AREsp 2698464 - DECISAO
O Tribunal restabeleceu a decisão do Juízo da Execução porque, à luz do art. 12 do Decreto nº 11.302/22 e da jurisprudência desta Corte, a reincidência do apenado constitui óbice à concessão do indulto no caso concreto, sendo necessária a exigência de condenação primária para aplicação do benefício nas hipóteses...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: Ministério Público do Estado do Tocantins; Órgão Julgador Recorrido: Tribunal de Justiça do Estado do Tocantins
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 03 December 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Execução Penal / Conhecimento E Provimento Do Agravo
- Outcome
- Conheço do agravo e dou provimento ao recurso especial para restabelecer a decisão do Juízo da Execução.
- Legal Topics
- Indulto Presidencial, Decreto Nº 11.302/22, Reincidência, Concessão De Indulto, Competência Do Juízo De Conhecimento
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
Ministério Público do Estado do Tocantins
Agravante
Tribunal de Justiça do Estado do Tocantins
Órgão Julgador Recorrido
Procedural Posture
Agravo Em Execução Penal / Conhecimento E Provimento Do Agravo
Legal Issues
- 1 Aplicabilidade do art. 12 do Decreto nº 11.302/22 ao indulto na fase de execução penal
- 2 Se a reincidência impede a concessão do indulto na fase de execução penal
- 3 Interpretação conjunta dos arts. 5º e 11 do Decreto nº 11.302/2022
Ratio Decidendi
O Tribunal restabeleceu a decisão do Juízo da Execução porque, à luz do art. 12 do Decreto nº 11.302/22 e da jurisprudência desta Corte, a reincidência do apenado constitui óbice à concessão do indulto no caso concreto, sendo necessária a exigência de condenação primária para aplicação do benefício nas hipóteses previstas no decreto.
Court Disposition
Conheço do agravo e dou provimento ao recurso especial para restabelecer a decisão do Juízo da Execução.
Orders
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto pelo Ministério Público do Estado do Tocantins em adversidade à decisão que inadmitiu recurso especial manejado contra acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado do Tocantins, assim ementado (e-STJ fl. 67): PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO EM EXECUÇÃO PENAL. EXECUÇÃO PENAL. INDULTO. DECRETO PRESIDENCIAL Nº 11.302/22. INDEFERIMENTO PELO JUÍZO DE ORIGEM SOB FUNDAMENTO DA REINCIDÊNCIA. AUSÊNCIA DO ROL DE IMPEDIMENTOS DO ARTIGO 7º DO DECRETO. ARTIGO 12º. TERMO "CONDENAÇÃO PRIMÁRIA". APLICADO AO JUÍZO SENTENCIANTE PARA A CONCESSÃO DO INDULTO NA FASE DE CONHECIMENTO. NÃO ADEQUAÇÃO AO CASO CONCRETO. CONCESSÃO DO INDULTO. POSSIBILIDADE. RECURSO PROVIDO. 1. O Juízo Agravado fundamentou o indeferimento do pedido na reincidência do Agravante e, de fato, ele foi considerado reincidente na sentença condenatória, objeto do pedido de indulto. 2. O artigo 12º do Decreto Presidencial diz respeito a possibilidade de concessão do indulto por parte do Juízo de conhecimento que, quando da sentença ainda em sede de ação penal, o juiz poderá beneficiar o réu se: a) tratar-se de condenação primária; e b) desde que não haja recurso da sentença interposto pela acusação. 3. Resta evidente que as condições do artigo 12º do Decreto nº 11.302/22 dizem respeito apenas ao indulto concedido pelo Juízo sentenciante (e não em fase de execução penal), até porque além de a reincidência não constar no rol dos impedimentos para o benefício, o próprio artigo § 2º do artigo 2º do mesmo decreto estabelece que "O prazo do cumprimento da pena a que se refere o inciso II do caput será reduzido pela metade quando o condenado for primário", abrindo margem a aplicação do indulto para reincidentes. Nas razões do recurso especial, fundado na alínea "a" do permissivo constitucional, alega o MP violação do art. 11 Decreto 11.302/2022, ao argumento de que o decreto presidencial restringiu o alcance do indulto natalino aos reincidentes, exigindo-se ainda o integral cumprimento da pena relativa ao crime impeditivo do benefício. Apresentadas contrarrazões e contraminuta, manifestou-se o Ministério Público Federal, nesta instância, pelo conhecimento do agravo para dar provimento ao recurso especial. É o relatório. Decido. Preenchidos os requisitos formais e impugnado o fundamento da decisão agravada, conheço do agravo. O recurso merece prosperar. O recorrente cumpre pena total unificada de 3 anos, 4 meses e 15 dias de reclusão pela prática dos crimes de furto qualificado e de receptação, ainda não tendo iniciado o cumprimento da sanção. Nos termos do entendimento firmado neste Tribunal, "O indulto é constitucionalmente considerado como prerrogativa do Presidente da República, podendo ele trazer no ato discricionário e privativo, as condições que entender cabíveis para a concessão do benefício, não se estendendo ao judiciário qualquer ingerência no âmbito de alcance da norma" (AgRg no HC n. 417.366/DF, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, julgado em 21/11/2017, DJe de 30/11/2017.). No caso, o acórdão recorrido deu provimento ao agravo em execução penal, deferindo o pedido de concessão de indulto em relação ao crime de receptação, ao fundamento de que, "quando da análise do pedido em sede de execução penal, a reincidência não pode ser fundamento para o indeferimento do indulto" (e-STJ fl. 50). No entanto, tal conclusão está em dissonância com o entendimento desta Corte de que, diante da reincidência do apenado, a concessão do almejado benefício encontra óbice no art. 12 do Decreto n. 11.302/2022. Vale ressaltar que, examinando controvérsia semelhante, assim decidiu o STJ no RHC n. 179.348/SP, Rel. Ministro RIBEIRO DANTAS, DJe de 24/4/2023; no HC n. 805.648/SP, Rel. Ministro RIBEIRO DANTAS, DJe de 7/3/2023. Observa-se, ainda, que, em recente julgado sobre a matéria, a Quinta Turma reconheceu a necessidade de que o crime objeto de indulto relacionado ao Decreto em discussão corresponda a condenação primária. Por oportuno, "A melhor interpretação sistêmica oriunda da leitura conjunta do art. 5º e do art. 11 do Decreto n. 11.302/2022 é a que entende que o resultado da soma ou da unificação de penas efetuada até 25/12/2022 não constitui óbice à concessão do indulto àqueles condenados por delitos com pena em abstrato não superior a 5 (cinco) anos, desde que (1) cumprida integralmente a pena por crime impeditivo do benefício; (2) o crime indultado corresponda a condenação primária (art. 12 do Decreto) e (3) o beneficiado não seja integrante de facção criminosa (parágrafo 1º do art. 7º do Decreto)" (AgRg no HC n. 928.672/SP, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 30/9/2024, DJe de 3/10/2024.) Ante o exposto, com fundamento no art. 932, VIII, do CPC, c/c art. 253, parágrafo único, II, "c", do RISTJ, conheço do agravo para dar provimento ao recurso especial para restabelecer a decisão do Juízo da Execução. Intimem-se. EMENTA