REsp 2149804 - DECISAO
O recurso especial não foi conhecido porque a apelação da Fazenda Nacional já havia sido não conhecida pelo Tribunal de origem em razão da preclusão lógica decorrente do reconhecimento do pedido na contestação; além disso, as alegações recursais foram genéricas e não demonstraram de forma específica a omissão ou...
Source-derived case information.
- Parties
- Recorrente: FAZENDA NACIONAL
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 28 August 2025
- Procedural Posture
- Recurso Especial (tributário) / Decisão De Admissibilidade Recurso Não Conhecido
- Outcome
- Recurso especial não conhecido
- Legal Topics
- Isenção De IRPF Por Moléstia Grave, Previdência Privada VGBL, Preclusão Lógica, Fundamentação Recursal, Prequestionamento, Súmula 284/stf, Súmula 211/stj
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Parties
FAZENDA NACIONAL
Recorrente
Procedural Posture
Recurso Especial (tributário) / Decisão De Admissibilidade Recurso Não Conhecido
Legal Issues
- 1 Incidência de isenção de IRPF sobre resgate de plano VGBL
- 2 Efeito do reconhecimento do pedido pela Fazenda Nacional (preclusão lógica) sobre conhecimento de apelação
- 3 Exigência de fundamentação específica para afastar omissão ou contradição (art. 1.022 CPC)
Ratio Decidendi
O recurso especial não foi conhecido porque a apelação da Fazenda Nacional já havia sido não conhecida pelo Tribunal de origem em razão da preclusão lógica decorrente do reconhecimento do pedido na contestação; além disso, as alegações recursais foram genéricas e não demonstraram de forma específica a omissão ou contradição apontada, atraindo a Súmula 284/STF, e as questões relativas a determinados dispositivos legais não foram prequestionadas, atraindo a Súmula 211/STJ.
Court Disposition
Recurso especial não conhecido
Orders
- Não conheço do recurso especial
- Deixo de majorar os honorários de sucumbência recursal
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1 paragraphs
DECISÃO Em análise, recurso especial interposto pela FAZENDA NACIONAL contra acórdão do TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 5ª REGIÃO (fls. 242-245), assim ementado: Processual Civil. Tributário. Procedimento comum. Apelação da Fazenda Nacional. Imposto de Renda Pessoa Física IRPF . Isenção tributária. Portador de moléstia grave. Extensão ao resgate de contribuição para complementação de previdência privada. Plano na modalidade Vida Gerador de Benefício Livre VGBL . Desconstituição de lançamento suplementar do tributo. Repetição do indébito. Reconhecimento do pedido. Posterior apelação. Preclusão lógica. Boa-fé processual. Efeito recursal. Óbice negativo. Ofensa ao princípio da dialeticidade recursal. Não conhecimento da apelação. 1. Cuida-se de apelação interposta pela Fazenda Nacional em adversidade à sentença que julgou o pleito autoral parcialmente procedente para desconstituir o lançamento do crédito tributário relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF apurado mediante lançamento suplementar, da ordem de R$ 27.489,13 (vinte e sete mil e quatrocentos e oitenta e nove reais e treze centavos), descrito na Notificação de Lançamento nº 2018/733606557861956 (id. 4058100.16626277, fls. 13/16-PDF), tendo em vista isenção concedida ao apelado, por ser portador de moléstia grave, bem assim condenar a parte apelante à restituição do valor de R$ 36.056,65 (trinta e seis mil, cinquenta e seis reais e sessenta e cinco centavos), retido na fonte a título de IRPF incidente sobre o montante resgatado do plano de previdência privada na modalidade Vida Gerador de Benefício Livre VGBL . A sentença, entretanto, julgou improcedentes os pedidos de condenação em restituição em dobro do valor retido pela fazenda pública, bem como de indenização por suposto dano moral. 2. Em suas razões de apelo, a Fazenda Nacional objeta, apenas, a extensão da isenção do apelado, por ser portador de doença grave, sobre o resgate de valores aportados a plano de previdência privada na modalidade VGBL, porque estes "não são reputados plano de previdência", mas possuem natureza de seguros, não havendo se falar, pois, no caso concreto, em resgate de plano de previdência. 3. A hipótese é de não conhecimento da apelação. A tanto, é imperativo consignar, inicialmente, que a tese defendida pela Fazenda Nacional, em seu recurso, não foi apresentada em sua contestação (id. 4058100.18280754), nada tendo sido sustentado pela ora apelante acerca da natureza do valor resgatado pela parte autora/apelada a título de plano de previdência privada na modalidade VGBL, se guardaria natureza de previdência privada (a ensejar a aplicação da isenção tributária) ou de seguro, como defende, e que, nesse último caso, seria insuscetível de atrair a isenção tributária outrora reconhecida. 4. Com efeito, a Fazenda Nacional, em sua resposta (id. 4058100.18280754), de forma clara e objetiva, cindiu-a, para, na primeira parte, reconhecer a procedência dos pedidos alusivos à restituição do valor retido na fonte a título de Imposto de Renda Pessoa Física IRPF sobre o valor resgatado do plano de previdência na modalidade VGBL, em 17 de abril de 2018, bem como em relação à pretensão de desconstituição do lançamento suplementar do IRPF sobre os rendimentos do plano de previdência VGBL auferidos no ano-calendário de 2017 (exercício 2018). 5. A propósito, a Fazenda Nacional anotou que aquela parcela do mérito, relativamente à repetição do indébito e à impugnação aos lançamentos do IRPF sobre os valores de resgate/rendimentos do pleno de previdência VGBL, foi enquadrado entre aqueles em relação aos quais a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional declarou como dispensados de contestação e recurso por meio de Ato Declaratório em razão da existência de posição jurisprudencial pacificada em contrário no Superior Tribunal de Justiça. Em sequência, formulou preliminar genérica invocando a prescrição quinquenal quanto à pretensão de restituição do indébito tributário e pleiteou a sua não condenação em honorários advocatícios, com base no art. 19, § 1º, inc. I, da Lei 10.522/2002. 6. Na segunda parte da sua peça de defesa, a Fazenda Nacional, efetivamente, ofertou contestação, objetando os pedidos referíveis à devolução em dobro do indébito e à sua condenação em indenização por danos morais, no que se sagrou vencedora perante o juízo de primeira instância, cuja sentença rejeitou tais pretensões autorais. 7. Não sendo a hipótese de revelia, nem de remessa necessária ou de matéria cognoscível de ofício pelo juízo, houve, sim, preclusão lógica decorrente do reconhecimento do pedido pela parte ré, antecipando a resolução de mérito e obstando qualquer atividade especulativa do juiz em torno dos fatos alegados e provados pelas partes. Tanto é assim que, por não subsistir qualquer controvérsia a solver, o Código de Processo Civil, em seu art. 487, inc. III, alínea "a", proclama que haverá do reconhecimento do pedido. homologação 8. O reconhecimento do pedido, além de conectado à boa-fé processual (art. 5º, do Código de Processo Civil), vedando comportamentos contraditórios, implica, na seara recursal, em um ato negativo de admissibilidade do recurso, a impedir o conhecimento da apelação manejada. 9. Sob outro prisma, tem-se que a apelação da Fazenda Nacional deixou de atender ao princípio da dialeticidade, ao não impugnar os fundamentos do reconhecimento do pedido constante da sentença, ainda que para arguir e demonstrar a eventual existência de erro in procedendo ou in judicando, autorizativa da declaração de nulidade da decisão ou novo julgamento da causa, nos termos do art. 1.010, inc. III, do Código de Processo Civil. 10. Não conhecimento da apelação da Fazenda Nacional. A parte recorrente opôs embargos de declaração contra a decisão recorrida, tendo sido estes rejeitados (fls. 275-276). Em seguida, interpôs o presente recurso especial, admitido na origem com fundamento no art.105, III, a, da Constituição Federal, no qual sustenta que o acórdão recorrido teria violado os arts. 489, II, § 1º, IV, e 1022, II do CPC; arts. 5º, 487, III, e 1.010, III, do CPC; art. 43 do CTN, art. 6º, XIV, da Lei n. 7.713/1988, e art. 63 da Medida Provisória n. 2.158-35/2001. É o relatório. Passo a decidir. Inicialmente, cumpre destacar que o Superior Tribunal de Justiça não está subordinado ao juízo prévio de admissibilidade proferido pelo Tribunal de origem, haja vista a verificação dos pressupostos do recurso estar sujeita a duplo controle. Dos arts. 489, II, § 1º, IV, e 1022, II do CPC O presente recurso especial alega que teria ocorrido violação aos artigos 489, §1º, 1022, II, do CPC, porquanto "A eg. Turma estava obrigada a analisar a questão central relativa à incidência de imposto de renda sobre o montante resgatado do plano de previdência privada VGBL, sendo que não o fez, ensejando ofensa ao art. 1022 do CPC" (fl. 287). Nesse ponto, o recurso especial não merece ser conhecido, uma vez que as alegações da recorrente são extremamente vagas, carecendo de especificidade mínima quanto à suposta omissão, contradição ou obscuridade, ou em relação a erro material. O provimento do recurso especial por contrariedade ao art. 1.022 do CPC pressupõe que sejam demonstrados, fundamentadamente, entre outros, os seguintes motivos: (a) a questão supostamente omitida foi tratada na apelação, no agravo ou nas contrarrazões a estes recursos, ou, ainda, que se cuida de matéria de ordem pública a ser examinada de ofício, a qualquer tempo, pelas instâncias ordinárias; (b) houve interposição de aclaratórios para indicar à Corte local a necessidade de sanar a omissão; (c) a tese omitida é fundamental à conclusão do julgado e, se examinada, poderia levar à sua anulação ou reforma; e (d) não há outro fundamento autônomo, suficiente para manter o acórdão. Esses requisitos são cumulativos e devem ser abordados de maneira fundamentada na petição recursal, sob pena de não se conhecer da alegação por deficiência de fundamentação, dada a generalidade dos argumentos apresentados. Não se pode conhecer a apontada violação ao art. 1.022 do CPC/2015 (antigo 535 do CPC/1973), porquanto o recurso não demonstra, com transparência e precisão, qual seria o ponto omisso, contraditório ou obscuro do acórdão recorrido, bem como a sua importância para o deslinde da controvérsia, o que atrai o óbice da Súmula 284 do Supremo Tribunal Federal, aplicável, por analogia, no âmbito desta Corte, segundo a qual "é inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". No tocante ao art. 1.022 do CPC/2015 (antigo 535 do CPC/1973) verifica-se que a parte recorrente se limitou a afirmar, em linhas gerais, que o acórdão recorrido incorreu em omissão ao deixar de se pronunciar acerca das questões apresentadas nos embargos de declaração, fazendo-o de forma genérica, sem desenvolver argumentos para demonstrar especificamente a suposta mácula. A apresentação genérica de ofensa ao art. 1.022 do CPC/2015 (antigo 535 do CPC/1973) atrai o comando do Enunciado Sumular n. 284/STF, inviabilizando o conhecimento dessa parcela recursal (AgInt no AREsp 1466877/SP, Rel. Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, julgado em 6/5/2020, DJe 12/5/2020 e AgInt no AREsp 1546431/AL, Rel. Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 22/4/2020, DJe 24/4/2020). Sobre o assunto, confiram-se: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. SEGURO OBRIGATÓRIO. SISTEMA FINANCEIRO DE HABITAÇÃO. ALEGAÇÃO GENÉRICA DE OFENSA AO ART. 1.022 DO CPC/15. SÚMULA N. 284 DO STF. VICÍO DE CONSTRUÇÃO. EXCLUSÃO SECURITÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTES. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. Não obstante o recurso especial alegue violação ao art. 1.022 do Código de Processo Civil, não especifica quais os pontos do acórdão recorrido em relação aos quais haveria omissão, contradição, obscuridade, tampouco a relevância da análise dessas questões para o caso concreto. Portanto, o conhecimento desse capítulo recursal é obstado pela falta de delimitação da controvérsia, atraindo a aplicação da Súmula n. 284 do STF. 2. Nos termos da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, "No contrato de seguro habitacional obrigatório vinculado ao SFH, a responsabilidade da seguradora apenas é excluída quando os vícios reclamados sejam decorrentes de atos do próprio segurado ou do uso e desgaste natural" (AgInt no REsp n. 1.445.272/PE, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 20/3/2024.) 3. Agravo desprovido. (AgInt no AREsp n. 2.058.182/PR, relator Ministro Teodoro Silva Santos, Segunda Turma, julgado em 13/5/2024, DJe de 21/5/2024.) .. TRIBUTÁRIO PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL. TESE FAZENDÁRIA. OFENSA AO ARTIGO 1.022, INCISO II, DO CPC/2015. NÃO CARACTERIZAÇÃO. INDICÊNCIA DA SÚMULA 284/STF. .. RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO. 1. Com efeito, não se perscruta da suposta afronta ao artigo 1.022, inciso II, do CPC/2015, pois o recorrente se limitou a afirmar de forma genérica a ofensa ao referido normativo sem demonstrar qual questão de direito não foi abordada no acórdão proferido em sede de embargos de declaração e a sua efetiva relevância para fins de novo julgamento pela Corte de origem . A propósito, incide a hipótese do enunciado da Súmula 284/STF, porquanto o recorrente apresentou argumentos genéricos, vagos a respeito da suposta ofensa aos artigos de lei federal, e que se encontram dissociados dos fundamentos aplicados pelo acórdão recorrido, situação que não permite a exata compreensão da controvérsia e impede o conhecimento do recurso especial. .. 3. Recurso Especial não conhecido. (REsp n. 2.089.769/PB, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19/9/2023, DJe de 21/9/2023, grifo nosso). O recurso alegou genericamente violação do art. 1.022 do CPC/2015, sem demonstrar de forma clara e inequívoca a origem do vício, o que caracteriza deficiência na fundamentação recursal, a teor da Súmula n. 284/STF. A parte recorrente não evidencia qualquer vício na decisão recorrida, deixando de demonstrar no que consistiu a alegada ofensa ao citado dispositivo. O conhecimento recursal, nesse ponto, exige que a parte recorrente particularize os vícios, sob pena de não conhecimento da irresignação, por incorrer em deficiência de fundamentação, atraindo a incidência do óbice da Súmula n. 284/STF, sendo insuficiente a mera indicação de vícios de omissão, contradição, obscuridade ou erro material no acórdão recorrido, conforme jurisprudência desta Corte: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. CONSELHO DE FISCALIZAÇÃO. COBRANÇA DE ANUIDADE. ALEGAÇÃO DE OFENSA AO ART. 1.022 DO CPC. SÚMULA 284/STF. .. 1. A apontada violação ao art. 1022 do CPC não foi suficientemente comprovada, vez que as alegações que fundamentam a pretensa ofensa são genéricas, sem discriminação dos pontos em que efetivamente houve omissão, contradição ou obscuridade ou sobre os quais tenha ocorrido erro material. Incidência da Súmula 284/STF .. (AgInt no REsp n. 2.038.972/RS, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 13/2/2023, DJe de 16/2/2023, grifo próprio). AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL - AÇÃO POSSESSÓRIA - DECISÃO MONOCRÁTICA QUE NEGOU PROVIMENTO AO RECLAMO - INSURGÊNCIA RECURSAL DOS RÉUS . 1. É deficiente a fundamentação do recurso especial em que a alegação de ofensa aos arts. 489 e 1022 do CPC/2015 se faz de forma genérica, sem a demonstração exata dos pontos pelos quais o acórdão se fez omisso, contraditório ou obscuro. Aplica-se, na hipótese, o óbice da Súmula 284 do STF. 1.1. O acórdão embargado enfrentou coerentemente as questões postas a julgamento, no que foi pertinente e necessário, exibindo fundamentação clara e nítida, razão pela qual não há falar em negativa de prestação jurisdicional. .. (AgInt no AREsp n. 2.045.192/GO, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, julgado em 2/10/2023, DJe de 5/10/2023, grifo próprio). PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO. RECURSO ESPECIAL. OFENSA AO ART. 1.022 DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA Nº 284 DO STF. .. 1. A alegação de ofensa ao art. 1.022 do CPC foi formulada de forma genérica, sem a especificação das teses ou dispositivos legais não enfrentados pelo acórdão recorrido, nem, por óbvio, da declinação das razões da relevância de tais omissões para o deslinde da controvérsia, o que impossibilitou o conhecimento do recurso especial em relação a sobredita ofensa em razão da incidência da Súmula nº 284 do STF, in verbis: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia." .. (AgInt no REsp n. 2.028.861/MG, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 6/3/2023, DJe de 10/3/2023, grifo nosso). PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO EM RECURSO ESPECIAL. CONTRARIEDADE AO ART. 1.022 DO CPC/2015. ALEGAÇÃO GENÉRICA. SÚMULA N; 284/STF. AGRAVO DE INSTRUMENTO. .. 1. O provimento do recurso especial por contrariedade ao art. 1.022 do CPC pressupõe que sejam demonstrados, fundamentadamente, entre outros, os seguintes motivos: (a) a questão supostamente omitida foi tratada na apelação, no agravo ou nas contrarrazões a estes recursos, ou, ainda, que se cuida de matéria de ordem pública a ser examinada de ofício, a qualquer tempo, pelas instâncias ordinárias; (b) houve interposição de aclaratórios para indicar à Corte local a necessidade de sanar a omissão; (c) a tese omitida é fundamental à conclusão do julgado e, se examinada, poderia levar à sua anulação ou reforma; e (d) não há outro fundamento autônomo, suficiente para manter o acórdão. Esses requisitos são cumulativos e devem ser abordados de maneira fundamentada na petição recursal, sob pena de não se conhecer da alegação por deficiência de fundamentação, dada a generalidade dos argumentos apresentados. 2. A suscitada violação do art. 1.022 do Código de Processo Civil foi deduzida de modo genérico - uma vez que a parte insurgente limitou-se a indicar a necessidade de abordagem de alguns pontos pela Corte de origem, sem especificá-los, nem justificar, nas razões do apelo, a importância do enfrentamento do tema para a correta solução do litígio -, o que justifica a aplicação da Súmula n. 284/STF, a saber: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia." .. (AgInt no REsp n. 2.000.423/MA, relator Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 24/4/2023, DJe de 27/4/2023, grifo nosso). Dos arts. 5º, 487, III, e 1.010, III, do CPC O acórdão recorrido não conheceu da apelação interposta pela União, uma vez que o próprio ente havia, previamente, reconhecido o pedido em relação à isenção de imposto de renda sobre o VGBL, tendo ocorrido preclusão. Por outro lado, em sede de recurso especial, a União confirma que efetivamente reconheceu o pedido no juízo de primeiro grau, porém, argumenta que teria ocorrido "equivocado reconhecimento do pedido, quando da apresentação da contestação, não impede, verificado o erro, a apresentação de apelação" (fl. 290). Os argumentos invocados pelo agravante não demonstram como o acórdão recorrido violou os arts. 5º, 487, III, e 1.010, III, do CPC, o que importa na inviabilidade do recurso especial ante a incidência da Súmula n. 284/STF. Deste modo, incide o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que a parte recorrente não demonstrou, de forma clara, direta e particularizada, como o acórdão recorrido violou cada um dos dispositivos de lei federal indicados, o que atrai, por conseguinte, a aplicação do referido enunciado: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". De certo que a apresentação de razões recursais claras, organizadas e compreensíveis constitui ônus processual do recorrente, essencial à validade do ato recursal. No presente caso a parte recorrente não cumpriu adequadamente esse ônus ao formular suas razões recursais. Nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL. .. ALEGAÇÃO GENÉRICA DE VIOLAÇÃO À DISPOSITIVO LEGAL. DEFICIÊNCIA RECURSAL. SÚMULA 284/STF. O TERMO INICIAL DO BENEFÍCIO. .. 3. A jurisprudência desta Corte considera que quando a arguição de ofensa ao dispositivo de lei federal é genérica, sem demonstração efetiva da contrariedade, aplica-se, por analogia, o entendimento da Súmula n. 284/STF .. (AgInt no AREsp n. 2.161.783/SP, relator Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 24/4/2023, DJe de 27/4/2023, grifo nosso). PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. AGRAVO INTERNO. MANDADO DE SEGURANÇA. VIOLAÇÃO DOS ARTS. 489 E 1.022 DO CPC/2015. NÃO OCORRÊNCIA. VIOLAÇÃO À RESOLUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. NÃO ENQUADRAMENTO NO CONCEITO DE LEI FEDERAL. FUNDAMENTAÇÃO. DEFICIENTE. SÚMULA 284 DO STF. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL .. 3. No que diz respeito à suscitada ofensa ao art. 27 da Lei 5.194/1966, incide no caso o óbice da Súmula 284/STF uma vez que a parte agravante não demonstrou, de forma clara, direta e particularizada, como o acórdão recorrido havia violado o dispositivo de lei federal, o que atrai, por conseguinte, a aplicação do referido enunciado da Súmula do STF ("é inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia") .. (AgInt no AREsp n. 2.049.353/MG, relator Ministro Paulo Sérgio Domingues, Primeira Turma, julgado em 27/3/2023, DJe de 4/4/2023, grifo nosso). PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. SERVIDOR PÚBLICO. MILITAR. LICENÇA. CONVERSÃO EM PECÚNIA. PRESCRIÇÃO. OCORRÊNCIA. ALEGAÇÃO DE OFENSA AO ART. 1.022 DO CPC. DEFICIÊNCIA RECURSAL. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. RAZÕES RECURSAIS DISSOCIADAS DO COMANDO NORMATIVO DO DISPOSITIVO APONTADO COMO VIOLADO. APLICAÇÃO DA SÚMULA N. 284/STF. .. FUNDAMENTOS DO ACÓRDÃO RECORRIDO. IMPUGNAÇÃO. AUSÊNCIA. INCIDÊNCIA DAS SÚMULAS N. 283 E 284, AMBAS DO STF. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. INCIDÊNCIA DAS SÚMULAS N. 211/STJ E 282, 356/STF. .. IV - A arguição genérica de nulidade pelo recorrente atrai o comando do Enunciado Sumular n. 284/STF, inviabilizando o conhecimento dessa parcela recursal. Sobre o assunto, confiram-se: (AgInt no AREsp n. 962.465/SP, Rel. Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 6/4/2017, DJe 19/4/2017 e AgRg no AREsp n. 446.627/RJ, Rel. Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, julgado em 6/4/2017, DJe 17/4/2017.) V - A competência do Superior Tribunal de Justiça, na via do recurso especial, encontra-se vinculada à interpretação e à uniformização do direito infraconstitucional federal. Nesse contexto, impõe-se não apenas a correta indicação dos dispositivos legais federais supostamente contrariados pelo Tribunal a quo, mas também a delimitação clara da violação da matéria insculpida nos regramentos indicados, para que, assim, seja viabilizando o necessário confronto interpretativo e, consequentemente, o cumprimento da incumbência constitucional revelada com a uniformização do direito infraconstitucional sob exame. VI - O recorrente não logrou êxito em fundamentar adequadamente a ocorrência de suposta incorreção da interpretação jurídica realizada pelo Tribunal de origem acerca do comando normativo dos dispositivos legais indicados como violados, apresenta-se evidente a deficiência do pleito recursal, atraindo o teor da Súmula n. 284 do STF. Acerca do assunto, destaco os seguintes precedentes: (AgInt no AREsp n. 983.543/RJ, Rel. Ministro Herman Benjamin, DJe 5/5/2017 e AgInt no REsp n. 1.597.355/CE, Rel. Ministro Francisco Falcão, DJe 10/3/2017.) .. XII - Agravo interno improvido (AgInt no AREsp n. 2.319.994/RJ, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 9/10/2023, DJe de 11/10/2023, grifo nosso). Ademais, o comando legal dos dispositivos invocados não traz determinação, em seu campo de gravitação normativa, capaz de albergar a irresignação da parte. Diante da ausência de comando normativo suficiente dos dispositivos apontados para sustentar a tese recursal e infirmar o acórdão recorrido, há deficiência de fundamentação. Essa constatação também atraí a incidência da Súmula n. 284/STF. Do art. 43 do CTN, art. 6º, XIV, da Lei n. 7.713/1988, e art. 63 da Medida Provisória n. 2.158-35/2001 Com relação às supostas violações ao art. 43 do CTN, art. 6º, XIV, da Lei n. 7.713/1988, e art. 63 da Medida Provisória n. 2.158-35/2001, o acórdão recorrido não decidiu acerca dos referidos dispositivos legais, indicados como violados, tampouco abordou as teses recursais referidas pela parte, apesar da oposição de embargos de declaração, uma vez que a apelação interposta pela União sequer foi conhecida. Por isso, o julgamento do recurso especial é inadmissível. Falta, no caso, prequestionamento, condição de acesso às instâncias excepcionais, de modo a incidir, neste caso, a Súmula n. 211/STJ, que assim dispõe: "Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo Tribunal a quo." Isso posto, com fundamento no art. 932, III, do CPC e art. 255, § 4º, I, do RISTJ, não conheço do recurso especial. Deixo de majorar os honorários de sucumbência recursal, visto que não foram arbitrados no julgamento do recurso pelo Tribunal de origem. Previno as partes que a interposição de recurso contra esta decisão, se declarado manifestamente inadmissível, protelatório ou improcedente, poderá acarretar a condenação ao pagamento das penalidades fixadas nos arts. 1.021, § 4º, e 1.026, § 2º, do CPC/15. Intimem-se. EMENTA