AREsp 2488565 - DECISAO
A Presidência não poderia indeferir o pedido de justiça gratuita sem antes determinar que a parte comprovasse a alegada hipossuficiência, nos termos do art. 99, § 2º, do CPC/2015, e considerando a presunção relativa prevista no § 3º; inexistindo nos autos elementos que demonstrassem a capacidade financeira da parte,...
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- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 20 August 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno / Reconsideração De Decisão Monocrática Da Presidência; Prosseguimento Do Exame Do Recurso Especial
- Outcome
- Decisão reconsiderada; agravo conhecido; recurso especial provido.
- Legal Topics
- Justiça Gratuita, Assistência Judiciária, Hipossuficiência, Recurso Especial, Súmula 182/stj, Art. 99 Do Cpc/2015
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Procedural Posture
Agravo Interno / Reconsideração De Decisão Monocrática Da Presidência; Prosseguimento Do Exame Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Indeferimento da justiça gratuita sem prévia intimação para comprovação da hipossuficiência (art. 99, §2º, CPC/2015)
- 2 Presunção relativa da alegação de insuficiência deduzida por pessoa natural (art. 99, §3º, CPC/2015)
- 3 Aplicabilidade da Súmula n. 182/STJ e necessidade de impugnação de todos os fundamentos para sua aplicação
Ratio Decidendi
A Presidência não poderia indeferir o pedido de justiça gratuita sem antes determinar que a parte comprovasse a alegada hipossuficiência, nos termos do art. 99, § 2º, do CPC/2015, e considerando a presunção relativa prevista no § 3º; inexistindo nos autos elementos que demonstrassem a capacidade financeira da parte, o indeferimento foi inadequado, razão pela qual a decisão foi reconsiderada, o agravo conhecido e o recurso especial provido para retorno dos autos ao tribunal de origem para oportunizar a comprovação da hipossuficiência.
Court Disposition
Decisão reconsiderada; agravo conhecido; recurso especial provido.
Orders
- Reconsiderar a decisão da Presidência (e-STJ fls. 156/157) para conhecer do agravo
- Dar provimento ao recurso especial
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interno (e-STJ fls. 161/172) interposto contra decisão da Presidência desta Corte que não conheceu do agravo em recurso especial, por aplicação da Súmula n. 182 do STJ. Em suas razões, o agravante alega que impugnou todos os fundamentos da decisão de inadmissibilidade proferida na origem. Ao final, pede a reconsideração da decisão monocrática ou a apreciação do agravo pelo Colegiado. Foram apresentadas contrarrazões (e-STJ fls. 176/179). É o relatório. Decido. De fato, a parte agravante atacou todos os fundamentos da decisão que não admitiu o recurso especial, não havendo falar em aplicação da Súmula n. 182/STJ. Assim, reconsidero a decisão agravada, proferida pela Presidência do STJ, e prossigo no exame do recurso. O recurso especial foi interposto contra acórdão assim ementado (e-STJ fl. 59): Agravo Interno- interposição contra "decisum" negativo de benesse da gratuidade - declaração de pobreza, dotada de presunção relativa de veracidade, desacompanhada da demonstração de hipossuficiência- benefício indeferido - monocrática preservada - recurso improvido. Os embargos de declaração foram rejeitados (e-STJ fls. 70/73). Nas razões do especial (e-STJ fls. 75/118), fundamentado no art. 105, III, "a" e "c", da CF, a recorrente apontou ofensa ao art. 10 do CPC/2015, afirmando que o pedido de justiça gratuita lhe foi negado sem oportunidade de juntar provas acerca de sua incapacidade de arcar com as despesas processuais. Indica contrariedade ao art. 99, § 2º, do CPC/2015, defendendo que a justiça gratuita somente pode ser negada quando existentes nos autos elementos aptos a evidenciar a inexistência dos requisitos para a concessão do benefício. Suscita divergência jurisprudencial na interpretação dos arts. 10 e 99, § 2º, do CPC/2015, argumentando que, antes do indeferimento da justiça gratuita, a parte deve ser intimada para comprovar a necessidade da concessão do benefício. O recurso merece prosperar. De fato, nos termos do art. 99, § 2º, do CPC/2015 e consoante entendimento desta Corte, "antes do indeferimento, o juiz deve determinar que a parte comprove a alegada hipossuficiência (art. 99, § 2º, do CPC/2015)" (AgInt no REsp n. 2.085.364/SP, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, julgado em 4/3/2024, DJe de 7/3/2024). Nesse sentido: PROCESSO CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO PAULIANA. APELAÇÃO. PEDIDO DE ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA GRATUITA. PESSOA FÍSICA. INDEFERIMENTO. PRÉVIA INTIMAÇÃO PARA COMPROVAÇÃO DA HIPOSSUFICIÊNCIA (CPC, ART. 99, § 2º). NECESSIDADE. AGRAVO INTERNO PARCIALMENTE PROVIDO. 1. De acordo com o entendimento desta Corte, "O pedido de gratuidade de justiça somente poderá ser negado se houver nos autos elementos que evidenciem a falta dos pressupostos legais para a concessão do benefício. Antes do indeferimento, o juiz deve determinar que a parte comprove a alegada hipossuficiência (art. 99, § 2º, do CPC/2015). Indeferido o pedido de gratuidade de justiça, observando-se o procedimento legal, o requerente deve ser intimado para realizar o preparo na forma simples. Mantendo-se inerte, o recurso não será conhecido em virtude da deserção" (REsp 1.787.491/SP, Rel. Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, TERCEIRA TURMA, DJe de 12/04/2019). 2. Necessidade de, na espécie, determinar-se o retorno dos autos ao Tribunal de origem para oportunizar à parte apelante que comprove a alegada hipossuficiência, nos termos do art. 99, § 2º, do CPC/2015. 3. Agravo interno a que se dá parcial provimento. (AgInt no AREsp n. 1.752.709/SP, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, julgado em 4/12/2023, DJe de 7/12/2023.) RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. GRATUIDADE DA JUSTIÇA. ALEGAÇÃO DE INSUFICIÊNCIA DE RECURSOS. PRESUNÇÃO RELATIVA. AFASTAMENTO. NECESSIDADE DE INDICAÇÃO DE ELEMENTOS CONCRETOS CONSTANTE DOS AUTOS. 1. Exceção de pré-executividade oposta em 4/8/2021, da qual foi extraído o presente recurso especial, interposto em 26/7/2022 e concluso ao gabinete em 14/3/2023. 2. O propósito recursal consiste em dizer se é lícito o indeferimento do pedido de gratuidade da justiça formulado por pessoa natural ou a determinação de comprovação da situação de hipossuficiência sem a indicação de elementos concretos que indiquem a falta dos pressupostos legais para a concessão do benefício. 3. De acordo com o §3º, do art. 99, do CPC, presume-se verdadeira a alegação de insuficiência deduzida exclusivamente por pessoa natural. 4. Diante da presunção estabelecida pela lei, o ônus da prova na impugnação à gratuidade é, em regra, do impugnante, podendo, ainda, o próprio juiz afastar a presunção à luz de elementos constantes dos autos que evidenciem a falta de preenchimento dos pressupostos autorizadores da concessão do benefício, nos termos do §2º, do art. 99, do CPC. 5. De acordo com o §2º, do art. 99 do CPC/2015, o juiz somente poderá indeferir o pedido se houver nos autos elementos que evidenciem a falta dos pressupostos legais para a concessão de gratuidade, devendo, antes de indeferir o pedido, determinar à parte a comprovação do preenchimento dos referidos pressupostos. 6. Na hipótese dos autos, a Corte de origem, ao apreciar o pedido de gratuidade, em decisão genérica, sem apontar qualquer elemento constante dos autos e ignorando a presunção legal, impôs ao recorrente o dever de comprovar a sua hipossuficiência, em ofensa ao disposto no art. 99, §2º e §3º do CPC, motivo pelo qual, impõe-se o retorno dos autos ao Tribunal a quo para que, reexaminando a questão, verifique se existem, a partir das peculiaridades da hipótese concreta, elementos capazes de afastar a presunção de insuficiência de recursos que milita em favor do executado, se for o caso especificando os documentos que entende necessários a comprovar a hipossuficiência. 7. Recurso especial conhecido e provido. (REsp n. 2.055.899/MG, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 20/6/2023, DJe de 27/6/2023.) O Tribunal de origem indeferiu o pedido de justiça gratuita e determinou o recolhimento das custas sem antes facultar a comprovação da hipossuficiência. Ademais, o indeferimento do benefício não se fundamentou em elementos dos autos que demonstrassem a capacidade financeira da parte. Em tais condições, o especial deve ser provido, determinando-se o retorno dos autos ao Tribunal a quo para que enseje à parte a comprovação da alegada hipossuficiência e, após, decida a questão como entender de direito . Diante do exposto, RECONSIDERO a decisão da Presidência desta Corte (e-STJ fls. 156/157) para CONHECER do agravo e DAR PROVIMENTO ao recurso especial. Publique-se e intimem-se. EMENTA