AREsp 2760868 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do recurso especial porque o Tribunal a quo, em decisão motivada, concluiu pela existência de desígnios autônomos na conduta, configurando concurso formal impróprio; admitir a pretensão do agravante exigiria revolver prova e matéria fática, vedado em recurso especial pela...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: JOSÉ ALISSON DA SILVA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 18 November 2024
- Procedural Posture
- Agravo Contra Decisão Que Inadmitiu Recurso Especial / Decisão Monocrática De Conhecimento Do Agravo E Não Conhecimento Do Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo e não conheço do recurso especial.
- Legal Topics
- Lesão Corporal, Violência Doméstica, Concurso De Crimes, Concurso Formal Próprio E Impróprio, Dosimetria Da Pena, Admissibilidade De Recurso Especial, Súmula 7/stj
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
JOSÉ ALISSON DA SILVA
Agravante
Procedural Posture
Agravo Contra Decisão Que Inadmitiu Recurso Especial / Decisão Monocrática De Conhecimento Do Agravo E Não Conhecimento Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Reconhecimento de concurso formal próprio vs concurso formal impróprio
- 2 Aplicação do art. 70 do Código Penal
- 3 Vedação ao reexame de matéria fático-probatória pelo recurso especial (Súmula 7/STJ)
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do recurso especial porque o Tribunal a quo, em decisão motivada, concluiu pela existência de desígnios autônomos na conduta, configurando concurso formal impróprio; admitir a pretensão do agravante exigiria revolver prova e matéria fática, vedado em recurso especial pela Súmula 7/STJ.
Court Disposition
Conheço do agravo e não conheço do recurso especial.
Orders
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto por JOSÉ ALISSON DA SILVA, em adversidade à decisão que inadmitiu recurso especial manejado contra acórdão do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios, cuja ementa é a seguinte (e-STJ fl. 728): APELAÇÃO CRIMINAL. LESÃO CORPORAL. VIOLÊNCIA DOMÉSTICA. MATERIALIDADE E AUTORIA COMPROVADAS. CONCURSO FORMAL. VIABILIDADE. DOSIMETRIA. EXCLUSÃO DE UMA CIRCUNSTÂNCIA. APLICAÇÃO DA FRAÇÃO DE 1/8 SOBRE O INTERVALO. PREJUDICIAL. PENA ABAIXO DE 4 ANOS. REINCIDÊNCIA. REGIME SEMIABERTO. 1. Nos crimes de violência doméstica tem relevância o depoimento da vítima, principalmente quando corroborada pelo laudo de lesões corporais. Demonstrada a materialidade e autoria do crime, inviável a absolvição do réu. 2. Quando o agente, por meio de uma conduta, pratica mais de um delito, com desígnios autônomos, sendo dolo direto no primeiro e eventual no segundo, deve ser aplicada a regra do concurso foram impróprio, aplicando-se as penas de forma cumulativa (artigo 70, do CP, parte final). 3. Sendo mais benéfico ao apelante o critério de 1/6 sobre a pena mínima, aplicado na primeira fase da dosimetria, a pena-base deve ser mantida, ainda que excluída uma das circunstâncias judiciais, se a adoção do critério de 1/8 resultar prejudicial ao réu. 4. Fixada pena inferior a 4 anos e sendo o réu reincidente, é possível estabelecer o regime semiaberto para início de cumprimento. 5. Apelação parcialmente provida. Nas razões do recurso especial (e-STJ fls. 759/770), fundado na alínea a do permissivo constitucional, alega a parte recorrente violação do artigo 70 do CP. Sustenta que deve ser reconhecida a ocorrência do crime de lesão corporal em concurso formal próprio, uma vez que a pluralidade de vítimas desse ato subsequente estava inerentemente ligados a um único intento (e-STJ fls.768). Apresentadas contrarrazões (e-STJ fls. 781/784), o Tribunal a quo não admitiu o recurso especial (e-STJ fls. 790/791), tendo sido interposto o presente agravo (e-STJ fls. 800/808). O Ministério Público Federal, instado a se manifestar, opinou pelo não conhecimento do recurso (e-STJ fls. 847/849). É o relatório. Decido. Preenchidos os requisitos formais e impugnado o fundamento da decisão agravada, conheço do agravo. O recurso não merece acolhida. O reconhecimento do concurso formal próprio exige que o agente, mediante apenas uma ação ou omissão, pratique dois ou mais crimes, idênticos ou não (CP, art. 70, caput), ou seja, é necessária a presença de unidade de conduta e a pluralidade de resultados criminosos. Ainda, caso evidenciado que a conduta dolosa do paciente deriva de desígnios autônomos, restará configurado o concurso impróprio (CP, art. 70, parágrafo único), que implica soma das penas, nos moldes do concurso material (AgRg no HC n. 884.143/SC, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 10/6/2024, DJe de 13/6/2024.) No presente caso, o Tribunal a quo, em decisão devidamente motivada, entendeu que, do caderno instrutório, emergiram elementos suficientemente idôneos de prova, aptos a concluir pela existência de desígnios autônomos na conduta do acusado, aplicando o concurso formal impróprio. Abaixo, trecho do acórdão recorrido (e-STJ fls. 732/733): A defesa, em sede recursal, requer subsidiariamente seja aplicado o concurso formal de crimes, afastando o concurso material adotado pela sentença. Parcial razão assiste à defesa. O art. 70 do Código Penal descreve o concurso formal de crimes: Art. 70 - Quando o agente, mediante uma só ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes, idênticos ou não, aplica-se-lhe a mais grave das penas cabíveis ou, se iguais, somente uma delas, mas aumentada, em qualquer caso, de um sexto até metade. As penas aplicam-se, entretanto, cumulativamente, se a ação ou omissão é dolosa e os crimes concorrentes resultam de desígnios autônomos, consoante o disposto no artigo anterior.(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) Os requisitos acima demonstrados são a unicidade de ação ou conduta do qual resulte a prática de dois ou mais delitos. No caso dos autos, entendo que estão presentes os requisitos acima referidos, especialmente quando há elementos que indicam que a conduta perpetrada pelo acusado, empurrão na vítima G., resultou indiretamente também em lesão à sua mãe. Há de se aplicar, contudo, a parte final do disposto no art. 70 do CP, uma vez que o apelante agiu com dolo direto em relação à G. e, em relação à vítima M., com dolo eventual, de modo que há dois desígnios autônomos em sua conduta. .. Dessa maneira, embora reconhecido concurso formal impróprio, a aplicação da pena se assemelha ao concurso material, pois devem ser aplicadas cumulativamente. Assim, rever os fundamentos utilizados pela Corte de origem, para concluir pela ausência de desígnios autônomos, reconhecendo o concurso formal próprio entre os delitos, como requer a defesa, importa revolvimento de matéria fático-probatória, vedado em recurso especial, segundo óbice da Súmula n. 7/STJ. Ademais, a expressão "desígnios autônomos" refere-se a qualquer forma de dolo, seja ele direto ou eventual. Vale dizer, o dolo eventual também representa o endereçamento da vontade do agente, pois ele, embora vislumbrando a possibilidade de ocorrência de um segundo resultado, não o desejando diretamente, mas admitindo-o, aceita-o (HC n. 191.490/RJ, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, julgado em 27/9/2012, DJe de 9/10/2012) (AgRg no AREsp n. 2.521.343/SP, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 17/9/2024, DJe de 24/9/2024.) Ante o exposto, com fundamento no art. 932, inciso III, do CPC, c/c o art. 253, parágrafo único, inciso II, alínea a, parte final, do RISTJ, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Intimem-se. EMENTA