AREsp 1547574 - ACORDAO
O agravo interno foi desprovido porque as alegações novas configuram inovação recursal alcançada pela preclusão consumativa e porque, no mérito, o entendimento consolidado do STJ é no sentido de que o art. 106 do CTN e a retroatividade da lei mais benéfica não são aplicáveis às multas de natureza administrativa.
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- Parties
- Agravante: COOPERATIVA DE CRÉDITO, POUPANÇA E INVESTIMENTO DO NOROESTE DO ESTADO DE SÃO PAULO SICREDI NOROESTE -SP; Agravado: Município de São José do Rio Preto
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 09 December 2021
- Procedural Posture
- Agravo Interno Em Agravo Em Recurso Especial / Acórdão (primeira Turma)
- Outcome
- Negar provimento ao agravo interno.
- Legal Topics
- Inovação Recursal, Preclusão Consumativa, Multa Administrativa, Retroatividade Da Lei Mais Benéfica, Art. 106 Do CTN
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Parties
COOPERATIVA DE CRÉDITO, POUPANÇA E INVESTIMENTO DO NOROESTE DO ESTADO DE SÃO PAULO SICREDI NOROESTE -SP
Agravante
Município de São José do Rio Preto
Agravado
Procedural Posture
Agravo Interno Em Agravo Em Recurso Especial / Acórdão (primeira Turma)
Legal Issues
- 1 Preclusão consumativa e inovação recursal
- 2 Aplicabilidade do art. 106 do CTN a multas administrativas
- 3 Retroatividade da lei mais benéfica em matéria administrativa
Ratio Decidendi
O agravo interno foi desprovido porque as alegações novas configuram inovação recursal alcançada pela preclusão consumativa e porque, no mérito, o entendimento consolidado do STJ é no sentido de que o art. 106 do CTN e a retroatividade da lei mais benéfica não são aplicáveis às multas de natureza administrativa.
Court Disposition
Negar provimento ao agravo interno.
Orders
- Negar provimento ao agravo interno.
Full Case Text
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2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Benedito Gonçalves, Sérgio Kukina, Regina Helena Costa e Manoel Erhardt (Desembargador convocado do TRF-5ª Região) votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Benedito Gonçalves.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno interposto pela COOPERATIVA DE CRÉDITO, POUPANÇA E INVESTIMENTO DO NOROESTE DO ESTADO DE SÃO PAULO SICREDI NOROESTE -SPcontra decisão de minha lavra, em queconheci do agravo para dar provimento aorecurso especial e restabelecer a sentença de e-STJfls. 239/241. Sustenta a parte agravante, inicialmente, que o agravo não impugnou todos os fundamentos da decisão que inadmitiu o apelo especial, especialmente no que tange à necessidade de interpretação de lei local para dirimir a controvérsia. Quanto ao mérito, sustenta que a jurisprudência do STJ não é pacífica no sentido da irretroatividade da lei mais benéfica, nos casos de multa administrativa. Requer, ao final, seja inadmitido o agravo em recurso especial ou, alternativamente, negar provimento ao recurso especial. Decorrido o prazo legal, oagravadonão apresentou impugnação. É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. INOVAÇÃO RECURSAL. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. MULTA. LEI MAIS BENÉFICA. RETROATIVIDADE. IMPOSSIBILIDADE. 1. As alegações que não foram deduzidas no momento oportuno, mas, apenas, no presente agravo interno, configuram inovação recursal insuscetível de análise em face da preclusão consumativa. 2. O Superior Tribunal de Justiça possui entendimento consolidado no sentido de que não é aplicável às infrações de natureza administrativa (hipótese dos autos) a previsão da retroatividade da lei mais benéfica prevista no Código Tribunal Nacional (art. 106 do CTN). 3. Agravo interno desprovido. VOTO Inicialmente, cumpre frisar que as alegações de que o Município agravado não teria impugnado os fundamentos da decisão que inadmitiu o apelo nobre, tal como veiculada no presente recurso, não foi deduzida na contraminuta ao agravo em recurso especial (e-STJ fls. 408/411), tampouco na impugnação ao agravo interno de e-STJ fls. 421/426, mas, apenas, no presente recurso, configurando inovação recursal insuscetível de análise em face da preclusão consumativa. Nessa linha de raciocínio, destaco precedentes: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL. PRECLUSÃO.INOVAÇÃO RECURSAL. LEGISLAÇÃO PROCESSUAL. VIABILIDADE DE ANÁLISE.EXECUÇÃO FISCAL. INTIMAÇÃO DO CREDOR POR AVISO DE RECEBIMENTO.COMARCA DIVERSA. PROCURADOR DO INSS. POSSIBILIDADE. ENTENDIMENTO REITERADO EM RECURSO REPETITIVO. 1. A tese de inviabilidade de análise da questão recursal pelo STJ em decorrência do fundamento exclusivamente constitucional não enseja conhecimento nesta sede, porquanto preclusa, visto que não foram sequer apresentadas contrarrazões ao apelo nobre, menos ainda contraminuta das razões do agravo de instrumento, constituindo clara inovação recursal. 2. Da leitura do acórdão recorrido, não se pode inferir que a análise da preliminar de tempestividade da apelação fora debatida tão somente à luz da Constituição Federal, pois se observa que o fundamento constitucional acrescenta-se às razões de decidir, amparadas na legislação processual. 3. O STJ firmou jurisprudência em sentido de que, nas execuções fiscais, a intimação por carta registrada do procurador da Fazenda Pública, com sede fora da comarca, tem força equivalente à intimação pessoal, tal como prevista no art. 25 da Lei n. 6.830/1980. REsp 1352882/MS, Rel. Min. Herman Benjamin, Primeira Seção, julgado em 12.6.2013, DJe 28.6.2013. Agravo regimental improvido. (AgRg no Ag 1.301.629/AL, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 22/10/2013, DJe 29/10/2013). PROCESSUAL CIVIL. JUSTIÇA GRATUITA. CONCESSÃO DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE. INOVAÇÃO RECURSAL. DESCABIMENTO. 1. Conforme estabelecido pelo Plenário do STJ, aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016) serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma nele prevista (Enunciado Administrativo 3). 2. A jurisprudência do STJ entende que o benefício da assistência judiciária gratuita depende de requerimento expresso da parte interessada, razão pela qual é vedado ao julgador o seu deferimento ex officio. 3. A inclusão de novo argumento - não suscitado nas contrarrazões do apelo nobre e na contraminuta ao agravo em recurso especial - configura inovação recursal, incabível em razão da preclusão consumativa. 4. Agravo interno desprovido. (AgInt no AREsp 1.628.011/RJ, Rel. Ministro GURGEL DE FARIA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 08/02/2021, DJe 17/02/2021). No mais, conforme anteriormente explicitado, o Tribunal de origem extinguiu a execução fiscal promovida pelo Município de São José do Rio Preto, com base em interpretação dada ao art. 106, II, "a", do CTN, ao fundamento de que, "embora a infração tenha ocorrido durante a vigência da Lei municipal n. 11.262/2012, que impunha a obrigação de vigilância e estipulava multa para o seu descumprimento, antes do seu julgamento definitivo, nova norma (Lei n. 11.795, de 28 de agosto de 2015) revogou a obrigação, bem como as sanções decorrentes do seu descumprimento". Sobre o tema, o Superior Tribunal de Justiça possui entendimento consolidado no sentido de que não é aplicável às infrações de natureza administrativa (hipótese dos autos) a previsão da retroatividade da lei mais benéfica prevista no Código Tribunal Nacional (art. 106 do CTN). Nesse sentido: ADMINISTRATIVO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. SANÇÃO ADMINISTRATIVA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE DA NORMA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO ANALÓGICA DO ART. 106 DO CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça firmou-se no sentido de que as disposições do art. 106 do Código Tributário Nacional não são aplicáveis às hipóteses de multa administrativa, as quais possuem natureza jurídica não tributária. 2. Agravo interno não provido. (AgInt no AgInt no AREsp 1.701.937/SP, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 03/05/2021, DJe 06/05/2021). ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. EXECUÇÃO FISCAL. COBRANÇA DE MULTA ADMINISTRATIVA (POR INFRAÇÃO À CONSOLIDAÇÃO DAS LEIS TRABALHISTAS - CLT). PRETENSÃO DE RESPONSABILIZAÇÃO DO SÓCIO-GERENTE, COM BASE NO ART. 135, III, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL - CTN. IMPOSSIBILIDADE. A tese defendida pelo agravante está no mesmo sentido do entendimento desta Corte; porquanto, em razão da natureza jurídica não tributária da multa administrativa, as disposições do Código Tributário Nacional não são aplicadas às execuções destinadas a cobrança de tais créditos. Agravo regimental provido. (AgRg no AREsp 262.795/RS, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 26/02/2013, DJe 04/03/2013). ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL - RECURSO ESPECIAL - CONSÓRCIOS - FUNCIONAMENTO SEM AUTORIZAÇÃO - MULTA ADMINISTRATIVA - PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA - IMPOSSIBILIDADE - AUSÊNCIA DE PERTINÊNCIA TEMÁTICA DOS DISPOSITIVOS - FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL - REEXAME DE PROVAS: SÚMULA 7/STJ. 1. Inaplicável a disciplina jurídica do Código Tributário Nacional, referente à retroatividade de lei mais benéfica (art. 106 do CTN), às multas de natureza administrativa. Precedentes do STJ. 2. Não se conhece do recurso especial, no tocante aos dispositivos que não possuem pertinência temática com o fundamento do acórdão recorrido, nem tem comando para infirmar o acórdão recorrido. 3. Inviável a reforma de acórdão, em recurso especial, quanto a fundamento nitidamente constitucional (caráter confiscatório da multa administrativa). 4. É inadmissível o recurso especial se a análise da pretensão da recorrente demanda o reexame de provas. 5. Recurso especial parcialmente conhecido e provido. (REsp 1.176.900/SP, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 20/04/2010, DJe 03/05/2010). Confiram-se, ainda, as decisões monocráticas: REsp 1961608/SP, RelatoraMinistra REGINA HELENA COSTA, Data da Publicação 24/09/2021; REsp 1.869.844/SP, Relator(a) Ministro FRANCISCO FALCÃO, Data da Publicação 15/03/2021; AREsp 1.732.176/RJ, Relator(a) Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, Data da Publicação 24/11/2020. Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao agravo interno. É como voto.