REsp 2066503 - DECISAO
O recurso extraordinário foi inadmitido porque a controvérsia sobre a incidência de PIS e COFINS sobre a taxa SELIC na repetição do indébito exige o exame da legislação infraconstitucional (Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003), tornando eventual ofensa à Constituição reflexa; a jurisprudência do STJ é firme no sentido...
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- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 02 July 2024
- Procedural Posture
- Recurso Extraordinário / Inadmissão (art. 1.030, V, Cpc)
- Outcome
- Recurso extraordinário inadmitido
- Legal Topics
- Incidência De PIS E COFINS Sobre Taxa SELIC, Repetição De Indébito, Admissibilidade De Recurso Extraordinário, Tema 962/stf, Leis N. 10.637/2002 E 10.833/2003
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Procedural Posture
Recurso Extraordinário / Inadmissão (art. 1.030, V, Cpc)
Legal Issues
- 1 Incidência de PIS e COFINS sobre os valores decorrentes da aplicação da taxa SELIC na repetição do indébito tributário
- 2 Se a questão é constitucional ou demanda reexame de legislação infraconstitucional (Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003)
- 3 Efeito do Tema 962/STF sobre a incidência de PIS/COFINS
Ratio Decidendi
O recurso extraordinário foi inadmitido porque a controvérsia sobre a incidência de PIS e COFINS sobre a taxa SELIC na repetição do indébito exige o exame da legislação infraconstitucional (Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003), tornando eventual ofensa à Constituição reflexa; a jurisprudência do STJ é firme no sentido de que PIS/COFINS incidem sobre a SELIC e o Tema 962/STF não transforma esse entendimento, motivo pelo qual aplica-se o art. 1.030, V, do CPC para inadmitir o recurso extraordinário.
Court Disposition
Recurso extraordinário inadmitido
Orders
- Não admito o recurso extraordinário, nos termos do art. 1.030, V, do CPC
- Pedido de suspensão indeferido por já ter sido julgado o REsp n. 2.068.697/RS
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso extraordinário interposto, com fundamento no art. 102, III, a, da Constituição Federal, contra acórdão do Superior Tribunal de Justiça assim ementado (fl. 340): TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA DE PIS E COFINS. 1. A jurisprudência desta Corte é firme no sentido de que incidem PIS e COFINS sobre os valores decorrentes da aplicação da taxa SELIC na restituição do indébito tributário. Precedentes: AgInt no REsp n. 2.022.851/RJ, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 17/4/2023, DJe de 19/4/2023; AgInt no REsp n. 1.960.912/RS, relator Ministro Paulo Sérgio Domingues, Primeira Turma, julgado em 6/3/2023, DJe de 10/3/2023; AgInt no REsp n. 1.956.214/RS, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, julgado em 17/10/2022, DJe de 21/11/2022. 2. Agravo interno a que se nega provimento. A parte recorrente sustenta a ocorrência de violação dos arts. 145, § 1º, e 195, I, b, da CF e aduz que há repercussão geral da matéria tratada. Alega que não seria cabível a inclusão na base de cálculo do PIS e da Cofins do valor recebido a título de acréscimo da taxa Selic na repetição de indébito tributário em razão de sua natureza indenizatória. Requer, ao final, a admissão do recurso e a remessa dos autos ao Supremo Tribunal Federal. Não foram oferecidas contrarrazões (fl. 426). Apresentou petição, às fls. 419-420, em que requer a suspensão do feito até o julgamento do REsp n. 2.068.697/RS, submetido ao rito dos recursos repetitivos. É o relatório. Verifica-se que a controvérsia cinge-se à questão da incidência de PIS e Cofins sobre os valores decorrentes da aplicação da taxa Selic na repetição do indébito, estando o acórdão recorrido assim fundamentado (fls. 342-341): Quanto ao mais, a jurisprudência desta Corte é firme no sentido de que " incidem PIS e COFINS sobre os valores decorrentes da aplicação da taxa SELIC na restituição do indébito tributário" (AgInt no REsp n. 2.022.851/RJ, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 17/4/2023, DJe de 19/4/2023.) No mesmo sentido, confiram-se: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. EXCLUSÃO DE JUROS E CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. JURISPRUDÊNCIA DO STJ. I - Na origem, foi impetrado mandado de segurança objetivando a não incidência de PIS e de COFINS sobre a parcela referente aos juros remuneratórios e à correção monetária, decorrentes da atualização de valores recebidos via repetição de indébito pelo contribuinte. II - A jurisprudência desta Corte Superior é pacífica no sentido de que, no âmbito da repetição do indébito tributário, os valores da Taxa Selic (correção monetária e juros de mora) integram a base de cálculo do PIS e da COFINS, entendimento que não sofreu alteração em virtude do julgamento do Tema n. 962/STF. Precedentes. III - Recurso especial improvido. (REsp n. 2.018.256/RS, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 7/3/2023, DJe de 10/3/2023.) PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. JUROS MORATÓRIOS E CORREÇÃO MONETÁRIA (SELIC). REPETIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO AO PIS E DA COFINS. INAPLICABILIDADE DO ENTEDIMENTO FIRMADO PELA SUPREMA CORTE NO TEMA 962. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. Inicialmente, é importante ressaltar que o presente recurso atrai a incidência do Enunciado Administrativo 3 do STJ, segundo o qual "aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016) serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo CPC". 2. É pacífica a orientação desta Corte Superior de Justiça quanto à incidência da contribuição ao PIS e da COFINS sobre os valores decorrentes da aplicação da taxa Selic (juros e correção) na repetição, isso, porque as bases de cálculo das referidas exações são compostas pelo total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente da denominação ou classificação contábil . 3. A tese firmada pela Suprema Corte no Tema 962, quanto à inconstitucionalidade da incidência do IRPJ e da CSLL sobre os valores atinente à taxa Selic recebidos em razão de repetição de indébito tributário, não interfere no entendimento acima, pois a natureza de danos emergentes conferida aos juros moratórios afeta apenas o conceito de renda (base de cálculo do IRPJ) e não o de receita (base de cálculo do PIS e da COFINS). 4. Precedentes: AgInt no REsp n. 1.921.174/PR, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 26/9/2022, DJe de 28/9/2022; e AgInt no REsp n. 1.908.789/SC, relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, julgado em 21/6/2022, DJe de 28/6/2022. 5. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no REsp n. 1.960.912/RS, relator Ministro Paulo Sérgio Domingues, Primeira Turma, julgado em 6/3/2023, DJe de 10/3/2023.) TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. TAXA SELIC. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. INCIDÊNCIA. 1. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça firmou-se no sentido de que incide o PIS e a COFINS sobre os valores decorrentes da incidência da taxa SELIC na restituição do indébito tributário. 2. A conformidade do acórdão recorrido com a orientação jurisprudencial desta Corte Superior atrai a aplicação do óbice estampado na Súmula 83 do STJ. 3. Agravo interno desprovido. (AgInt no REsp n. 1.956.214/RS, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, julgado em 17/10/2022, DJe de 21/11/2022.) Desse modo, a análise da matéria ventilada depende do exame das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003, motivo pelo qual eventual ofensa à Constituição da República, se houvesse, seria reflexa ou indireta, não legitimando a interposição do recurso. Em caso semelhante, assim já decidiu a Suprema Corte: Direito tributário. Agravo interno em recurso extraordinário. Pis e cofins. Taxa selic. Indébito. Incidência. Controvérsia de índole infraconstitucional. 1. Agravo interno contra decisão que negou seguimento a recurso extraordinário interposto para impugnar acórdão, que reformou em parte sentença de procedência parcial da ação. 2. Hipótese em que, para dissentir do entendimento firmado pelo Tribunal de origem, seria necessário analisar a legislação infraconstitucional aplicada ao caso, o que afasta o cabimento de recurso extraordinário. 3. Inaplicável o art. 85, § 11, do CPC/2015, uma vez que não houve prévia fixação de honorários advocatícios de sucumbência. 4. Agravo interno a que se nega provimento. (RE n. 1.480.448-AgR, relator Ministro Luís Roberto Barroso (Presidente), Tribunal Pleno, julgado em 22/4/2024, DJe de 29/4/2024.) AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. DIREITO TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. CORREÇÃO MONETÁRIA. NECESSIDADE DE REEXAME DA LEGISLAÇÃO INFRACONSTITUCIONAL. DESPROVIMENTO. 1. A discussão referente à incidência de PIS e COFINS sobre a correção monetária inserta na Taxa SELIC demanda o reexame da legislação infraconstitucional aplicável à espécie (Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03), tornando oblíqua ou reflexa eventual ofensa à Constituição Federal, o que inviabiliza o processamento do recurso extraordinário. 2. Agravo regimental a que se nega provimento, com previsão de aplicação da multa prevista no art. 1.021, §4º, CPC. Majoração da verba honorária. (RE n. 1.164.545-AgR, relator Ministro Edson Fachin, Segunda Turma, julgado em 29/11/2019, DJe de 11/12/2019.) Ante o exposto, nos termos do ar t. 1.030, V, do Código de Processo Civil, não admito o recurso extraordinário. Por fim, em relação ao pleito de suspensão do feito para aguardar o julgamento de recurso repetitivo, nos termos do art. 1.037, II, do CPC, verifica-se que o REsp n. 2.068.697/RS já foi julgado, não havendo nada a prover. Anoto que contra decisão que inadmite recurso extraordinário não são cabíveis embargos de declaração, conforme pacífica jurisprudência (nesse sentido: ARE n. 1.107.739-AgR, relator Ministro Edson Fachin, Segunda Turma, julgado em 29/4/2019, DJe de 7/5/2019). Publique-se. Intimem-se. EMENTA RECURSO EXTRAORDINÁRIO. DIREITO TRIBUTÁRIO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA DE PIS E COFINS. OFENSA REFLEXA À CONSTITUIÇÃO FEDERAL. MATÉRIA INFRACONSTITUCIONAL. RECURSO INADMITIDO.