AREsp 2165714 - ACORDAO
O Tribunal de origem utilizou fundamentos constitucionais para decidir a lide e não houve interposição de recurso extraordinário, incidindo o Enunciado 126/STF, e o agravante não trouxe argumentos novos capazes de infirmar a decisão agravada, pelo que o agravo interno foi conhecido e desprovido.
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: CRISTINA DE SOUZA TEODORO CARRIL
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 06 March 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento
- Outcome
- Agravo interno conhecido e desprovido
- Legal Topics
- Incidência Do Enunciado 126/stf, Admissibilidade Do Recurso Especial, Fundamentação Constitucional, Súmula 284/stf
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Summary, issues, holding and outcome
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Parties
CRISTINA DE SOUZA TEODORO CARRIL
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento
Legal Issues
- 1 Incidência do Enunciado 126/STF quando o acórdão recorrido se utiliza de fundamentos constitucionais e não há interposição de recurso extraordinário
- 2 Ausência de apresentação de novos argumentos pelo agravante capazes de infirmar os fundamentos da decisão agravada
Ratio Decidendi
O Tribunal de origem utilizou fundamentos constitucionais para decidir a lide e não houve interposição de recurso extraordinário, incidindo o Enunciado 126/STF, e o agravante não trouxe argumentos novos capazes de infirmar a decisão agravada, pelo que o agravo interno foi conhecido e desprovido.
Court Disposition
Agravo interno conhecido e desprovido
Orders
- Negado provimento ao agravo interno
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 27/02/2024 a 04/03/2024, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Francisco Falcão, Herman Benjamin e Mauro Campbell Marques votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Afrânio Vilela. EMENTA AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. FUNDAMENTAÇÃO CONSTITUCIONAL. INCIDÊNCIA DO ENUNCIADO 126/STF. 1. Consoante a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, tendo o Tribunal de origem se utilizado de fundamentos constitucionais para a solução da lide e ausente a interposição de recurso extraordinário, incide o Enunciado 126/STF. 2. Não apresentação pela parte agravante de argumentos novos capazes de infirmar os fundamentos que alicerçaram a decisão agravada. 3. AGRAVO INTERNO CONHECIDO E DESPROVIDO.
RELATÓRIO MINISTRO AFRÂNIO VILELA: Em análise, Agravo interno interposto por CRISTINA DE SOUZA TEODORO CARRIL contra decisão de fls. 1.269-1.273 e-STJ, que conheceu do Agravo para não conhecer do Recurso Especial interposto contra o seguinte acórdão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo: AGRAVO INTERNO. AÇÃO DE COBRANÇA. PLEITO DE DIFERENÇAS SALARIAIS RELATIVAS A PERÍODO EM QUE A SERVIDORA ESTAVA SOB A REGÊNCIA CELETISTA. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO. Em suas razões de Agravo interno, a parte recorrente repisou os fundamentos e pugnou pelo conhecimento e provimento do Recurso Especial. Requereu, por fim, o conhecimento e provimento do presente Agravo interno. Houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. EMENTA AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. FUNDAMENTAÇÃO CONSTITUCIONAL. INCIDÊNCIA DO ENUNCIADO 126/STF. 1. Consoante a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, tendo o Tribunal de origem se utilizado de fundamentos constitucionais para a solução da lide e ausente a interposição de recurso extraordinário, incide o Enunciado 126/STF. 2. Não apresentação pela parte agravante de argumentos novos capazes de infirmar os fundamentos que alicerçaram a decisão agravada. 3. AGRAVO INTERNO CONHECIDO E DESPROVIDO. VOTO MINISTRO AFRÂNIO VILELA (Relator): O Agravo interno não merece prosperar. A decisão monocrática, ao julgar o Recurso Especial, asseverou pela incidência do Enunciado 126/STF. Da leitura de suas razões de Agravo interno, verifica-se que a parte recorrente não trouxe qualquer novo subsídio capaz de alterar os fundamentos da decisão ora agravada. Consoante a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, tendo o Tribunal de origem se utilizado de fundamentos constitucionais para a solução da lide e ausente a interposição de recurso extraordinário, incide o Enunciado 126/STF: "É inadmissível recurso especial, quando o acórdão recorrido assenta em fundamento constitucional e infraconstitucional, qualquer deles suficiente, por si só, para mantê-lo, e a parte vencida não manifesta recurso extraordinário". A propósito: PROCESSUAL CIVIL E AMBIENTAL. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. ILHA FLUVIAL. RIO FEDERAL. ART. 1º, I, DA LEI 9.433/1997. CÓDIGO DE ÁGUAS (DECRETO 24.643/1934). NECESSIDADE DE ESTUDO PRÉVIO DE IMPACTO AMBIENTAL - EPIA/RIMA. ASSENTAMENTO DE AGRICULTORES EM ILHAS DO RIO PARAÍBA DO SUL. IMPACTO REGIONAL. COMPETÊNCIA DO IBAMA PARA O LICENCIAMENTO. FUNDAMENTAÇÃO CONSTITUCIONAL. SÚMULA 126/STF. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO DE DISPOSITIVOS VIOLADOS. SÚMULA 284/STF. 1. Trata-se de Ação Civil Pública ajuizada pelo Ministério Público Federal e pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro pugnando pela anulação de ato da Comissão Estadual de Controle Ambiental que autorizou assentamento de agricultores em ilhas situadas no Rio Paraíba do Sul. 2. Terrenos marginais, acessões e praias fluviais e lacustres seguem o regime dominial do rio ou corpo d"água em que se encontram ou a que aderem. São, pois, ora federais, ora estaduais, mas nunca municipais e muito menos privados. A Constituição de 1988 (arts. 20 e 26) e a Lei 9.433/1997 (Lei da Política Nacional de Recursos Hídricos, art. 1º, I) - prevista a possibilidade de outorga de uso - adotam categorização dominial estritamente pública-binária, em oposição ao Código de Águas (Decreto 24.643/1934), que, nesta parte, encontra-se revogado, consoante jurisprudência do STJ. No caso das ilhas fluviais e lacustres, a sua dominialidade deixa de coincidir exatamente com a do corpo d"água, ampliando-se as prerrogativas dos Estados (arts. 20, IV, e 26, III). Mas mesmo assim, impossível negar o intenso e inafastável interesse da União nessas áreas umbilicalmente atreladas ao bem federal, pois tudo o que nelas ocorrer pode afetar direta e até de modo irreversível a qualidade de vida e ambiental do corpo d"água em si e das populações por ele servidas. 3. O Tribunal de origem se utilizou de fundamentos constitucionais para determinar a necessidade de prévio licenciamento pelo Ibama e de Estudo e Relatório de Impacto Ambiental (EIA e Rima). Incide, assim, a Súmula 126 do STJ: "É inadmissível recurso especial, quando o acórdão recorrido assenta em fundamento constitucional e infraconstitucional, qualquer deles suficiente, por si só, para mantê-lo, e a parte vencida não manifesta recurso extraordinário." 4. A parte recorrente aponta violação ao Decreto 87.516/1982, contudo não indica o dispositivo legal que teria sido afrontado. Portanto, está caracterizada a deficiência na fundamentação do recurso. Dessa forma, sua pretensão esbarra no óbice da Súmula 284/STF. 5. O acórdão recorrido foi enfático em determinar a competência do Ibama para licenciar o assentamento agrícola instalado nas ilhas fluviais do Rio Paraíba do Sul, bem da União, pois existe interesse da autarquia federal na proteção do ecossistema em questão. 6. Recurso Especial parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido (REsp n. 1.676.451/RJ, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 5/10/2017, DJe de 31/8/2020). Isso posto , conheço e nego provimento ao Agravo interno. É o voto.