HC 906964 - ACORDAO
Não se conhece da matéria pelo habeas corpus em razão de supressão de instância, uma vez que o Tribunal de origem não fixou as premissas fáticas necessárias; além disso, a análise dos autos demonstra que as interceptações telefônicas foram autorizadas e prorrogadas com observância dos requisitos legais, não havendo...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: FÁBIO JOSÉ DA SILVA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 28 May 2024
- Procedural Posture
- Agravo Regimental No Habeas Corpus / Julgado Pela Turma Decisão Final (negado Provimento)
- Outcome
- negado provimento ao agravo regimental
- Legal Topics
- Interceptações Telefônicas, Associação Para O Tráfico De Drogas, Supressão De Instância, Nulidade De Provas
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Parties
FÁBIO JOSÉ DA SILVA
Agravante
Procedural Posture
Agravo Regimental No Habeas Corpus / Julgado Pela Turma Decisão Final (negado Provimento)
Legal Issues
- 1 Possibilidade de apreciação per saltum/supressão de instância por ausência de fixação das premissas fáticas pelo Tribunal de origem
- 2 Exigência de fundamentação para decretação e prorrogação de interceptação telefônica
- 3 Existência de constrangimento ilegal apto a ensejar habeas corpus
Ratio Decidendi
Não se conhece da matéria pelo habeas corpus em razão de supressão de instância, uma vez que o Tribunal de origem não fixou as premissas fáticas necessárias; além disso, a análise dos autos demonstra que as interceptações telefônicas foram autorizadas e prorrogadas com observância dos requisitos legais, não havendo constrangimento ilegal a ser sanado.
Court Disposition
negado provimento ao agravo regimental
Orders
- Negar provimento ao agravo regimental.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Turma, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental. Os Srs. Ministros Ribeiro Dantas, Joel Ilan Paciornik, Messod Azulay Neto e Daniela Teixeira votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Messod Azulay Neto. EMENTA PENAL E PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. ASSOCIAÇÃO PARA O TRÁFICO DE DROGAS. INTERCEPTAÇÕES TELEFÔNICAS. MATÉRIA NÃO EXAMINADA PELO TRIBUNAL DE ORIGEM. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. REQUISITOS LEGAIS ATENDIDOS. INEXISTÊNCIA DE CONSTRANGIMENTO ILEGAL. AGRAVO REGIMENTAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO. 1. O Tribunal de origem não estabeleceu as premissas fáticas do caso, tornando inviável o exame das pretensões veiculadas neste habeas corpus sob pena de indevida supressão de instância. 2. O Superior Tribunal de Justiça possui entendimento no sentido de que a quebra do sigilo telefônico não exige fundamentação exaustiva, desde que seja demonstrada a existência dos requisitos autorizadores para a medida, tal como ocorre neste caso. 3. Agravo regimental não provido.
RELATÓRIO FÁBIO JOSÉ DA SILVA interpõe agravo regimental, nos termos do art. 258 do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, contra decisão que não conheceu do habeas corpus substitutivo de recurso especial impetrado em face de acórdão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, proferido no julgamento da Apelação Criminal n. 0005180-07.2015.8.26.0637. Em suas razões, reitera os argumentos em favor do reconhecimento da nulidade das interceptações telefônicas autorizadas no curso das investigações que resultaram na condenação do agravante pelo crime de tráfico ilícito de entorpecentes. Argumenta que o pedido de interceptação e suas prorrogações foram justificadas por questões subjetivos e pelo clamor social, circunstâncias que não se prestam para fundamentar decisões judiciais dessa natureza. Diante disso, requer a reconsideração da decisão agravada ou, subsidiariamente, a apresentação deste feito à Quinta Turma. É o relatório. EMENTA PENAL E PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. ASSOCIAÇÃO PARA O TRÁFICO DE DROGAS. INTERCEPTAÇÕES TELEFÔNICAS. MATÉRIA NÃO EXAMINADA PELO TRIBUNAL DE ORIGEM. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. REQUISITOS LEGAIS ATENDIDOS. INEXISTÊNCIA DE CONSTRANGIMENTO ILEGAL. AGRAVO REGIMENTAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO. 1. O Tribunal de origem não estabeleceu as premissas fáticas do caso, tornando inviável o exame das pretensões veiculadas neste habeas corpus sob pena de indevida supressão de instância. 2. O Superior Tribunal de Justiça possui entendimento no sentido de que a quebra do sigilo telefônico não exige fundamentação exaustiva, desde que seja demonstrada a existência dos requisitos autorizadores para a medida, tal como ocorre neste caso. 3. Agravo regimental não provido. VOTO O agravo regimental é tempestivo e preenche os demais requisitos formais exigidos pelo art. 1.021 do Código de Processo Civil e art. 258 do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça. No entanto, não obstante os esforços do agravante, não constato elementos suficientes para reconsiderar a decisão, cujos fundamentos devem ser preservados. Conforme mencionado, o agravante foi condenado a 4 (quatro) anos e 1 (um) mês de reclusão, mais 952 (novecentos e cinquenta e dois) dias-multa, pelo crime do art. 35 da Lei n. 11.343/2006. Ao que se tem dos autos, a Delegacia de Polícia de Investigações Sobre Entorpecentes do município de Tupã, no estado de São Paulo, iniciou investigações destinadas a apurar atividades criminosas praticadas por um grupo liderado por Vlademir Precioso Vieira, vulgo Gordo, e Fábio José da Silva. O Tribunal de Justiça não examinou diretamente as alegações relativas à suposta falta de fundamentação juridicamente idônea para dar suporte às interceptações telefônicas. A Corte estadual ressaltou, por outro lado, que os policiais que participaram das investigações relataram que descobriram que Fábio e Vlademir estavam traficando entorpecentes em grande escala. O desenrolar da operação policial resultou na apreensão de 1kg de crack e 1kg de cocaína. As interceptações também revelaram o envolvimento de outras pessoas no grupo criminoso, e foram fundamentais para desvendar o funcionamento do grupo criminoso (e-STJ, fls. 29-32). Sem que as instâncias antecedentes tenham fixado as balizas fáticas do caso, inviável a apreciação das alegações veiculadas neste habeas corpus sob pena de indevida supressão de instância. De fato, é vedada a apreciação per saltum da pretensão defensiva, sob pena de supressão de instância, uma vez que compete ao Superior Tribunal de Justiça, na via processual do habeas corpus, apreciar ato de um dos Tribunais Regionais Federais ou dos Tribunais de Justiça estaduais (art. 105, inciso II, alínea a, da Constituição da República) (EDcl no HC 609.741/MG, Relatora Ministra LAURITA VAZ, Sexta Turma, julgado em 15/9/2020, DJe 29/9/2020). De mais a mais, não se constata, a partir do exame da documentação acostada nos autos, nenhuma ilegalidade a ser sanada pela via mandamental. O Superior Tribunal de Justiça possui entendimento no sentido de que a decisão de quebra de sigilo telefônico não exige fundamentação exaustiva. Assim, pode o magistrado decretar a medida mediante fundamentação concisa e sucinta, desde que demonstre a existência dos requisitos autorizadores da interceptação telefônica (AgRg no AREsp n. 1789984/PR, de minha relatoria, Quinta Turma, julgado em 18/5/2021, DJe 24/5/2021). Assim, não há que se falar em nulidade das provas obtidas a partir da quebra de sigilo telefônico, tendo em vista que a medida foi adotada com estrita observância do regramento legal acerca do tema. Nesse sentido, destaco os seguintes precedentes desta Corte Superior e do Supremo Tribunal Federal: PENAL E PROCESSO PENAL. HABEAS CORPUS. 1. IMPETRAÇÃO SUBSTITUTIVA DO RECURSO PRÓPRIO. NÃO CABIMENTO. 2. OPERAÇÃO CARGA PESADA. CRIME DE QUADRILHA. PRISÃO CAUTELAR. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. EXCESSO DE PRAZO. CONCESSÃO DE LIBERDADE PROVISÓRIA NA ORIGEM. PLEITO PREJUDICADO. 3. INÉPCIA DA DENÚNCIA. INSTRUÇÃO DEFICIENTE. SUPERVENIÊNCIA DE SENTENÇA CONDENATÓRIA. 4. NULIDADE PROCESSUAL. INVESTIGAÇÃO REALIZADA PELO MP. LEGALIDADE. RE 593.727/STF. 5. NULIDADE DAS INTERCEPTAÇÕES TELEFÔNICAS. PRORROGAÇÃO POR MAIS DE 1 (UM) ANO. POSSIBILIDADE. 6. HABEAS CORPUS NÃO CONHECIDO. .. 5. Quanto à nulidade das interceptações telefônicas, a Corte local consignou que os crimes investigados (quadrilha armada e organização criminosa) são de difícil deslinde, o que torna a interceptação telefônica e suas prorrogações imprescindíveis. Relevante destacar ainda que "a jurisprudência pacífica do Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que a prorrogação das interceptações telefônicas não está limitada a um único período de 15 dias, podendo ocorrer inúmeras e sucessivas renovações, caso haja uma fundamentação idônea" (AgRg no REsp 1525199/RS, Rel. Ministro Sebastião Reis Júnior, DJe 01/07/2016). Portanto, estando devidamente justificadas as interceptações telefônicas e suas sucessivas prorrogações, não há se falar em nulidade. 6. Habeas corpus não conhecido. (HC 287.013/SP, de minha relatoria, Quinta Turma, DJe 10/2/2017) RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS. PROCESSO PENAL. TRÁFICO DE DROGAS E ASSOCIAÇÃO PARA O TRÁFICO. RECURSO SUBSTITUTIVO DE REVISÃO CRIMINAL. INADMISSIBILIDADE. PRECEDENTES. INTERCEPTAÇÃO DE COMUNICAÇÃO TELEFÔNICA. CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. AUTORIZAÇÃO JUDICIAL FUNDAMENTADA. PRORROGAÇÕES. POSSIBLIDADE. PRECEDENTES. TRANSCRIÇÃO INTEGRAL DE TODAS AS CONVERSAS GRAVADAS. DESNECESSIDADE. PERÍCIA DE VOZ. INDEFERIMENTO. INEXISTÊNCIA DE DÚVIDA SOBRE O INTERLOCUTOR. RECURSO IMPROVIDO. IV - Os crimes de tráfico de drogas e associação para o tráfico podem possuir um modus operandi que revele maior complexidade a justificar sucessivas prorrogações no acompanhamento de diálogos telefônicos entre os integrantes da associação criminosa, possuindo vertentes logísticas, financeiras e hierárquicas. .. (RHC 128485, Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI, Segunda Turma, julgado em 25/10/2016, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-246 DIVULG 18-11-2016 PUBLIC 21/11/2016) Desse modo, as pretensões formuladas não encontram amparo na jurisprudência desta Corte Superior ou na legislação penal, de maneira que não se constata qualquer constrangimento ilegal apto a autorizar o provimento deste recurso ordinário. Assim, diante das razões apresentadas no decisum agravado, acima reiteradas, nego provimento a este agravo regimental. É como voto. Ministro REYNALDO SOARES DA FONSECA Relator