AREsp 2760855 - ACORDAO
O agravo interno não foi conhecido porque a agravante não atacou de forma específica e suficiente os fundamentos que fundamentaram o não conhecimento do agravo em recurso especial (falta de indicação precisa de dispositivos legais federais), razão pela qual se aplica o art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e a Súmula 182 do...
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- Parties
- Agravante: MARIA HELENA FERNANDES SANTOS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 02 September 2025
- Procedural Posture
- Agravo Interno / Julgado Não Conhecido (primeira Turma, Sessão Virtual)
- Outcome
- agravo interno não conhecido
- Legal Topics
- Impugnação Específica, Prequestionamento, Súmula 182 Do STJ, Art. 1.021 Do Cpc/2015, Agravo Interno
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Parties
MARIA HELENA FERNANDES SANTOS
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno / Julgado Não Conhecido (primeira Turma, Sessão Virtual)
Legal Issues
- 1 Se a parte impugnou de forma específica os fundamentos da decisão agravada, nos termos do art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e da Súmula 182 do STJ
- 2 Aplicação da Súmula 182 do STJ e dos parâmetros fixados no EREsp 1.424.404/SP
Ratio Decidendi
O agravo interno não foi conhecido porque a agravante não atacou de forma específica e suficiente os fundamentos que fundamentaram o não conhecimento do agravo em recurso especial (falta de indicação precisa de dispositivos legais federais), razão pela qual se aplica o art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e a Súmula 182 do STJ.
Court Disposition
agravo interno não conhecido
Orders
- Não conhecer do agravo interno.
- Deixar de aplicar a multa prevista no § 4º do art. 1.021 do CPC/2015.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 19/08/2025 a 25/08/2025, por unanimidade, não conhecer do recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Benedito Gonçalves, Sérgio Kukina, Regina Helena Costa e Paulo Sérgio Domingues votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Sérgio Kukina. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. DECISÃO AGRAVADA. FUNDAMENTO. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. AUSÊNCIA. 1. Nos termos do que dispõem o art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e a Súmula 182 do STJ, a parte deve infirmar, nas razões do agravo interno, os fundamentos da decisão combatida, sob pena de não ser conhecido o seu recurso. 2. Hipótese em que a recorrente não se desincumbiu do ônus de impugnar, de forma clara e objetiva, os motivos da decisão ora agravada. 3. Agravo interno não conhecido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno manejado por MARIA HELENA FERNANDES SANTOS contra decisão da lavra da Presidência desta Corte, que não conheceu do recurso (e-STJ fls. 482/483) e rejeitou os embargos de declaração (e-STJ fls. 502/505). Sustenta a parte agravante que impugnou devidamente os fundamentos do acórdão recorrido, quanto à ausência de prequestionamento e à incidência do art. 102, III, da CF/1988, além de repisar as razões de seu apelo nobre. Também sustenta que "a decisão monocrática, ao aplicar o art. 102, III, da Constituição Federal, e o art. 21-E, V, do Regimento Interno do STF, não considerou que, no caso em questão, a análise do recurso exige uma interpretação aprofundada de normas e princípios jurídicos que ultrapassam as questões fáticas do processo" (e-STJ fl. 515). Segundo defende, "a questão discutida no agravo em Recurso Especial e no Recurso Especial envolve interpretação de normas infraconstitucionais, cuja Decisão do Acordão poderá ser usada como jurisprudência, e esta Decisão, se não modificada, pela análise das razoes do Recurso Especial, poderá entrar em conflito com o entendimento do STJ e do STF, quanto ao reexame de fatos ou provas" (e-STJ fl. 516). Sem contraminuta (e-STJ fl. 524). É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. DECISÃO AGRAVADA. FUNDAMENTO. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. AUSÊNCIA. 1. Nos termos do que dispõem o art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e a Súmula 182 do STJ, a parte deve infirmar, nas razões do agravo interno, os fundamentos da decisão combatida, sob pena de não ser conhecido o seu recurso. 2. Hipótese em que a recorrente não se desincumbiu do ônus de impugnar, de forma clara e objetiva, os motivos da decisão ora agravada. 3. Agravo interno não conhecido. VOTO De início, considerando os parâmetros estabelecidos pela Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do EREsp 1.424.404/SP (Rel. Ministro Luis Felipe Salomão, julgado em 20/10/2021, DJe 17/11/2021), para a aplicação da Súmula 182 do STJ no tocante aos agravos internos manejados contra decisões proferidas em recurso especial ou em agravo em recurso especial, tem-se o seguinte: a) incide o verbete quando: i) o único ou todos os capítulos da decisão agravada não foi ou não foram impugnados; ii) não houver a impugnação de todos os fundamentos adotados na análise de determinado capítulo autônomo (ou seja , ausência de ataque a fundamento capaz, por si só, de manter a conclusão alcançada na decisão agravada); b) não se aplica o óbice sumular no caso em que houver vários capítulos autônomos e a parte agravante não se insurgir contra algum deles, pois isso acarreta apenas a preclusão da matéria não impugnada, devendo ser analisado o que remanesceu. Dito isso, vê-se que, na hipótese dos autos, o agravo interno não merece ser conhecido. Com efeito, na decisão ora recorrida, o agravo em recurso especial não foi conhecido, pelos seguintes capítulos autônomos: a) o recorrente deixou de indicar precisamente os dispositivos legais federais que teriam sido violados ou quais dispositivos legais seriam objeto de dissídio interpretativo; e b) trouxe apenas dispositivos constitucionais. Contudo, da leitura das razões do agravo interno, observa-se que a parte agravante deixou de atacar devidamente esses fundamentos. Desse modo, forçosa se apresenta a observância do contido no art. 1.021, § 1º, do Código de Processo Civil e na Súmula 182 do STJ. Deixo de aplicar a multa prevista no § 4º do art. 1.021 do CPC/2015, tendo em vista que o mero inconformismo com a decisão agravada não enseja a necessária imposição da sanção quando não configurada a manifesta inadmissibilidade ou improcedência do recurso, por decisão unânime do Colegiado, como no caso em análise. Ante o exposto, NÃO CONHEÇO do agravo interno. É como voto.