AREsp 2615688 - ACORDAO
Negou-se provimento ao agravo interno porque o Tribunal de origem analisou as peculiaridades do contrato e concluiu pela abusividade da taxa de juros diante da relação de consumo e da ausência, por parte da instituição financeira, de elementos capazes de justificar a taxa pactuada; reconhecer o contrário exigiria...
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- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 03 October 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Decisão Colegiada (quarta Turma), Sessão Virtual De 24/09/2024 a 30/09/2024; Julgamento E Decisão Por Unanimidade
- Outcome
- Agravo interno desprovido; decisão agravada mantida.
- Legal Topics
- Juros Remuneratórios, Abusividade Da Taxa Contratada, Revisão Contratual, Preclusão Processual, Súmulas Do STJ
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Procedural Posture
Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Decisão Colegiada (quarta Turma), Sessão Virtual De 24/09/2024 a 30/09/2024; Julgamento E Decisão Por Unanimidade
Legal Issues
- 1 Possibilidade de revisão da taxa de juros remuneratórios em relação de consumo
- 2 Prova necessária para caracterizar abusividade da taxa contratada
- 3 Aplicação das Súmulas n. 5, 7 e 83 do STJ
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo interno porque o Tribunal de origem analisou as peculiaridades do contrato e concluiu pela abusividade da taxa de juros diante da relação de consumo e da ausência, por parte da instituição financeira, de elementos capazes de justificar a taxa pactuada; reconhecer o contrário exigiria reexame de prova e do contrato, vedado no recurso especial pelas Súmulas n. 5 e 7 do STJ, atraindo-se a aplicação da Súmula n. 83 do STJ.
Court Disposition
Agravo interno desprovido; decisão agravada mantida.
Orders
- Negar provimento ao agravo interno.
- Manter a limitação dos juros remuneratórios determinada pelo Tribunal de origem.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUARTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 24/09/2024 a 30/09/2024, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Raul Araújo, Maria Isabel Gallotti, Antonio Carlos Ferreira e Marco Buzzi votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro João Otávio de Noronha. EMENTA AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. JUROS REMUNERATÓRIOS. LIMITAÇÃO. ABUSIVIDADE DA TAXA CONTRATADA. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO. SÚMULAS N. 5, 7 E 83 DO STJ. DECISÃO MANTIDA. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. Admite-se a revisão da taxa de juros remuneratórios excepcionalmente, quando a relação de consumo ficar caracterizada e a abusividade for devidamente demonstrada diante das peculiaridades do caso concreto. 2. O fato de a taxa contratada de juros remuneratórios estar acima da taxa média de mercado, por si só, não configura abusividade, devendo ser observados, para a limitação dos referidos juros, fatores como o custo de captação dos recursos, o spread da operação, a análise de risco de crédito do contratante, ponderando-se a caracterização da relação de consumo e eventual desvantagem exagerada do consumidor. 3. É viável a limitação da taxa de juros remuneratórios pactuada no contrato na hipótese em que a corte de origem tenha considerado cabalmente demonstrada sua abusividade com base nas peculiaridades do caso concreto. Incidência das Súmulas n. 5, 7 e 83 do STJ. 4. Agravo interno desprovido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno interposto contra decisão que negou provimento ao agravo em recurso especial com fundamento na incidência das Súmulas n. 5, 7, 83, 211 do STJ e 282 e 284 do STF. A agravante alega que foram comprovados os pontos em que é necessária a reforma da decisão de admissibilidade do recurso especial, tendo havido impugnação específica, no agravo em recurso especial, da incidência da Súmula n. 83 do STJ. Argumenta que limitação dos juros remuneratórios não pode ser feita por simples cotejo com a taxa média divulgada pelo Bacen. Requer a reforma do decisum agravado para conhecimento e provimento do recurso especial. Contrarrazões às fls. 619-621. É o relatório. EMENTA AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. JUROS REMUNERATÓRIOS. LIMITAÇÃO. ABUSIVIDADE DA TAXA CONTRATADA. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO. SÚMULAS N. 5, 7 E 83 DO STJ. DECISÃO MANTIDA. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. Admite-se a revisão da taxa de juros remuneratórios excepcionalmente, quando a relação de consumo ficar caracterizada e a abusividade for devidamente demonstrada diante das peculiaridades do caso concreto. 2. O fato de a taxa contratada de juros remuneratórios estar acima da taxa média de mercado, por si só, não configura abusividade, devendo ser observados, para a limitação dos referidos juros, fatores como o custo de captação dos recursos, o spread da operação, a análise de risco de crédito do contratante, ponderando-se a caracterização da relação de consumo e eventual desvantagem exagerada do consumidor. 3. É viável a limitação da taxa de juros remuneratórios pactuada no contrato na hipótese em que a corte de origem tenha considerado cabalmente demonstrada sua abusividade com base nas peculiaridades do caso concreto. Incidência das Súmulas n. 5, 7 e 83 do STJ. 4. Agravo interno desprovido. VOTO A irresignação não deve prosperar. Inicialmente, esclareça-se que, com relação às matérias referentes à prova pericial contábil, à violação do art. 927 do CPC e ao efeito suspensivo, ocorreu a preclusão, porquanto ausente impugnação, nas razões deste agravo interno, desses capítulos autônomos. Nesse sentido: EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO. DESNECESSIDADE DE IMPUGNAÇÃO DE TODOS OS CAPÍTULOS AUTÔNOMOS E/OU INDEPENDENTES DA DECISÃO MONOCRÁTICA AGRAVADA. INAPLICABILIDADE DA SÚMULA 182/STJ. .. 9. Diante desse contexto normativo e doutrinário, deve prevalecer a jurisprudência desta Corte no sentido de que a ausência de impugnação, no agravo interno, de capítulo autônomo e/ou independente da decisão monocrática do relator - proferida ao apreciar recurso especial ou agravo em recurso especial - apenas acarreta a preclusão da matéria não impugnada, não atraindo a incidência da Súmula 182 do STJ. .. (EREsp n. 1.424.404/SP, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Corte Especial, julgado em 20/10/2021, DJe de 17/11/2021.) No tocante aos juros remuneratórios, observa-se que o Tribunal de origem não se limitou a afirmar que a taxa de juros remuneratórios fora pactuada acima da taxa média de mercado estipulada pelo Bacen, tendo consignado que a instituição financeira não se desincumbira do ônus de demonstrar outros fatores que justificariam a taxa de juros contratada, tais como o custo de captação dos recursos, o risco do negócio, o spread da operação e a análise de risco de crédito do contratante, nestes termos (fl. 352, destaquei): Desta forma, apreciando as peculiaridades atinentes aos contratos, especialmente, taxa de juros pactuada, tipo de operação (crédito pessoal), valor contratado, prazo e perfil do contratante (vulnerável), inferiu-se pela abusividade, devendo ser mantida a limitação determinada no acórdão embargado. Por outro lado, insta referir que a instituição financeira não trouxe outras elementos para justificar a cobrança dos encargos em patamar tão elevado, tais como: custo do contrato, o custo da captação de valores, o spread bancário e nem o relacionamento mantido com a instituição financeira. Dessa forma, o acórdão recorrido está em sintonia com a orientação jurisprudencial do STJ, na medida em que o Tribunal estadual buscou utilizar outros parâmetros para concl uir pela existência de vantagem exagerada na pactuação dos juros remuneratórios, o que atrai a aplicação da Súm ula n. 83 do STJ. Ademais, para decidir em sentido contrário e reconhecer a presença dos diversos fatores acima apontados acerca das peculiaridades do caso concreto quanto aos juros pactuados, seria necessário reexaminar o instrumento contratual e o conjunto fático-probatório dos autos, procedimento vedado na via do recurso especial (Súmulas n. 5 e 7 do STJ). Nesse sentido: AgInt no AREsp n. 2.437.350/RS, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, julgado em 27/11/2023, DJe de 30/11/2023. Portanto, a parte agravante não logrou êxito em demonstrar situação superveniente que justificasse a alteração da decisão agravada. Ante o exposto, nego provimento ao agravo interno. É o voto.