AREsp 2047425 - ACORDAO
Conheceu-se do Agravo Interno e, por se tratar de questão submetida ao julgamento no rito dos recursos repetitivos (Tema 1209/STJ) sobre a necessidade de instauração do incidente de desconsideração da personalidade jurídica na execução fiscal, determinou-se a devolução dos autos ao Tribunal de origem para que...
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- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 23 August 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno (art. 1.042 Do Cpc) / Decisão De Provimento (julgamento)
- Outcome
- Agravo Interno provido por unanimidade
- Legal Topics
- Incidente De Desconsideração Da Personalidade Jurídica, Recursos Repetitivos, Devolução À Origem, Agravo Interno, Recurso Especial
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Procedural Posture
Agravo Interno (art. 1.042 Do Cpc) / Decisão De Provimento (julgamento)
Legal Issues
- 1 Necessidade de instauração do Incidente de Desconsideração da Personalidade Jurídica antes do redirecionamento da execução fiscal
- 2 Possibilidade de devolução dos autos ao tribunal de origem para que este aguarde julgamento de recurso representativo da controvérsia (Tema 1209/STJ) e exerça juízo de retratação nos termos do art. 1.040 do CPC
Ratio Decidendi
Conheceu-se do Agravo Interno e, por se tratar de questão submetida ao julgamento no rito dos recursos repetitivos (Tema 1209/STJ) sobre a necessidade de instauração do incidente de desconsideração da personalidade jurídica na execução fiscal, determinou-se a devolução dos autos ao Tribunal de origem para que aguarde o julgamento do tema e, após, observe o disposto no art. 1.040 do CPC, exercendo juízo de retratação ou denegando seguimento conforme o caso.
Court Disposition
Agravo Interno provido por unanimidade
Orders
- Conhecer do Agravo do art. 1.042 do CPC.
- Tornar sem efeito a decisão monocrática que não conheceu do Agravo em Recurso Especial.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Turma, por unanimidade, dar provimento ao agravo interno para conhecer do Agravo do art. 1.042 do CPC, determinando-se, quanto ao recurso especial, a devolução dos autos ao Tribunal de origem, com a devida baixa, para que este aguarde o julgamento do Tema 1209/STJ e, após, observe o disposto no art. 1.040 doCPC, nos termos do voto do Sr. Ministro-Relator. Os Srs. Ministros Mauro Campbell Marques, Teodoro Silva Santos, Afrânio Vilela e Francisco Falcão votaram com o Sr. Ministro Relator. EMENTA
RELATÓRIO O EXMO. SR. MINISTRO HERMAN BENJAMIN (Relator): Trata-se de Agravo Interno contra decisão da Presidência do STJ que não conheceu do Agravo em Recurso Especial, nestes termos: Mediante análise dos autos, verifica-se que a decisão agravada inadmitiu o recurso especial, considerando: Súmula 7/STJ, Súmula 83/STJ e deficiência de cotejo analítico. Entretanto, a parte agravante deixou de impugnar especificamente: deficiência de cotejo analítico. (fl. 1.332, e-STJ) A agravante afirma que impugnou especificamente todos os fundamentos da decisão do Tribunal de origem, que inadmitiu o Recurso Especial. Especialmente em relação ao dissídio jurisprudencial, afirma: 13. Com a devida venia, ao contrário do afirmado, a ora demonstrou em tópico específico do seu Agravo em Recurso Especial a existência de dissídio jurisprudencial apto à admissão do Apelo com fulcro art. 105, III, "c", da CF/88. 14. Trata-se do tópico III.3 daquela peça, o qual exige seja novamente demonstrado. 15. Conforme demonstrado, no Recurso Especial e no posterior Agravo, o v. acórdão proferido pelo Tribunal a quo acabou por divergir da posição firmada por esta A. Corte Superior, quando do julgamento do Recurso Especial nº 1.775.269. 16. A teor das razões bem expostas no então Agravo em Recurso Especial, o v. acórdão recorrido e o v. acórdão paradigma divergem em relação à necessidade de instauração do incidente de desconsideração da personalidade jurídica, antes do redirecionamento da execução fiscal. (fl. 1.338, e-STJ). Foi apresentada impugnação às fls.1.350-1.353, e-STJ. É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. EXECUÇÃO FISCAL. INCIDENTE DE DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. MATÉRIA SUBMETIDA A JULGAMENTO NO RITO DOS RECURSOS REPETITIVOS. DEVOLUÇÃO À ORIGEM. 1. Na petição de interposição do Agravo do art. 1.042 do CPC (fls. 1252-1255, eSTJ), abriu-se tópico específico para impugnar o capítulo da decisão que inadmitiu o Recurso Especial pela alínea "c". A adequação ou não da linha argumentativa da agravante diz respeito ao conhecimento do próprio Recurso Especial, inconfundível com a eventual ausência de impugnação integral aos fundamentos da decisão local que o inadmitiu. 2. Contudo, uma vez que se conheceu do Agravo, não se mostra possível avançar na análise do Recurso Especial, porquanto a discussão a respeito da necessidade de instauração, na Execução Fiscal, do Incidente de Desconsideração da Personalidade Jurídica foi selecionada e submetida pelo STJ ao julgamento no rito dos recursos repetitivos (Tema 1209/STJ: "Definição acerca da (in)compatibilidade do Incidente de Desconsideração de Personalidade Jurídica, previsto no art. 133 e seguintes do Código de Processo Civil, com o rito próprio da Execução Fiscal, disciplinado pela Lei n. 6.830/1980 e, sendo compatível, identificação das hipóteses de imprescindibilidade de sua instauração, considerando o fundamento jurídico do pleito de redirecionamento do feito executório."). 3. Agravo Interno provido para conhecer do Agravo do art. 1.042 do CPC. Quanto ao Recurso Especial, determina-se a devolução dos autos ao Tribunal de origem, com a devida baixa, para que este aguarde o julgamento do Tema 1209/STJ e, após, observe o disposto no art. 1.040 do CPC. VOTO O EXMO. SR. MINISTRO HERMAN BENJAMIN (Relator): Em juízo de reconsideração, verifico que procede a irresignação da agravante. Na petição de interposição do Agravo do art. 1.042 do CPC (fls. 1252-1255, eSTJ), abriu-se tópico específico para impugnar o capítulo da decisão que inadmitiu o Recurso Especial pela alínea "c". A adequação ou não da linha argumentativa da agravante diz respeito ao conhecimento do próprio Recurso Especial, inconfundível com a eventual ausência de impugnação integral aos fundamentos da decisão local que o inadmitiu. Contudo, uma vez conhecido o Agravo, não se mostra possível avançar na análise do Recurso Especial, uma vez que a discussão a respeito da necessidade de instauração, na Execução Fiscal, do Incidente de Desconsideração da Personalidade Jurídica foi selecionada e submetida pelo STJ ao julgamento no rito dos Recursos Repetitivos (Tema 1209/STJ: "Definição acerca da (in)compatibilidade do Incidente de Desconsideração de Personalidade Jurídica, previsto no art. 133 e seguintes do Código de Processo Civil, com o rito próprio da Execução Fiscal, disciplinado pela Lei n. 6.830/1980 e, sendo compatível, identificação das hipóteses de imprescindibilidade de sua instauração, considerando o fundamento jurídico do pleito de redirecionamento do feito executório."). Em tal circunstância, deve ser prestigiado o escopo perseguido na legislação processual (Lei 11.672/2008), isto é, a criação de mecanismo que oportunize às instâncias de origem o juízo de retratação na forma dos arts. 543-C, § 7º, e 543-B, § 3º, do CPC/1973 e 1.040 e seguintes do CPC/2015, conforme o caso. Nesse norte: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL INTERPOSTO EM FACE DE DECISÃO QUE DETERMINOU A DEVOLUÇÃO DOS AUTOS AO TRIBUNAL DE ORIGEM. PENDÊNCIA DE JULGAMENTO DE RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA, NO QUAL SE DISCUTE QUESTÃO IDÊNTICA. PROVIDÊNCIA QUE NÃO ENSEJA PREJUÍZO A NENHUMA DAS PARTES. NECESSIDADE DE SE OBSERVAR OS OBJETIVOS DA LEI 11.672/2008. (..) 4. Além disso, em razão das modificações inseridas no Código de Processo Civil pelas Leis 11.418/2006 e 11.672/2008 (que incluíram os arts. 543-B e 543-C, respectivamente), não há óbice para que o Relator, levando em consideração razões de economia processual, aprecie o recurso especial apenas quando exaurida a competência das instâncias ordinárias. Nesse contexto, se há nos autos recurso extraordinário sobrestado em razão do reconhecimento de repercussão geral no âmbito do STF e/ou recurso especial cuja questão central esteja pendente de julgamento em recurso representativo da controvérsia no âmbito desta Corte (caso dos autos), é possível ao Relator determinar que o recurso especial seja apreciado apenas após exercido o juízo de retratação ou declarado prejudicado o recurso extraordinário, na forma do art. 543-B, § 3º, do CPC, e/ou após cumprido o disposto no art. 543-C, § 7º, do CPC. É oportuno registrar que providência similar é adotada no âmbito do Supremo Tribunal Federal. 5. Entendimento em sentido contrário para que a suspensão ocorra sempre no âmbito do Superior Tribunal de Justiça implica esvaziar um dos objetivos da Lei 11.672/2008, qual seja, "criar mecanismo que amenize o problema representado pelo excesso de demanda" deste Tribunal. Assim, deve ser "dada oportunidade de retratação aos Tribunais de origem, devendo ser retomado o trâmite do recurso, caso a decisão recorrida seja mantida", sendo que tal solução "inspira-se no procedimento previsto na Lei nº 11.418/06 que criou mecanismo simplificando o julgamento de recursos múltiplos, fundados em idêntica matéria, no Supremo Tribunal Federal", conforme constou expressamente das justificativas do respectivo Projeto de Lei (PL 1.213/2007). 6. Agravo regimental não conhecido. (AgRg no AREsp 153.829/PI, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, DJe 23/5/2012). Com essas considerações, dou provimento ao Agravo Interno para tornar sem efeito a decisão monocrática. Determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem, com a devida baixa, para que este, em observância aos arts. 1.040 e seguintes do CPC/2015 e após a publicação do acórdão do respectivo Recurso Excepcional Representativo da Controvérsia: a) denegue seguimento ao Recurso se a decisão recorrida coincidir com a orientação emanada pelos Tribunais Superiores; ou b) proceda ao juízo de r etratação na hipótese de o aresto vergastado divergir da decisão sobre o tema repetitivo. É como voto.