AREsp 2909427 - DECISAO
Conheceu-se do agravo, mas não se conheceu do Recurso Especial porque as razões recursais apresentadas estavam dissociadas dos fundamentos do acórdão recorrido (aplicação da Súmula n. 284/STF) e o acolhimento da pretensão exigiria reexame do conjunto fático-probatório (aplicação da Súmula n. 7 do STJ); ademais, o...
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- Parties
- Agravante: MUNICIPIO DE SAO VICENTE; Excipiente: CDHU
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 30 May 2025
- Procedural Posture
- Agravo De Instrumento / Conheço Do Agravo Para Não Conhecer Do Recurso Especial (decisão De Não Admissão Do Recurso Especial)
- Outcome
- Conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial.
- Legal Topics
- Isenção Tributária, Imunidade Tributária Recíproca, IPTU, Taxas, Admissibilidade De Recurso Especial, Súmula 284/stf, Súmula 7/stj
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Parties
MUNICIPIO DE SAO VICENTE
Agravante
CDHU
Excipiente
Procedural Posture
Agravo De Instrumento / Conheço Do Agravo Para Não Conhecer Do Recurso Especial (decisão De Não Admissão Do Recurso Especial)
Legal Issues
- 1 Possibilidade de reconhecimento da isenção tributária sem prévio requerimento administrativo nos termos do art. 179 do CTN
- 2 Aplicabilidade da Lei Complementar Municipal nº 558/2008 (art. 2º) para concessão de isenção ao imóvel registrado em nome da CDHU
- 3 Admissibilidade do Recurso Especial diante da dissociação entre razões recursais e fundamentos do acórdão (Súmula 284/STF)
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo, mas não se conheceu do Recurso Especial porque as razões recursais apresentadas estavam dissociadas dos fundamentos do acórdão recorrido (aplicação da Súmula n. 284/STF) e o acolhimento da pretensão exigiria reexame do conjunto fático-probatório (aplicação da Súmula n. 7 do STJ); ademais, o acórdão concluiu que a agravada (CDHU) fazia jus à isenção prevista na Lei Complementar Municipal nº 558/2008, por constar o imóvel em seu registro.
Court Disposition
Conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial.
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de Agravo apresentado por MUNICIPIO DE SAO VICENTE à decisão que não admitiu seu Recurso Especial. O apelo, fundamentado no artigo 105, III, alínea "a", da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO, assim resumido: AGRAVO DE INSTRUMENTO - EXECUÇÃO FISCAL - IPTU E TAXAS - EXERCÍCIO DE 2017 A 2019 - MUNICÍPIO DE SÃO VICENTE - EXTINÇÃO DE OFÍCIO, DA EXECUÇÃO FISCAL, EM FACE DA CDHU - INSURGÊNCIA DA MUNICIPALIDADE - NÃO CABIMENTO - IMUNIDADE TRIBUTÁRIA RECÍPROCA - BENEFÍCIO QUE NÃO SE ESTENDE ÀS SOCIEDADES DE ECONOMIA MISTA (CDHU) - PRECEDENTES DESTA C. CORTE - EXCIPIENTE, CONTUDO, QUE FAZ JUS À ISENÇÃO - LEI MUNICIPAL DE SÃO VICENTE Nº 558/2008 - ISENÇÃO TRIBUTÁRIA - CABIMENTO - REQUISITOS NECESSÁRIOS PREENCHIDOS - DECISÃO MANTIDA - AGRAVO NÃO PROVIDO. Quanto à controvérsia, pela alínea "a" do permissivo constitucional, a parte recorrente alega violação do art. 179 do CTN, no que concerne à impossibilidade de reconhecimento da isenção tributária, pois não houve o prévio requerimento administrativo instruído com a prova do preenchimento dos requisitos legais para a concessão do benefício, trazendo a seguinte argumentação: Deixou de considerar, contudo, a exigência legal expressamente trazida à baila pela exequente, consistente na necessidade de requerimento instruído de documentação probatória, que deveria ter sido apresentado pelo interessado na obtenção da isenção, conforme consta do art. 2º da Lei Complementar nº 558 do Município Tributante, além da previsão legal que restringe a isenção ao período de construção do empreendimento. Assim, resta claramente violado o previsto no art. 179 do CTN, que vai ao encontro da previsão municipal em comento. .. Sendo certo que a parte não nega ter deixado de apresentar o requerimento exigido pela lei, não há controvérsia neste ponto, sendo claro o desrespeito às normas, municipal e federal, que expressamente exigem o requerimento do contribuinte como requisito para a concessão da isenção (fl . 56). É o relatório. Decido. Quanto à controvérsia, o acórdão recorrido assim decidiu: Contudo, a excipiente faz jus à isenção tributária prevista no artigo 2º da Lei Complementar Municipal de nº 558, 17 de dezembro de 2008, pois o imóvel está registrado em nome da CDHU, conforme se verifica das Certidões de Dívida Ativa (fls. 02/04 do processo originário). Trata-se, portanto, de ponto incontroverso nos termos do artigo 374, II e III, do CPC. Não se trata, aqui, de ingerência do Poder Judiciário sobre a concessão da isenção, pois, em sendo a cobrança intentada pela entidade tributante e restando preenchidos os requisitos legais por parte da agravada, nenhuma lesão de direito escapará da apreciação do Poder Judiciário (fls. 43-44, grifo meu). Aplicável, portanto, a Súmula n. 284/STF, tendo em vista que as razões delineadas no Recurso Especial estão dissociadas dos fundamentos utilizados no aresto impugnado, pois a parte recorrente não impugnou, de forma específica, os seus fundamentos, o que atrai a aplicação, por conseguinte, do referido enunciado: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nesse sentido, esta Corte Superior de Justiça já se manifestou na linha de que, "Aplicável, portanto, o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que as razões recursais delineadas no especial estão dissociadas dos fundamentos utilizados no aresto impugnado, tendo em vista que a parte recorrente não impugnou, de forma específica, os seus fundamentos, o que atrai a aplicação, por conseguinte, do referido enunciado: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia" (AgInt no AREsp n. 2.604.183/PR, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJEN de 2/12/2024). Confiram-se ainda os seguintes julgados:AgInt no AREsp n. 2.734.491/SP, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, DJEN de 25/3/2025; AgInt no AREsp n. 2.267.385/ES, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJEN de 21/3/2025; AgInt no AREsp n. 2.638.758/RJ, relator Ministro Afrânio Vilela, Segunda Turma, DJEN de 20/3/2025; AgInt no AREsp n. 2.722.719/PE, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJEN de 5/3/2025; AgInt no AREsp n. 2.787.231/PR, relator Ministro Carlos Cini Marchionatti (Desembargador Convocado TJRS), Terceira Turma, DJEN de 28/2/2025; AgRg no AREsp n. 2.722.720/RJ, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJEN de 26/2/2025; AgInt no AREsp n. 2.751.983/SP, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJEN de 21/2/2025; AgInt no REsp n. 2.162.145/RR, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJEN de 20/2/2025; AgInt nos EDcl no AREsp n. 2.256.940/SP, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, DJEN de 9/12/2024; AgRg no AREsp n. 2.689.934/SP, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJEN de 9/12/2024; AgInt nos EDcl no AREsp n. 2.421.997/SP, relator Ministro Teodoro Silva Santos, Segunda Turma, DJe de 19/11/2024; EDcl no AgRg nos EDcl no AREsp n. 2.563.576/SP, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, DJe de 7/11/2024; AgInt no AREsp n. 2.612.555/DF, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 5/11/2024; AgInt nos EDcl no AREsp n. 2.489.961/PR, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 28/10/2024; AgInt no AREsp n. 2.555.469/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 20/8/2024; AgInt no AREsp n. 2.377.269/SP, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, DJe de 7/3/2024. Além disso, considerando os trechos do acórdão acima transcritos, incide a Súmula n. 7 do STJ ("A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial"), porquanto o acolhimento da pretensão recursal demandaria o reexame do acervo fático-probatório juntado aos autos. Nesse sentido: AgInt no REsp n. 2.113.579/MG, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, DJEN de 27/3/2025; AgInt no AREsp n. 2.691.829/SP, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJEN de 28/3/2025; AREsp n. 2.839.474/SP, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJEN de 26/3/2025; AgInt no REsp n. 2.167.518/RS, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, DJEN de 27/3/2025; AgRg no AREsp n. 2.786.049/SP, relator Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, DJEN de 26/3/2025; AgRg no AREsp n. 2.753.116/RN, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, DJEN de 25/3/2025; AgInt no REsp n. 2.185.361/CE, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJEN de 28/3/2025; AgRg no REsp n. 2.088.266/MG, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, DJEN de 25/3/2025; AREsp n. 1.758.201/AM, relatora Ministra Maria Thereza de Assis Moura, Segunda Turma, DJEN de 27/3/2025; AgInt no AREsp n. 2.643.894/DF, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, DJEN de 31/3/2025; AgInt no AREsp n. 2.636.023/RS, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, DJEN de 28/3/2025; AgInt no REsp n. 1.875.129/PE, relator Ministro Paulo Sérgio Domingues, Primeira Turma, DJEN de 21/3/2025. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA