RHC 201176 - DECISAO
A impetração foi rejeitada porque a alegada ausência de documentos que instruíram a denúncia foi suscitada tardiamente (mais de cinco anos após o recebimento da denúncia e ciência da acusada), configurando nulidade de algibeira/preclusão, entendimento pacificado na jurisprudência do STJ; não se demonstrou...
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- Parties
- Impetrante/recorrente: LUCIANA DE LARA ABIB; Órgão Judicante Recorrido: Tribunal de Justiça do Estado do Paraná; Manifestante Nos Autos: Ministério Público Federal
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 01 October 2024
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Recurso Em Habeas Corpus Interposto Contra Acórdão Do Tribunal De Justiça Do Estado Do Paraná; Decisão Final Do Superior Tribunal De Justiça Ordem Denegada
- Outcome
- nego provimento ao recurso
- Legal Topics
- Lavagem De Capitais, Nulidade De Algibeira, Quebra De Sigilo Bancário/fiscal, Preclusão Temporal, Habeas Corpus
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Parties
LUCIANA DE LARA ABIB
Impetrante/recorrente
Tribunal de Justiça do Estado do Paraná
Órgão Judicante Recorrido
Ministério Público Federal
Manifestante Nos Autos
Procedural Posture
Habeas Corpus / Recurso Em Habeas Corpus Interposto Contra Acórdão Do Tribunal De Justiça Do Estado Do Paraná; Decisão Final Do Superior Tribunal De Justiça Ordem Denegada
Legal Issues
- 1 Se a ausência de juntada das decisões que autorizaram quebras de sigilo fiscal e bancário configura nulidade processual a ensejar anulação desde o recebimento da denúncia
- 2 Se a matéria foi arguida tempestivamente ou se configura nulidade de algibeira/preclusão
- 3 Se é cabível habeas corpus para suposta nulidade não arguida oportunamente
Ratio Decidendi
A impetração foi rejeitada porque a alegada ausência de documentos que instruíram a denúncia foi suscitada tardiamente (mais de cinco anos após o recebimento da denúncia e ciência da acusada), configurando nulidade de algibeira/preclusão, entendimento pacificado na jurisprudência do STJ; não se demonstrou constrangimento ilegal apto a justificar a via do habeas corpus, razão pela qual o recurso foi negado.
Court Disposition
nego provimento ao recurso
Orders
- Nego provimento ao recurso.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso em habeas corpus, com pedido liminar, interposto por LUCIANA DE LARA ABIB contra acórdão do Tribunal de Justiça do Estado do Paraná (Habeas Corpus n. 0007706-76.2024.8.16.0000). Consta dos autos que a recorrente foi denunciada, em concurso com outros corréus, como incursa no art. 1º, caput e § 4º, da Lei n. 9.613/1993, por onze vezes. A denúncia foi apresentada em 27/9/2018 e a audiência de instrução e julgamento foi designada para 22/2/2024. No entanto, a defesa verificou que "os relatórios de auditoria que acompanharam a denúncia e influenciaram a convicção ministerial pelo seu oferecimento foram baseados em dados bancários obtidos mediante decisões que deferiram quebras de sigilo fiscal e bancário - que, no entanto, jamais foram acostados aos autos pela acusação". Dessa forma, impetrou-se prévio writ, o qual foi julgado nos termos da seguinte ementa (e-STJ fls. 3.095): HABEAS CORPUS. LAVAGEM DE CAPITAIS. ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA. AVENTADA NULIDADE POR AUSÊNCIA DE DOCUMENTOS QUE EMBASARAM RELATÓRIO DE AUDITORIA. NÃO CONFIGURAÇÃO. DOCUMENTOS À DISPOSIÇÃO DAS PARTES. ADEMAIS, ALEGAÇÃO QUE SOBREVEIO APÓS CINCO ANOS DE TRAMITAÇÃO DO PROCESSO. NULIDADE DE ALGIBEIRA. INEXISTÊNCIA DE CONSTRANGIMENTO ILEGAL. ORDEM DENEGADA. No presente recurso, a defesa aduz, em um primeiro momento, que não se trata de nulidade de algibeira, porquanto foi arguída na primeira oportunidade. No mais, reitera que o processo deve ser anulado desde o início, uma vez a acusação não juntou documentos essenciais à defesa. Pugna, liminarmente, pela suspensão do processo e, no mérito, pela sua nulidade desde o início. A liminar foi indeferida pela Presidência às e-STJ fls. 3.313-3.314, as informações foram prestadas às e-STJ fls. 3.320-3.324 e 3.327 e 3.343, e o Ministério Público Federal se manifestou, às e-STJ fls. 3.345-3.350, pelo não provimento do recurso. É o relatório. Decido. Conforme relatado, a defesa busca, em síntese, a nulidade do processo, desde o recebimento da denúncia, ao argumento de que a inicial não se encontrava devidamente instruída. Contudo, conforme bem destacado pela Corte local, "a denúncia foi recebida em 17/10/2018, há mais de cinco anos, estando Luciana - também advogada - formalmente ciente da denúncia desde 1º/12 /2018, quando foi citada" (e-STJ fl. 3.100). Registrou-se, ademais, que "a nulidade suscitada pela defesa trata-se daquilo que a doutrina e a jurisprudência entendem por "nulidade de algibeira", ou seja, uma tese defensiva que é deixada para ser alegada em momento conveniente. Consigna-se que tal conduta fere o princípio da boa-fé proces sual" (e-STJ fl. 3.100). Verifica-se, portanto, que o acórdão recorrido encontra-se em consonância com a jurisprudência desta Corte Superior, que "não tolera a referida nulidade de algibeira - eiva esta que, podendo ser sanada pela insurgência imediata da defesa após ciência do vício, não é alegada como estratégia, numa perspectiva de melhor conveniência futura" (AgRg na RvCr n. 5.565/RS, Relator Ministro JESUÍNO RISSATO (Desembargador Convocado do TJDFT), Terceira Seção, julgado em 23/11/2022, DJe de 29/11/2022). No mesmo sentido: AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. HOMICÍDIO QUALIFICADO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. IRREGULARIDADE NO RECONHECIMENTO FOTOGRÁFICO. SENTENÇA CONDENATÓRIA. APELAÇÃO JULGADA. TRÂNSITO EM JULGADO. INVIABILIDADE DO CONHECIMENTO DA IMPETRAÇÃO. AGRAVO DESPROVIDO. 1. Na hipótese, não há se falar em constrangimento ilegal a ser sanado em sede de habeas corpus, pois o recorrente já foi condenado pelo Tribunal do Júri à pena de 14 anos de reclusão pela prática do delito de homicídio tendo, inclusive, ocorrido o trânsito em julgado da condenação. Insurge-se a defesa contra um acórdão de recurso em sentido estrito, quando já houve, inclusive, julgamento de apelação e trânsito em julgado. Assim, absolutamente inviável o conhecimento da impetração. 2. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 787.053/SP, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 17/4/2023, DJe de 20/4/2023) AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. TRÁFICO DE DROGAS. CONDENAÇÃO CONFIRMADA EM APELAÇÃO. NULIDADE. VIOLAÇÃO DE DOMICÍLIO. PRECLUSÃO DA MATÉRIA. FLAGRANTE APONTADO COMO ILEGAL OCORRIDO HÁ MAIS DE 12 ANOS. CONDENAÇÃO QUE TRANSITOU EM JULGADO HÁ MAIS 9 ANOS. NULIDADE NÃO APONTADA NO MOMENTO OPORTUNO. ILEGALIDADE MANIFESTA NÃO EVIDENCIADA. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. Na hipótese dos autos, somente mais de 12 anos após a suposta ocorrência da apontada nulidade e mais de 9 anos após o trânsito em julgado da condenação, foi impetrado o mandamus, o qual não pode ser conhecido, em decorrência da preclusão da matéria, que sequer foi suscitada durante o curso do processo ou em recurso de apelação, tendo sido questionada somente em sede de revisão criminal interposta 11 anos após o ato apontado como nulo. Assim, inadmissível a desconstituição de ato ocorrido há mais de 12 anos, sem que a defesa tenha manifestado sua irresignação no momento oportuno. 2. Com efeito, em respeito à segurança jurídica e lealdade processual, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça - STJ tem se orientado no sentido de que as nulidades ainda denominadas absolutas, bem como qualquer outra falha ocorrida no julgamento do acórdão atacado, também devem ser arguidas em momento oportuno, sujeitando-se à preclusão temporal. 3. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 732.335/RJ, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, julgado em 14/11/2022, DJe de 17/11/2022) AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. TRIBUNAL DO JÚRI. ANULAÇÃO DA PRONÚNCIA. ELEMENTOS DE AUTORIA NÃO RATIFICADOS EM JUÍZO. TESE VENTILADA MAIS DE QUATRO ANOS APÓS A PROLAÇÃO DO ACÓRDÃO EM SEGUNDO GRAU. PRONÚNCIA LASTREADA EXCLUSIVAMENTE EM HEARSAY TESTIMONY. ALEGAÇÃO NÃO DEDUZIDA NO RECURSO EM SENTIDO ESTRITO. EFEITO DEVOLUTIVO DA VIA DE IMPUGNAÇÃO LIMITADO PELA PRETENSÃO DEDUZIDA NAS RAZÕES RECURSAIS OU NAS CONTRARRAZÕES. PRECLUSÃO DA CONTROVÉRSIA NA ORIGEM. IMPOSSIBILIDADE DE ESTA CORTE EXAMINAR A MATÉRIA PER SALTUM, AINDA QUE SE TRATASSE, EVENTUALMENTE, DE QUESTÃO DE ORDEM PÚBLICA. PRETENDIDA CONCESSÃO DA ORDEM EX OFFICIO. PROVIDÊNCIA QUE NÃO PODE SERVIR PARA ULTRAPASSAR A INADMISSIBILIDADE DA VIA ELEITA. AGRAVO DESPROVIDO. 1. Na hipótese, transcorreu grande lapso temporal - mais de 4 (quatro) anos - entre a data em que foi proferido o acórdão de segundo grau e o protocolo da presente impetração. Portanto, está evidenciada a alegação de nulidade de algibeira, prática rechaçada pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. Precedentes. 2. O conhecimento do recurso em sentido estrito é limitado ao que fora deduzido nas razões recursais ou nas contrarrazões. Por esse motivo, nos habeas corpus impetrados nesta Corte, não se pode apreciar pretensão não ventilada oportunamente nas instâncias antecedentes, sob pena de indevida supressão de instância. 3. A Jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça "é pacífica no sentido de que, ainda que se trate de matéria de ordem pública, é imprescindível o seu prévio debate na instância de origem para que possa ser examinada por este Tribunal Superior (AgRg no HC 530.904/PR, Rel. Ministro JORGE MUSSI, Quinta Turma, julgado em 24/09/2019, DJe 10/10/2019)" (STJ, AgRg no HC 666.908/SP, Rel. Ministro REYNALDO SOARES DA FONSECA, Quinta Turma, julgado em 17/8/2021, DJe 20/ 8/2021). 4. Nos termos do art. 654, § 2.º, do Código de Processo Penal, o habeas corpus de ofício é concedido por iniciativa dos Tribunais ao identificaram ilegalidade flagrante. Tal providência não se presta como meio para que a Defesa obtenha pronunciamento judicial sobre o mérito de pedido deduzido em via de impugnação que não ultrapassou os requisitos de admissibilidade. 5. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 774.881/SC, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, julgado em 28/11/2022, DJe de 2/12/2022) Não há se falar, portanto, em constrangimento ilegal. Pelo exposto, nego provimento ao recurso. Publique-se. EMENTA