REsp 2116646 - ACORDAO
Os argumentos apresentados no agravo interno são insuficientes para demonstrar omissão, contradição ou erro material no acórdão embargado; a Corte de origem examinou as questões relevantes com fundamentação adequada; o laudo pericial não afastou a preclusão e não houve ato inequívoco do Município que interrompesse a...
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- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 24 November 2025
- Procedural Posture
- Agravo Interno Nos Embargos De Declaração No Recurso Especial / Julgamento Decisão Colegiada (primeira Turma)
- Outcome
- Agravo Interno improvido (negado provimento ao recurso)
- Legal Topics
- Intervenção Do Estado Na Propriedade, Embargos De Declaração, Agravo Interno, Prescrição, Desapropriação Indireta, Multa Processual (art. 1.021, §4º Cpc/2015)
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Procedural Posture
Agravo Interno Nos Embargos De Declaração No Recurso Especial / Julgamento Decisão Colegiada (primeira Turma)
Legal Issues
- 1 Alegada violação ao art. 1.022 do CPC/2015 (omissão em embargos de declaração)
- 2 Preclusão consumativa e inadmissibilidade de inovação recursal em agravo interno
- 3 Efeito do laudo pericial como fato novo capaz de afastar preclusão
Ratio Decidendi
Os argumentos apresentados no agravo interno são insuficientes para demonstrar omissão, contradição ou erro material no acórdão embargado; a Corte de origem examinou as questões relevantes com fundamentação adequada; o laudo pericial não afastou a preclusão e não houve ato inequívoco do Município que interrompesse a prescrição; e não se configurou hipótese de manifesta inadmissibilidade ou improcedência que autorizasse a multa do art. 1.021, §4º do CPC/2015, pelo que o agravo interno foi improvido.
Court Disposition
Agravo Interno improvido (negado provimento ao recurso)
Orders
- Negar provimento ao Agravo Interno
- Não impor a multa prevista no art. 1.021, § 4º do Código de Processo Civil de 2015
Full Case Text
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2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 11/11/2025 a 17/11/2025, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Sra. Ministra Relatora. Os Srs. Ministros Gurgel de Faria, Paulo Sérgio Domingues, Benedito Gonçalves e Sérgio Kukina votaram com a Sra. Ministra Relatora. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Sérgio Kukina. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. INTERVENÇÃO DO ESTADO NA PROPRIEDADE. AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AO ART. 1.022 DO CPC/2015. INOCORRÊNCIA. ARGUMENTOS INSUFICIENTES PARA DESCONSTITUIR A DECISÃO ATACADA. APLICAÇÃO DE MULTA. ART. 1.021, § 4º, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. DESCABIMENTO. I - A Corte de origem examinou todas as questões relevantes apresentadas com fundamentos suficientes, mediante apreciação da disciplina normativa e cotejo ao posicionamento jurisprudencial aplicável à hipótese. Inexistência de vício integrativo. II - Não apresentação de argumentos suficientes para desconstituir a decisão recorrida. III - Em regra, descabe a imposição da multa, prevista no art. 1.021, § 4º, do Código de Processo Civil de 2015, em razão do mero improvimento do Agravo Interno em votação unânime, sendo necessária a configuração da manifesta inadmissibilidade ou improcedência do recurso a autorizar sua aplicação, o que não ocorreu no caso. IV - Agravo Interno improvido.
RELATÓRIO A EXCELENTÍSSIMA SENHORA MINISTRA REGINA HELENA COSTA (Relatora): Trata-se de Agravo Interno interposto contra a decisão que conheceu parcialmente e negou provimento ao Recurso Especial, fundamentada na (i) ausência de vício integrativo no acórdão recorrido; (ii) apresentação de razões dissociadas daquilo que restou decidido pelo tribunal de origem, atraindo o entendimento das Súmula n. 283 e 284 do Supremo Tribunal Federal; (iii) aplicação do entendimento desta Corte segundo o qual o prazo prescricional aplicável à desapropriação indireta, na hipótese em que o Poder Público tenha realizado obras no local ou atribuído natureza de utilidade pública ou de interesse social ao imóvel, é de 10 anos, conforme parágrafo único do art. 1.238 do CC; (iv) necessidade de revolvimento do contexto fático para alterar a conclusão do tribunal que consignou a ausência de interrupção do prazo prescricional pela instauração do processo administrativo, fazendo incidir a Súmula n. 7 do Superior Tribunal de Justiça; (v) análise da divergência jurisprudencial prejudicada. Sustentam os Agravantes, em síntese, subsistirem omissões não supridas quanto ao fato de que o agravo retido interposto pelo Município seria intempestivo. Aduzem, ainda, omissão quanto ao fato novo indicado no laudo pericial ser de conhecimento das partes, portanto não poderia ser considerado "fato novo". Assinalam a ausência de manifestação quanto a aplicação do prazo adicional de dois anos previsto como regra de transição no art. 2.029 do Código Civil. Afirma que a corte a qua teria analisado somente a existência de processo administrativo de desapropriação, esquecendo-se do fato de que o agravado cobrou o IPTU sobre a integralidade do imóvel. Apontam o fato de que uma fração da indenização diz respeito a área carente de obra realizada pelo Município, tendo de ser observada a prescrição de 15 anos quanto a esta área inservível. Por fim, requerem o provimento do recurso, a fim de que seja reformada a decisão impugnada ou, alternativamente, sua submissão ao pronunciamento do colegiado. Impugnação às fls. 1.237/1.250e. É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. INTERVENÇÃO DO ESTADO NA PROPRIEDADE. AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AO ART. 1.022 DO CPC/2015. INOCORRÊNCIA. ARGUMENTOS INSUFICIENTES PARA DESCONSTITUIR A DECISÃO ATACADA. APLICAÇÃO DE MULTA. ART. 1.021, § 4º, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. DESCABIMENTO. I - A Corte de origem examinou todas as questões relevantes apresentadas com fundamentos suficientes, mediante apreciação da disciplina normativa e cotejo ao posicionamento jurisprudencial aplicável à hipótese. Inexistência de vício integrativo. II - Não apresentação de argumentos suficientes para desconstituir a decisão recorrida. III - Em regra, descabe a imposição da multa, prevista no art. 1.021, § 4º, do Código de Processo Civil de 2015, em razão do mero improvimento do Agravo Interno em votação unânime, sendo necessária a configuração da manifesta inadmissibilidade ou improcedência do recurso a autorizar sua aplicação, o que não ocorreu no caso. IV - Agravo Interno improvido. VOTO A EXCELENTÍSSIMA SENHORA MINISTRA REGINA HELENA COSTA (Relatora): Cumpre destacar que, em sede de Agravo Interno, a ausência de impugnação específica de capítulo autônomo impõe o reconhecimento da preclusão da matéria não impugnada, afastando-se a incidência da Súmula n. 182/STJ (EREsp 1.424.404/SP, rel. Ministro Luis Felipe Salomão, Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça, julgado em 20/10/2021, DJe 17/11/2021). Dessa forma, preclusa a incidência das Súmulas n. 283 e 284 do Supremo Tribunal Federal, o entendimento quanto ao prazo prescricional aplicável à desapropriação indireta, a incidência da Súmula n. 7 do Superior Tribunal de Justiça e a análise prejudicada da divergência jurisprudencial. No tocante ao fundamento remanescente, não assiste razão aos Agravantes. No Recurso Especial, os recorrentes apontaram apenas duas omissões: ausência de fato novo e causa interruptiva da prescrição. A alegada violação ao art. 1.022, II, do CPC, quanto à cobrança sobre a área integral do imóvel, foi suscitada apenas no agravo interno, configurando inovação recursal, insuscetível de conhecimento por força da preclusão consumativa, ainda que se trate de matéria de ordem pública. Nesse sentido: AGRAVO INTERNO. SERVIDOR PÚBLICO. INCORPORAÇÃO DE QUINTOS. RECONHECIMENTO ADMINISTRATIVO. PAGAMENTO DE PARCELAS ATRASADAS. IMPOSSIBILIDADE. ALEGAÇÃO DE FATO NOVO EM SEDE DE AGRAVO INTERNO. IMPOSSIBILIDADE. INOVAÇÃO RECURSAL. 1. "Esta Corte possui firme entendimento no sentido de ser incabível a inovação recursal, em sede de agravo interno, com base em alegação de fato novo. Precedentes (STJ, AgRg no AREsp 761.207/RJ, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, DJe de 29/04/2016; AgRg no Ag 1.424.188/DF, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe de 23/02/2012)" (AgInt no REsp n. 1.287.372/RJ, Rel. Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, julgado em 23/4/2019, DJe de 29/4/2019).2. A jurisprudência predominante neste Sodalício tem entendido que, "ainda que possa ser mantida a percepção de parcela de "quintos" - reconhecida e paga administrativamente -, até futuro reajuste que a absorva, o embargante não faz jus a qualquer nova incorporação, além da parcela que já havia sido concedida administrativamente, nem aos atrasados daí decorrentes" (STJ, EDcl no AgInt no AgRg no AREsp n. 2.085/RJ, Relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe de 17/2/2023). No mesmo sentido: STJ, AgInt no RE nos EDcl no AgRg no AREsp n. 17.132/RJ, Relator Ministro Jorge Mussi, Corte Especial, DJe de 27/5/2022; REsp n. 1.217.084/RJ, Relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 14/4/2021; AgInt nos EDcl no REsp n. 2.043.713/PB, Relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, julgado em 14/4/2021, DJe de 29/8/2023. 3. Agravo interno não provido. (AgInt nos EDcl no REsp n. 2098362/PR, relator Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, j. 22/9/2025, DJEN de 26/9/2025 - destaque meu) ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO INDENIZATÓRIA. NEGATIVA DE REALIZAÇÃO DE PROCEDIMENTO CIRÚRGICO. DANOS MORAIS INDENIZÁVEIS E VALOR ARBITRADO. ALEGAÇÃO DE QUE NÃO HOUVE A DEMONSTRAÇÃO DO DOLO OU CULPA DO ESTADO. TESE SUSCITADA SOMENTE POR OCASIÃO DA INTERPOSIÇÃO DO AGRAVO INTERNO. INOVAÇÃO RECURSAL. REVISÃO DO VALOR ARBITRADO. IMPOSSIBILIDADE. MATÉRIA FÁTICO-PROBATÓRIA. SÚMULA 7/STJ. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. A alegação tardia, feita somente por ocasião da interposição do agravo interno, configura evidente preclusão consumativa da tese, revelando a sua inaptidão para o afastamento do óbice incidente sobre o reclamo. 2. Na espécie, vislumbra-se que o insurgente, ao suscitar a falta de demonstração do elemento subjetivo por parte do ente estatal (tanto em relação ao reconhecimento do dano moral in re ipsa quanto no tocante ao valor da indenização arbitrada), inova em suas razões recursais, porquanto tais argumentos não foram trazidos ao debate em seu apelo especial, circunstância esta que impede o seu conhecimento. 3. No que concerne ao montante indenizatório fixado a título de danos morais, a jurisprudência deste Superior Tribunal é firme no sentido de que só é possível a alteração da quantia estabelecida pelas instâncias ordinárias quando os valores tiverem sido fixados em patamar irrisório ou excessivo. No caso, a quantia arbitrada em R$ 5.000,00 (cinco mil reais) não se afigura exorbitante, tendo sido observados os postulados da proporcionalidade e da razoabilidade de acordo com as particularidades do caso vertente. 4. Nessa esteira, mostra-se cristalino que razão não assiste ao agravante quanto à revisão do quantum indenizatório, pois demandaria também o reexame do conjunto fático-probatório dos autos, o que é defeso em recurso especial, haja vista o óbice constante da Súmula n. 7/STJ. 5. Agravo interno desprovido. (AgInt no AREsp n. 2849870/TO, relator Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, SEGUNDA TURMA, j. 24/9/2025, DJEN de 1/10/2025 - destaque meu) Quanto ao restante, de fato os Recorrentes sustentam a existência de omissão no acórdão recorrido, não sanada no julgamento dos embargos de declaração, porquanto ausente manifestação quanto à inexistência de fato novo apto a ensejar a superação da preclusão consumativa que recaia sobre a decisão saneadora que já havia fixado o prazo prescricional vintenal, e quanto a caracterização de causa interruptiva da prescrição, nos termos do art. 202, VI do CC, em razão da manutenção da cobrança de imposto sobre a propriedade dos Recorrentes. No entanto, a o prolatar o acórdão mediante o qual os embargos de declaração foram analisados, o tribunal de origem enfrentou a controvérsia no sentido de que o fato novo trazido pela perícia não afastaria a preclus ão da matéria e que não teria havido ato inequívoco do Município que importasse reconhecimento do pedido (fls. 658/663e): Conforme exposto no acórdão, considerando o fato novo trazido pelo Laudo de Perícia (data em que já existente a Estrada) e a fixação da tese pelo Superior Tribunal de Justiça, não há falar-se em preclusão da matéria, sobretudo porque a data de alteração do traçado da estrada somente restou estabelecida com o Laudo de Perícia bem depois da decisão de mov. 42.1 dos autos originários nº 0006353- 96.2013.8.16.0190. (..) Constou do acórdão embargado que: "da data do apossamento ou imissão na posse até a entrada em vigor do Código Civil de 2002, ainda não haviam decorrido mais de 10 (dez) anos (metade do prazo estabelecido no Código Civil de 1916 - 20 (vinte) anos), e, pois, aplica-se, no caso, o prazo estabelecido no novo Código Civil - 10 (dez) anos, conforme artigo 1.238, parágrafo único, a contar da entrada em vigor desse Diploma (em 11/01/2003), nos termos do artigo 2.028, do "Código Civil (mov. 55.1 dos autos recursais nº 0006353- 96.2013.8.16.0190). (..) Vale dizer, portanto, que inexistente omissão no que se refere as regras de transição do Código Civil de 2002, porque constou expressamente no acórdão que: "o prazo para ajuizamento da demanda. O da presente ação de expirou em 11/01/2013 ajuizamento desapropriação indireta, por sua vez, ocorreu somente em 23/10 /2013, quando nitidamente já escoado o prazo prescricional de 10" (mov. 55.1 dos autos recursais nº 0006353-(dez) anos 96.2013.8.16.0190). (..) Nessas condições, conforme precedentes do Superior Tribunal de Justiça, não se aplica, ao caso, o disposto no artigo 2.039, do Código Civil E, por isso, também inexistente omissão a respeito a indenização da área inservível, visto que, como já exposto, está prescrita a pretensão indenizatória - que, logicamente, compreende a área alegada ocupada para a abertura da estrada, bem como a área alegada inservível. Noutro aspecto, os Embargantes sustentam que o "Embargado jamais confessaria expressamente a irregularidade da construção da "Estrada Jato" e o direito dos Embargantes a uma justa indenização. Todavia, é possível perceber nitidamente que o ente público reconhece tais fatos de forma implícita no processo administrativo, quando analisado em conjunto com a prática de continuar cobrando o " (mov. 1.1 do imposto territorial sobre a integralidade do imóvel sub-recurso nº 0006353-96.2013.8.16.0190/2 - destaquei). Sem razão. Conforme exposto no acórdão, ora embargado, "o pedido administrativo de nº 57.997/2012 (mov. 1.6 e mov. 11.5 dos autos originários), ao contrário do alegado pelos Autores, ora Apelados, não interrompeu a prescrição, porque o processo administrativo, por si só, não suspende a prescrição e muito menos a interrompe, sendo necessário existir ato inequívoco que importasse (artigo 202, inciso VI, do reconhecimento do direito pelo devedor (mov. 55.1 dos autos recursais nº 0006353-Código Civil)" 96.2013.8.16.0190 - destaquei. (..) E, no caso, não consta da manifestação do MUNICÍPIO ato inequívoco que importasse reconhecimento do pedido. Vejamos a resposta do MUNICÍPIO, datada de 26/11/2012: "Informamos a Vossa Senhoria, em resposta ao expediente em epígrafe, que segundo informações colhidas junto à Secretaria Municipal de Planejamento - Gerência de Uso do Solo, não há informações da , e que quanto a existência de servidão sobre a Estrada Jato manutenção da mesma, esta tem sido realizada, pela Secretaria Municipal (mov. de Serviços Públicos" (mov. 1.6 e mov. 11.5 dos autos originários)" 55.1 dos autos recursais nº 0006353-96.2013.8.16.0190 - destacado). Desse modo, sem razão os Embargantes ao sustentarem que o MUNICÍPIO reconheceu implicitamente o direito, até porque o entendimento sedimentado é que se faz necessário existir ato inequívoco que importasse reconhecimento do direito pelo (artigo 202, inciso VI, do Código Civil) (destaque meu). No caso, não verifico omissão acerca de questão essencial ao deslinde da controvérsia e oportunamente suscitada, tampouco de outro vício a impor a revisão do julgado. Nos termos do art. 1.022 do Código de Processo Civil de 2015, cabe a oposição de embargos de declaração para: i) esclarecer obscuridade ou eliminar contradição; ii) suprir omissão de ponto ou questão sobre o qual devia se pronunciar o juiz de ofício ou a requerimento; e, iii) corrigir erro material. A omissão, definida expressamente pela lei, ocorre na hipótese de a decisão deixar de se manifestar sobre tese firmada em julgamento de casos repetitivos ou em incidente de assunção de competência aplicável ao caso sob julgamento. O Código de Processo Civil considera, ainda, omissa, a decisão que incorra em qualquer uma das condutas descritas em seu art. 489, § 1º, no sentido de não se considerar fundamentada a decisão que: i) se limita à reprodução ou à paráfrase de ato normativo, sem explicar sua relação com a causa ou a questão decidida; ii) emprega conceitos jurídicos indeterminados; iii) invoca motivos que se prestariam a justificar qualquer outra decisão; iv) não enfrenta todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador; v) invoca precedente ou enunciado de súmula, sem identificar seus fundamentos determinantes, nem demonstrar que o caso sob julgamento se ajusta àqueles fundamentos; e, vi) deixa de seguir enunciado de súmula, jurisprudência ou precedente invocado pela parte, sem demonstrar a existência de distinção no caso em julgamento ou a superação do entendimento. Sobreleva notar que o inciso IV do art. 489 do Código de Processo Civil de 2015 impõe a necessidade de enfrentamento, pelo julgador, dos argumentos que possuam aptidão, em tese, para infirmar a fundamentação do julgado embargado. Esposando tal entendimento, precedente desta Corte: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. ACÓRDÃO EMBARGADO QUE NÃO EXAMINOU O MÉRITO DA CONTROVÉRSIA EM VIRTUDE DA INCIDÊNCIA À ESPÉCIE DA SÚMULA N. 7 DESTA CORTE. DECISÃO DE INADMISSIBILIDADE DOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA CONFIRMADA NO JULGAMENTO DO AGRAVO INTERNO. SÚMULA N. 315/STJ. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ALEGAÇÕES DE VÍCIOS NO ACÓRDÃO EMBARGADO. VÍCIOS INEXISTENTES. I - Os embargos não merecem acolhimento. Se o recurso é inapto ao conhecimento, a falta de exame da matéria de fundo impossibilita a própria existência de omissão quanto a esta matéria. Nesse sentido: EDcl nos EDcl no AgInt no RE nos EDcl no AgInt no REsp 1.337.262/RJ, relator Ministro Humberto Martins, Corte Especial, julgado em 21/3/2018, DJe 5/4/2018; EDcl no AgRg no AREsp 174.304/PR, relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, julgado em 10/4/2018, DJe 23/4/2018; EDcl no AgInt no REsp 1.487.963/RS, relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, julgado em 24/10/2017, DJe 7/11/2017. II - Segundo o art. 1.022 do Código de Processo Civil de 2015, os embargos de declaração são cabíveis para esclarecer obscuridade; eliminar contradição; suprir omissão de ponto ou questão sobre as quais o juiz devia pronunciar-se de ofício ou a requerimento; e/ou corrigir erro material. III - Conforme entendimento pacífico desta Corte: "O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 veio confirmar a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida." (EDcl no MS 21.315/DF, relatora Ministra Diva Malerbi (desembargadora Convocada TRF 3ª Região), Primeira Seção, julgado em 8/6/2016, DJe 15/6/2016). IV - O acórdão é claro e sem obscuridades quanto aos vícios indicados pela parte embargante, conforme se confere dos seguintes trechos: Mediante análise dos autos, verifica-se que o acórdão embargado concluiu pela impossibilidade de se analisar o mérito do recurso especial em razão da incidência, no ponto, da Súmula n. 7/STJ. Tal situação impede, por si só, o conhecimento desta via de impugnação, pois não se admite a interposição de embargos de divergência na hipótese de não ter sido analisado o mérito do recurso especial, a teor da Súmula n. 315 desta Corte Superior: "Não cabem embargos de divergência no âmbito do agravo de instrumento que não admite recurso especial." V - Nesse mesmo sentido trago à colação julgado desta Corte Especial: AgInt nos EREsp n. 1.960.526/SP, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Corte Especial, julgado em 7/3/2023, DJe de 13/3/2023. VI - A contradição que vicia o julgado de nulidade é a interna, em que se constata uma inadequação lógica entre a fundamentação posta e a conclusão adotada, o que, a toda evidência, não retrata a hipótese dos autos. Nesse sentido: E Dcl no AgInt no RMS 51.806/ES, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 16/5/2017, DJe 22/5/2017; EDcl no REsp 1.532.943/MT, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, julgado em 18/5/2017, DJe 2/6/2017. VII - Embargos de declaração rejeitados. (EDcl no AgInt nos EAREsp n. 1.991.078/SP, relator Ministro Francisco Falcão, Corte Especial, j.em 9.5.2023, DJe de 12.5. 2023). E depreende-se da leitura do acórdão integrativo que a controvérsia foi examinada de forma satisfatória, mediante apreciação da disciplina normativa e cotejo ao firme posicionamento jurisprudencial aplicável ao caso. O procedimento encontra amparo em reiteradas decisões no âmbito desta Corte Superior, de cujo teor merece destaque a rejeição dos embargos declaratórios uma vez ausentes os vícios do art. 1.022 do Código de Processo Civil de 2015 (v.g. Corte Especial, EDcl no AgInt nos EAREsp n. 1.990.124/MG, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, DJe de 14.8.2023; 1ª Turma, EDcl no AgInt nos EDcl nos EDcl nos EDcl no REsp n. 1.745.723/RJ, Rel. Min. Sérgio Kukina, DJe de 7.6.2023; e 2ª Turma, EDcl no AgInt no AREsp n. 2.124.543/RJ, Rel. Min. Assusete Magalhães, DJe de 23.5.2023). Assim, em que pesem as alegações trazidas, os argumentos apresentados são insuficientes para desconstituir a decisão impugnada. No que se refere à aplicação do art. 1.021, § 4º, do Código de Processo Civil de 2015, a orientação desta Corte é no sentido de que o mero inconformismo com a decisão agravada não enseja a imposição da multa, não se tratando de simples decorrência lógica do não provimento do recurso em votação unânime, sendo necessária a configuração da manifesta inadmissibilidade ou improcedência do recurso. Nessa linha: Corte Especial, AgInt nos EAREsp n. 1.043.437/SP, Rel. Ministro Jorge Mussi, j. 13.10.2021; e 1ª S., AgInt nos EREsp n. 1.311.383/RS, Rel. Ministra Assusete Magalhães, j. 14.09.2016. No caso, não obstante o improvimento do Agravo Interno, não configurada a manifesta inadmissibilidade, razão pela qual deixo de impor a apontada multa. Posto isso, NEGO PROVIMENTO ao recurso.