AREsp 2571966 - ACORDAO
Não se conhece do agravo interno porque o agravante não impugnou especificamente os fundamentos da decisão agravada, conforme exigência do art. 1.021, § 1º, do CPC/2015, configurando inobservância do ônus da dialeticidade; a mera indicação de dispositivos de lei na peça recursal foi considerada insuficiente e levou...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: Pedro Teixeira de Oliveira
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 14 November 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial (previdenciário E Processual Civil) / Julgamento Pela Primeira Turma Não Conhecido
- Outcome
- Agravo interno não conhecido.
- Legal Topics
- Impugnação Específica De Fundamentos, Súmula 284/stf, Art. 1.021, § 1º Cpc/2015, Ônus Da Dialeticidade, Agravo Interno
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Parties
Pedro Teixeira de Oliveira
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial (previdenciário E Processual Civil) / Julgamento Pela Primeira Turma Não Conhecido
Legal Issues
- 1 Incidência da Súmula 284/STF por ausência de indicação precisa dos dispositivos federais supostamente violados
- 2 Ônus de impugnar especificamente os fundamentos da decisão agravada (art. 1.021, § 1º, CPC/2015)
- 3 Obrigação de impugnação integral dos capítulos decisórios relevantes (ônus da dialeticidade)
Ratio Decidendi
Não se conhece do agravo interno porque o agravante não impugnou especificamente os fundamentos da decisão agravada, conforme exigência do art. 1.021, § 1º, do CPC/2015, configurando inobservância do ônus da dialeticidade; a mera indicação de dispositivos de lei na peça recursal foi considerada insuficiente e levou à aplicação da Súmula 284/STF pela Presidência do STJ.
Court Disposition
Agravo interno não conhecido.
Orders
- Não conhecer do agravo interno.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA TURMA, por unanimidade, não conhecer do recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Benedito Gonçalves, Regina Helena Costa, Gurgel de Faria e Paulo Sérgio Domingues votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Paulo Sérgio Domingues. EMENTA PREVIDENCIÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO AO FUNDAMENTO DA DECISÃO AGRAVADA. 1. Segundo o comando contido no art. 1.021, § 1º, do CPC/2015, constitui ônus da parte agravante impugnar especificamente os fundamentos da decisão combatida, o que, na hipótese, não foi observado. 2. Agravo interno não conhecido.
RELATÓRIO O EXMO. SR. MINISTRO SÉRGIO KUKINA (Relator): Trata-se de agravo interno interposto por Pedro Teixeira de Oliveira contra decisão da Presidência deste Superior Tribunal, que, com base no art. 21-E, inciso V, c/c o art. 253, parágrafo único, inciso I, ambos do Regimento Interno, não conheceu do agravo em recurso especial, em virtude da incidência da Súmula 284/STF, por ter deixado de indicar precisamente os dispositivos legais federais que teriam sido violados ou quais dispositivos legais seriam objeto de dissídio interpretativo, ressaltando que a mera citação de artigo de lei na peça recursal não supre a exigência constitucional (fl. 953). Sustenta o ora agravante que (fls. 960/961): .. a Súmula 284 do STF não pode ser um óbice ao conhecimento do recurso especial interposto, visto que quanto ao permissivo constitucional previsto na alínea "a", a agravante expressamente expôs em seus fundamentos os dispositivos de lei tidos por violados, notadamente, dos artigos 55, §2, 58 e 108 da Lei 8.213/91, art. 332 e 493 do CPC/2015, Decreto 3.048/99, artigo 176-D, na redação dada pelo Decreto nº 10.410/2020, bem como o artigo 20 e 260 do CPC, não sendo o caso de incidência da súmula 284 do STF. Quanto ao período rural, o agravante apontou pela possibilidade de reconhecer o trabalho rurícola quando há início de prova material corroborado com depoimento testemunhal que é o caso do dos autos, contudo, foi afastado pelo v. acórdão recorrido, o que viola o artigo 55, §3º da Lei 8.213/91. Quanto ao período especial, o agravante apontou pela possibilidade de reconhecimento da atividade especial ser desnecessário a juntada de laudo técnico, pois basta que o formulário seja elaborado com base nele, contudo, o período em comento foi afastado pelo v. acórdão recorrido, o que viola o artigo 58 e 152 da Lei 8.213/91 que constava previsão de que vigia a legislação existente até que sobreviesse nova lei e a exigência de laudo técnico ocorreu somente a partir de 10/12/1997, data da edição da Lei 9.528/97. No que concerne aos juros e correção monetária, apontou ofensa aos artigos 395, 396 do Código Civil e 35 da Lei 8.212/91 e artigo 161 do Código Tributário Nacional, artigo 31 da Lei 10.741/03, artigo 41-A da Lei 11.430/06, tendo em vista o v. acórdão ter aplicado a Lei nº 11.960/09, tida por inconstitucional pela Suprema Corte, inclusive com recente voto do Ministro dando eficácia retroativa ao julgado, no que tange às regras relativas à correção monetária e aos juros moratórios, enquanto que os dispositivos em comento aplicam juros de 1% desde o evento danoso até efetivo pagamento, bem como a aplicação do INPC como índice de correção monetária, contudo houve juízo de retratação. Ainda, destacou violação aos artigos 20 e 260 do CPC, uma vez que o v. acórdão fixou percentual de 10% até a data da sentença, sem observar os dispositivos de lei que determinam remunerar o advogado, observando-se o trabalho desenvolvido até o trânsito em julgado, de modo à inclusive ensejar dissídios jurisprudenciais que elevavam os honorários ao patamar de 20% até trânsito em julgado, o que também não foi observado. Por fim destacou a possibilidade de reafirmação da DER para a data em que o Agravante implementou os requisitos para a concessão da aposentadoria, o que é assegurado pela própria Instrução Normativa do INSS, ainda está em conformidade com o Tema 995/STJ, devendo constar a DIB a data da DER reafirmada e não a data da citação. Ademais, quanto aos demais pontos, cumpre fundamentar que a referida Súmula 284 do STF não pode ser aplicada em face da previsão constitucional do artigo 105, III, "c", sob pena de esvaziamento da principal função do Superior Tribunal de Justiça que é promover a unidade do direito, uniformizar a jurisprudência nacional, acabando com divergência existente entre tribunais diferentes, sem levar em consideração a origem do processo, mas sim a divergência de entendimentos sobre a mesma questão de fato e direito. Requer a reconsideração do decisum ou a submissão do feito ao julgamento colegiado. Intimada, a parte agravada permaneceu silente (fl. 953). É o relatório. EMENTA PREVIDENCIÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO AO FUNDAMENTO DA DECISÃO AGRAVADA. 1. Segundo o comando contido no art. 1.021, § 1º, do CPC/2015, constitui ônus da parte agravante impugnar especificamente os fundamentos da decisão combatida, o que, na hipótese, não foi observado. 2. Agravo interno não conhecido. VOTO O EXMO. SR. MINISTRO SÉRGIO KUKINA (Relator): Em que pese aos argumentos aduzidos no presente recurso, ele não comporta conhecimento. Como já relatado, no âmbito desta Corte, a decisão atacada concluiu incidir a Súmula 284 do STF, em razão de a parte não ter apontado adequadamente os dispositivos de lei federal violados, pois insuficiente sua mera indicação na peça recursal. Quanto à alegada não aplicabilidade daquela referida súmula ao caso, não basta, para o atendimento do comando contido no art. 1.021, § 1º, do CPC, a afirmativa genérica de que não incidiria o mencionado óbice sumular, porquanto é imposto ao recorrente o ônus de impugnar especificamente os alicerces do decisório combatido. Assim, ante a inobservância da norma recursal, não é possível o conhecimento do agravo interno . Nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ENUNCIADO ADMINISTRATIVO 3/STJ. DESCUMPRIMENTO DO ÔNUS DA DIALETICIDADE. FALTA DE IMPUGNAÇÃO À INTEGRALIDADE DA MOTIVAÇÃO ADOTADA NA DECISÃO MONOCRÁTICA. 1. A teor do art. 1.021, § 1.º, do CPC/2015, cumpre ao recorrente, na petição de agravo interno, impugnar especificadamente os fundamentos da decisão agravada. 2. A interpretação desse preceito conjuntamente com a regra prevista no art. 1.002 do CPC/2015 resulta na conclusão de que a parte recorrente pode impugnar a decisão no todo ou em parte, mas deve para cada um dos capítulos decisórios impugnados refutá-los em tantos quantos forem os motivos autonomamente considerados para mantê-los. 3. Tal necessidade configura-se no denominado "ônus da dialeticidade", cuja inobservância no exercício do direito de recorrer atinge o interesse recursal quanto ao elemento "utilidade", tendo em vista de nada adiantar a impugnação apenas parcial dos motivos da decisão se aquele que remanescer inatacado mantiver incólume o julgado. 4. No caso concreto, a decisão monocrática da e. Presidência do STJ não conheceu do agravo em recurso especial por verificar que o agravante não combateu todos os fundamentos de inadmissibilidades reconhecidos pelo Tribunal de origem, quais sejam, a ausência de prequestionamento; Súmula 83/STJ; Súmula 283/STF; Súmula 7/STJ; e Súmula 280/STF. 5. Nas razões do agravo interno, restringiu sua súplica para defender o conhecimento do agravo em recurso especial sob a súplica de afastamento da ausência de prequestionamento e da vedação de exame de legislação local (Súmula 280/STF). Percebe-se que os demais fundamentos que a decisão agravada consignou para não conhecer do agravo em recurso especial não foram impugnados. 6. Agravo interno não conhecido. (AgInt no AREsp n. 2.275.402/CE, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 1º/6/2023.) ANTE O EXPOSTO, não se conhece do agravo interno. É o voto.