AREsp 2385115 - ACORDAO
O agravo interno não foi conhecido porque o agravante não cumpriu o ônus de impugnar especificamente os fundamentos da decisão agravada, limitando-se a reproduzir as razões do recurso anterior, insuficientes para afastar a incidência das súmulas e do art. 1.021, § 1º, do CPC/2015; por isso, aplica-se a Súmula 182 do...
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- Parties
- Agravante: LUIZ JOSE DE CARVALHO E MELLO MATTOS FILHO; Impugnante: MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 06 June 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno / Julgamento
- Outcome
- Agravo interno não conhecido por unanimidade
- Legal Topics
- Impugnação Específica, Súmula 182/stj, Art. 1.021 Do Cpc/2015, Súmulas 283/stf E 7/stj, Admissibilidade De Recurso Especial
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Parties
LUIZ JOSE DE CARVALHO E MELLO MATTOS FILHO
Agravante
MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS
Impugnante
Procedural Posture
Agravo Interno / Julgamento
Legal Issues
- 1 Necessidade de impugnação específica dos fundamentos da decisão agravada nos termos do art. 1.021, § 1º, CPC/2015 e da Súmula 182 do STJ
- 2 Aplicabilidade das Súmulas 283/STF e 7/STJ como óbices à admissão do recurso especial
Ratio Decidendi
O agravo interno não foi conhecido porque o agravante não cumpriu o ônus de impugnar especificamente os fundamentos da decisão agravada, limitando-se a reproduzir as razões do recurso anterior, insuficientes para afastar a incidência das súmulas e do art. 1.021, § 1º, do CPC/2015; por isso, aplica-se a Súmula 182 do STJ e mantém-se o não conhecimento do recurso, sem imposição da multa do § 4º do art. 1.021 do CPC/2015 no caso concreto.
Court Disposition
Agravo interno não conhecido por unanimidade
Orders
- Não conhecer do agravo interno
- Deixar de aplicar a multa prevista no § 4º do art. 1.021 do CPC/2015
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 21/05/2024 a 27/05/2024, por unanimidade, não conhecer do recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Benedito Gonçalves, Sérgio Kukina, Regina Helena Costa e Paulo Sérgio Domingues votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Paulo Sérgio Domingues. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. DECISÃO AGRAVADA. FUNDAMENTOS. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. AUSÊNCIA. 1. Nos termos do art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e da Súmula 182 do STJ, o agravante deve infirmar, nas razões do agravo interno, os fundamentos da decisão impugnada, sob pena de não ser conhecido o seu recurso. 2. Hipótese em que o recorrente não se desincumbiu do ônus de impugnar, de forma clara e objetiva, os motivos da decisão ora agravada. 3. Agravo interno não conhecido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno manejado por LUIZ JOSE DE CARVALHO E MELLO MATTOS FILHO para desafiar decisão em que não conheci do agravo em recurso especial, considerando a ausência de impugnação específica dos fundamentos da decisão agravada, no caso, as Súmulas 283/STF e 7/STJ (e-STJ fls. 1457/1459). Recebidos os aclaratórios como agravo interno, a parte, intimada para complementar as razões recursais (CPC/2015, art. 1.024, § 3º), apresentou a peça de e-STJ fls. 1497/1508. A parte agravante, mediante a reprodução das razões invocadas no agravo em recurso especial, defende que os citados fundamentos adotados no juízo de admissibilidade recursal foram impugnados. Impugnação do MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS. É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. DECISÃO AGRAVADA. FUNDAMENTOS. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. AUSÊNCIA. 1. Nos termos do art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e da Súmula 182 do STJ, o agravante deve infirmar, nas razões do agravo interno, os fundamentos da decisão impugnada, sob pena de não ser conhecido o seu recurso. 2. Hipótese em que o recorrente não se desincumbiu do ônus de impugnar, de forma clara e objetiva, os motivos da decisão ora agravada. 3. Agravo interno não conhecido. VOTO O EXMO. SR. MINISTRO GURGEL DE FARIA (Relator): De início, considerando os parâmetros estabelecidos pela Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do EREsp 1.424.404/SP (rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, julgado em 20/10/2021, DJe 17/11/2021), para a aplicação da Súmula 182 deste Tribunal no tocante aos agravos internos manejados contra decisões proferidas em recurso especial ou em agravo em recurso especial, tem-se o seguinte: a) incide o verbete quando: i) o único ou todos os capítulos da decisão agravada não foi ou não foram impugnados; ii) não houver a impugnação de todos os fundamentos adotados na análise de determinado capítulo autônomo (ou seja, ausência de ataque a fundamento capaz, por si só, de manter a conclusão alcançada na decisão agravada); b) não se aplica o óbice sumular no caso em que houver vários capítulos autônomos, e a parte agravante não se insurgir contra algum deles, pois isso acarreta apenas a preclusão da matéria não impugnada, devendo ser analisado o que remanesceu. Dito isso, vê-se que, na hipótese dos autos, o agravo interno não merece ser conhecido. Com efeito, no decisum ora recorrido, o agravo em recurso especial não foi conhecido, ante a ausência de impugnação dos fundamentos da decisão que não admitiu o recurso especial, especialmente, quanto às Súmulas 283/STF e 7/STJ (e-STJ fls. 1457/1459). Contudo, da leitura das razões do agravo interno, observa-se que a parte agravante, mais uma vez, deixou de atacar devidamente os referidos fundamentos, limitando-se a reproduzir as razões invocadas em seu agravo em recurso especial e reiterar o mérito do recurso inadmitido. O princípio da dialeticidade impõe à parte recorrente o ônus de explicitar os motivos pelos quais a decisão atacada deve ser reformada, trazendo argumentações capazes de demonstrar o seu desacerto, sendo que na atual fase processual o fundamento a ser atacado consiste na própria falta de impugnação no recurso anterior, a que ora não faz alusão o recorrente. Ademais, observa-se que a argumentação apresentada para rebater o fundamento da decisão agravada é mera reprodução daquela já trazida no agravo em recurso especial e considerada, no decisum agravado, insuficiente para afastar a incidência dos óbices ali identificados (e-STJ fls. 1390/1392 e 1505/1508). Nesse ponto, deve ser destacado que "ao dever de o relator não poder se limitar à reprodução dos fundamentos da decisão agravada para julgar improcedente o agravo interno corresponde a obrigação de o recorrente impugnar especificadamente os fundamentos da decisão agravada, motivo por que não lhe é dado meramente reproduzir as razões deduzidas em seu recurso anterior. Inteligência do art. 1.021, §§ 1.º e 3.º, do CPC/2015" (AgInt no REsp 1619973/PB, rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 15/12/2016, DJe 19/12/2016). Desse modo, forçosa se apresenta a observância do contido no art. 1.021, § 1º, do Código de Processo Civil de 2 015 e na Súmula 182 do STJ. Deixo de aplicar a multa prevista no § 4º do art. 1.021 do CPC/2015, tendo em vista que o mero inconformismo com a decisão agravada não enseja a necessária imposição da sanção quando não configurada a manifesta inadmissibilidade ou improcedência do recurso, por decisão unânime do Colegiado, como no caso em análise. Ante o exposto, NÃO CONHEÇO do agravo interno. É como voto.