REsp 1950191 - DECISAO
Conheceu-se parcialmente do Recurso Especial apenas quanto à alegação de ofensa ao art. 1.022 do CPC/2015 e, nessa extensão, negou-se provimento, por entender que os Embargos de Declaração veiculavam mero inconformismo e não vício a ser sanado; quanto à divergência jurisprudencial invocada para fins da alínea 'c' do...
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- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 04 November 2021
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Decisão Monocrática (conhecimento Parcial E Negação De Provimento)
- Outcome
- Conheço parcialmente do Recurso Especial e nego-lhe provimento.
- Legal Topics
- Indenização, Domínio Público, Honorários Advocatícios, Embargos De Declaração, Divergência Jurisprudencial, Prova (cerceamento De Defesa)
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Procedural Posture
Recurso Especial / Decisão Monocrática (conhecimento Parcial E Negação De Provimento)
Legal Issues
- 1 ofensa ao art. 1.022 do CPC/2015
- 2 divergência jurisprudencial apta a fundamentar o Recurso Especial (art. 105, III, "c", CF)
- 3 direito à indenização por bloqueio de acesso a imóvel situado em área de domínio público
Ratio Decidendi
Conheceu-se parcialmente do Recurso Especial apenas quanto à alegação de ofensa ao art. 1.022 do CPC/2015 e, nessa extensão, negou-se provimento, por entender que os Embargos de Declaração veiculavam mero inconformismo e não vício a ser sanado; quanto à divergência jurisprudencial invocada para fins da alínea 'c' do art. 105, III, da CF, o recurso não comprovou a divergência nos termos regimentais (transcrição e cotejo analítico), impedindo seu conhecimento; no mérito de origem, o acesso ao imóvel ocorreu em área de domínio público sem autorização, afastando a ilicitude e o direito à indenização; por fim, determinou-se a majoração em 10% dos honorários fixados em instância de origem, nos...
Court Disposition
Conheço parcialmente do Recurso Especial e nego-lhe provimento.
Orders
- Caso exista nos autos prévia fixação de honorários de advogado pelas instâncias de origem, determina-se a majoração em desfavor da parte recorrente em 10% sobre o valor já arbitrado, nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, observados os limites dos §§ 2º e 3º e eventual gratuidade de justiça.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de Recurso Especial (art. 105, III, "a" e "c", da CF) interposto contra acórdão assim ementado: ADMINISTRATIVO. RODOVIA. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. INDENIZAÇÃO. BLOQUEIO DE ACESSO A IMÓVEL COMERCIAL. AUSÊNCIA DE AUTORIZAÇÃO. NÃO-CONFIGURAÇÃO. A R E A DE DOMÍNIO PÚBLICO. INEXISTÊNCIA DE DIREITO À INDENIZAÇÃO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. MAJORAÇÃO. I. Nos termos do parágrafo único do art. 370 do NCPC, o Juiz pode indeferir as provas que entender desnecessárias à instrução do processo, as diligências inúteis ou as meramente protelatórias, pois é o senhor da prova na medida em que ela se destina ao seu convencimento. II. Não caracterizada a ocupação ilegal, pois evidenciado que o acesso da parte autora à rodovia federal foi realizado em área de domínio público e sem prévia autorização/permissão administrativa para para tanto, inexiste a ilicitude, inviabilizando a pretendida indenização. II. Majorados os honorários advocatícios. Os Embargos de Declaração foram rejeitados (fl. 577). A recorrente, nas razões do Recurso Especial, sustenta que ocorreu, além de divergência jurisprudencial, violação do art. 1.022 do CPC/2015. É o relatório. Decido. Os autos foram recebidos neste Gabinete em 6.10.2021. Não se configura ofensa ao art. 1.022 do CPC/2015, porquanto o Tribunal de origem julgou integralmente a lide e solucionou, de maneira amplamente fundamentada, a controvérsia, em conformidade com o que lhe foi apresentado. O simples descontentamento da parte com o julgado não tem o condão de tornar cabíveis os Embargos de Declaração, que servem ao aprimoramento da decisão, mas não à sua modificação, que só muito excepcionalmente é admitida. In casu, fica claro que não há vícios a serem sanados e que os Aclaratórios veiculam mero inconformismo com o conteúdo da decisão embargada, que foi desfavorável à recorrente. Recorde-se, ademais, que o órgão julgador não é obrigado a rebater, um a um, todos os argumentos trazidos pelas partes em defesa da tese que apresentaram. Deve apenas enfrentar a demanda, observando as questões relevantes e imprescindíveis à sua resolução. Precedentes: AgInt nos EDcl no AREsp 1.290.119/RS, Rel. Min. Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe 30.8.2019; AgInt no REsp 1.675.749/RJ, Rel. Min. Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe 23.8.2019; REsp 1.817.010/PR, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 20.8.2019; AgInt no AREsp 1.227.864/RJ, Rel. Min. Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe 20.11.2018. Por fim, no tocante à divergência jurisprudencial, destaco que a discrepância deve ser comprovada, cabendo a quem recorre demonstrar as circunstâncias que identificam ou assemelham os casos confrontados, com indicação da similitude fática e jurídica entre eles. Indispensável a transcrição de trechos do relatório e do voto dos acórdãos recorrido e paradigma, realizando-se o cotejo analítico entre ambos, com o intuito de bem caracterizar a interpretação legal divergente. O desrespeito a esses requisitos legais e regimentais (arts. 541, parágrafo único, do CPCe 255 do RI/STJ) impede o conhecimento do Recurso Especial com base na alínea "c" do incisoIIIdo art. 105 da Constituição Federal. Confira-se: (..) DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO CONFIGURADA. (..) 3. O conhecimento de recurso especial fundado na alínea "c" do art. 105, III, da CF/1988 requisita, além da indicação dos dispositivos legais violados, a demonstração analítica da divergência jurisprudencial invocada, por intermédio da transcrição dos trechos dos acórdãos que configuram o dissídio e da indicação das circunstâncias que identificam ou assemelham os casos confrontados, não sendo bastante a simples transcrição de ementas ou votos (artigos 541, parágrafo único, do Código de Processo Civil e 255, § 2º, do RISTJ). A não observância a esses requisitos legais e regimentais (art. 541, parágrafo único, do CPC e art. 255 do RI/STJ), tal como ocorrido, impede o conhecimento do recurso especial (cf. REsp 1412951/PE, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, DJe 25/11/2013; AgRg no AREsp 417.461/SC, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe 05/12/2013). 4. Agravo regimental não provido. (AgRg no AREsp 621.300/DF, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, DJe 18/2/2015) Caso exista nos autos prévia fixação de honorários de advogado pelas instâncias de origem, determino a sua majoração, em desfavor da parte recorrente, em 10% (dez por cento) sobre o valor já arbitrado, nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão da gratuidade da justiça. Diante do exposto,conheçoparcialmente do Recurso Especial, apenas no que diz respeito à alegação de ofensa ao art. 1.022 do CPC/2015, e, nessa extensão, nego-lhe provimento. Publique-se. Intimem-se.