AREsp 2805923 - ACORDAO
O agravo interno não foi conhecido porque o agravante não infirmou, de forma clara e objetiva, os fundamentos da decisão agravada, nos termos do art. 1.021, § 1º, do CPC e da Súmula 182 do STJ, não superando também o óbice da Súmula 7 do STJ quanto ao reexame fático-probatório.
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- Parties
- Agravante: DÁRIO VITORIANO DA COSTA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 17 September 2025
- Procedural Posture
- Agravo Interno / Julgamento (sessão Virtual De 02/09/2025 a 08/09/2025)
- Outcome
- Agravo interno não conhecido
- Legal Topics
- Impugnação Específica, Prequestionamento Ficto, Súmula 182 Do STJ, Súmula 7 Do STJ, Art. 1.021, § 1º Do CPC
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Parties
DÁRIO VITORIANO DA COSTA
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno / Julgamento (sessão Virtual De 02/09/2025 a 08/09/2025)
Legal Issues
- 1 Obrigatoriedade de impugnação específica dos fundamentos da decisão agravada
- 2 Aplicação da Súmula 182 do STJ em agravos internos
- 3 Incidência da Súmula 7 do STJ sobre reexame fático-probatório
Ratio Decidendi
O agravo interno não foi conhecido porque o agravante não infirmou, de forma clara e objetiva, os fundamentos da decisão agravada, nos termos do art. 1.021, § 1º, do CPC e da Súmula 182 do STJ, não superando também o óbice da Súmula 7 do STJ quanto ao reexame fático-probatório.
Court Disposition
Agravo interno não conhecido
Orders
- Não conhecer do agravo interno
- Não aplicar a multa prevista no § 4º do art. 1.021 do CPC
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 02/09/2025 a 08/09/2025, por unanimidade, não conhecer do recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Paulo Sérgio Domingues, Benedito Gonçalves, Sérgio Kukina e Regina Helena Costa votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Sérgio Kukina. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. DECISÃO AGRAVADA. FUNDAMENTOS. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. AUSÊNCIA. 1. Nos termos do art. 1.021, § 1º, do CPC e da Súmula 182 do STJ, o agravante deve infirmar, nas razões do agravo interno, os fundamentos da decisão impugnada, sob pena de não ser conhecido o seu recurso. 2. Hipótese em que a parte recorrente não se desincumbiu do ônus de impugnar, de forma clara e objetiva, os motivos da decisão ora agravada. 3. Agravo interno não conhecido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno interposto por DÁRIO VITORIANO DA COSTA contra decisão de minha lavra, proferida às e-STJ fls. 674/677, em que conheci do agravo para não conhecer do recurso especial em virtude do não cabimento, no tocante à matéria constitucional, da não caracterização de prequestionamento ficto, porquanto não deduzida preliminar de negativa de prestação jurisdicional, bem como da incidência da Súmula 7 do STJ. Aduz a parte agravante que se aplica, " .. ao caso, o disposto no art. 1.025 do CPC, que consagra o prequestionamento ficto. A decisão agravada, ao exigir prequestionamento formal sem considerar o caráter normativo do art. 1.025, diverge da jurisprudência dominante desta Corte (REsp 1.246.331/PR, Rel. Min. Herman Benjamin, DJe 11/06/2012)" (e-STJ fl. 685). Pontua que "não se pleiteia o reexame da prova em si, mas sim a análise da legalidade do ato administrativo à luz dos princípios constitucionais" (e-STJ fl. 685). Arrazoa, ao fim, que observadas as formalidades para apresentação da divergência jurisprudencial. Requer, assim, a reconsideração ou a reforma da decisão questionada, a fim de que seja provido o recurso especial. É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. DECISÃO AGRAVADA. FUNDAMENTOS. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. AUSÊNCIA. 1. Nos termos do art. 1.021, § 1º, do CPC e da Súmula 182 do STJ, o agravante deve infirmar, nas razões do agravo interno, os fundamentos da decisão impugnada, sob pena de não ser conhecido o seu recurso. 2. Hipótese em que a parte recorrente não se desincumbiu do ônus de impugnar, de forma clara e objetiva, os motivos da decisão ora agravada. 3. Agravo interno não conhecido. VOTO De início, considerando os parâmetros estabelecidos pela Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do EREsp 1.424.404/SP (Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, julgado em 20/10/2021, DJe 17/11/2021), para a aplicação da Súmula 182 do STJ no tocante aos agravos internos manejados contra decisões proferidas em recurso especial ou em agravo em recurso especial, tem-se o seguinte: a) incide o verbete quando: i) o único ou todos os capítulos da decisão agravada não foi ou não foram impugnados; ii) não houver a impugnação de todos os fundamentos adotados na análise de determinado capítulo autônomo (ou seja, ausência de ataque a fundamento capaz, por si só, de manter a conclusão alcançada na decisão agravada); b) não se aplica o óbice sumular no caso em que houver vários capítulos autônomos, e a parte agravante não se insurgir contra algum deles, pois isso acarreta apenas a preclusão da matéria não impugnada, devendo ser analisado o que remanesceu. Dito isso, vê-se que, na hipótese dos autos, o agravo interno não merece ser conhecido. No decisum ora recorrido, conheci do agravo para não conhecer do recurso especial com os seguintes capítulos e fundamentos: a) não cabimento, no tocante à matéria constitucional; b) não caracterização de prequestionamento ficto, porquanto não deduzida preliminar de negativa de prestação jurisdicional; e c) incidência da Súmula 7 do STJ. Da leitura das razões do agravo interno, observa-se que a parte agravante deixou de atacar devidamente os fundamentos aludidos. Especificamente em relação ao óbice da Súmula 7 do STJ, é de rigor que, além da contextualização do caso concreto, a impugnação contenha as devidas razões pelas quais se entende ser possível o conhecimento da pretensão, independentemente do reexame fático-probatório, mediante, por exemplo, a apresentação do cotejo entre as premissas fáticas e as conclusões delineadas no acórdão recorrido e na sua tese recursal. No caso, essa providência não foi adotada. Desse modo, forçosa se apresenta a observância do contido no art. 1.021, § 1º, do Código de Processo Civil de 2015 e na Súmula 182 do STJ. Deixo de aplicar a multa prevista no § 4º do art. 1.021 do CPC, tendo em vista que o mero inconformismo com a decisão agravada não enseja a necessária imposição da sanção quando não configurada a manifesta inadmissibilidade ou improcedência do recurso, por decisão unânime do Colegiado, como no caso em análise. Ante o exposto, NÃO CONHEÇO do agravo interno. É como voto.