AREsp 3190569 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e negou-se provimento ao recurso especial: não se conheceu da alegada violação dos arts. 489 e 1.022 do CPC por deficiência de fundamentação diante da ausência de embargos de declaração na instância de origem (Súmula 284/STF); quanto ao pedido de gratuidade, o indeferimento foi mantido pois os...
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- Parties
- Agravante: EDUARDO REZENDE LEME
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 03 June 2026
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Conhecimento E Julgamento Do Agravo (conheço Do Agravo E Nego Provimento Ao Recurso Especial)
- Outcome
- Conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial.
- Legal Topics
- Justiça Gratuita, Inadmissão De Recurso Especial, Embargos De Declaração, Reexame De Provas (súmula 7/stj), Ocultação Patrimonial
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Parties
EDUARDO REZENDE LEME
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Conhecimento E Julgamento Do Agravo (conheço Do Agravo E Nego Provimento Ao Recurso Especial)
Legal Issues
- 1 Alegada violação aos arts. 489, §1º, e 1.022 do CPC por negativa de prestação jurisdicional e fundamentação deficiente
- 2 Alegada violação aos arts. 98 e 99 do CPC quanto ao indeferimento da justiça gratuita e à presunção de veracidade da declaração de insuficiência
- 3 Aplicabilidade da Súmula 284/STF quanto à deficiência de fundamentação do recurso especial
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e negou-se provimento ao recurso especial: não se conheceu da alegada violação dos arts. 489 e 1.022 do CPC por deficiência de fundamentação diante da ausência de embargos de declaração na instância de origem (Súmula 284/STF); quanto ao pedido de gratuidade, o indeferimento foi mantido pois os autos continham elementos idôneos que apontavam potencial ocultação patrimonial (contas em treze instituições, apresentação parcial de extratos, transferências entre contas próprias, recebimentos via intermediadores e depósitos sem comprovação), cuja reavaliação demandaria revolvimento de provas, vedado pela Súmula 7/STJ.
Court Disposition
Conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial.
Orders
- Conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial.
- Publique-se.
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DECISÃO Trata-se de agravo em recurso especial interposto por EDUARDO REZENDE LEME contra decisão que inadmitiu seu recurso especial, fundamentado no artigo 105, inciso III, alíneas "a" e "c", da Constituição Federal, contra acórdão proferido pelo eg. Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, assim ementado: AGRAVO REGIMENTAL. JUSTIÇA GRATUITA. Agravo interno interposto contra a decisão que indeferiu a justiça gratuita ao requerido. Efeito suspensivo. Indeferimento. Ausência de fumus boni iuris na pretensão da agravante. Art. 995, parágrafo único, do CPC. Documentos apresentados pelo requerido que não comprovam sua condição de hipossuficiência. Elementos que permitem concluir pela potencial ocultação patrimonial. Ausência de documentos hábeis a afastar as conclusões anteriormente expostas. Justiça gratuita corretamente indeferida. Ausência de recolhimento do preparo no prazo assinalado. Deserção do apelo reconhecida. Decisão mantida. Recurso não provido. (e-STJ, fl. 298) Em seu recurso especial, o recorrente alega violação dos seguintes dispositivos da legislação federal, com as respectivas teses: (i) arts. 489, § 1º, e 1.022 do Código de Processo Civil, pois teria havido negativa de prestação jurisdicional e fundamentação deficiente, uma vez que o acórdão não teria enfrentado, de modo adequado, os elementos probatórios e as alegações sobre hipossuficiência, apesar de provocação específica. (ii) arts. 98 e 99 do Código de Processo Civil, pois teria sido indeferida a justiça gratuita sem observar a presunção de veracidade da declaração de insuficiência da pessoa natural e sem oportunizar comprovação adequada (art. 99, § 2º e § 3º), além de supostamente valorar de forma inadequada movimentações financeiras esporádicas e internas que não afastariam a hipossuficiência. Contrarrazões às fls. 335-342. O recurso especial foi inadmitido na origem, dando ensejo à interposição do presente agravo. É o relatório. Decido. De início, no tocante à alegada violação aos arts. 489 e 1.022 do CPC/2015, é inviável o conhecimento do recurso especial, ante a deficiência na fundamentação, considerando que o recorrente não opôs embargos de declaração perante o Tribunal de origem, incidindo, na hipótese, o óbice da Súmula 284/STF: "É inadmissível o recurso extraordinário quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nesse sentido: "AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL - AUTOS DE AGRAVO DE INSTRUMENTO NA ORIGEM - DECISÃO MONOCRÁTICA QUE NEGOU PROVIMENTO AO RECLAMO. INSURGÊNCIA DA AGRAVANTE. 1. A alegação de afronta ao artigo 1022 do CPC/15 de forma genérica impede o conhecimento do recurso especial ante a deficiência na fundamentação. Incidência da Súmula 284 do STF, por analogia. 2. Nos termos da Súmula 106/STJ, "proposta a ação no prazo fixado para o seu exercício, a demora na citação, por motivos inerentes ao mecanismo da justiça, não justifica o acolhimento da arguição de prescrição ou decadência". 2.1 A conclusão a que chegou o Tribunal de origem, relativa à impossibilidade de imputar à parte a demora na efetivação da citação, fundamenta-se nas particularidades do contexto que permeia a controvérsia. Incidência da Súmula 7 do STJ. 3. Agravo interno desprovido." (AgInt nos EDcl no REsp n. 2.152.574/TO, Relator Ministro MARCO BUZZI, Quarta Turma, julgado em 16/6/2025, DJEN de 24/6/2025, g.n.) Em observância ao princípio constitucional da inafastabilidade da tutela jurisdicional, previsto no art. 5º, XXXV, da Constituição Federal, é plenamente cabível a concessão do benefício da assistência judiciária gratuita às partes. Disciplinando a matéria, a Lei 1.060/50, recepcionada pela nova ordem constitucional, em seu art. 4º, caput e § 1º, previa que o referido benefício poderia ser pleiteado a qualquer tempo, sendo suficiente para sua obtenção que a pessoa física afirmasse não ter condição de arcar com as despesas do processo, in verbis: "Art. 4º. A parte gozará dos benefícios da assistência judiciária, mediante simples afirmação, na própria petição, de que não está em condições de pagar as custas do processo e os honorários do advogado, sem prejuízo próprio ou de sua família. § 1º Presume-se pobre, até prova em contrário, quem afirmar essa condição nos termos desta lei, sob pena de pagamento até o décuplo das custas judiciais." (grifo nosso) Por sua vez, o atual CPC, disciplinando o tema nos arts. 98 a 102, disso não destoa: Art. 99. O pedido de gratuidade da justiça pode ser formulado na petição inicial, na contestação, na petição para ingresso de terceiro no processo ou em recurso. § 1o Se superveniente à primeira manifestação da parte na instância, o pedido poderá ser formulado por petição simples, nos autos do próprio processo, e não suspenderá seu curso. § 2o O juiz somente poderá indeferir o pedido se houver nos autos elementos que evidenciem a falta dos pressupostos legais para a concessão de gratuidade, devendo, antes de indeferir o pedido, determinar à parte a comprovação do preenchimento dos referidos pressupostos. § 3o Presume-se verdadeira a alegação de insuficiência deduzida exclusivamente por pessoa natural. § 4o A assistência do requerente por advogado particular não impede a concessão de gratuidade da justiça. § 5o Na hipótese do § 4o, o recurso que verse exclusivamente sobre valor de honorários de sucumbência fixados em favor do advogado de beneficiário estará sujeito a preparo, salvo se o próprio advogado demonstrar que tem direito à gratuidade. § 6o O direito à gratuidade da justiça é pessoal, não se estendendo a litisconsorte ou a sucessor do beneficiário, salvo requerimento e deferimento expressos. § 7o Requerida a concessão de gratuidade da justiça em recurso, o recorrente estará dispensado de comprovar o recolhimento do preparo, incumbindo ao relator, neste caso, apreciar o requerimento e, se indeferi-lo, fixar prazo para realização do recolhimento. Os dispositivos legais em apreço trazem a presunção juris tantum de que a pessoa física que pleiteia o benefício não possui condições de arcar com as despesas do processo sem comprometer seu próprio sustento ou de sua família. Por isso, a princípio, basta o simples requerimento, sem comprovação prévia, para que lhe seja concedida a assistência judiciária gratuita. Com efeito, a jurisprudência firmada no âmbito desta eg. Corte de Justiça delineia que o benefício da assistência judiciária pode ser indeferido quando o magistrado se convencer, com base nos elementos acostados aos autos, de que não se trata de hipótese de miserabilidade jurídica. Confiram-se: "AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. JUSTIÇA GRATUITA. INDEFERIMENTO. MATÉRIA FÁTICO-PROBATÓRIA. SÚMULA 7/STJ. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. A jurisprudência firmada no âmbito desta eg. Corte de Justiça delineia que o benefício da assistência judiciária pode ser indeferido quando o magistrado se convencer, com base nos elementos acostados aos autos, de que não se trata de hipótese de miserabilidade jurídica. 2. No caso, não comporta mera revaloração o entendimento do Tribunal a quo de não ser o caso de indeferimento da assistência judiciária gratuita, sob o fundamento de que os recorrentes, qualificados como empresários, intentaram embargos à execução acerca de um crédito no valor de R$ 6.211.444,61 (seis milhões, duzentos e onze mil, quatrocentos e quarenta e quatro reais e sessenta e um centavos), bem como a afirmação de que a empresa em que são sócios está em recuperação judicial. São incompatíveis com o benefício pleiteado. 3. A modificação de tal entendimento lançado no v. acórdão recorrido, como ora perseguida, demandaria a análise do acervo fático-probatório dos autos, o que é vedado pela Súmula 7 do STJ. 4. Agravo interno não provido." (AgInt no REsp 1639167/SP, Rel. Ministro RAUL ARAÚJO, QUARTA TURMA, julgado em 04/05/2017, DJe 18/05/2017) "AGRAVO INTERNO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DECLARATÓRIA. CONTRATO DE LOCAÇÃO. GARANTIA PRESTADA EM DUPLICIDADE E AUSÊNCIA DE CITAÇÃO DO FIADOR NA AÇÃO DE DESPEJO. APLICAÇÃO DAS SÚMULAS 282 E 356 DO STF. PENHORA DE BEM DE FAMÍLIA DO FIADOR. POSSIBILIDADE. GRATUIDADE JUDICIÁRIA. PRETENSÃO QUE DEMANDA REEXAME PROBATÓRIO. 1. Incidem os enunciados 282 e 356 da Súmula do STF quanto aos temas são estranhos ao julgado recorrido, a eles faltando o indispensável prequestionamento, do qual não estão isentas sequer as questões de ordem pública. 2. A jurisprudência desta Corte orienta que é possível a penhora de bem de família de fiador de contrato de locação, nos termos do inciso VII do art. 3º da Lei n. 8.009/1990. 3. Esta Corte entende que o juízo pode, embora haja declaração da parte de sua hipossuficiência jurídica para fins de concessão dos benefícios da gratuidade de justiça, investigar sobre a real situação financeira do requerente, cuja conclusão não é possível de ser revista em recurso especial. 4. Agravo interno a que se nega provimento." (AgInt no AREsp 224.194/SP, Rel. Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, QUARTA TURMA, julgado em 04/04/2017, DJe 20/04/2017) "AGRAVO INTERNO NO AGRAVO (ART. 544 DO CPC/73) - AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER COM PEDIDO DE INDENIZAÇÃO POR DANO MORAL - INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA - DECISÃO MONOCRÁTICA QUE NEGOU PROVIMENTO AO RECLAMO, EM RAZÃO DO ÓBICE DA SÚMULA 7 DO STJ. IRRESIGNAÇÃO DA PARTE AUTORA. 1. A presunção de pobreza, para fins de concessão dos benefícios da assistência judiciária gratuita, ostenta caráter relativo, podendo o magistrado indeferir o pedido de assistência se encontrar elementos que infirmem a hipossuficiência do requerente. Encontra óbice na Súmula 7/STJ a pretensão de revisão das conclusões do acórdão na hipótese em que, apreciando o conjunto probatório, para fins de concessão da gratuidade de justiça, as instâncias ordinárias não se convencem da hipossuficiência da parte, cuja declaração goza de presunção relativa de veracidade nos termos da jurisprudência desta Corte Superior. 2. Agravo interno desprovido." (AgInt no AREsp 990.935/RJ, Rel. Ministro MARCO BUZZI, QUARTA TURMA, julgado em 16/03/2017, DJe 22/03/2017) "PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. OMISSÃO, CONTRADIÇÃO OU OBSCURIDADE. INEXISTÊNCIA. AFERIR CONCRETAMENTE, SE O REQUERENTE FAZ JUS À GRATUIDADE DE JUSTIÇA. DEVER DA MAGISTRATURA. ADEMAIS, PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PRIVADO DEVEM DEMONSTRAR NOS AUTOS A HIPOSSUFICIÊNCIA, PARA O DEFERIMENTO DO BENEFÍCIO. 1. Não há falar em violação do art. 535 Código de Processo Civil/1973. Isso porque, embora rejeitados os embargos de declaração, a matéria em exame foi devidamente enfrentada pelo Tribunal de origem, que emitiu pronunciamento de forma fundamentada, ainda que em sentido contrário à pretensão do recorrente. 2. Consoante a firme jurisprudência do STJ, a afirmação de pobreza, para fins de obtenção da gratuidade de justiça, goza de presunção relativa de veracidade. Por isso, por ocasião da análise do pedido, o magistrado deverá investigar a real condição econômico-financeira do requerente pessoa natural, devendo, em caso de indício de haver suficiência de recursos para fazer frente às despesas, determinar seja demonstrada a hipossuficiência. 3. Por um lado, à luz da norma fundamental a reger a gratuidade de justiça e do art. 5º, caput, da Lei n. 1.060/1950 - não revogado pelo CPC/2015 -, tem o juiz o poder-dever de indeferir, de ofício, o pedido, caso tenha fundada razão e propicie previamente à parte demonstrar sua incapacidade econômico-financeira de fazer frente às custas e/ou despesas processuais. Por outro lado, é dever do magistrado, na direção do processo, prevenir o abuso de direito e garantir às partes igualdade de tratamento, em relação aos ônus e deveres processuais. (REsp 1584130/RS, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 07/06/2016, DJe 17/08/2016) 4. Agravo interno não provido." (AgInt no REsp 1592645/DF, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 07/02/2017, DJe 16/02/2017) O Juízo de origem entendeu não estarem presentes indícios de que a parte recorrente seria beneficiária da justiça gratuita, in verbis: O agravante sustenta não possuir recursos para arcar com as custas e despesas processuais, requerendo a concessão dos benefícios da justiça gratuita. Dos autos principais, verifica-se que houve o indeferimento das benesses à agravante em razão da potencial ocultação patrimonial por parte do apelante. O apelante, ora agravante, postula a concessão dos benefícios da justiça gratuita, sob o argumento de que não dispõe de recursos para arcar com as custas e despesas processuais. Entretanto, da análise dos documentos acostados às fls. 224/269, extrai-se quadro probatório que enfraquece a presunção de veracidade da alegada hipossuficiência, revelando elementos suficientes a indicar movimentação patrimonial incompatível com o benefício requerido. De início, observa-se que o documento de fls. 266/269 aponta a existência de conta bancária ativa em nome do recorrente junto a treze instituições financeiras distintas. Tal circunstância, por si só, já impõe um ônus probatório mais rigoroso ao requerente, que, não obstante instado a comprovar sua alegada situação econômica, limitou-se a apresentar extratos bancários de apenas duas dessas contas, omitindo os demonstrativos das demais. Trata-se de omissão relevante, pois compromete a análise da efetiva capacidade contributiva do agravante e evidencia conduta seletiva na produção da prova, o que reforça os indícios de ocultação patrimonial. Ainda assim, mesmo nos extratos disponibilizados às fls. 232/265, verifica-se a existência de transferências de valores consideráveis entre contas de titularidade do próprio apelante, valores estes que denotam capacidade financeira incompatível com o estado de necessidade alegado. Tais movimentações podem ser observadas, exemplificativamente, às fls. 238, 242, 245, 249, 254, 255, 259 e 264, sendo certo que não foram acompanhadas de qualquer justificativa plausível ou documentação de suporte que esclarecesse sua natureza. Some-se a isso o recebimento recorrente de valores por meio de transferências instantâneas (PIX) oriundas de instituições intermediadoras de pagamento, como EZZEPAY, STARSPAY e FOREST PAY, o que denota o exercício de atividade econômica informal ou não declarada, circunstância que igualmente compromete a narrativa de hipossuficiência. Não obstante a alegação do autor de que não possui renda fixa, verificam-se lançamentos de créditos relevantes e de origem não identificada, como aqueles registrados às fls. 235 (R$ 750,00), 238 (R$ 2.000,00) e 240 (R$ 500,00). Embora sustente que tais valores decorreriam da realização de "bicos" informais como serviços de carreto ou de pintura, não foi juntado qualquer documento que comprove essa atividade ou justifique a origem dos valores recebidos. Tal omissão evidencia a necessidade de análise completa da movimentação bancária, a qual, como já mencionado, não foi integralmente apresentada. Esses depósitos, somados aos demais lançamentos identificados, reforçam o indício de percepção de rendimentos não declarados nos autos. (..) Nesse contexto, à luz dos indícios de ocultação patrimonial e da ausência de documentos essenciais à comprovação da real situação econômica do apelante, não há como reconhecer o direito postulado. A conduta omissiva do recorrente quanto à integralidade de suas informações bancárias, aliada à demonstração de intensa movimentação financeira, impede a concessão do benefício. Dessa forma, inexistindo comprovação satisfatória da alegada vulnerabilidade econômica e diante dos elementos que sugerem capacidade contributiva, a manutenção da decisão que indeferiu a gratuidade da justiça é medida que se impõe, em estrita observância ao princípio da legalidade e à preservação da moralidade no processo judicial. A alteração do entendimento, quanto à real situação financeira da parte recorrente, reclamaria novo exame do conjunto probatório constante dos autos, providência que desafia o verbete nº 7 do STJ. Nesse sentido, confiram-se os seguintes precedentes: "PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL. ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA GRATUITA. LEI 1.060/50. PESSOA FÍSICA. DEFERIMENTO COM BASE NO CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO. ALEGAÇÃO DE BOA SITUAÇÃO ECONÔMICO-FINANCEIRA. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. SÚMULA 7/STJ. 1. Hipótese em que o Tribunal a quo manteve o benefício da assistência judiciária gratuita com base nas provas contidas nos autos. A revisão desse entendimento implica reexame do material fático-probatório, o que encontra óbice na Súmula 7/STJ. 2. Agravo Regimental não provido." (AgRg no Ag 838.908/MG, Rel. Min. HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 2/8/2007, DJ 21/9/2007 p. 296) "AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RESPONSABILIDADE CIVIL DA ADMINISTRAÇÃO. PODE DE ÁRVORE. QUEDA DE GALHO SOBRE VEÍCULO DO AUTOR DANO MORAL.VIOLAÇÃO AOS ARTS. 458 E 535, II, DO CPC/73. OMISSÃO. SÚMULA 7 DO STJ. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. Não há falar em violação ao art. 535, II, do CPC/73, pois a matéria em exame foi devidamente enfrentada pelo Tribunal de origem, que emitiu pronunciamento de forma fundamentada, ainda que em sentido contrário à pretensão da parte recorrente. 3. A pretensão recursal sobre a concessão do benefício de gratuidade de justiça à parte agravada demandaria o revolvimento das provas carreadas aos autos, o que é vedado em sede de recurso especial, nos termos da Súmula 7 do STJ. 4. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt nos EDcl no AgInt no AREsp 887.563/RJ, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 29/08/2017, DJe 05/09/2017) Diante do exposto, nos termos do art. 253, parágrafo único, II, b, do RISTJ, conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial. Publique-se. EMENTA