AREsp 2267973 - ACORDAO
Negou‑se provimento ao agravo regimental porque a alteração da conclusão do acórdão impugnado exigiria reexame do conjunto fático‑probatório, procedimento vedado em sede de recurso especial nos termos da Súmula n. 7/STJ, sendo mantida a decisão que reconheceu a autoria e a materialidade do crime previsto no art. 140...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: JURACI FRANCISCO DOS SANTOS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 16 June 2025
- Procedural Posture
- Agravo Regimental No Agravo Em Recurso Especial / Decisão Colegiada
- Outcome
- Agravo regimental desprovido.
- Legal Topics
- Injúria (art. 140 Do Código Penal), Reexame De Provas, Súmula N. 7/stj, Agravo Regimental
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
JURACI FRANCISCO DOS SANTOS
Agravante
Procedural Posture
Agravo Regimental No Agravo Em Recurso Especial / Decisão Colegiada
Legal Issues
- 1 Aplicabilidade da Súmula n. 7/STJ quanto à vedação do reexame de provas em recurso especial
- 2 Comprovação da autoria e materialidade do crime descrito no art. 140 do Código Penal
- 3 Conhecimento e provimento do recurso especial diante de questões fático-probatórias
Ratio Decidendi
Negou‑se provimento ao agravo regimental porque a alteração da conclusão do acórdão impugnado exigiria reexame do conjunto fático‑probatório, procedimento vedado em sede de recurso especial nos termos da Súmula n. 7/STJ, sendo mantida a decisão que reconheceu a autoria e a materialidade do crime previsto no art. 140 do Código Penal.
Court Disposition
Agravo regimental desprovido.
Orders
- Negar provimento ao agravo regimental.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Sexta Turma, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Otávio de Almeida Toledo (Desembargador Convocado do TJSP), Og Fernandes, Sebastião Reis Júnior e Rogerio Schietti Cruz votaram com o Sr. Ministro Relator. EMENTA AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CRIME DESCRITO NO ART. 140 DO CÓDIGO PENAL. REEXAME DE PROVAS. IMPOSSIBILIDADE. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 7/STJ. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. No caso dos autos, o Tribunal local entendeu estarem devidamente comprovadas tanto a autoria quanto a materialidade delitiva, ante o conjunto fático-probatório acostado aos autos. 2. Assim, a mudança da conclusão alcançada no acórdão impugnado exigiria o reexame das provas, o que é vedado nesta instância extraordinária, uma vez que o Tribunal a quo é soberano na análise do acervo fático-probatório dos autos (Súmula n. 7/STJ). 3. Em outros termos, tem-se que não é cabível recurso especial por meio do qual a parte recorrente pretende o reexame das provas produzidas durante a instrução processual, considerando o teor do enunciado da súmula n. 7 deste Superior Tribunal de Justiça, segundo o qual "a pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial". 4. Agravo regimental desprovido.
RELATÓRIO O EXMO. SR. MINISTRO ANTONIO SALDANHA PALHEIRO (Relator): Trata-se de agravo regimental interposto por JURACI FRANCISCO DOS SANTOS contra a decisão monocrática que conheceu do agravo para negar provimento ao recurso especial. O acórdão impugnado foi assim ementado: APELAÇÃO CRIMINAL - RECORRENTE CONDENADO À PENA DE 6 MESES DE DETENÇÃO, EM REGIME ABERTO, PELA PRÁTICA DO CRIME DO ART. 140 C/C ART. 141, II E III, DO CPB - 1) PEDIDO ABSOLUTÓRIO SOB O ARGUMENTO DE LIBERDADE DE EXPRESSÃO IMPROCEDÊNCIA - CRIME DE INJÚRIA PRATICADO CONTRA PREFEITO POR MEIO DE GRUPOS DE WHATSAPP - OFENSAS À HONRA DE AGENTE PÚBLICO, CUJO CONTEÚDO EXTRAPOLA A LIBERDADE DE CRÍTICA OU DE OPINIÃO - CONDENAÇÃO MANTIDA - 2) REDIMENSIONAMENTO DA REPRIMENDA COM A ALTERAÇÃO DA PENA-BASE NO MÍNIMO LEGAL E SUBSTITUIÇÃO DA PENA FINAL POR RESTRITIVA DE DIREITOS NA FORMA PREVISTA NO ART. 44 DO CPB - ACOLHIMENTO PARCIAL - VETORES DA CULPABILIDADE E DOS MOTIVOS DO CRIME FORAM NEGATIVADOS COM A MESMA FUNDAMENTAÇÃO - PENA BASILAR REDUZIDA, MAS AINDA FIXADA ACIMA DO MÍNIMO LEGAL - PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE SUBSTITUÍDA POR RESTRITIVA DE DIREITO - NECESSIDADE QUE TODOS OS VETORES CITADOS NO INCISO III DO ART. 44 DO CP SEJAM CONTRÁRIOS AO AGENTE PARA QUE HAJA IMPOSSIBILIDADE DE SUBSTITUIÇÃO - 3) PEDIDO DE REDUÇÃO DO VALOR INDENIZATÓRIO FIXADO AO OFENDIDO - POSSIBILIDADE - QUANTUM DE R$ 30.000,00 (TRINTA MIL REAIS) MOSTRA-SE ELEVADO E DESPROPORCIONAL COM O CASO CONCRETO - MONTANTE REDUZIDO PARA 5.000,00 REAIS - APELO CONHECIDO E PARCIALMENTE PROVIDO EM CONSONÂNCIA COM O PARECER MINISTERIAL. Daí a interposição deste agravo regimental, no qual o recorrente reitera os termos do recurso especial. Ao final, requer o provimento do agravo regimental para que o recurso especial seja conhecido e provido. É o relatório. EMENTA AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CRIME DESCRITO NO ART. 140 DO CÓDIGO PENAL. REEXAME DE PROVAS. IMPOSSIBILIDADE. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 7/STJ. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. No caso dos autos, o Tribunal local entendeu estarem devidamente comprovadas tanto a autoria quanto a materialidade delitiva, ante o conjunto fático-probatório acostado aos autos. 2. Assim, a mudança da conclusão alcançada no acórdão impugnado exigiria o reexame das provas, o que é vedado nesta instância extraordinária, uma vez que o Tribunal a quo é soberano na análise do acervo fático-probatório dos autos (Súmula n. 7/STJ). 3. Em outros termos, tem-se que não é cabível recurso especial por meio do qual a parte recorrente pretende o reexame das provas produzidas durante a instrução processual, considerando o teor do enunciado da súmula n. 7 deste Superior Tribunal de Justiça, segundo o qual "a pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial". 4. Agravo regimental desprovido. VOTO O EXMO. SR. MINISTRO ANTONIO SALDANHA PALHEIRO (Relator): A despeito dos argumentos apresentados pelo agravante, o recurso não apresenta argumento capaz de desconstituir os fundamentos que embasaram a decisão ora impugnada, de forma que merece ser integralmente mantida. Tem-se que não é cabível recurso especial por meio do qual a parte recorrente pretende o reexame das provas produzidas durante a instrução processual, considerando o teor do enunciado da súmula n. 7 deste Superior Tribunal de Justiça, segundo o qual "a pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial". Nesse sentido, verifica-se da petição do recurso especial interposto pelo recorrente ser este exatamente o caso, em que o recorrente pretende, por intermédio do referido recurso, reanálise e revaloração do contexto fático-probatório dos autos, circunstâncias vedadas pelo texto da referida súmula. Colaciona-se precedente no mesmo sentido: PENAL E PROCESSO PENAL. TRÁFICO DE DROGAS. DOSIMETRIA. MAJORAÇÃO DA PENA-BASE DEVIDAMENTE FUNDAMENTADA, NA FORMA DO ART. 42 DA LEI DE DROGAS. NÃO INCIDÊNCIA DA MINORANTE DO TRÁFICO PRIVILEGIADO DECORRENTE DA DEDICAÇÃO A ATIVIDADES CRIMINOSAS. AGRAVO CONHECIDO PARA NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL. I. CASO EM EXAME 1. Agravo interposto contra decisão que não admitiu o recurso especial, no qual se alegou violação aos arts. 33, § 4º, e 42 da Lei n. 11.343/2006, pleiteando a concessão de benefício legal e alegando bis in idem na dosimetria da pena, além da necessidade de redução da pena-base ao mínimo legal. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO 2. A questão em discussão consiste em saber se houve bis in idem na dosimetria da pena ao utilizar a quantidade de droga apreendida para aumentar a pena-base e para afastar a minorante do tráfico privilegiado, assim como se a quantidade de droga apreendida autoriza o aumento da basilar. 3. A questão também envolve a análise da possibilidade de reexame de provas para verificar a dedicação dos recorrentes a atividades criminosas. III. RAZÕES DE DECIDIR 4. A utilização da quantidade de droga para aumentar a pena-base e afastar a minorante não configura bis in idem, pois foram considerados elementos fáticos distintos, além da existência de outros elementos que evidenciam a dedicação a atividades criminosas. 5. A reanálise do acervo fático-probatório é inviável em sede de recurso especial, conforme a Súmula n. 7 do STJ. 6. A majoração da pena-base é justificada com base na grande quantidade de droga apreendida (1 kg de maconha), sendo proporcional a fração de 1/6, na forma do art. 42 da Lei n. 11.343/2006. IV. AGRAVO CONHECIDO PARA NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL. (AREsp n. 2.484.073/SP, relatora Ministra Daniela Teixeira, Quinta Turma, julgado em 26/11/2024, DJe de 12/12/2024.) Diante de todo o exposto, nego provimento ao agravo regimental. É o voto. Ministro ANTONIO SALDANHA PALHEIRO Relator