REsp 1931020 - ACORDAO
O agravo interno foi improvido porque o Tribunal entendeu que o Tribunal de origem analisou e fundamentou suficientemente os pontos essenciais da controvérsia (art. 489 e art. 1.022 do CPC/2015), não havendo prequestionamento das teses suscitadas no recurso especial, além de que a pretensão exigiria reexame...
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- Parties
- Agravante/recorrente: Arnaldo Freire de Carvalho; Agravada/recorrida: União
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 07 October 2021
- Procedural Posture
- Agravo Interno Contra Decisão Que Não Conheceu De Recurso Especial / Julgamento De Agravo Interno Na Segunda Turma Do Superior Tribunal De Justiça
- Outcome
- Agravio interno improvido; negar provimento ao agravo interno
- Legal Topics
- Licença Especial, Conversão Em Pecúnia, Prequestionamento, Incidência De Súmulas, Reexame Fático Probatório
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Parties
Arnaldo Freire de Carvalho
Agravante/recorrente
União
Agravada/recorrida
Procedural Posture
Agravo Interno Contra Decisão Que Não Conheceu De Recurso Especial / Julgamento De Agravo Interno Na Segunda Turma Do Superior Tribunal De Justiça
Legal Issues
- 1 Conversão em pecúnia de licença especial não gozada
- 2 Prequestionamento e aplicação das Súmulas n. 211 do STJ e 282 e 356 do STF
- 3 Vedação ao reexame fático-probatório (Súmula n. 7 do STJ)
Ratio Decidendi
O agravo interno foi improvido porque o Tribunal entendeu que o Tribunal de origem analisou e fundamentou suficientemente os pontos essenciais da controvérsia (art. 489 e art. 1.022 do CPC/2015), não havendo prequestionamento das teses suscitadas no recurso especial, além de que a pretensão exigiria reexame fático-probatório vedado pela Súmula n. 7 do STJ; assim, mantida a decisão que não conheceu do recurso especial e rejeitado o agravo interno.
Court Disposition
Agravio interno improvido; negar provimento ao agravo interno
Orders
- Negar provimento ao agravo interno
- Manter a decisão agravada que não conheceu do recurso especial
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Herman Benjamin, Og Fernandes, Mauro Campbell Marques e Assusete Magalhães votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Herman Benjamin.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno interposto contra monocrática que decidiu recurso especial interposto por Arnaldo Freire de Carvalho, com fundamento no art. 105, III, a, da Constituição Federal. O recurso visa reformar acórdão do Tribunal Regional Federal da 5ª Região, ementado nestes termos (fl. 262): ADMINISTRATIVO. MILITAR INATIVO. LICENÇA ESPECIAL NÃO GOZADA. CONVERSÃO EM PECÚNIA. IMPOSSIBILIDADE. CONTAGEM JÁ EFETIVADA PARA FINS DO ADICIONAL DE TEMPO DE SERVIÇO. INEXISTÊNCIA DE ENRIQUECIMENTO SEM CAUSA PARA A ADMINISTRAÇÃO. APELAÇÃO PROVIDA. 1. Apelação interposta pela União em face da sentença que julgou procedente o pedido do Autor (Militar1. do Exército), condenando o Ente Público ao pagamento de quantia correspondente a 06 (seis) meses de licença especial não gozada, compensando-se os valores recebidos, a título de adicional de tempo de serviço, relativos ao período de licença especial. 2. A despeito da ausência de previsão legal acerca da possibilidade de conversão em pecúnia de licença2. prêmio não usufruída na ativa e nem utilizada para contagem do tempo de serviço para aposentadoria, a jurisprudência pátria vem entendendo que a aludida conversão da licença prêmio não gozada em pecúnia para o servidor é sim possível, no intuito de evitar o enriquecimento ilícito da Administração. Pelo mesmo motivo, a Licença Especial vem sendo concedida aos Militares das Forças Armadas transferidos para a reserva remunerada. 3. Na hipótese, embora o Recorrido não precisasse da contagem em dobro de seus períodos para fins de3. aposentadoria, por já possuir tempo suficiente para tanto, passou a usufruir, financeiramente, dessa opção, na medida em que, há mais de dois anos, percebe 1% (um por cento) a mais sobre o seu soldo, a título de adicional por tempo de serviço. (Precedentes deste Tribunal: Processo 0803401-15.2018.4.05.8100, AC Apelação Cível - Rel. Desembargador Federal Fernando Braga, 3ª Turma, Julgamento: 28/09/2018; e Processo 0803547-47.2018.4.05.8200, AC - Apelação Cível - Rel. Desembargador Federal Rogério Fialho Moreira, 3ª Turma, Julgamento: 28/06/2019). 4. Apelação provida. Honorários advocatícios, a cargo do Autor/Apelado, fixados em 10% (dez por cento) sobre o valor da causa. Na origem, trata-se de ação ajuizada por Arnaldo Freire de Carvalho contra a União objetivando a conversão em pecúnia de períodos não usufruídos de licença especial. Na sentença, julgou-se improcedente o pedido. No Tribunal a quo, a sentença foi mantida. Nesta Corte, não se conheceu do recurso especial. No recurso especial, Arnaldo Freire de Carvalho alega ofensa aos arts. 489 §1º, IV, 927, 928 e 1.022, II, todos do CPC/2015;43, 186, 884, 885, 886 e 927, todos do CC;68, 97 e 98, todos da Lei n. 6.880/1980 e33 da MP n. 2.188-7. Sustenta negativa de prestação jurisdicional. Defende converter em pecúnia a Licença Especial não gozada, com base na última remuneração percebida pelo recorrente. A decisão monocrática tem o seguinte dispositivo: "Ante o exposto, nos termos do art. 255, §4º, I, do Regimento Interno do STJ, não conheço do recurso especial." Interposto agravo interno, a parte agravante traz argumentos contrários aos fundamentos da decisão, nestes termos (fls. 458-465): Não restam dúvidas, portanto, que houve nítida violação ao art. 1.022 do CPC, o que somente corrobora o conhecimento recursal aqui defendido, pelo que requer o Agravante o acatamento de todas as suas fundamentações, haja vista a comprovação da não incidência das Súmulas 211/STJ e 282 e 356 do STF. (..) ..restou comprovado que a matéria em destaque é exclusivamente de direito, sem a incidência da súmula 07, logo, defende o Agravante o conhecimento recursal, requerendo o acatamento de tópico em questão. (..) ..os argumentos foram amplamente debatidos na peça recursal do Agravante, não havendo o que falar em incidência das Súmulas 283 e 284 do STF. É relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. POLICIAL MILITAR. LICENÇA ESPECIAL. CONVERSÃO EM PECÚNIA. IMPROCEDÊNCIA DO PEDIDO. ALEGAÇÃO DE OFENSA AOS ARTS. 489 E 1.022, AMBOS DO CPC/2015. INEXISTÊNCIA. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. APLICAÇÃO DAS SÚMULAS N. 211 DO STJ E 282, 356, AMBAS DO STF. PRETENSÃO DE REEXAME FÁTICO-PROBATÓRIO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 7 DO STJ. I -Na origem, trata-se de ação ajuizada contra a União objetivando a conversão em pecúnia de períodos não usufruídos de licença especial. Na sentença, julgou-se improcedente o pedido. No Tribunal a quo, a sentença foi mantida. Nesta Corte, não se conheceu do recurso especial. II - A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é firme no sentido de que não há violação do 535 do CPC/1973 (art. 1.022 do CPC/2015) quando o Tribunal a quo se manifesta clara e fundamentadamente acerca dos pontos indispensáveis para o desate da controvérsia, apreciando-a fundamentadamente (art. 165 do CPC/73 e do art. 489 do CPC/2015), apontando as razões de seu convencimento, ainda que de forma contrária aos interesses da parte, como verificado na hipótese. III - Conforme entendimento pacífico desta Corte "o julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão". A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 confirma a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, "sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida". (EDcl no MS 21.315/DF, relatora Ministra Diva Malerbi (Desembargadora convocada TRF 3ª Região), Primeira Seção, julgado em 8/6/2016, DJe 15/6/2016.) IV - Esta Corte somente pode conhecer da matéria objeto de julgamento no Tribunal de origem. Ausente o prequestionamento da matéria alegadamente violada, não é possível o conhecimento do recurso especial. Nesse sentido, o enunciado n. 211 da Súmula do STJ: "Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo Tribunal a quo"; e, por analogia, os enunciados n. 282 e 356 da Súmula do STF. V - Não há incompatibilidade entre a inexistência de ofensa ao art. 1.022 do CPC/2015 e a ausência de prequestionamento, com a incidência do enunciado n. 211 da Súmula do STJ quanto às teses invocadas pela parte recorrente, que, entretanto, não são debatidas pelo Tribunal local, por entender suficientes para a solução da controvérsia outros argumentos utilizados pelo colegiado. Nesse sentido: AgInt no AREsp 1.234.093/RJ, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 24/4/2018, DJe 3/5/2018; AgInt no AREsp 1.173.531/SP, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 20/3/2018, DJe 26/3/2018. VI - A Corte de origem analisou a controvérsia dos autos levando em consideração os fatos e provas relacionados à matéria. Assim, para se chegar à conclusão diversa seria necessário o reexame fático-probatório, o que é vedado pelo enunciado n. 7 da Súmula do STJ. VII - Verifica-se que o acórdão recorrido, em confronto com as razões do recurso especial, revela que o fundamento apresentado naquele julgado, acerca da inexistência de prejuízo e da opção feita pela parte autora, utilizado de forma suficiente para manter a decisão proferida no Tribunal a quo, não foi rebatido no apelo nobre, o que atrai os óbices das Súmulas n. 283 e 284, ambas do STF VIII - Agravo interno improvido. VOTO O recurso não merece provimento. A decisão agravada deve ser mantida pelos seus próprios fundamentos, pois aplicou a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, firme no sentido de que não há violação do 535 do CPC/73 (art. 1.022 do CPC/2015) quando o Tribunal a quo se manifesta clara e fundamentadamente acerca dos pontos indispensáveis para o desate da controvérsia, apreciando-a fundamentadamente (art. 165 do CPC/73 e do art. 489 do CPC/2015), apontando as razões de seu convencimento, ainda que de forma contrária aos interesses da parte, como verificado na hipótese. Conforme entendimento pacífico desta Corte "o julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão". A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 confirma a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, "sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida". (EDcl no MS 21.315/DF, relatoraMinistra Diva Malerbi (Desembargadora convocada TRF 3ª Região), Primeira Seção, julgado em 8/6/2016, DJe 15/6/2016). Esta Corte somente pode conhecer da matéria objeto de julgamento no Tribunal de origem. Ausente o prequestionamento da matéria alegadamente violada (arts. 43, 186, 884, 885, 886 E 927 do Código Civil; IV c/c 927 e 928, todos do Código de Processo Civil), não é possível o conhecimento do recurso especial. Nesse sentido, o enunciado n. 211 da Súmula do STJ: "Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo Tribunal a quo"; e, por analogia, os enunciados n. 282 e 356 da Súmula do STF. Conforme entendimento desta Corte, não há incompatibilidade entre a inexistência de ofensa ao art. 1.022 do CPC/2015 e a ausência de prequestionamento, com a incidência do enunciado n. 211 da Súmula do STJ quanto às teses invocadas pela parte recorrente, que, entretanto, não são debatidas pelo Tribunal local, por entender suficientes para a solução da controvérsia outros argumentos utilizados pelo colegiado. Nesse sentido: AgInt no AREsp 1.234.093/RJ, relatorMinistro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 24/4/2018, DJe 3/5/2018; AgInt no AREsp 1.173.531/SP, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 20/3/2018, DJe 26/3/2018. A Corte de origem analisou a controvérsia dos autos levando em consideração os fatos e provas relacionados à matéria. Assim, para se chegar à conclusão diversa seria necessário o reexame fático-probatório, o que é vedado pelo enunciado n. 7 da Súmula do STJ, segundo o qual "Apretensão de simples reexame de provas não enseja recurso especial". Verifica-se ainda que o acórdão recorrido, em confronto com as razões do recurso especial, revela que o fundamento apresentado naquele julgado, acerca da inexistência de prejuízo e da opção feita pela parte autora, utilizado de forma suficiente para manter a decisão proferida no Tribunal a quo, não foi rebatido no apelo nobre, o que atrai os óbices das Súmulas n. 283 e 284, ambas do STF, in verbis: Súmula n. 283 É inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles. Súmula n. 284 É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia. Ante o exposto, não havendo razões para modificar a decisão recorrida, nego provimento ao agravo interno. É o voto.