AREsp 2820549 - DECISAO
O agravo é inadmissível porque o agravante não impugnou de forma específica e suficiente todos os fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial, em especial a fundamentação relativa à Súmula 7/STJ, e, ademais, a alteração pretendida demandaria reexame de fatos e provas vedado pela Súmula 7/STJ.
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: YVES DANIEL DOS SANTOS FERNANDES; Órgão Recorrido: Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 25 March 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Inadmissibilidade
- Outcome
- Agravo em recurso especial não conhecido
- Legal Topics
- Impugnação Específica, Admissibilidade De Recurso Especial, Súmula 7/stj (vedação Ao Reexame De Provas), Súmula 182/stj
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
YVES DANIEL DOS SANTOS FERNANDES
Agravante
Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios
Órgão Recorrido
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Inadmissibilidade
Legal Issues
- 1 Inadmissibilidade do agravo por impugnação deficiente
Ratio Decidendi
O agravo é inadmissível porque o agravante não impugnou de forma específica e suficiente todos os fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial, em especial a fundamentação relativa à Súmula 7/STJ, e, ademais, a alteração pretendida demandaria reexame de fatos e provas vedado pela Súmula 7/STJ.
Court Disposition
Agravo em recurso especial não conhecido
Orders
- Não conheço do agravo em recurso especial.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo em recurso especial interposto por YVES DANIEL DOS SANTOS FERNANDES contra a decisão do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios que inadmitiu o recurso especial apresentado na Apelação Criminal n. 0726063-85.2019.8.07.0001. O Ministério Público Federal apresentou parecer opinando pelo desprovimento do agravo em recurso especial (fls. 4.371/4.377). É o relatório. O agravo é inadmissível. Inicialmente, esclareço que a decisão que inadmite o recurso especial na origem não é formada por capítulos autônomos, mas por um único dispositivo, razão pela qual deve ser impugnada na sua integralidade, ou seja, em todos os seus fundamentos (EAREsp n. 831.326/SP, Relator para o acórdão Ministro Luis Felipe Salomão, Corte Especial, DJe 30/11/2018), inclusive de forma específica, suficiente e pormenorizada (AgRg no AREsp n. 1.234.909/SP, Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe 2/4/2018). O Tribunal de origem não admitiu o apelo nobre pelos seguintes fundamentos: inexiste ofensa ao art. 619 do CPP e Súmula 7/STJ. Todavia, a parte agravante, nas razões do agravo em recurso especial, não impugnou, de maneira específica, a fundamentação atinente à Súmula 7/STJ. Por conseguinte, aplica-se, à hipótese dos autos, o art. 932, inciso III, do CPC, c/c o art. 3º do CPP, e a Súmula 182 do Superior Tribunal de Justiça, in verbis: é inviável o agravo do art. 545 do CPC que deixa de atacar especificamente os fundamentos da decisão agravada. Ilustrativamente: AgRg no AREsp n. 2.379.751/PI, Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, DJe 30/10/2023; e AgRg no HC n. 755.900/SP, Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe 22/8/2022. Não obstante isso, ainda que o agravante alegue que estava sem celular .. e sem whatsapp .. - o que fulminaria qualquer caráter de estabilidade e permanência (fl. 4.324 - do memorial), a realidade dos fatos e das provas delineada no acórdão recorrido demonstra o contrário, tendo sido destacada a comprovação dos referidos requisitos do crime de associação para o tráfico, como se observa dos seguintes trechos (fls. 4.055/4.056 - grifo nosso): Iniciada investigação policial após denúncia anônima de tráfico de drogas na QNP 22, constatou-se que o réu George era o principal fornecedor de drogas dos intermediários Eliakim e Yves. Weverton, primo de George, realizava as entregas e recebia pagamentos na casa de George, e Stefanny cedia sua conta bancária para depósitos do pagamento das drogas. Agentes de polícia flagraram a venda de entorpecentes entre Weverton e Eliakim no referido endereço, local onde apreenderam cocaína e o aparelho celular do réu Eliakim - este identificado a partir do veículo Toyota Corolla que abandonou próximo ao local. Autorizada a quebra de sigilo do aparelho celular apreendido, identificaram-se não apenas a transação flagrada, realizada entre Eliakim, George e Weverton, como também outras transações e intermediações de drogas (relatório policial 163/2019 - 23ª DPDF). As mensagens não deixam dúvidas de que os réus integravam e atuavam de forma associada para a traficância de substâncias ilícitas, especialmente com a venda direta das drogas aos usuários e fornecimento de drogas a festas "rave". Pelas conversas em aplicativo de mensagens Whatsapp, verifica-se a negociação de drogas entre Eliakim e vários usuários (diálogos 7 de 16.3.19, 8 e 10 de 17.3.19, 9 de 24.3.19, 11 e 14 de 21.3.19). Em diversas situações, Eliakim repassa o contato de George, afirmando que ele é o fornecedor (ID 55340517, p. 9/46). Constam ainda, áudio em que Eliakim indica, a usuário, o réu Yves como fornecedor de drogas sintéticas (diálogo 19 de 21.1.19 - ID 55340517, p. 47). Há mensagens em que eles reclamam do baixo estoque de droga e da dificuldade em conseguir mais (diálogo 20 de 27.3.19 - idem, p. 49). E em janeiro de 2019, há mensagens em que Eliakim e Yves conversavam sobre pagamento de valores devidos a George (diálogo 21 - idem, p. 50). Em conversa entre George e Eliakim esses falam sobre a dívida de Yves (diálogo 26 de 28.3.19 - idem, p. 64). Foi encontrado no aparelho celular, calendário de festas "rave", em especial o evento Funn Festival que se iniciou em 10 maio de 2019. O réu Yves foi flagrado recebendo, pelos correios, 25 microselos de LSD no dia 20.5.19 (idem, p. 65). Do acórdão dos embargos de declaração anoto (fl. 4.180 - grifo nosso): Quanto à omissão e obscuridade referentes ao crime de associação para o tráfico, o acórdão examinou as provas produzidas e os diálogos encontrados nos aparelhos celulares apreendidos, concluindo por manter a condenação. Considerou o acórdão que: " .. Iniciada investigação policial após denúncia anônima de tráfico de drogas na QNP 22, constatou-se que o réu George era o principal fornecedor de drogas dos intermediários Eliakim e Yves. Weverton, primo de George, realizava as entregas e recebia pagamentos na casa de George, e Stefanny cedia sua conta bancária para depósitos do pagamento das drogas. .. Constam ainda, áudio em que Eliakim indica, a usuário, o réu Yves como fornecedor de drogas sintéticas (diálogo 19 de 21.1.19 - ID 55340517, p. 47). Há mensagens em que eles reclamam do baixo estoque de droga e da dificuldade em conseguir mais (diálogo 20 de 27.3.19 - idem, p. 49). E em janeiro de 2019, há mensagens em que Eliakim e Yves conversavam sobre pagamento de valores devidos a George (diálogo 21 - idem, p. 50). Em conversa entre George e Eliakim esses falam sobre a dívida de Yves (diálogo 26 de 28.3.19 - idem, p. 64). Foi encontrado no aparelho celular, calendário de festas "rave", em especial o evento Funn Festival que se iniciou em 10 maio de 2019. O réu Yves foi flagrado recebendo, pelos correios, 25 microselos de LSD no dia 20.5.19 (idem, p. 65). .. " O acórdão não se baseou na apreensão dos 25 microselos de LSD para condenar o réu por associação para o tráfico, mas na prova oral produzida em juízo e em todos os diálogos extraídos do aparelho celular. A apreensão dos microselos com o embargante foi citada no acórdão apenas como exemplo do engajamento dele na associação, como reforço argumentativo. Não como prova. Ao que se observa, o agravante utilizou-se de antigo aparelho celular para entrar em contato com o corréu Eliakim no período indicado nas investigações, inclusive, tendo mostrado preocupação com o valor devido ao líder da organização, referente a droga anteriormente recebida e ainda não paga, denotando os requisitos da estabilidade e da permanência configuradores da associação para o tráfico. Por oportuno (fl. 3.237 - grifo nosso): Tive que bota o chip em um fuleiro aqui / Tu volta que dia / Mano kim eu num vou poder comprar agr pq tenho q manda um din pro george do que eu trouxe , ia até te pedir a conta dele ai p eu mandar q sem wpp ta foda " Tal o contexto, ainda que ultrapassado o conhecimento do agravo, o apelo nobre não seria conhecido, uma vez que, como visto, alterar a conclusão do acórdão recorrido, como pretendido pelo recorrente, demandaria o reexame de fatos e provas, vedado pela Súmula 7/STJ. Ante o exposto, não conheço do agravo em recurso especial. Publique-se. EMENTA AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PENAL. PROCESSUAL PENAL. IMPUGNAÇÃO DEFICIENTE. INOBSERVÂNCIA DO COMANDO LEGAL INSERTO NOS ARTS. 932, III, DO CPC/2015, E 253, PARÁGRAFO ÚNICO, I, DO RISTJ. SÚMULA 182/STJ. Agravo em recurso especial não conhecido.