AREsp 2652772 - DECISAO
Não conheço do agravo porque o agravante deixou de impugnar especificamente o fundamento da decisão agravada baseado na Súmula 83/STJ, não trouxe precedentes contemporâneos ou supervenientes nem demonstrou distinção em relação aos julgados citados; em decorrência da exigência de impugnação específica prevista na...
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- Parties
- Agravante/recorrente: JOSE BENEDITO DA SILVA; Órgão a Quo: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MATO GROSSO; Manifestante: MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 02 July 2024
- Procedural Posture
- Agravo Contra Decisão Que Inadmitiu Recurso Especial / Inadmissão Do Agravo Em Recurso Especial (não Conhecimento)
- Outcome
- Não conheço do agravo em recurso especial
- Legal Topics
- Inadmissão De Recurso Especial, Súmula 83/stj, Súmula 182/stj, Impugnação Específica De Fundamentos, Unificação De Penas, Progressão De Regime, Detração Da Prisão Preventiva
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Parties
JOSE BENEDITO DA SILVA
Agravante/recorrente
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MATO GROSSO
Órgão a Quo
MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
Manifestante
Procedural Posture
Agravo Contra Decisão Que Inadmitiu Recurso Especial / Inadmissão Do Agravo Em Recurso Especial (não Conhecimento)
Legal Issues
- 1 Se a condição de reincidência deve ser considerada isoladamente para cada condenação no cálculo da progressão de regime
- 2 Se a falta de impugnação específica da aplicação da Súmula 83/STJ impede o conhecimento do agravo
- 3 Aplicação da Súmula 182/STJ quanto à necessidade de impugnação específica de todos os fundamentos da decisão agravada
Ratio Decidendi
Não conheço do agravo porque o agravante deixou de impugnar especificamente o fundamento da decisão agravada baseado na Súmula 83/STJ, não trouxe precedentes contemporâneos ou supervenientes nem demonstrou distinção em relação aos julgados citados; em decorrência da exigência de impugnação específica prevista na jurisprudência do STJ e da Súmula 182/STJ, o agravo é incabível.
Court Disposition
Não conheço do agravo em recurso especial
Orders
- Não conheço do agravo em recurso especial, com fundamento no art. 253, parágrafo único, I, do Regimento Interno do STJ.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo contra a decisão que inadmitiu o recurso especial interposto por JOSE BENEDITO DA SILVA, com fundamento na alínea "a" do permissivo constitucional, em oposição a acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MATO GROSSO, assim ementado (e-STJ, fl. 346): "AGRAVO EM EXECUÇÃO PENAL - DUAS CONDENAÇÕESDEFINITIVAS PELO CRIME DE TRÁFICO DE DROGAS - UNIFICAÇÃO DEPENAS - ELABORAÇÃO DE CÁLCULO DIFERENCIADO PARA A PENAIMPOSTA AO TEMPO EM QUE O REEDUCANDO ERA PRIMÁRIO - INSURGÊNCIA DO MINISTÉRIO PÚBLICO - PRETENSO RECONHECIMENTO DECOEFICIENTE ÚNICO PARA A PROGRESSÃO REGIMENTAL -REINCIDÊNCIAESPECÍFICA - CRIME EQUIPARADO A HEDIONDO - FIXAÇÃO DO ÍNDICE DE3/5 OU 60% DE PENA CUMPRIDA - PROCEDÊNCIA - DETRAÇÃO DO PERÍODODE PRISÃO PREVENTIVA - TEMPO DE PENA PROVISÓRIA QUE DEVE SERCONSIDERADO COMO PENA EFETIVAMENTE CUMPRIDA - DESCONTO QUEDEVE RECAIR SOBRE A FRAÇÃO DA PROGRESSÃO DE REGIME - AGRAVOPARCIALMENTE PROVIDO. A reincidência, seja ela genérica ou específica, é condição pessoal do réu, inerente àquela pessoa que foi mais de uma vez condenada, de modo que os seus efeitos repercutem sobre todas as reprimendas em execução, inclusive aquela remanescente do tempo em que era primário. Logo, uma vez unificadas as penas, é inviável a aplicação de frações ou percentuais distintos entre as condenações da mesma espécie, consideradas isoladamente. O período de prisão cautelar d eve ser computado como período de pena efetivamente cumprida, razão pela qual não se pode simplesmente descontá-lo da soma final da condenação." Em suas razões recursais, a parte recorrente aponta violação do art. 112 da LEP. Aduz, em síntese, que a condição de reincidente, para o cálculo de percentual de progressão de regime, deve ser considerada isoladamente para cada deli to e não para a totalidade das penas somadas. Com contrarrazões (e-STJ, fls. 373-378), o recurso especial foi inadmitido na origem (e-STJ, fls. 384-391), ao que se seguiu a interposição de agravo. Remetidos os autos a esta Corte Superior, o MPF manifestou-se pelo não conhecimento do agravo (e-STJ, fls. 427-430). É o relatório. Decido. A decisão que inadmitiu o recurso especial na origem foi pautada na incidência da Súmula 83/STJ. No entanto, a parte agravante não impugnou este último fundamento da decisão agravada. Afinal, esta Corte firmou o entendimento de que, "quando o inconformismo excepcional não é admitido pela instância ordinária, com fundamento no enunciado n. 83 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça, a impugnação deve indicar precedentes contemporâneos ou supervenientes aos mencionados na decisão combatida " (AgRg no AREsp 709.926/RS, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, TERCEIRA TURMA, julgado em 18/10/2016, DJe 28/10/2016), o que não ocorreu no caso destes autos. Ou seja: não basta dizer que a Súmula 83/STJ seria inaplicável. Caberia ao agravante impugnar tal fundamento trazendo precedentes deste STJ contemporâneos ou supervenientes a seu favor - ou pelo menos demonstrando alguma distinção entre os julgados mencionados na decisão agravada e o caso dos autos -, o que não fez. Ademais, a Corte Especial do STJ manteve o entendimento da necessidade de impugnação específica de todos os fundamentos da decisão agravada, sob pena de incidência da Súmula 182/STJ. Eis a ementa do aresto paradigma: "PROCESSO CIVIL. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DE TODOS OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO RECORRIDA. ART. 544, § 4º, I, DO CPC/1973. ENTENDIMENTO RENOVADO PELO NOVO CPC, ART. 932. 1. No tocante à admissibilidade recursal, é possível ao recorrente a eleição dos fundamentos objeto de sua insurgência, nos termos do art. 514, II, c/c o art. 505 do CPC/1973. Tal premissa, contudo, deve ser afastada quando houver expressa e específica disposição legal em sentido contrário, tal como ocorria quanto ao agravo contra decisão denegatória de admissibilidade do recurso especial, tendo em vista o mandamento insculpido no art. 544, § 4º, I, do CPC, no sentido de que pode o relator "não conhecer do agravo manifestamente inadmissível ou que não tenha atacado especificamente os fundamentos da decisão agravada" - o que foi reiterado pelo novel CPC, em seu art. 932. 2. A decisão que não admite o recurso especial tem como escopo exclusivo a apreciação dos pressupostos de admissibilidade recursal. Seu dispositivo é único, ainda quando a fundamentação permita concluir pela presença de uma ou de várias causas impeditivas do julgamento do mérito recursal, uma vez que registra, de forma unívoca, apenas a inadmissão do recurso. Não há, pois, capítulos autônomos nesta decisão. 3. A decomposição do provimento judicial em unidades autônomas tem como parâmetro inafastável a sua parte dispositiva, e não a fundamentação como um elemento autônomo em si mesmo, ressoando inequívoco, portanto, que a decisão agravada é incindível e, assim, deve ser impugnada em sua integralidade, nos exatos termos das disposições legais e regimentais. 4. Outrossim, conquanto não seja questão debatida nos autos, cumpre registrar que o posicionamento ora perfilhado encontra exceção na hipótese prevista no art. 1.042, caput, do CPC/2015, que veda o cabimento do agravo contra decisão do Tribunal a quo que inadmitir o recurso especial, com base na aplicação do entendimento consagrado no julgamento de recurso repetitivo, quando então será cabível apenas o agravo interno na Corte de origem, nos termos do art. 1.030, § 2º, do CPC. 5. Embargos de divergência não providos". (EAREsp 746.775/PR, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, Rel. p/ Acórdão Mini stro LUIS FELIPE SALOMÃO, CORTE ESPECIAL, julgado em 19/09/2018, DJe 30/11/2018). Por conseguinte, a Súmula 182/STJ impede o conhecimento da irresignação recursal. Ante o exposto, com fundamento no art. 253, parágrafo único, I, do Regimento Interno do STJ, não conheço do agravo em recurso espec ial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA