AREsp 2811442 - DECISAO
Houve reconsideração da decisão agravada diante da impugnação específica à incidência da Súmula n. 83, que passou a ser examinada; contudo, após exame do mérito recursal, constatou-se a incidência dos verbetes n. 7 e 83 da Súmula do STJ, notadamente porque a Caixa Econômica Federal não anuíra ao plano de recuperação...
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- Parties
- Agravante: Antônio Reuter Neto; Recorrente: REUTER EMPREENDIMENTOS IMOBILIARIOS EIRELI; Recorrente: OUTRO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 21 May 2025
- Procedural Posture
- Agravo Interno / Reconsideração E Exame De Agravo Em Recurso Especial Inadmitido
- Outcome
- Agravo em Recurso Especial negado provimento
- Legal Topics
- Inadmissibilidade De Recurso Especial, Impugnação Específica Dos Fundamentos, Súmula 83/stj, Supressão De Garantias Na Recuperação Judicial, Novação, Agravo Interno
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Parties
Antônio Reuter Neto
Agravante
REUTER EMPREENDIMENTOS IMOBILIARIOS EIRELI
Recorrente
OUTRO
Recorrente
Procedural Posture
Agravo Interno / Reconsideração E Exame De Agravo Em Recurso Especial Inadmitido
Legal Issues
- 1 Impugnação específica de todos os fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial
- 2 Aplicabilidade da Súmula n. 83/STJ ao caso concreto
- 3 Eficácia da cláusula de supressão de garantias em plano de recuperação judicial perante credores não anuentes
Ratio Decidendi
Houve reconsideração da decisão agravada diante da impugnação específica à incidência da Súmula n. 83, que passou a ser examinada; contudo, após exame do mérito recursal, constatou-se a incidência dos verbetes n. 7 e 83 da Súmula do STJ, notadamente porque a Caixa Econômica Federal não anuíra ao plano de recuperação judicial, razão pela qual se negou provimento ao agravo em recurso especial.
Court Disposition
Agravo em Recurso Especial negado provimento
Orders
- Nego provimento ao agravo em recurso especial.
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interno manifestado por Antônio Reuter Neto em face da seguinte decisão: Cuida-se de Agravo em Recurso Especial apresentado por REUTER EMPREENDIMENTOS IMOBILIARIOS EIRELI e OUTRO à decisão que inadmitiu Recurso Especial interposto com fundamento no art. 105, III, da Constituição Federal. É o relatório. Decido. Por meio da análise dos autos, verifica-se que a decisão agravada inadmitiu o Recurso Especial, considerando: Súmula 83/STJ. Entretanto, a parte agravante deixou de impugnar especificamente o referido fundamento. Nos termos do art. 932, III, do CPC e do art. 253, parágrafo único, I, do Regimento Interno desta Corte, não se conhecerá do Agravo em Recurso Especial que "não tenha impugnado especificamente todos os fundamentos da decisão recorrida". Conforme já assentado pela Corte Especial do STJ, a decisão de inadmissibilidade do Recurso Especial não é formada por capítulos autônomos, mas por um único dispositivo, o que exige que a parte agravante impugne todos os fundamentos da decisão que, na origem, inadmitiu o Recurso Especial. A propósito: PROCESSO CIVIL. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DE TODOS OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO RECORRIDA. ART. 544, § 4º, I, DO CPC/1973. ENTENDIMENTO RENOVADO PELO NOVO CPC, ART. 932. 1. No tocante à admissibilidade recursal, é possível ao recorrente a eleição dos fundamentos objeto de sua insurgência, nos termos do art. 514, II, c/c o art. 505 do CPC/1973. Tal premissa, contudo, deve ser afastada quando houver expressa e específica disposição legal em sentido contrário, tal como ocorria quanto ao agravo contra decisão denegatória de admissibilidade do recurso especial, tendo em vista o mandamento insculpido no art. 544, § 4º, I, do CPC, no (e-STJ Fl.248) Documento eletrônico juntado ao processo em 09/01/2025 às 20:20:19 pelo usuário: SISTEMA JUSTIÇA - SERVIÇOS AUTOMÁTICOS Documento eletrônico VDA45174436 assinado eletronicamente nos termos do Art.1º §2º inciso III da Lei 11.419/2006Signatário(a): ANTÔNIO HERMAN DE VASCONCELLOS E BENJAMIN Assinado em: 09/01/2025 19:51:20Publicação no DJEN/CNJ de 13/01/2025. Código de Controle do Documento: 89139858-4569-4a74-b7b3-4d04df2e674a sentido de que pode o relator "não conhecer do agravo manifestamente inadmissível ou que não tenha atacado especificamente os fundamentos da decisão agravada" - o que foi reiterado pelo novel CPC, em seu art. 932. 2. A decisão que não admite o recurso especial tem como escopo exclusivo a apreciação dos pressupostos de admissibilidade recursal. Seu dispositivo é único, ainda quando a fundamentação permita concluir pela presença de uma ou de várias causas impeditivas do julgamento do mérito recursal, uma vez que registra, de forma unívoca, apenas a inadmissão do recurso. Não há, pois, capítulos autônomos nesta decisão. 3. A decomposição do provimento judicial em unidades autônomas tem como parâmetro inafastável a sua parte dispositiva, e não a fundamentação como um elemento autônomo em si mesmo, ressoando inequívoco, portanto, que a decisão agravada é incindível e, assim, deve ser impugnada em sua integralidade, nos exatos termos das disposições legais e regimentais. 4. Outrossim, conquanto não seja questão debatida nos autos, cumpre registrar que o posicionamento ora perfilhado encontra exceção na hipótese prevista no art. 1.042, caput, do CPC/2015, que veda o cabimento do agravo contra decisão do Tribunal a quo que inadmitir o recurso especial, com base na aplicação do entendimento consagrado no julgamento de recurso repetitivo, quando então será cabível apenas o agravo interno na Corte de origem, nos termos do art. 1.030, § 2º, do CPC. 5. Embargos de divergência não providos. (EAR Esp 746.775/PR, Rel. Ministro João Otávio de Noronha, Rel. p/ Acórdão Ministro Luis Felipe Salomão, Corte Especial, D Je de 30.11.2018.) Ressalte-se que, em atenção ao princípio da dialeticidade recursal, a impugnação deve ser realizada de forma efetiva, concreta e pormenorizada, não sendo suficientes alegações genéricas ou relativas ao mérito da controvérsia, sob pena de incidência, por analogia, da Súmula n. 182/STJ. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, c/c o art. 253, parágrafo único, I, ambos do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, não conheço do Agravo em Recurso Especial. Publique-se. Intimem-se. Afirma que, contrariamente ao que decidido na decisão agravada, houve impugnação aos fundamentos do juízo negativo de admissibilidade do recurso especial. Pede o provimento do recurso. Impugnação da parte contrária no sentido de que o julgamento da causa esbarra nas disposições do verbete n. 83 da Súmula desta Corte diante da coincidência do entendimento adotado pelo Tribunal de origem com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. Assim delimitada a controvérsia, passo a decidir. Merece reconsideração a decisão agravada, haja vista a impugnação à incidência do enunciado n. 83 da Súmula desta Casa nas razões do agravo em recurso especial, que se verifica a partir de fl. 232, o qual passa a ser examinado. Trata-se de agravo manifestado contra decisão que negou seguimento a recurso especial interposto em face de acórdão com a seguinte ementa: ADMINISTRATIVO. PROCESSO CIVIL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. CONTRATOS. RECUPERAÇÃO JUDICIAL. SUSPENSÃO DA EXECUÇÃO. 1. A cláusula do plano de recuperação judicial que prevê a supressão de garantias somente é eficaz em relação aos credores que com ela anuíram. Precedentes do STJ. Alegou-se, no especial, violação dos artigos 42, 49, § 2º, e 59 da Lei 11.101/05, associada a dissídio jurisprudencial, sob os argumentos de que, diante da novação dos créditos ocorrida com a aprovação do plano de recuperação judicial e da soberania da assembleia de credores, é legítima a supressão das garantias prestadas por terceiros aos créditos em face da recuperanda. Esta Corte Superior tem entendimento de que os credores conservam as garantias de seus créditos mesmo com a aprovação do plano de recuperação judicial, razão pela qual somente com a anuência do titular do crédito é que se pode suspender ou suprimir a referida garantia. A saber: DIREITO CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE COBRANÇA. PROSSEGUIMENTO. FIADORES DE EMPRESA EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL. RECURSO DESPROVIDO. I. Caso em exame 1. Recurso especial interposto contra acórdão do Tribunal de Justiça de Mato Grosso que negou provimento à apelação em ação de cobrança ajuizada pelo Banco do Brasil S.A. contra fiadores de empresa em recuperação judicial, mantendo a decisão de primeiro grau que julgou procedente o pedido inicial e afastou o chamamento ao processo da empresa afiançada e demais integrantes do grupo econômico. II. Questão em discussão 2. São duas questões em discussão: (a) saber se o processamento da recuperação judicial ou a aprovação do plano de recuperação suspende ações de cobrança contra fiadores e avalistas do devedor principal, notadamente quando a supressão das garantias consta no plano de recuperação aprovado; e (b) possibilidade de chamamento ao processo da empresa afiançada e demais devedores solidários, a teor do art. 130 do CPC. III. Razões de decidir 3. O Tribunal de origem decidiu que a recuperação judicial não suspende ações de cobrança contra fiadores e avalistas, conforme entendimento do STJ e a Súmula n. 581. 4. O exame do chamamento ao processo à luz do art. 130 do CPC/2015 não foi prequestionado, pois o Tribunal de origem afirmou tratar-se de inovação recursal. 5. A alegação de novação do contrato em razão da aprovação do plano de recuperação judicial foi rejeitada, pois a novação não se aplica a fiadores e coobrigados, conforme entendimento do STJ, que, igualmente, exige a anuência do titular da garantia real na hipótese em que o plano de recuperação judicial prevê a sua supressão ou substituição. 6. A multa aplicada nos embargos de declaração foi mantida, pois o recurso foi considerado protelatório, não apontando omissão, obscuridade ou contradição. IV. Dispositivo e tese 7. Recurso desprovido. Tese de julgamento: "1. A recuperação judicial do devedor principal não suspende ações de cobrança contra fiadores e avalistas. 2. Não se conhece do recurso especial quando ausente o prequestionamento da matéria ventilada. 3. A novação do contrato em razão da aprovação do plano de recuperação judicial não se aplica a fiadores e coobrigados. 4. A jurisprudência do STJ entende que a cláusula que estende a novação aos coobrigados é oponível apenas aos credores que aprovaram o plano de recuperação sem nenhuma ressalva, não sendo eficaz em relação aos credores ausentes da assembleia geral, aos que abstiveram-se de votar ou se posicionaram contra tal disposição". Dispositivos relevantes citados: CPC, art. 130; Lei n. 11.101/2005, arts. 49, § 1º, e 59.Jurisprudência relevante citada: STJ, REsp n. 1.333.349/SP, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Segunda Seção, julgado em 26.11.2014; STJ, Súmula n. 581. (REsp n. 1.877.723/MT, relator Ministro João Otávio de Noronha, Quarta Turma, julgado em 14/4/2025, DJEN de 24/4/2025.) Consignou-se, na hipótese dos autos, ser "notório o não concorde da CEF com o plano de recuperação judicial, não havendo razões para se suspender a presente execução de títulos" (e-STJ, fl. 142). Se, portanto, nem sequer a parte tenha concordado com o plano de recuperação judicial, evidentemente que ela não anuiu com a supressão ou suspensão das garantias. Inequívoca, pois, a incidência dos verbetes n. 7 e 83 da Súmula desta Casa. Em face do exposto, nego provimento ao agravo em recurso especial. Intimem-se. EMENTA