedural Posture
- Agravo Interno / Sessão Virtual De Julgamento (primeira Turma)
- Outcome
- Agravo interno não conhecido
- Legal Topics
- Impugnação Específica, Súmula 182 Do STJ, Art. 1.021, § 1º, Cpc/2015, Agravo Interno Não Conhecido, Reexame Fático Probatório
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
RIO CIDADE SERVICE TUR TRANSPORTES TURISTICOS LTDA.
Agravante
Presidente desta Corte Superior
Agravado
Procedural Posture
Agravo Interno / Sessão Virtual De Julgamento (primeira Turma)
Legal Issues
- 1 Necessidade de impugnação específica dos fundamentos da decisão agravada
- 2 Aplicação da Súmula 182 do STJ e do art. 1.021, § 1º, do CPC/2015
- 3 Inadmissibilidade do recurso quando ausente ataque específico ao fundamento que mantém a decisão de inadmissão
Ratio Decidendi
O agravo interno não foi conhecido porque a agravante não impugnou especificamente, de forma clara e objetiva, o fundamento da decisão de admissibilidade que considerou o recurso inadequado para reexame fático-probatório, aplicando-se, por conseguinte, o art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e a Súmula 182 do STJ; a argumentação genérica sobre dialeticidade foi insuficiente para infirmar o fundamento decisório.
Court Disposition
Agravo interno não conhecido
Orders
- Não conhecer do agravo interno
- Não aplicar a multa prevista no § 4º do art. 1.021 do CPC/2015
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 18/02/2025 a 24/02/2025, por unanimidade, não conhecer do recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Benedito Gonçalves, Sérgio Kukina, Regina Helena Costa e Paulo Sérgio Domingues votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Paulo Sérgio Domingues. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. DECISÃO AGRAVADA. FUNDAMENTO. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. AUSÊNCIA. 1. Nos termos do que dispõem o art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e a Súmula 182 do STJ, a parte deve infirmar, nas razões do agravo interno, os fundamentos da decisão combatida, sob pena de não ser conhecido o seu recurso. 2. Hipótese em que a recorrente não se desincumbiu do ônus de impugnar, de forma clara e objetiva, os motivos da decisão ora agravada. 3. Agravo interno não conhecido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno manejado por RIO CIDADE SERVICE TUR TRANSPORTES TURISTICOS LTDA. contra decisão do Presidente desta Corte Superior, às e-STJ fls. 989/990, em que não conheceu do agravo em recurso especial, pois a agravante deixou de impugnar especificamente o único fundamento da decisão de admissibilidade, atinente ao não cabimento do recurso para reexame fático-probatório. A parte agravante alega, em síntese, que "a empresa agravante fundamentou de forma pormenorizada todas as questões passíveis de discussão, portanto não que se falar em falta de dialeticidade recursal" (e-STJ fl. 1.003) e repisa os argumentos de mérito trazidos no recurso especial. Sem contraminuta (certidão de e-STJ fl. 1.018). É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. DECISÃO AGRAVADA. FUNDAMENTO. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. AUSÊNCIA. 1. Nos termos do que dispõem o art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e a Súmula 182 do STJ, a parte deve infirmar, nas razões do agravo interno, os fundamentos da decisão combatida, sob pena de não ser conhecido o seu recurso. 2. Hipótese em que a recorrente não se desincumbiu do ônus de impugnar, de forma clara e objetiva, os motivos da decisão ora agravada. 3. Agravo interno não conhecido. VOTO De início, considerando os parâmetros estabelecidos pela Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do EREsp 1.424.404/SP (Rel. Ministro Luis Felipe Salomão, julgado em 20/10/2021, DJe 17/11/2021), para a aplicação da Súmula 182 do STJ no tocante aos agravos internos manejados contra decisões proferidas em recurso especial ou em agravo em recurso especial, tem-se o seguinte: a) incide o verbete quando: i) o único ou todos os capítulos da decisão agravada não foi ou não foram impugnados; ii) não houver a impugnação de todos os fundamentos adotados na análise de determinado capítulo autônomo (ou seja, ausência de ataque a fundamento capaz, por si só, de manter a conclusão alcançada na decisão agravada); b) não se aplica o óbice sumular no caso em que houver vários capítulos autônomos e a parte agravante não se insurgir contra algum deles, pois isso acarreta apenas a preclusão da matéria não impugnada, devendo ser analisado o que remanesceu. Dito isso, vê-se que, na hipótese dos autos, o agravo interno não merece ser conhecido. No julgado ora recorrido, o agravo em recurso especial não foi conhecido em razão da ausência de impugnação do fundamento da decisão de inadmissão referente ao não cabimento de apelo nobre para reexame fático-probatório. Contudo, da leitura das razões do agravo interno, observa-se que a parte agravante deixou de atacar devidamente esse fundamento, limitando-se a defender que "o recurso apresentado não carece de dialeticidade, como se sabe, a dialeticidade recursal é um princípio fundamental do sistema recursal brasileiro, que condiciona a admissibilidade dos recursos à demonstração de um diálogo entre as partes e o Judiciário. Assim, resta evidente que a empresa agravante fundamentou de forma pormenorizada todas as questões passíveis de discussão, portanto, não há que se falar em falta de dialeticidade recursal" (e-STJ fls. 1.003). Desse modo, ante a flagrante inadequação e inespecificidade da argumentação trazida neste recurso para rebater a motivação adotada na decisão agravada, forçosa se apresenta a observância do contido no art. 1.021, § 1º, do Código de Processo Civil de 2015 e na Súmula 182 do STJ. Deixo de aplicar a multa prevista no § 4º do art. 1.021 do CPC/2015, tendo em vista que o mero inconformismo com a decisão agravada não enseja a necessária imposição da sanção quando não configurada a manifesta inadmissibilidade ou improcedência do recurso, por decisão unânime do Colegiado, como no caso em análise. Ante o exposto, NÃO CONHEÇO do agravo interno. É como voto.