AREsp 2527257 - DECISAO
Os fatos imputados aos recorrentes foram subsumidos exclusivamente ao caput do art. 11 da Lei 8.429/1992; com a superveniência da Lei 14.230/2021 (e menção à 14.231/2021) essa hipótese genérica deixou de ser típica e, na ausência de condenação com trânsito em julgado e não havendo continuidade típico-normativa ao...
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- Parties
- Agravante: RICARDO TORRES SANTANA; Agravante: CLEOMIR DA SILVA MATOS; Agravante: EURICO MANOEL FRANCO AZEVEDO; Agravante: RAYMUNDO NONATO ARAÚJO DA ROCHA; Agravante: JEFFERSON AUGUSTO TRAVESSA RIBEIRO; Autor: MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL; Assistente: UNIÃO; Parte: ESPÓLIO DE RICARDO TORRES SANTANA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 13 December 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão (conheço E Dou Provimento)
- Outcome
- Conheço dos agravos e dou provimento aos recursos especiais; julgo improcedente o pedido ministerial formulado no presente feito.
- Legal Topics
- Lei De Improbidade Administrativa (lei 8.429/1992), Aplicação Da Lei 14.230/2021 E 14.231/2021, Tema 1.199 (are 843989), Princípio Da Continuidade Típico Normativa, Competência Da Justiça Federal, Legitimidade Do MPF
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Parties
RICARDO TORRES SANTANA
Agravante
CLEOMIR DA SILVA MATOS
Agravante
EURICO MANOEL FRANCO AZEVEDO
Agravante
RAYMUNDO NONATO ARAÚJO DA ROCHA
Agravante
JEFFERSON AUGUSTO TRAVESSA RIBEIRO
Agravante
MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
Autor
UNIÃO
Assistente
ESPÓLIO DE RICARDO TORRES SANTANA
Parte
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão (conheço E Dou Provimento)
Legal Issues
- 1 Aplicação retroativa da Lei 14.230/2021/14.231/2021 aos atos de improbidade previstos no art. 11 da Lei 8.429/1992
- 2 Continuidade típico-normativa e possibilidade de manutenção da condenação quando houver enquadramento específico na nova redação
- 3 Necessidade de prova inequívoca para caracterização de enriquecimento ilícito e dano ao erário
Ratio Decidendi
Os fatos imputados aos recorrentes foram subsumidos exclusivamente ao caput do art. 11 da Lei 8.429/1992; com a superveniência da Lei 14.230/2021 (e menção à 14.231/2021) essa hipótese genérica deixou de ser típica e, na ausência de condenação com trânsito em julgado e não havendo continuidade típico-normativa ao novo rol de incisos, aplicam‑se as alterações legais, de modo que o pedido ministerial deve ser julgado improcedente.
Court Disposition
Conheço dos agravos e dou provimento aos recursos especiais; julgo improcedente o pedido ministerial formulado no presente feito.
Orders
- Conheço dos agravos interpostos.
- Dou provimento aos recursos especiais.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravos interpostos por RICARDO TORRES SANTANA, CLEOMIR DA SILVA MATOS, EURICO MANOEL FRANCO AZEVEDO, RAYMUNDO NONATO ARAÚJO DA ROCHA e JEFFERSON AUGUSTO TRAVESSA RIBEIRO contra decisão do TRF1ª, que inadmitiu os recursos especiais, aviados com respaldo no permissivo constitucional, em face do acórdão assim ementado (e-STJ fls. 1.436/1.437): DIREITO ADMINISTRATIVO. IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. ILEGITIMIDADE DO MPF E INCOMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL. PRELIMINAR REJEITADA. DISCRICIONARIEDADE DO MPF QUANTO À PRODUÇÃO DE INQUÉRITO CIVIL. AUSÊNCIA DE PROVAS QUANTO AO ENRIQUECIMENTO ILÍCITO E PREJUIZO AO ERÁRIO. REFORMA PARCIAL DA SENTENÇA. ATOS DE IMPROBIDADE ATENTATÓRIOS AOS PRINCÍPIOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. SERVIDORES FEDERAIS EXERCENDO GERÊNCIA DE SOCIEDADE EMPRESÁRIA. CONDENAÇÃO REDUZIDA. AUSÊNCIA DOS REQUISITOS AUTORIZADORES PARA DECRETAÇÃO DA INDISPONIBILIDADE DE BENS. 1. O Ministério Público Federal tem legitimidade para promover a ação de improbidade administrativa, pela existência de atos de improbidade envolvendo servidores federais e recursos federais e, aliado ao fato da União ter sido admitida como assistente do autor, são razões suficientes para firmar a competência da Justiça Federal para o processo e julgamento da ação. 2. A necessidade ou não de produção e apresentação de inquérito civil pelo MPF está no âmbito de sua discricionariedade, não sendo fator preponderante para acarretar a nulidade do processo. 3. Na hipótese, não há elementos probatórios suficientes para condenar os réus pela prática de atos que caracterizem enriquecimento ilícito e dano ao erário (artigos 9º e 10 da Lei 8.429/92). O discurso da inicial é apenas uma proposta de condenação, que não pode ser aceita sem provas inequívocas, que demonstrem a efetiva ocorrência de dano ao erário e/ou o enriquecimento ilícito dos réus às custas de recursos públicos, que só então gerariam o dever de ressarcimento ao erário e, também, à perda dos cargos públicos. 4. Configurada a prática de atos de improbidade descritos no art. 11 da LIA. Os apelantes não poderiam exercer a gerência de sociedade empresária, tendo em vista a condição de servidores públicos federais, em transgressão aos princípios da legalidade, moralidade e probidade, conduta que configura ato de improbidade e impõe a condenação nas sanções previstas no artigo 12, inciso III da LIA. 5. Não configurados os atos reveladores de enriquecimento ilícito e dano ao erário, não há condenação em ressarcimento integral do dano, que subsidiaria as medidas constritivas impostas, tendo em vista o disposto no parágrafo único do artigo 7º da Lei 8.429/92. 6. Apelações parcialmente providas para considerar os apelantes incursos nos artigos 11 e 12 da Lei n. 8.429/92, afastando-se, todavia, diante dos motivos ora expostos, o ressarcimento do dano que lhes foi imposto, e a perda dos cargos públicos; outrossim, reduzir a multa civil imposta a Ricardo Torres Santana para três vezes o valor de sua remuneração, e, quanto aos demais apelantes, para duas vezes o valor de suas remunerações; bem como, para três anos, a suspensão dos direitos políticos e a proibição de contratar com o poder público e/ou de receber incentivos fiscais e creditícios, direta ou indiretamente, ainda que por intermédio de pessoa jurídica da qual os apelantes sejam sócios majoritários. Fica mantida a condenação em honorários Embargos de declaração e embargos infringentes desprovidos. Em suas razões, os recorrentes defendem que o acórdão contrariou o contido nos arts. 11 e 12 da Lei n. 8.429/1992. Contrarrazões. Juízo negativo de admissibilidade (e-STJ fls. 2.460/2.465 e 2.472/2.477). O Espólio de RICARDO TORRES SANTANA defendeu que nenhuma das sanções impostas ao de cujus pode ser transmitidas aos seus herdeiros, porquanto destituídas de caráter ressarcitório (e-STJ fls. 2846/2847). Considerando que ao tempo da interposição dos recursos especiais ainda não havia sido editada a Lei n. 14.230/2021, determinei a intimação das partes para manifestação, oportunidade em que houve manifestação, inclusive do MPF, pela aplicação retroativa do diploma legal em destaque (e-STJ fls. 2.846/2.847; 2.849/2.860; 2.865/2.878). Passo a decidir. No exame dos autos, cumpre consignar que o acórdão recorrido merece ajuste. É que a condenação dos recorrentes deu-se pela prática de atos de improbidade administrativa previstos no art. 11, caput, da LIA. Considerado isso, cumpre consignar que a Primeira Turma desta Corte Superior, por maioria, no julgamento do AREsp 2.031.414/MG, em que fiquei vencido, realizado em 09/05/2023, seguindo a divergência apresentada pela Min. Regina Helena Costa, firmou a orientação de conferir interpretação restritiva às hipóteses de aplicação retroativa da NLIA, adstrita aos atos ímprobos culposos não transitados em julgado, de acordo com a tese 3 do Tema 1.199 do STF. Acontece que a Suprema Corte, em momento posterior, ampliou a aplicação da referida tese ao caso de ato de improbidade administrativa fundado na responsabilização por violação genérica dos princípios discriminados no caput do art. 11 da Lei n. 8.249/1992, desde que não haja condenação com trânsito em julgado, nos termos dos seguintes precedentes das suas duas Turmas e do Plenário: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA NO SEGUNDO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. AÇÃO CIVIL PÚBLICA DE RESPONSABILIDADE POR ATO DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. ADVENTO DA LEI 14.231/2021. INTELIGÊNCIA DO ARE 843989 (TEMA 1.199). INCIDÊNCIA IMEDIATA DA NOVA REDAÇÃO DO ART. 11 DA LEI 8.429/1992 AOS PROCESSOS EM CURSO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO PROVIDOS PARA DAR PROVIMENTO AO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. 1. A Lei 14.231/2021 alterou profundamente o regime jurídico dos atos de improbidade administrativa que atentam contra os princípio da administração pública (Lei 8.249/1992, art. 11), promovendo, dentre outros, a abolição da hipótese de responsabilização por violação genérica aos princípios discriminados no caput do art. 11 da Lei 8.249/1992 e passando a prever a tipificação taxativa dos atos de improbidade administrativa por ofensa aos princípios da administração pública, discriminada exaustivamente nos incisos do referido dispositivo legal. 2. No julgamento do ARE 843989 (Tema 1.199), o Supremo Tribunal Federal assentou a irretroatividade das alterações da introduzidas pela Lei 14.231/2021 para fins de incidência em face da coisa julgada ou durante o processo de execução das penas e seus incidentes, mas ressalvou exceção de retroatividade para casos como o presente, em que ainda não houve o trânsito em julgado da condenação por ato de improbidade. 3. As alterações promovidas pela Lei 14.231/2021 ao art. 11 da Lei 8.249/1992 aplicam-se aos atos de improbidade administrativa praticados na vigência do texto anterior da lei, porém sem condenação transitada em julgado. 4. Tendo em vista que (i) o Tribunal de origem condenou o recorrente por conduta subsumida exclusivamente ao disposto no inciso I do do art. 11 da Lei 8.429/1992 e que (ii) a Lei 14.231/2021 revogou o referido dispositivo e a hipótese típica até então nele prevista ao mesmo tempo em que (iii) passou a prever a tipificação taxativa dos atos de improbidade administrativa por ofensa aos princípios da administração pública, imperiosa a reforma do acórdão recorrido para considerar improcedente a pretensão autoral no tocante ao recorrente. 5. Impossível, no caso concreto, eventual reenquadramento do ato apontado como ilícito nas previsões contidas no art. 9º ou 10º da Lei de Improbidade Administrativa (Lei 8.249/1992), pois o autor da demanda, na peça inicial, não requereu a condenação do recorrente como incurso no art. 9º da Lei de Improbidade Administrativa e o próprio acórdão recorrido, mantido pelo Superior Tribunal de Justiça, afastou a possibilidade de condenação do recorrente pelo art. 10, sem que houvesse qualquer impugnação do titular da ação civil pública quanto ao ponto. 6. Embargos de declaração conhecidos e acolhidos para, reformando o acórdão embargado, dar provimento aos embargos de divergência, ao agravo regimental e ao recurso extraordinário com agravo, a fim de extinguir a presente ação civil pública por improbidade administrativa no tocante ao recorrente. (ARE 803.568 AgR-segundo-EDv-ED, relator para Acórdão Min. GILMAR MENDES, TRIBUNAL PLENO, DJe 06/09/2023). AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. ATO DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. LEI N. 14.231/2021: ALTERAÇÃO DO ART. 11 DA LEI N. 8.429/1992. APLICAÇÃO AOS PROCESSOS EM CURSO. TEMA 1.199 DA REPERCUSSÃO GERAL. AGRAVO IMPROVIDO. I - No julgamento do ARE 843.989/PR (Tema 1.199 da Repercussão Geral), da relatoria do Ministro Alexandre de Moraes, o Supremo Tribunal Federal assentou a irretroatividade das alterações promovidas pela Lei n. 14.231/2021 na Lei de Improbidade Administrativa (Lei n. 8.429/1992), mas permitiu a aplicação das modificações implementadas pela lei mais recente aos atos de improbidade praticados na vigência do texto anterior nos casos sem condenação com trânsito em julgado. II - O entendimento firmado no Tema 1.199 da Repercussão Geral aplica-se ao caso de ato de improbidade administrativa fundado no revogado art. 11, I, da Lei n. 8.429/1992, desde que não haja condenação com trânsito em julgado. III - Agravo improvido. (RE 1.452.533 AgR, relator Min. CRISTIANO ZANIN, PRIMEIRA TURMA, DJe 21/11/2023). SEGUNDO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. RESPONSABILIDADE POR ATO DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. ADVENTO DA LEI 14.231/2021. INTELIGÊNCIA DO ARE 843.989 (TEMA 1.199). INCIDÊNCIA IMEDIATA DA NOVA REDAÇÃO DO ART. 11 DA LEI 8.429/1992 AOS PROCESSOS EM CURSO. 1. A Lei 14.231/2021 alterou profundamente o regime jurídico dos atos de improbidade administrativa que atentam contra os princípios da administração pública (Lei 8.249/1992, art. 11), promovendo, dentre outros, a abolição da hipótese de responsabilização por violação genérica aos princípios discriminados no caput do art. 11 da Lei 8.249/1992 e passando a prever a tipificação taxativa dos atos de improbidade administrativa por ofensa aos princípios da administração pública, discriminada exaustivamente nos incisos do referido dispositivo legal. 2. No julgamento do ARE 843.989 (tema 1.199), o Supremo Tribunal Federal assentou a irretroatividade das alterações introduzidas pela Lei 14.231/2021, para fins de incidência em face da coisa julgada ou durante o processo de execução das penas e seus incidentes, mas ressalvou exceção de retroatividade relativa para casos como o presente, em que ainda não houve o trânsito em julgado da condenação por ato de improbidade. 3. As alterações promovidas pela Lei 14.231/2021 ao art. 11 da Lei 8.249/1992 aplicam-se aos atos de improbidade administrativa praticados na vigência do texto anterior da lei, porém sem condenação transitada em julgado. 4. Tendo em vista que (i) a imputação promovida pelo autor da demanda, a exemplo da capitulação promovida pelo Tribunal de origem, restringiu-se a subsumir a conduta imputada aos réus exclusivamente ao disposto no caput do art. 11 da Lei 8.429/1992 e que (ii) as condutas praticadas pelos réus, nos estritos termos em que descritas no arresto impugnado, não guardam correspondência com qualquer das hipóteses previstas na atual redação dos incisos do art. 11 da Lei 8.429/1992, imperiosa a reforma do acórdão recorrido para julgar improcedente a pretensão autoral. 5. Ausência de argumentos capazes de infirmar a decisão agravada. 6. Agravo regimental desprovido. (ARE 1.346.594 AgR-segundo, Relator GILMAR MENDES, Segunda Turma, julgado em 24-10-2023, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-s/n DIVULG 30-10-2023 PUBLIC 31-10-2023). A propósito do tema, vale transcrever excerto do voto proferido pelo Min. ALEXANDRE MORAES, por ocasião do julgado do RE 1.452.533 AgR, acima referido: No presente processo, os fatos datam de 2012 - ou seja, muito anteriores à Lei 14.230/2021, que trouxe extensas alterações na Lei de Improbidade Administrativa, e o processo ainda não transitou em julgado. Assim, tem-se que a conduta não é mais típica e, por não existir sentença condenatória transitada em julgado, não é possível a aplicação do art. 11 da Lei 8.429/1992, na sua redação original. Logo, deve se aplicar ao caso a tese fixada no Tema 1199, pois, da mesma maneira que houve abolitio criminis no caso do tipo culposo houve, também, nessa hipótese, do artigo 11. Portanto, conforme registra o Eminente Relator, o acórdão do Tribunal de origem no presente caso ajusta-se ao entendimento do Plenário do SUPREMO no Tema 1199, razão pela qual não merece reparos. Idêntico entendimento vem sendo aplicado em precedentes monocráticos, conforme os julgados que seguem: ARE 1.450.417, relator Min. DIAS TOFFOLI, DJe 1º/09/2023; ARE 1.456.122, rel. Min. LUÍS ROBERTO BARROSO, DJe 22/09/2023; ARE 1.457.770, rel. Min. CÁRMEN LÚCIA, DJe 09/10/2023. Não obstante esse panorama jurisprudencial, a Primeira Turma do STJ consolidou o entendimento a respeito da aplicação do princípio da continuidade típico-normativa, de modo a afastar a abolição da tipicidade da conduta do réu (caput do art. 11, e seus incisos I e II, da LIA), quando houvesse inciso específico no referido dispositivo, com a redação dada pela Lei n. 14.230/2021, preservando a reprovação da conduta da parte demandada, a justificar a manutenção da condenação. Nesse sentido: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DIREITO ADMINISTRATIVO. IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS REITORES DA ADMINISTRAÇÃO. MÁCULA À IMPESSOALIDADE E À MORALIDADE MEDIANTE A PROMOÇÃO PESSOAL REALIZADA PELO PREFEITO EM PROPAGANDA OFICIAL. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. NÃO OCORRÊNCIA. PRESENÇA DO ELEMENTO SUBJETIVO DOLOSO E RAZOABILIDADE DAS PENAS APLICADAS. ATRAÇÃO DA SÚMULA 7/STJ. CONDENAÇÃO COM BASE NO CAPUT DO ART. 11 DA LIA. PRINCÍPIO DA CONTINUIDADE TÍPICO-NORMATIVA. INEXISTÊNCIA DE ABOLIÇÃO DA IMPROBIDADE NO CASO CONCRETO. EXPRESSA TIPIFICAÇÃO DA CONDUTA DO PREFEITO NO INCISO XII DO ART. 11 DA LIA. PROVIMENTO NEGADO. 1. Nos termos do art. 535 do Código de Processo Civil de 1973, os embargos de declaração destinam-se a esclarecer obscuridade, eliminar contradição, suprir omissão e corrigir erro material eventualmente existentes no julgado. Caso concreto em que todas as questões relevantes foram devidamente enfrentadas no acórdão recorrido. 2. É pacífica a possibilidade de agentes políticos serem sujeitos ativos de atos de improbidade nos termos do que foi pontificado pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE 976.566 (Tema 576). 3. A revisão do reconhecimento da presença do elemento subjetivo doloso na promoção pessoal realizada pelo Prefeito em propaganda oficial e a dosimetria das sanções aplicadas em ação de improbidade administrativa implicam reexame do contexto fático-probatório, providência vedada pela Súmula 7 do Superior Tribunal de Justiça (STJ), notadamente quando, da leitura do acórdão recorrido, não exsurge a desproporcionalidade das penas aplicadas. 4. Abolição da hipótese de responsabilização por violação genérica aos princípios administrativos prevista no art. 11, caput, da Lei de Improbidade Administrativa (LIA) pela Lei 14.230/2021. Desinfluência quando, entre os novéis incisos inseridos pela lei 14.230/2021, remanescer típica a conduta considerada no acórdão como violadora dos princípios da moralidade e da impessoalidade, evidenciando verdadeira continuidade típico-normativa, instituto próprio do direito penal, mas em tudo aplicável à ação de improbidade administrativa. 5. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp n. 1.206.630/SP, relator Ministro Paulo Sérgio Domingues, Primeira Turma, julgado em 27/2/2024, DJe de 1/3/2024) (Grifos acrescidos). No caso concreto, conforme ressaltado na manifestação ministerial colhida às e-STJ fls. 2865/2878, "a conduta do art. 11, caput, da LIA, praticada de modo isolado, deixou de ser típica, conforme alterações decorrentes da superveniência da Lei n.º 14.230/2021, e, o ato imputado aos réus de "exercer gerência de sociedade empresária, tendo em vista a condição de servidores públicos federais", não corresponde a nenhuma das hipóteses previstas nos novéis incisos do art. 11 da LIA", de modo que ausente a continuidade típico-normativa. De rigor, portanto, a improcedência do pedido formulado na presente ação de improbidade administrativa. Ante o exposto, CONHEÇO do agravos para DAR PROVIMENTO aos recursos especiais, de modo a julgar improcedente o pedido ministerial formulado no presente feito. Prejudicado o pleito de e-STJ fls. 2.846/2. 847. Publique-se. Intimem- se. EMENTA