AREsp 2675560 - DECISAO
O acórdão regional e a jurisprudência do STJ entendem que a legislação (art. 9º da Lei 9.249/95) não impõe restrição temporal para a dedução dos JCP, permitindo a dedução no momento do efetivo pagamento em exercício posterior, desde que observados os requisitos legais (efetivo pagamento, existência de lucros ou...
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- Parties
- Agravante: Fazenda Nacional; Fiscal Da Lei: Ministério Público Federal
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 11 March 2025
- Procedural Posture
- Agravo / Decisão De Não Provimento
- Outcome
- Nego provimento ao agravo
- Legal Topics
- Juros Sobre Capital Próprio, IRPJ, CSLL, Lei 9.249/95, Mandado De Segurança, Regime De Competência Vs. Regime De Caixa
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Parties
Fazenda Nacional
Agravante
Ministério Público Federal
Fiscal Da Lei
Procedural Posture
Agravo / Decisão De Não Provimento
Legal Issues
- 1 Possibilidade de dedução dos juros sobre capital próprio (JCP) relativos a exercícios anteriores no momento do pagamento em exercício posterior
- 2 Adequação do mandado de segurança para discutir direito líquido e certo relativo à dedução de JCP
- 3 Necessidade ou não de dilação probatória/documentos pré-constituídos para apreciação da dedução tributária
Ratio Decidendi
O acórdão regional e a jurisprudência do STJ entendem que a legislação (art. 9º da Lei 9.249/95) não impõe restrição temporal para a dedução dos JCP, permitindo a dedução no momento do efetivo pagamento em exercício posterior, desde que observados os requisitos legais (efetivo pagamento, existência de lucros ou reservas), razão pela qual não há violação legal que justifique provimento ao agravo.
Court Disposition
Nego provimento ao agravo
Orders
- Nego provimento ao agravo.
- Publique-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo manejado pela Fazenda Nacional contra decisão que não admitiu recurso especial, este interposto com fundamento no art. 105, III, a, da CF, desafiando acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região, assim ementado (fl. 28.694): AGRAVO INTERNO. TRIBUTÁRIO. IRPJ/CSLL E LUCRO REAL. DEDUÇÃO DE JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO DELIBERADO EM EXERCÍCIO ANTERIOR. POSSIBILIDADE. LEI 9.249/95. RECURSO DESPROVIDO. 1. O mandado de segurança é via adequada para discussão de eventual direito líquido e certo da impetrante quanto ao pedido de dedução da base de cálculo do IRPJ e da CSLL de Juros sobre o Capital Próprio de exercícios anteriores ao da distribuição. No caso, discute-se questão exclusivamente jurídica (afastar o óbice, imposto pela autoridade impetrada para dedução dos JCP"s relativos a exercícios anteriores e pagos em exercícios subsequentes), sendo que eventuais questões fáticas atinentes à deliberação de pagamento dos JCP"s e cumprimento de outros requisitos não constituem objeto da presente impetração 2. O art. 9º da Lei 9.249/95 garante à pessoa jurídica "deduzir, para efeitos da apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo - TJLP". Não se tem na normativa legal qualquer restrição como aquela contida no âmbito administrativo, vinculando tal dedução somente ao momento e ao respectivo exercício fiscal em que se delibera pelo pagamento dos juros sobre capital próprio. Apenas se exige o efetivo pagamento dos juros aos sócios para a dedução tributária. 3. Não se nega aqui o regime de competência instituído para a apuração do lucro real. Porém, atendendo-se às peculiaridades da distribuição dos juros sobre capital próprio, não sujeita à periodicidade ou obrigatoriedade, e ausente determinação legal em contrário, admite-se a referida despesa com a efetiva distribuição ao s sócios, utilizando-se o regime de caixa nesta despesa em específico. Nas razões do recurso especial, a parte agravante aponta violação ao art. 9º da Lei n 9.249/95. Sustenta, em resumo, que: (I) "a sociedade poderia pagar os JsCP daquele exercício em exercícios posteriores (princípio da livre iniciativa), mas não poderia deduzir esse valor em exercícios posterior, por não refletir na composição de seu lucro líquido (princípio da entidade)" (fl. 28.714) e (II) "Sem a juntada das provas documentais pré-constituídas ora elencadas, evidente que o deslinde da controvérsia em foco demandaria dilação probatória, a fim de demonstrar a alegada regularidade das deduções feitas pelo Impetrante, o que é inviável em sede de mandado de segurança" (fl. 28.720). Contrarrazões ofertadas às fls. 28.7128/28.754. O Ministério Público Federal, na condição de fiscal da lei, opinou pelo desprovimento do agravo (fls. 28.836/28.849). É O RELATÓRIO. SEGUE A FUNDAMENTAÇÃO. De início, no que diz respeito à tese acerca da inadequação da via eleita, cumpre observar que a parte recorrente não amparou o inconformismo na violação de qualquer lei federal. Destarte, a ausência de indicação do dispositivo legal tido por violado implica deficiência de fundamentação do recurso especial, atraindo a incidência da Súmula 284/STF ("É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia."). Nesse diapasão: AgInt no AgInt no AREsp 793.132/RJ, Rel. Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe 12/3/2021; AgRg no REsp 1.915.496/SP, Rel. Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe 8/3/2021; e AgInt no REsp 1.884.715/CE, Rel. Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe 1º/3/2021. Adiante, as duas Turmas que compõem a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça firmaram entendimento no sentido de que, a partir de 1997, a legislação não impõe que a dedução dos juros sobre capital próprio deva ser feita no mesmo exercício financeiro em que realizado o lucro da empresa, podendo ser efetuada em ano-calendário futuro. A propósito: TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. IRPJ. CSLL. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. DEDUÇÃO. EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DA REALIZAÇÃO DO LUCRO. POSSIBILIDADE. JURISPRUDÊNCIA DO STJ. CONFORMIDADE DO ACÓRDÃO. SÚMULA 83/STJ. 1. Tendo o recurso sido interposto contra decisão publicada na vigência do Código de Processo Civil de 2015, devem ser exigidos os requisitos de admissibilidade na forma nele previsto, conforme Enunciado Administrativo n. 3/2016/STJ. 2. Segundo a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, "a distribuição de juros sobre capital próprio pode ser realizada em exercício posterior ao da apuração do lucro, com a dedução da respectiva despesa na apuração do IRPJ/CSLL. Em se tratando de juros sobre capital próprio, o seu pagamento decorre necessariamente da deliberação do órgão societário, momento em que surge a respectiva obrigação. Sendo assim, ao ser constituída a obrigação de pagamento, é realizado o reconhecimento contábil pela companhia de acordo com o regime de competência, de modo que é perfeitamente possível afirmar que há respeito ao regime contábil em comento quando do pagamento de juros sobre capital próprio de exercícios anteriores" (AgInt no REsp n. 1.978.515/SP, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 23/8/2023). 3. "A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça está pacificada no sentido de que é lícita, a partir do ano calendário 1997, a dedução dos juros sobre capital próprio mesmo em relação a exercícios anteriores àquele em que realizado o lucro da pessoa jurídica" (AgInt no REsp n. 1.971.537/SP, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 17/8/2023). 4. Aplica-se o óbice de conhecimento da Súmula 83/STJ, diante da conformidade do acórdão com a jurisprudência pacífica do STJ. 5. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp n. 2.403.061/SP, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 8/4/2024, DJe de 11/4/2024.) TRIBUTÁRIO. PAGAMENTO ACUMULADO DE JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. EXERCÍCIOS ANTERIORES. DEDUÇÃO. LIMITES. POSSIBILIDADE. 1. A questão controvertida (limitação temporal para a dedução de Juros sobre o Capital Próprio de exercícios anteriores) foi apreciada em momento recente pela Segunda Turma do STJ, por ocasião do julgamento, na sessão de 22.11.2022, do REsp 1.955.120/SP e do REsp 1.946.363/SP. 2. O órgão turmário, por ampla maioria, reafirmou precedente antigo, e concluiu que a legislação tributária determina textualmente que a pessoa jurídica pode deduzir os Juros sobre Capital Próprio do lucro real e resultado ajustado, no momento do pagamento a seus sócios/acionistas, impondo como condição apenas a existência de lucros do exercício ou de lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual ou superior a duas vezes os juros a serem pagos ou creditados, não havendo burla ao limite legal de dedução do exercício ou ao regime de competência. 3. Agravo Interno não provido. (AgInt no REsp n. 1.951.674/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 19/5/2023.) Na espécie, a Corte Regional decidiu com base na seguinte fundamentação à fl. 28.684: Não se tem na normativa legal qualquer restrição como aquela contida no âmbito administrativo, vinculando tal dedução somente ao momento e ao respectivo exercício fiscal em que se delibera pelo pagamento dos juros sobre capital próprio. Apenas se exige o efetivo pagamento dos juros aos sócios para a dedução tributária. Não se nega aqui o regime de competência instituído para a apuração do lucro real. Porém, atendendo-se às peculiaridades da distribuição dos juros sobre capital próprio, não sujeita à periodicidade ou obrigatoriedade, e ausente determinação legal em contrário, admite-se a referida despesa com a efetiva distribuição aos sócios, utilizando-se o regime de caixa nesta despesa em específico. Ou seja, "em que pese o ganho sobre o capital próprio utilizado na sociedade empresária ocorrer em cada exercício em que se apura o lucro (regime de competência), para fins de na base de cálculo, utiliza-se o regime dededução caixa, pois é o momento em que efetivamente ocorreu a devolução dos valores a seus titulares e, portanto, momento oportuno para a melhor verificação da ocorrência de tal fenômeno" (ApCiv 5001340-38.2019.4.03.6100 / TRF3 - TERCEIRA TURMA / JUIZA FED. CONV. DENISE AVELAR / 18.06.20). Nesse contexto, verifica-se que o acórdão recorrido encontra-se em concordância com o entendimento dessa Corte sobre o tema. ANTE O EXPOSTO, nego provimento ao agravo. Publique-se EMENTA