HC 894832 - DECISAO
Não conhecer do habeas corpus, pois a ação foi utilizada como substitutivo de revisão criminal e pretende discutir matéria que não foi suscitada na apelação criminal, de modo que sua análise pelo STJ implicaria indevida supressão de instância; ademais, não se demonstrou constrangimento ilegal passível de concessão...
Source-derived case information.
- Parties
- Paciente: Saulo Silas de Oliveira Sousa; Paciente: Caio Cesar Constantino
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 10 June 2024
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Não Conhecido (decisão De Não Conhecimento)
- Outcome
- Habeas corpus não conhecido
- Legal Topics
- Interceptações Telefônicas, Nulidade De Prova, Revisão Criminal, Supressão De Instância, Trânsito Em Julgado
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
Saulo Silas de Oliveira Sousa
Paciente
Caio Cesar Constantino
Paciente
Procedural Posture
Habeas Corpus / Não Conhecido (decisão De Não Conhecimento)
Legal Issues
- 1 Nulidade das interceptações telefônicas e integridade da prova
- 2 Uso do habeas corpus como sucedâneo de revisão criminal
- 3 Supressão de instância por análise de matéria não suscitada na apelação criminal
Ratio Decidendi
Não conhecer do habeas corpus, pois a ação foi utilizada como substitutivo de revisão criminal e pretende discutir matéria que não foi suscitada na apelação criminal, de modo que sua análise pelo STJ implicaria indevida supressão de instância; ademais, não se demonstrou constrangimento ilegal passível de concessão da ordem.
Court Disposition
Habeas corpus não conhecido
Orders
- Não conhecer do habeas corpus
- Publique-se
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus, com pedido liminar, impetrado em favor de Saulo Silas de Oliveira Sousa e Caio Cesar Constantino, apontando-se como autoridade coatora o Tribunal de Justiça de São Paulo (Apelação Criminal n. 1002195-90.2019.8.26.0125). Narram os autos que os pacientes foram condenados pela prática dos crimes previstos no art. 2º, caput, na forma do § 3º, da Lei n. 12.850/2013, e art. 33, caput, da Lei n. 11.343/2006. Neste mandamus, a impetrante alega, em síntese, a nulidade do processo, destacando que tanto a denúncia quanto a sentença condenatória foram fundamentadas em prova viciada (fl. 7), a saber, as interceptações telefônicas. Aduz que o conteúdo dos diálogos das interceptações foram armazenados em CDs, contudo, o conteúdo dos áudios telefônicos não foram disponibilizados da forma como captados, assim, a prova produzida durante a interceptação não pode servir apenas ao interesse do órgão acusador, sendo imprescindível a preservação de sua integralidade, sem a qual se demostra inviabilizado o exercício da ampla defesa, tendo em vista a impossibilidade da efetiva refutação da tese acusatória, dada a perda da unidade de prova (fl. 9). Menciona que as informações contidas no relatório de investigação (PIC) e denúncia, como trechos de transcrição, diferem dos áudios de gravação (fl. 10). Sustenta que não há nos autos outro meio de prova, devendo a sentença ser anulada de forma absoluta, o próprio decreto condenatório deixa claro e evidente que a sentença foi fundamentada nas informações trazidas pela interceptação (fl. 21). Requer, inclusive liminarmente, a concessão da ordem para anular os processos, (excelência diante do desmembramento gerou vários números) Processo que originou a cautelar da interceptação: n. 00002268-16.2018.8.26.0125, demais processos que foram desmembrados vinculados a mesma operação: n. 1002195-90.2019.8.26.0125; n. 1501403-15.2019.8.26.0599; n. 1508719-38.8.26.0451; n. 1000625-35.2020.8.26.0125; n. 1000631-42.2020.8.26.0125; n. 1000639-82.2021.8.26.0125, uma vez que tivera como supedâneo prova ilícita (fl. 25). Indeferida a liminar, prestadas as informações de praxe, o Ministério Público Federal opinou, pelas palavra do Procurador Regional da República Maurício da Rocha Ribeiro, em substituição, exercendo as funções de Subprocurador-Geral da República, pelo não conhecimento do habeas corpus (fls. 594/599). Em consulta à página do Tribunal de Justiça, na internet, observa-se que o acórdão da apelação criminal transitou em julgado para os pacientes em 25/5/2023. É o relatório. Este habeas corpus foi manejado como substitutivo de revisão criminal, em hipótese na qual não houve inauguração da competência desta Corte. Sobre o tema, há precedentes do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal, como por exemplo, AgRg no HC n. 561.185/SP, da minha relatoria, Sexta Turma, DJe 16/3/2020; AgRg no HC n. 459.677/RS, Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe 10/3/2020; HC n. 193.451, Relator p/ o acórdão Ministro Alexandre de Moraes, Primeira Turma, DJe 14/4/2021; e RHC n. 186.497 AgR, Ministra Rosa Weber, Primeira Turma, DJe 7/12/2020. Ora, o habeas corpus não deve ser utilizado de forma desvirtuada, como meio de contornar as especificidades de tramitação do complexo sistema recursal existente no processo penal brasileiro. Afora isso, não observo a existência de constrangimento ilegal apto à concessão da ordem de ofício, até porque, da atenta leitura do acórdão impugnado (fls. 27/91), observa-se que a Corte estadual não enfrentou as teses aqui alegadas, que nem sequer foram suscitadas pela defesa nas razões da apelação criminal. Com razão o nobre parecerista quando destacou, em seu parecer (fl. 798): Dessa forma, uma vez que o Tribunal de origem não se pronunciou sobre o tema, esta Corte Superior de Justiça fica impedida de se manifestar diretamente sobre a matéria, sob pena de incorrer em indevida supressão de instância. A propósito, nesse sentido: A tese de nulidade da sentença por ofensa ao disposto no art. 399, § 2º, do Código de Processo Penal - CPP não foi apresentada nas razões da apelação, motivo pelo qual o Tribunal a quo não se manifestou sobre o tema. Assim, a sua análise, diretamente por esta Corte, acarreta indevida supressão de instância (AgRg no HC n. 773.376/SP, Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe 30/8/2023 - grifo nosso). E, mais: AgRg no HC 675.140/SC, Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, DJe 12/5/2023; e AgRg no HC n. 800088/SC, Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, DJe 29/3/2023. Ante o exposto, à vista do parecer e dos precedentes, não conheço do habeas corpus. Publique-se. EMENTA HABEAS CORPUS. INSURGÊNCIA CONTRA ACÓRDÃO TRANSITADO EM JULGADO. USO DO WRIT COMO SUCEDÂNEO DE REVISÃO CRIMINAL. DESCABIMENTO. TRÁFICO DE DROGAS E ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA. NULIDADE DAS INTERCEPTAÇÕES TELEFÔNICAS. INDEVIDA SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. MATÉRIA QUE NEN SEQUER FOI ALEGADA EM RAZÕES DA APELAÇÃO CRIMINAL. PARECER ACOLHIDO. Habeas corpus não conhecido.