HC 908372 - DECISAO
Revogou‑se a orientação adotada na decisão agravada por força da alteração jurisprudencial da Terceira Seção do STJ, que passou a alinhar‑se ao entendimento do STF segundo o qual o crime impeditivo do indulto abrange também aqueles remanescentes de unificação de penas; por esse motivo, deu‑se provimento ao agravo...
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- Parties
- Agravante: MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL; Paciente: LEANDRO SILVA HENRIQUE
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 07 August 2024
- Procedural Posture
- Agravo Regimental Em Habeas Corpus / Decisão (reconsideração)
- Outcome
- Agravo regimental provido para reconsiderar a decisão de fls. 113/117, não conhecer do habeas corpus e não conceder a ordem de ofício, mantendo o indeferimento do indulto previsto no Decreto n. 11.302/2022, nos termos do acórdão impugnado.
- Legal Topics
- Indulto Presidencial, Unificação De Penas, Crime Impeditivo, Jurisprudência
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Parties
MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
Agravante
LEANDRO SILVA HENRIQUE
Paciente
Procedural Posture
Agravo Regimental Em Habeas Corpus / Decisão (reconsideração)
Legal Issues
- 1 Aplicabilidade do art. 11, parágrafo único, do Decreto n. 11.302/2022 aos crimes remanescentes em razão da unificação de penas
- 2 Se o requisito de cumprimento integral da pena do crime impeditivo se aplica quando o crime impeditivo não foi praticado em concurso, mas é remanescente de unificação de penas
- 3 Harmonização da orientação do STJ com a do STF
Ratio Decidendi
Revogou‑se a orientação adotada na decisão agravada por força da alteração jurisprudencial da Terceira Seção do STJ, que passou a alinhar‑se ao entendimento do STF segundo o qual o crime impeditivo do indulto abrange também aqueles remanescentes de unificação de penas; por esse motivo, deu‑se provimento ao agravo regimental para não conhecer do habeas corpus e manter o indeferimento do indulto conforme o acórdão impugnado, com fundamento no art. 258, § 3º, do Regimento Interno do STJ.
Court Disposition
Agravo regimental provido para reconsiderar a decisão de fls. 113/117, não conhecer do habeas corpus e não conceder a ordem de ofício, mantendo o indeferimento do indulto previsto no Decreto n. 11.302/2022, nos termos do acórdão impugnado.
Orders
- Agravo regimental provido
- Reconsiderada a decisão de fls. 113/117
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de agravo regimental interposto pelo MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL contra decisão de minha lavra, às fls. 113/117, em que concedi, de ofício, a ordem de habeas corpus a LEANDRO SILVA HENRIQUE, uma vez que esta Corte Superior possuía entendimento no sentido de que a exigência de cumprimento integral da pena por crime impeditivo do indulto, contida no art. 11, parágrafo único, do Decreto n. 11.302/2022, somente aplicava-se aos crimes objetos de concurso material ou formal, não incidindo aos casos de simples somatório ou unificação das penas. Nas razões recursais, o agravante afirma que o paciente não faz jus ao benefício do indulto, uma vez que não cumpriu as penas dos crimes impeditivos, conforme disposição dos artigos 5º, caput, 7º, inciso II, e artigo 11, caput e parágrafo único, todos do Decreto n. 11.302/2022. Requer, assim, a reconsideração da decisão agravada, ou a submissão do recurso a julgamento no órgão colegiado. É o relatório. Decido. Conforme consignado na decisão agravada, o Tribunal de origem salientou que, após a unificação das penas impostas ao paciente, o deferimento do indulto fica condicionado ao cumprimento integral da pena relativa ao crime impeditivo, quando existente. Naquela oportunidade, verifiquei que o fundamento do Tribunal de origem para indeferimento do indulto, previsto no Decreto n. 11.302/2022, não encontrava amparo no entendimento jurisprudencial desta Corte. Isso porque a Terceira Seção desta Corte , no julgamento do AgRg no HC n. 856.053/SC havia firmado o entendimento no sentido de que a exigência de cumprimento integral da pena por crime impeditivo do indulto, contida no art. 11, parágrafo único, do Decreto n. 11.302/2022, somente se aplicava aos crimes objeto de concurso material ou formal, não se aplicando aos casos de simples somatório ou unificação das penas. Contudo, a Terceira Seção do Superior Tribunal de Justiça - STJ, em recente sessão de julgamento, realizada no dia 24/4/2024, reviu sua orientação, para seguir o entendimento da Suprema Corte, segundo o qual "o crime impeditivo do benefício do indulto, fundamentado no Decreto Presidencial n. 11.302/2022, deve ser tanto o praticado em concurso como o remanescente em razão da unificação de penas" (HC 890.929/SE, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Terceira Seção, julgado em 24/4/2024). Confira-se a ementa do julgado: EXECUÇÃO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL. HABEAS CORPUS. RECEPTAÇÃO SIMPLES. INDULTO (DECRETO N. 11.302/2022). DEFERIMENTO PELO JUÍZO E CASSAÇÃO PELO TRIBUNAL. CRIME IMPEDITIVO NÃO PRATICADO EM CONCURSO (ROUBO MAJORADO). ENTENDIMENTO DA TERCEIRA SEÇÃO NO HC 856.053/SC. NECESSIDADE DE O CRIME IMPEDITIVO TER SIDO PRATICADO EM CONCURSO. IMPERIOSA ALTERAÇÃO. ADEQUAÇÃO À ORIENTAÇÃO MAIS ATUAL DO STF. CONSIDERAÇÃO DO CRIME IMPEDITIVO COMO ÓBICE À CONCESSÃO DO BENEFÍCIO, AINDA QUE O CRIME IMPEDITIVO CUJO CUMPRIMENTO DA PENA NÃO TENHA SIDO PRATICADO EM CONCURSO, MAS REMANESCENTE DE UNIFICAÇÃO DE PENAS. 1. Com a finalidade de uniformizar o entendimento desta Corte com o do Supremo Tribunal Federal, deve o julgamento do presente agravo ser afetado à Terceira Seção. 2. No julgamento do AgRg no HC n. 856.053/SC, a Terceira Seção desta Corte, em acórdão da minha lavra, firmou orientação de que, para a concessão do benefício de indulto, fundamentado no Decreto Presidencial n. 11.302/2022, dever-se-ia considerar como crime impeditivo do benefício apenas o cometido em concurso com crime não impeditivo. Em se tratando de crimes cometidos em contextos diversos, fora das hipóteses de concurso (material ou formal), não haveria de se exigir o cumprimento integral da pena pelos crimes impeditivos. 3. Sobreveio a apreciação do tema pelo Supremo Tribunal Federal, ocasião na qual o Pleno da Corte, em sessão de julgamento realizada em 21/2/2024, referendou medida cautelar deferida pelo Ministro Luís Roberto Barroso, firmando orientação de que o crime impeditivo do indulto, fundamentado no Decreto Presidencial n. 11.302/2022, deve ser considerado tanto no concurso de crimes quanto em razão da unificação de penas. Precedente. 4. A fim de prezar pela segurança jurídica, deve este Superior Tribunal se curvar ao referido entendimento e modificar sua convicção, a fim de considerar que o crime impeditivo do benefício do indulto, fundamentado no Decreto Presidencial n. 11.302/2022, deve ser tanto o praticado em concurso como o remanescente em razão da unificação de penas. 5. No caso, trata-se de apenado que cumpre pena por crime de associação criminosa e roubo majorado, praticados em concurso e receptação simples em ação penal diversa. A ordem foi liminarmente concedida para restabelecer a decisão que concedeu o indulto em relação ao crime de receptação simples. No entanto, a aplicação do atual entendimento do STF impõe que seja modificada a decisão, a fim de manter o indeferimento do benefício em relação ao citado delito. 6. Agravo regimental provido para cassar a decisão na qual se concedeu liminarmente a ordem, restabelecendo-se o acórdão do Tribunal de Justiça de Sergipe que, no julgamento do Agravo de Execução Penal n. 202300361180, cassou a decisão do Juízo da 7ª Vara Criminal da comarca de Aracajú/SE que concedeu o benefício ao agravado. (AgRg no HC n. 890.929/SE, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Terceira Seção, julgado em 24/4/2024, DJe de 29/4/2024.) Vê-se, portanto, que o entendimento adotado na decisão agravada não se encontra em harmonia com a mais recente jurisprudência do STJ acerca do tema, justificando sua revogação. Ante o exposto, com fundamento no art. 258, § 3º, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, dou provimento ao presente agravo regimental para reconsiderar a decisão de fls. 113/117 , para não conhecer do habeas corpus e não conceder a ordem de ofício, mantendo-se o indeferimento do indulto previsto no Decreto n. 11.302/2022, nos termos do acórdão impugnado. Publique-se. Intimem-se. EMENTA