AREsp 3004704 - DECISAO
A análise do agravo é prejudicada diante da afetação da matéria ao recurso representativo (Tema 1.209), motivo pelo qual os autos devem ser devolvidos ao tribunal de origem e sobrestados até a publicação do acórdão do recurso representativo; além disso, a decisão recorrida está alinhada ao entendimento do STJ no...
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- Parties
- Agravante: Vida Bela Gestão Patrimonial Ltda.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 18 September 2025
- Procedural Posture
- Agravo / Decisão Sobre Inadmissão De Recurso Especial E Devolução Dos Autos Ao Tribunal De Origem, Com Sobrestamento Até Julgamento De Recurso Representativo
- Outcome
- Análise prejudicada; devolução dos autos ao Tribunal de origem e sobrestamento até publicação do acórdão do recurso representativo (Tema 1.209); agravo regimental não conhecido.
- Legal Topics
- Incidente De Desconsideração Da Personalidade Jurídica, Execução Fiscal, Responsabilidade Tributária, Prescrição, Redirecionamento Da Execução Fiscal, Recursos Repetitivos
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Parties
Vida Bela Gestão Patrimonial Ltda.
Agravante
Procedural Posture
Agravo / Decisão Sobre Inadmissão De Recurso Especial E Devolução Dos Autos Ao Tribunal De Origem, Com Sobrestamento Até Julgamento De Recurso Representativo
Legal Issues
- 1 Compatibilidade do incidente de desconsideração da personalidade jurídica com o rito da execução fiscal
- 2 Prescrição do redirecionamento da execução fiscal à luz do Tema 444/STJ
- 3 Corresponsabilização solidária entre empresas de mesmo grupo econômico
Ratio Decidendi
A análise do agravo é prejudicada diante da afetação da matéria ao recurso representativo (Tema 1.209), motivo pelo qual os autos devem ser devolvidos ao tribunal de origem e sobrestados até a publicação do acórdão do recurso representativo; além disso, a decisão recorrida está alinhada ao entendimento do STJ no Tema 444, justificando a negativa de seguimento ao recurso especial e a não admissibilidade do agravo regimental quando não há prejuízo às partes.
Court Disposition
Análise prejudicada; devolução dos autos ao Tribunal de origem e sobrestamento até publicação do acórdão do recurso representativo (Tema 1.209); agravo regimental não conhecido.
Orders
- Julgo prejudicada a análise do recurso e determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem, com baixa, para que fiquem sobrestados até a publicação do acórdão do recurso representativo da controvérsia (Tema 1.209) e seja realizado o juízo de conformação ou mantido o acórdão local conforme o decidido por este STJ.
- Agravo regimental não conhecido.
Full Case Text
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DECISÃO Trata-se de agravo manejado por Vida Bela Gestão Patrimonial Ltda. contra decisão que não admitiu recurso especial, este interposto com fundamento no art. 105, III, a, da CF, desafiando acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, assim ementado (fl. 71): Tributário. Incidente de desconsideração da personalidade jurídica. Desnecessidade. Execução fiscal. Responsabilidade tributária. Prescrição. Redirecionamento. Tema 444 do STJ. Responsabilidade tributária. 1. O incidente de desconsideração da personalidade jurídica dos artigos 133 a 137 do CPC/2015 é desnecessário nos casos de execução fiscal de dívida tributária em que a responsabilidade decorre diretamente de lei. Contudo, devidamente instaurado e julgado, os redirecionados não sofrem prejuízo pela instauração do procedimento, que visa garantir maior direito de defesa aos suscitados. 2. O reconhecimento da prescrição para o redirecionamento da execução fiscal segue os parâmetros fixados pelo STJ no Tema 444. Os fatos e as provas dos autos apontam para a não ocorrência da prescrição. 3. É possível a corresponsabilização solidária entre empresas formadoras de um mesmo grupo econômico quando há uma unidade gerencial, divisão administrativa meramente formal, ou seja, com unidade de controle, e, ainda, quando se visualizar a confusão de patrimônio, fraudes, abuso de direito e má-fé com prejuízo a credores. Opostos embargos declaratórios, foram rejeitados (fls. 77/79). Nas razões do recurso especial, a parte agravante aponta violação aos arts. 489, § 1º, IV, e 1.022, II, do Código de Processo Civil, ao argumento de que, a despeito dos embargos de declaração, o Tribunal a quo remanesceu omisso acerca das questões neles suscitadas. Foram ofertadas contrarrazões às fls. 92/100. A Vice-Presidência da Corte regional, quanto a tese de prescrição do redirecionamento, negou seguimento ao apelo raro com base no art. 1.030, I, b, do CPC, frente ao quanto decidido pelo Superior Tribunal de Justiça no Tema 444/STJ, inadmitindo o apelo raro ante a incidência da Súmula 284/STF. Às fls. 111/117, o agravante apresentou agravo interno contra a negativa de seguimento do recurso especial. A decisão foi mantida pelo órgão fracionário nos seguintes termos (fl. 136): AGRAVO INTERNO. DECISÃO DA VICE-PRESIDÊNCIA. TEMA 444/STJ. APLICAÇÃO DO ACÓRDÃO PARADIGMA REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. NEGATIVA DE SEGUIMENTO. 1. Há previsão no artigo 1.040, I, do CPC de que, uma vez publicado o acórdão paradigma, o presidente ou o vice-presidente do tribunal de origem negará seguimento ao recurso especial ou extraordinário, se o acórdão recorrido coincidir com a orientação do tribunal superior. 2. A decisão alinha-se com o entendimento do STJ na análise do paradigma, inexistindo, pois, motivo para a pretendida reforma. Dessa forma, a aplicação do Tema 444/STJ ao caso é medida que se impõe. É O RELATÓRIO. SEGUE A FUNDAMENTAÇÃO. Verifica-se que a matéria relativa à (in)compatibilidade do Incidente de Desconsideração de Personalidade Jurídica, previsto no art. 133 e seguintes do Código de Processo Civil, com o rito próprio da Execução Fiscal, disciplinado pela Lei n. 6.830/1980, foi afetada pela Primeira Seção do STJ para julgamento pelo rito dos recursos especiais repetitivos (Tema 1.209 - Recursos Especiais 2.039.132/SP, 2.013.920/RJ, 2.035.296/SP, 1.971.965/PE e 1.843.631/PE, Rel. Ministro Francisco Falcão, DJe 28/8/2023), mostrando-se conveniente, em observância ao princípio da economia processual e à própria finalidade do CPC, determinar o retorno dos autos à origem, onde ficarão sobrestados até a publicação do acórdão a ser proferido nos autos do recurso representativo da controvérsia. Confira-se, a propósito, esclarecedor precedente desta Corte: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL INTERPOSTO EM FACE DE DECISÃO QUE DETERMINOU A DEVOLUÇÃO DOS AUTOS AO TRIBUNAL DE ORIGEM. PENDÊNCIA DE JULGAMENTO DE RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA, NO QUAL SE DISCUTE QUESTÃO IDÊNTICA. PROVIDÊNCIA QUE NÃO ENSEJA PREJUÍZO A NENHUMA DAS PARTES. NECESSIDADE DE SE OBSERVAR OS OBJETIVOS DA LEI 11.672/2008. 1. O Código de Processo Civil admite a interposição de agravo regimental apenas quando o Relator trata sobre a viabilidade ou não do recurso (nega seguimento ou dá provimento ao recurso), conforme se depreende do art. 557 do CPC. No caso concreto, considerando que a decisão ora agravada não tratou sobre a viabilidade ou não do recurso especial, é manifestamente inadmissível a interposição de agravo regimental em face do julgado, sobretudo porque a determinação em comento não enseja prejuízo para as partes. 2. Em relação ao alegado prejuízo, é manifesta a sua não ocorrência, não obstante os esforços da agravante. Isso porque a decisão que determina a devolução dos autos ao Tribunal de origem para que, após publicado o acórdão relativo ao recurso representativo da controvérsia (atualmente pendente de julgamento), o recurso especial (objeto do agravo) seja apreciado na forma do art. 543-C, § 7º, do CPC 1) tenha seguimento denegado na hipótese de o acórdão recorrido coincidir com a orientação do Superior Tribunal de Justiça; (ou) 2) seja novamente examinado pelo Tribunal de origem, na hipótese de o acórdão recorrido divergir da orientação do Superior Tribunal de Justiça não tem aptidão para gerar nenhum prejuízo ao recorrente. Ressalte-se que "tem a parte interesse e legitimidade de recorrer somente quando a decisão agravada lhe causar prejuízo ou lhe propiciar situação menos favorável, pois só recorre quem sucumbe" (AgRg na Rcl 1.568/RR, Corte Especial, Rel. Min. Cesar Asfor Rocha, DJ de 1º.7.2005). 3. Ademais, se o Ministro Relator admite o recurso especial como representativo da controvérsia e determina a suspensão dos demais recursos (como ocorre no caso dos autos), comunicando a decisão aos Tribunais de segundo grau, não se revela adequado que seja admitido ou inadmitido recurso especial no qual se discuta questão idêntica, antes do pronunciamento definitivo do Superior Tribunal de Justiça (art. 543-C, §§ 1º e 2º, c/c o art. 2º da Resolução 8/2008 do STJ). 4. Além disso, em razão das modificações inseridas no Código de Processo Civil pelas Leis 11.418/2006 e 11.672/2008 (que incluíram os arts. 543-B e 543-C, respectivamente), não há óbice para que o Relator, levando em consideração razões de economia processual, aprecie o recurso especial apenas quando exaurida a competência das instâncias ordinárias. Nesse contexto, se há nos autos recurso extraordinário sobrestado em razão do reconhecimento de repercussão geral no âmbito do STF e/ou recurso especial cuja questão central esteja pendente de julgamento em recurso representativo da controvérsia no âmbito desta Corte (caso dos autos), é possível ao Relator determinar que o recurso especial seja apreciado apenas após exercido o juízo de retratação ou declarado prejudicado o recurso extraordinário, na forma do art. 543-B, § 3º, do CPC, e/ou após cumprido o disposto no art. 543-C, § 7º, do CPC. É oportuno registrar que providência similar é adotada no âmbito do Supremo Tribunal Federal. 5. Entendimento em sentido contrário, para que a suspensão ocorra sempre no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, implica esvaziar um dos objetivos da Lei 11.672/2008, qual seja, "criar mecanismo que amenize o problema representado pelo excesso de demanda" deste Tribunal. Assim, deve ser "dada oportunidade de retratação aos Tribunais de origem, devendo ser retomado o trâmite do recurso, caso a decisão recorrida seja mantida", sendo que tal solução "inspira-se no procedimento previsto na Lei nº 11.418/06 que criou mecanismo simplificando o julgamento de recursos múltiplos, fundados em idêntica matéria, no Supremo Tribunal Federal", conforme constou expressamente das justificativas do respectivo Projeto de Lei (PL 1.213/2007). 6. Agravo regimental não conhecido. (AgRg no AREsp 153.829/PI, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 17/05/2012, DJe 23/05/2012). ANTE O EXPOSTO, julgo prejudicada a análise do recurso e determino a devolução dos autos, com a respectiva baixa, ao Tribunal de origem, onde, nos termos dos arts. 1.040 e 1.041 do CPC, deverá ser realizado o juízo de conformação ou a manutenção do acórdão local frente ao que vier a ser decidido por este Superior Tribunal de Justiça no aludido Tema 1.209, na sistemática dos recursos repetitivos. Publique-se. EMENTA