AREsp 2444339 - ACORDAO
O agravo interno foi negado porque a modificação da conclusão do tribunal de origem acerca da inexistência de hipossuficiência exigiria reexame do acervo fático-probatório, o que é vedado em recurso especial pela Súmula n. 7/STJ; ademais, a Corte de origem fundamentou o indeferimento na ausência de documentos...
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- Parties
- Agravante: MARCELO JOSÉ ASCÊNCIO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 21 March 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento (quarta Turma)
- Outcome
- Negar provimento ao agravo interno
- Legal Topics
- Justiça Gratuita, Hipossuficiência, Súmula N. 7/stj, Súmula N. 518/stj, Reexame De Provas
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Parties
MARCELO JOSÉ ASCÊNCIO
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento (quarta Turma)
Legal Issues
- 1 Concessão de justiça gratuita e demonstração de hipossuficiência
- 2 Possibilidade de reexame do conjunto fático-probatório em recurso especial
- 3 Admissibilidade de recurso especial fundado em violação de enunciado de súmula
Ratio Decidendi
O agravo interno foi negado porque a modificação da conclusão do tribunal de origem acerca da inexistência de hipossuficiência exigiria reexame do acervo fático-probatório, o que é vedado em recurso especial pela Súmula n. 7/STJ; ademais, a Corte de origem fundamentou o indeferimento na ausência de documentos (declaração de IR) e em extratos demonstrando saldo e movimentação financeira (saldo superior a R$20.000,00).
Court Disposition
Negar provimento ao agravo interno
Orders
- Negar provimento ao agravo interno.
- Manter a decisão da Presidência do STJ que conheceu do agravo para não conhecer do recurso especial.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUARTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 13/03/2024 a 19/03/2024, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros João Otávio de Noronha, Raul Araújo, Maria Isabel Gallotti e Marco Buzzi votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Raul Araújo. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DECISÃO DA PRESIDÊNCIA DO STJ. JUSTIÇA GRATUITA. PESSOA FÍSICA. HIPOSSUFICIÊNCIA NÃO DEMONSTRADA. REEXAME DO CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO DOS AUTOS. SÚMULA N. 7/STJ. DECISÃO MANTIDA. 1. O recurso especial não comporta exame de questões que impliquem revolvimento do contexto fático-probatório dos autos (Súmula n. 7/STJ). 2. No caso concreto, o Tribunal de origem concluiu pela inexistência da alegada hipossuficiência da parte agravante. Alterar esse entendimento demandaria reexame das provas produzidas nos autos, vedado em recurso especial. 3. Agravo interno a que se nega provimento.
RELATÓRIO O EXMO. SR. MINISTRO ANTONIO CARLOS FERREIRA (Relator): Trata-se de agravo interno (e-STJ fls. 414/424) interposto contra decisão da Presidência do STJ que conheceu do agravo para não conhecer do recurso especial (e-STJ fls. 409/411). Em suas razões, a parte agravante sustenta ser inaplicável a Súmula n. 7/STJ, argumentando tratar-se de matéria exclusivamente de direito. No mais, reitera o arrazoado do especial quanto ao direito à assistência judiciária gratuita. Ao final, pede o provimento do agravo interno. A parte agravada não apresentou impugnação (e-STJ fl. 430). É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DECISÃO DA PRESIDÊNCIA DO STJ. JUSTIÇA GRATUITA. PESSOA FÍSICA. HIPOSSUFICIÊNCIA NÃO DEMONSTRADA. REEXAME DO CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO DOS AUTOS. SÚMULA N. 7/STJ. DECISÃO MANTIDA. 1. O recurso especial não comporta exame de questões que impliquem revolvimento do contexto fático-probatório dos autos (Súmula n. 7/STJ). 2. No caso concreto, o Tribunal de origem concluiu pela inexistência da alegada hipossuficiência da parte agravante. Alterar esse entendimento demandaria reexame das provas produzidas nos autos, vedado em recurso especial. 3. Agravo interno a que se nega provimento. VOTO O EXMO. SR. MINISTRO ANTONIO CARLOS FERREIRA (Relator): A insurgência não merece acolhida. A parte agravante não trouxe nenhum argumento capaz de afastar os termos da decisão agravada, motivo pelo qual deve ser mantida por seus próprios fundamentos (e-STJ fls. 409/411): Cuida-se de agravo apresentado por MARCELO JOSÉ ASCÊNCIO contra a decisão que não admitiu seu recurso especial. O apelo nobre, fundamentado no artigo 105, inciso III, alínea "a", da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO, assim resumido: AGRAVO DE INSTRUMENTO. GRATUIDADE DA JUSTIÇA. PESSOA FÍSICA. DESCUMPRIMENTO DE DETERMINAÇÃO PARA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS A AMPARAR A PRESUNÇÃO DE NECESSIDADE. ART. 99, §3º, DO CPC. INDEFERIMENTO MANTIDO. RECURSO IMPROVIDO. Quanto à controvérsia, a parte recorrente alega violação do art. 98, caput, e Súmula n. 481/STJ, no que concerne à concessão do benefício da gratuidade de justiça diante da demonstração nos autos da sua hipossuficiência econômica. Apresenta os seguintes argumentos: A negativa de vigência dos dispositivos legais, impede ao Recorrente o acesso à justiça, negando-lhe o direito de comprovar através dos Embargos à Execução que a situação exposta pelo recorrido é inverídica. .. Fora amplamente demonstrado nos autos do Agravo de Instrumento, que a atual situação econômica do agravante, produtor rural, é de vulnerabilidade, uma vez que existe oscilação exorbitante de saldos positivos e negativos que têm afetado diretamente sua vida, de toda a sua família e das empresas que possui. .. Ainda, importante destacar que foram desconsideradas todas as particularidades relativas ao recorrente, ou seja, os gastos inerentes ao seu sustento e de sua família, local de residência (pequeno município de Novo Horizonte/SP) ou seja, região do interior de São Paulo em que o recorrente proporciona muitos empregos, efeitos da pandemia do COVID-19, etc. .. Por isso, tendo em vista todo o conjunto probatório dos autos e suas particularidades, entendemos que restou amplamente demonstrado que o recorrente faz jus ao benefício da gratuidade da justiça, e assim, torna-se evidente que o v. Acórdão negou vigência ao artigo 98, caput do Código de Processo Civil e Súmula 481 do STJ (fls. 372-374). É, no essencial, o relatório. Decido. Quanto à controvérsia, o Tribunal de origem se manifestou nos seguintes termos: No caso, apesar de afirmar a condição de necessidade, o agravante deixou de dar integral cumprimento à determinação de fl. 54 da origem, porque não apresentou qualquer declaração de imposto de renda. Além disso, os extratos bancários apresentados, notadamente junto ao banco Caixa Econômica Federal (fls. 89/115 da origem), denotam movimentação financeira em valores expressivos, além de saldo bancário credor em valor de mais de R$ 20.000,00. Nessas condições, diante do descumprimento da determinação para comprovação da necessidade na oportunidade no artigo 99, §2º, do CPC, a presunção de necessidade instituída pela regra do art. 99, §3º do CPC não pode subsistir e o indeferimento do benefício de gratuidade de justiça deve ser mantido. Pelos mesmos fundamentos, também fica indeferida a pretensão de diferimento no pagamento das custas (fl. 364, grifos meus). Assim, incide o óbice da Súmula n. 7 do STJ ("A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial"), uma vez que o reexame da premissa fixada pela Corte de origem quanto à existência ou não dos requisitos para a concessão da gratuidade de justiça às partes exigiria a incursão no acervo fático-probatório dos autos, o que não é possível em sede de recurso especial. Nesse sentido, o STJ já decidiu sobre a "inviabilidade de verificar se as partes no caso poderiam ou não serem contempladas pelo benefício da gratuidade de justiça, por demanda reexame de contexto fático-probatório". (AgInt no AREsp 897.498/SP, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, DJe de 16/8/2016.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: AgInt no AREsp 1.570.272/SP, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 20/5/2020; AgInt no AREsp 1.000.602/RS, relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, DJe de 22/5/2020; AgInt no AREsp 1.564.850/MG, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, DJe de 4/3/2020; AgInt no AREsp 1.173.115/RS, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe de 18/4/2018; REsp 1.784.623/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 11/3/2019. Ademais, não é cabível recurso especial fundado na ofensa a enunciado de súmula dos tribunais, inclusive em se tratando de súmulas vinculantes. Logo, incide o óbice da Súmula n. 518 do STJ: "Para fins do art. 105, III, "a", da Constituição Federal, não é cabível recurso especial fundado em alegada violação de enunciado de súmula". Por certo: "A interposição de recurso especial não é cabível com fundamento em violação de súmula vinculante do STF, porque esse ato normativo não se enquadra no conceito de lei federal previsto no art. 105, III, "a" da CF/88". (REsp n. 1.806.438/DF, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, DJe de 19/10/2020.) Em consonância: AgInt no AREsp 1.630.476/SP, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 13/8/2020; AgInt no AREsp 1.630.025/SP, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, DJe 14/8/2020; AREsp 1.655.146/SC, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 7/8/2020; AgRg no REsp 1.868.900/SP, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, DJe 3/6/2020; AgInt no REsp 1.743.359/MG, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe 30/3/2020; AgRg no AREsp n. 1.632.328/CE, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, DJe de 02/09/2020. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Publique-se. Intimem-se. Conforme consta da decisão ora agravada, a gratuidade da justiça pleiteada pela parte ora agravante foi indeferida, pois a Corte de origem concluiu não ter sido demonstrada a situação de hipossuficiência. Alterar tal conclusão exigiria o reexame do acervo fático-probatório, providência inviável em sede de especial, a teor da Súmula n. 7/STJ. Nesse sentido: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. JUSTIÇA GRATUITA. HIPOSSUFICIÊNCIA. NÃO COMPROVAÇÃO. REEXAME DE PROVAS. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA Nº 7/STJ. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. INVIABILIDADE. 1. Recurso especial interposto contra acórdão publicado na vigência do Código de Processo Civil de 2015 (Enunciados Administrativos nºs 2 e 3/STJ). 2. É inviável a apreciação de matéria constitucional em recurso especial, sob pena de usurpação da competência do Supremo Tribunal Federal (art. 102, III, da Carta Magna). 3. A concessão da justiça gratuita pode se dar a qualquer tempo, desde que verificadas as condições para tanto. Na hipótese, o tribunal de origem entendeu que os agravantes não têm direito ao benefício pleiteado por não se enquadrarem no conceito de economicamente necessitados. 4. Inadmissível, na estreita via do recurso especial, a alteração das conclusões das instâncias de cognição plena que demandem o reexame do acervo fático-probatório dos autos, a teor da Súmula nº 7/STJ. 5. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp n. 1.684.453/SP, Relator Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, TERCEIRA TURMA, julgado em 1º/3/2021, DJe 9/3/2021.) AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PREVIDÊNCIA PRIVADA. AÇÃO DE COMPLEMENTAÇÃO. AGRAVO DE INSTRUMENTO. JUSTIÇA GRATUITA. INDEFERIMENTO. MATÉRIA FÁTICO-PROBATÓRIA. SÚMULA 7/STJ. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. A jurisprudência firmada no âmbito desta eg. Corte de Justiça delineia que o benefício da assistência judiciária gratuita pode ser indeferido quando o magistrado se convencer, com base nos elementos acostados aos autos, de que não se trata de hipótese de miserabilidade jurídica. 2. Na hipótese, o Tribunal a quo entendeu que os documentos constantes dos autos demonstram a existência de patrimônio valioso e o auferimento de renda mensal incompatíveis com o alegado estado de necessidade para fins de concessão do benefício pretendido. A modificação de tal entendimento demandaria a análise do acervo fático-probatório, o que é vedado pela Súmula 7 do STJ. 3. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp n. 1.503.631/RS, Relator Ministro RAUL ARAÚJO, QUARTA TURMA, julgado em 11/2/2020, DJe 3/3/2020.) Assim, não prosperam as alegações constantes no recurso, incapazes de alterar os fundamentos da decisão impugnada. Diante do exposto, NEGO PROVIMENTO ao agravo interno. É como voto.