AREsp 2800106 - ACORDAO
O agravo interno não foi conhecido porque a agravante não impugnou de forma específica e suficiente os fundamentos da decisão agravada — notadamente a falta de prequestionamento (Súmula 211/STJ) e a ausência de comprovação do dissídio jurisprudencial por meio de cotejo analítico — sendo aplicável a vedação de...
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- Parties
- Agravante: PELUCIO & FERREIRA BAR E RESTAURANTE LTDA; Autor Do Incidente: Queiroga, Vieira, Queiroz & Ramos Advocacia
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 05 May 2025
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento Não Conhecido
- Outcome
- Não conhecido do agravo interno
- Legal Topics
- Incidente De Desconsideração Da Personalidade Jurídica, Prequestionamento, Dissídio Jurisprudencial, Agravo Interno, Súmulas Constitucionais E Infraconstitucionais
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Parties
PELUCIO & FERREIRA BAR E RESTAURANTE LTDA
Agravante
Queiroga, Vieira, Queiroz & Ramos Advocacia
Autor Do Incidente
Procedural Posture
Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento Não Conhecido
Legal Issues
- 1 Admissibilidade do agravo interno
- 2 Exigência de prequestionamento para recurso especial (Súmula 211/STJ)
- 3 Comprovação do dissídio jurisprudencial mediante cotejo analítico
Ratio Decidendi
O agravo interno não foi conhecido porque a agravante não impugnou de forma específica e suficiente os fundamentos da decisão agravada — notadamente a falta de prequestionamento (Súmula 211/STJ) e a ausência de comprovação do dissídio jurisprudencial por meio de cotejo analítico — sendo aplicável a vedação de conhecimento prevista na Súmula 182/STJ e no art. 1.021, §1º, do CPC.
Court Disposition
Não conhecido do agravo interno
Orders
- Não conheço do agravo interno.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da TERCEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 22/04/2025 a 28/04/2025, por unanimidade, não conhecer do recurso, nos termos do voto da Sra. Ministra Relatora. Os Srs. Ministros Humberto Martins, Ricardo Villas Bôas Cueva, Moura Ribeiro e Daniela Teixeira votaram com a Sra. Ministra Relatora. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Humberto Martins. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. INCIDENTE DE DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. IMPUGNAÇÃO DA DECISÃO AGRAVADA. AUSÊNCIA. 1. Incidente de Desconsideração da Personalidade Jurídica. 2. É manifestamente inadmissível o agravo interno que não impugna, especificamente, os fundamentos da decisão agravada. 3. Agravo interno não conhecido.
RELATÓRIO Relatora: MINISTRA NANCY ANDRIGHI Examina-se agravo interno interposto por PELUCIO & FERREIRA BAR E RESTAURANTE LTDA contra decisão proferido pela Presidência do STJ que conheceu do agravo para não conhecer do recurso especial. Ação: Incidente de Desconsideração da Personalidade Jurídica proposto por Queiroga, Vieira, Queiroz & Ramos Advocacia em face da agravante. Decisão: deferiu a instauração do incidente. Acórdão: negou provimento ao agravo de instrumento interposto pela agravante, nos termos da ementa a seguir (fl. 143): AGRAVO INTERNO. AGRAVO DE INSTRUMENTO. EFEITO SUSPENSIVO. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. TEORIA MAIOR. DESVIO DE FINALIDADE. CONFUSÃO PATRIMONIAL. COMPROVAÇÃO. NECESSIDADE. 1. O Relator poderá antecipar a pretensão recursal ou atribuir efeito suspensivo ao agravo de instrumento, total ou parcial, quando estiverem presentes os requisitos relativos ao perigo de dano grave, de difícil ou de impossível reparação, bem como a demonstração da probabilidade do provimento do recurso (CPC, art. 995, parágrafo único e art. 1.019, inciso I). 2. Julga-se prejudicado o agravo interno que tem o mesmo objetivo do recurso principal, tendo em vista a idêntica finalidade processual, consubstanciada na reforma da decisão recorrida. 3. A instauração do incidente de desconsideração da personalidade jurídica exige a demonstração dos elementos indicativos de que o abuso da personalidade jurídica ocorreu pela via do desvio de finalidade ou mediante confusão patrimonial (CC, art. 50 e CPC, arts. 133 a 137). 4. Havendo indícios suficientes de que a empresa teria encerrado as suas atividades de maneira irregular, é cabível o processamento do incidente de desconsideração da personalidade jurídica para apurar seus requisitos, garantindo-se o contraditório e à ampla defesa, o que pode atrair a responsabilidade solidária daqueles que atuam como sócios ou que compõem eventual grupo econômico. 5. Agravo interno prejudicado. Agravo de instrumento conhecido e não provido. Embargos de declaração: opostos pela agravante, foram rejeitados. Decisão unipessoal: não conheceu do recurso especial em razão da ausência de prequestionamento da tese recursal (Súmula 211/STJ), da incidência da Súmula 284 do STF, bem como da falta de comprovação do dissídio jurisprudencial. Agravo interno: o agravante alega, inicialmente, que "o prequestionamento implícito da matéria restou configurado, tendo em vista que o Tribunal de origem emitiu juízo de valor sobre a questão, ainda que não tenha feito menção expressa ao art. 80 do CPC" (fl. 343). Além disso, afirma que "a Agravante impugnou sim os fundamentos do acórdão recorrido, conforme se verifica das razões do Recurso Especial, em que a Agravante demonstrou de forma clara e precisa os pontos em que discorda do acórdão recorrido. Nesse sentido, a Agravante demonstrou que o acórdão recorrido violou o artigo 50 do Código Civil, ao permitir a desconsideração da personalidade jurídica com base na mera insolvência do devedor, sem a comprovação do desvio de finalidade ou da confusão patrimonial. A Agravante também demonstrou que o acórdão recorrido violou o artigo 886 do Código de Processo Civil, ao determinar a penhora de bens da Agravante antes de esgotados os meios de execução contra o devedor principal" (fl. 344). Requer, assim, o provimento do agravo para que seja determinado o processamento do recurso especial e apreciado o mérito. É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. INCIDENTE DE DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. IMPUGNAÇÃO DA DECISÃO AGRAVADA. AUSÊNCIA. 1. Incidente de Desconsideração da Personalidade Jurídica. 2. É manifestamente inadmissível o agravo interno que não impugna, especificamente, os fundamentos da decisão agravada. 3. Agravo interno não conhecido. VOTO Relatora: MINISTRA NANCY ANDRIGHI A decisão agravada conheceu do agravo interposto para não conhecer do recurso especial, ante: a) a incidência da Súmula 284/STF; b) a incidência da Súmula 211/STJ; e c) a ausência de comprovação do dissídio jurisprudencial. Pela análise das razões recursais apresentadas, verifica-se que a agravante não trouxe qualquer argumento novo capaz de ilidir os fundamentos da decisão agravada. Isso porque a agravante não refutou, de forma específica e suficiente, a incidência da Súmula 211 do STJ (quanto à falta de prequestionamento da tese recursal), tampouco a ausência de comprovação do dissídio jurisprudencial, notadamente considerando as peculiaridades expressamente delimitadas na decisão objurgada, senão vejamos (fl. 336): .. . Além disso, não houve o prequestionamento da tese recursal, porquanto a questão postulada não foi examinada pela Corte a quo sob o viés pretendido pela parte recorrente. Nesse sentido: " .. o Distrito Federal alega violação do art. 91, § 1º, do CPC. Nesse quadrante, não houve prequestionamento da tese recursal, uma vez que a questão postulada não foi examinada pela Corte de origem sob o viés pretendido pela parte recorrente no sentido de que a realização de perícia por entidade pública somente ser possível quando requerida pela Fazenda Pública, pelo Ministério Público ou pela Defensoria Pública. " (AgInt no AREsp n. 1.582.679/DF, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 26.5.2020.) Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt no AREsp 1.514.978/SC, Rel. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, DJe de 17.6.2020; AgInt no AREsp 965.710/SP, Rel. Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe de 19.9.2018; e AgRg no AREsp 1.217.660/SP, Rel. Ministro Jorge Mussi, Quinta Turma, DJe de 4.5.2018. Ainda, não foi comprovado o dissídio jurisprudencial, tendo em vista que a parte recorrente não realizou o indispensável cotejo analítico, que exige, além da transcrição de trechos dos julgados confrontados, a demonstração das circunstâncias identificadoras da divergência, com a indicação da existência de similitude fática e identidade jurídica entre o acórdão recorrido e o(s) paradigma(s) indicado(s), não bastando, portanto, a mera transcrição de ementas ou votos. Com efeito, o Superior Tribunal de Justiça já decidiu: "Esta Corte já pacificou o entendimento de que a simples transcrição de ementas e de trechos de julgados não é suficiente para caracterizar o cotejo analítico, uma vez que requer a demonstração das circunstâncias identificadoras da divergência entre o caso confrontado e o aresto paradigma, mesmo no caso de dissídio notório". (AgInt no AREsp n. 1.242.167/MA, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 5.4.2019.) Ainda nesse sentido: "A divergência jurisprudencial deve ser comprovada, cabendo a quem recorre demonstrar as circunstâncias que identificam ou assemelham os casos confrontados, com indicação da similitude fática e jurídica entre eles. Indispensável a transcrição de trechos do relatório e do voto dos acórdãos recorrido e paradigma, realizando-se o cotejo analítico entre ambos, com o intuito de bem caracterizar a interpretação legal divergente. O desrespeito a esses requisitos legais e regimentais impede o conhecimento do Recurso Especial, com base na alínea "c" do inciso III do art. 105 da Constituição Federal". (AgInt no REsp n. 1.903.321/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 16.3.2021.) Constata-se, nessa esteira, que a agravante limitou-se a tecer argumentação meramente genérica, deixando de demonstrar o efetivo desacerto do decisum de acordo com as particularidades citadas, razão pela qual os referidos fundamentos devem ser mantidos incólumes na espécie. Nos termos da jurisprudência do STJ, o agravo interno que não impugna determinados fundamentos constantes na decisão monocrática acarreta a preclusão no que concerne à impugnação dos referidos fundamentos. Nesse sentir: EREsp 1.424.404/SP (Corte Especial, DJe 17/11/2021). E, consoante entendimento pacífico desta Corte, não merece conhecimento o agravo interno que não impugna, especificamente, os fundamentos da decisão agravada, a teor do disposto na Súmula 182 do STJ, a qual se subsume perfeitamente ao presente recurso. Por fim, o referido entendimento foi inclusive positivado pelo legislador pátrio no bojo do CPC, em que o § 1º do art. 1.021 afirma que, na petição de agravo interno, o recorrente impugnará especificadamente os fundamentos da decisão agravada. Desse modo, mostra-se correto o não conhecimento do agravo interno, tendo em vista a ausência de impugnação específica dos fundamentos contidos na decisão agravada e suficientes para mantê-la. DISPOSITIVO Forte nessas razões, NÃO CONHEÇO do agravo interno.