AREsp 2234960 - DECISAO
Conheço do agravo e nego provimento ao recurso especial porque a Corte de origem fundamentou, com elementos concretos, o aumento da pena-base (crime praticado em via pública que revela maior ousadia), a alteração das conclusões exigiria revolver o conjunto fático-probatório (vedado pela Súmula 7/STJ), e a palavra da...
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- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 27 June 2024
- Procedural Posture
- Agravo Da Decisão De Inadmissibilidade Do Recurso Especial / Conhecimento Do Agravo E Julgamento Do Recurso Especial; Decisão Final Proferida: Agravo Conhecido E Recurso Especial Negado Provimento
- Outcome
- Conheço do agravo e nego provimento ao recurso especial.
- Legal Topics
- Lesão Corporal, Violência Doméstica, Ameaça, Dosimetria Da Pena, Prova, Legítima Defesa
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Procedural Posture
Agravo Da Decisão De Inadmissibilidade Do Recurso Especial / Conhecimento Do Agravo E Julgamento Do Recurso Especial; Decisão Final Proferida: Agravo Conhecido E Recurso Especial Negado Provimento
Legal Issues
- 1 Dosimetria da pena
- 2 Insuficiência de provas e impossibilidade de revolvimento do conjunto fático-probatório
- 3 Valoração da palavra da vítima em crimes domésticos
Ratio Decidendi
Conheço do agravo e nego provimento ao recurso especial porque a Corte de origem fundamentou, com elementos concretos, o aumento da pena-base (crime praticado em via pública que revela maior ousadia), a alteração das conclusões exigiria revolver o conjunto fático-probatório (vedado pela Súmula 7/STJ), e a palavra da vítima corroborada tem valor probatório suficiente; ademais, não há direito a fração matemática fixa para cada circunstância judicial, devendo a valoração ser proporcional e justificada.
Court Disposition
Conheço do agravo e nego provimento ao recurso especial.
Orders
- Conheço do agravo e nego provimento ao recurso especial.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo da decisão de inadmissibilidade do recurso especial interposto contra acórdão do Tribunal de Justiça do Estado de Alagoas assim ementado (e-STJ fl. 142): PENAL. PROCESSO PENAL. APELAÇÃO CRIMINAL. LESÃO CORPORAL PRATICADA EM CONTEXTO DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA. ART. 129, § 9º, DO CP. ALEGAÇÃO DE EXCLUDENTE DE ILICITUDE PELA LEGÍTIMA DEFESA. SUPOSTA INSUFICIÊNCIA DE PROVAS DA AUTORIA E DA MATERIALIDADE DELITIVA. NÃO VERIFICAÇÃO. LAUDO DE EXAME DE CORPO DE DELITO QUE ATESTA MÚLTIPLAS LESÕES CORPORAIS. DECLARAÇÕES DA VÍTIMA CORROBORADAS EM PARTE POR PROVA TESTEMUNHAL. CONDENAÇÃO MANTIDA. DOSIMETRIA DA PENA. CIRCUNSTÂNCIAS DO CRIME. INFRAÇÃO PRATICADA EM VIA PÚBLICA. FUNDAMENTAÇÃO IDÔNEA. APELAÇÃO CONHECIDA E DESPROVIDA. A parte recorrente sustenta que a prática do fato em via pública não extrapola os limites ordinários do tipo penal e que a elevação da pena-base deve se dar à razão de 1/6 sobre a pena mínima para cada circunstância valorada negativamente. Parecer do Ministério Público Federal pelo desprovimento do recurso. Decido. Conheço do agravo e analiso o recurso especial, o qual questiona a dosimetria da pena aplicada. Não há qualquer ilegalidade sanável na via estreita deste recurso, uma vez que a pena-base foi elevada com base em elementos concretos, a saber, "as circunstâncias do crime são desfavoráveis, uma vez que cometeu o delito em plena via pública, fato que revela maior ousadia e destemor da conduta" (e-STJ fl. 86). A propósito: PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. VIOLÊNCIA DOMÉSTICA. CRIME DE AMEAÇA. PRETENSÃO ABSOLUTÓRIA. SÚMULA 7/STJ. DOSIMETRIA PENAL. CIRCUNSTÂNCIAS DO CRIME. VALORAÇÃO NEGATIVA. UTILIZAÇÃO DE ELEMENTOS CONCRETOS. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. A condenação pelos crime de ameaça e vias de fato foi baseada no depoimento da vítima em conjunto com o da testemunha, bem como as demais provas produzidas nos autos, tanto na fase inquisitorial quanto na etapa judicial. Ou seja, o acórdão recorrido concluiu motivadamente pela presença de provas suficientes para comprovar a autoria e a materialidade de ambas as infrações penais - vias de fato e ameaça. 2. Nesse contexto, a alteração das conclusões a que chegou o Tribunal de origem, a fim de absolver o réu por insuficiência de provas, demandaria necessariamente o revolvimento do suporte fático-probatório dos autos, o que é vedado em sede de recurso especial, a teor do enunciado sumular n. 7 deste Superior Tribunal de Justiça. 3. A jurisprudência desta Corte é assente no sentido de que, em se tratando de crimes praticados no âmbito doméstico, a palavra da vítima tem valor probante diferenciado, desde que corroborada por outros elementos probatórios, tal como ocorrido na espécie. 4. Em relação à primeira fase da dosimetria, verifica-se que a Corte de origem valorou negativamente as circunstâncias do crime, fixando as penas-bases acima do mínimo legal, vale dizer, 02 (dois) meses de detenção, para a contravenção das vias de fato e 04 (quatro) meses de detenção para o crime de ameaça, levando em consideração "a agressividade demonstrada pelo Acusado, ao agredir a Vítima com vários golpes (tapas, socos e puxões de cabelo), em via pública, na frente de desconhecidos, expondo-a a exacerbado constrangimento, que extrapolam as circunstâncias comuns aos tipos que lhe são imputados" (e-STJ, fls. 340-341). Desse modo, não se verifica a ilegalidade apontada pela defesa, pois o aresto impugnado utilizou-se de fundamentação idônea e concreta para valorar negativamente as circunstâncias do delito em ambos os casos. 5. Agravo regimental a que se nega provimento. (AgRg no AREsp n. 1.495.616/AM, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 20/8/2019, DJe de 23/8/2019.) Quanto ao mais, "não há direito subjetivo do réu à adoção de alguma fração de aumento específica para cada circunstância judicial, seja ela de 1/6 sobre a pena-base, 1/8 do intervalo supracitado ou mesmo outro valor" (AgRg no REsp n. 2.103.310/PR, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 17/6/2024, DJe de 20/6/2024). Ainda: "o estabelecimento da basilar não se limita a critério matemático, sendo possível a adoção de fração para cada circunstância judicial no patamar de 1/6 (um sexto) sobre a pena-base, 1/8 (um oitavo) sobre o intervalo entre as penas mínima e máxima e, até mesmo, outra fração. Os referidos parâmetros não se revestem de caráter obrigatório, exigindo-se, tão somente, que o critério utilizado pelas instâncias ordinárias seja proporcional e justificado" (AgRg no HC n. 843.081/SP, relator Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, julgado em 17/6/2024, DJe de 20/6/2024). Ante o exposto, conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial. EMENTA